Enfim, um time

Hoje, todo mundo que gosta de futebol acabou com uma boa ressaca. Afinal, não é todo o dia que a seleção brasileira é campeã em casa. Melhor. Ganhou na final daquela que é tida e havida como a melhor seleção da atualidade: a Espanha. Inspirada no esquema de jogo do Barcelona, a Fúria vinha de uma seqüência recorde de jogos sem perder. Já fazia exatos três anos que a seleção espanhola não conhecia uma derrota. Derrota por 3×0, então, só mesmo o PVC para dizer quando foi a última.

Desacreditada por todos – inclusive por este que vos escreve – a seleção brasileira conseguiu, em pouco menos de um mês, resgatar a confiança perdida e restabelecer, pelo menos por enquanto, seu status de time de ponta do futebol mundial. O que mudou em tão pouco tempo?

Em primeiro lugar, Felipão fez algo que nem mais eu acreditava: desistiu de ex-jogadores em atividade, como Kaká e Ronaldinho Gaúcho, e futuras-mas-nunca-cumpridas-promessas-de-craque, como Robinho e Pato. Como foi antecipado aqui, sua convocação era prenúncio de que, enfim, havia um técnico à procura de um time, e não um enfermeiro portando um desfibrilador para ressuscitar ex-supostos-craques. Depois de dois anos rodando como rosca espanada, parecia que havia pelo menos um rumo a seguir.

Em segundo lugar, Felipão conseguiu mudar o estilo de jogo da seleção. Com muita disposição física e tática, o time abandonou o tradicional 4-4-2 e partiu para quase um 4-3-3, no qual Hulk, Neymar, Oscar e Fred pressionam a saída de bola do adversário. Foi essa verdadeira blitz que permitiu ao Brasil, em pelo menos 3 dos 5 jogos, sair na frente com menos de 10 minutos no cronômetro, o suficiente para acalmar o jogo e dar certa tranqüilidade para administrar o resultado.

De certo modo, Felipão conseguiu por ora reproduzir o esquema de sucesso da Copa de 2002: empenho tático, doação do time em campo e união entre os jogadores. Sem isso, dificilmente o Brasil bateria a Espanha na final da Copa das Confederações.

Tudo muito bom, tudo muito bem. Quer dizer que, então, que estamos prontos para a Copa do Mundo?

Nem pensar. Apesar da vitória incontestável sobre a atual toda-poderosa salve, salve seleção espanhola, há ainda muito caminho a percorrer.

Primeiramente, embora os 3×0 não deixem margem a tergiversações, é justo dizer que o Brasil ganhou de um time esgotado fisicamente. Só quem esteve na sauna ao ar livre chamada Castelão pode imaginar o tanto que os jogadores espanhóis sofreram para enfrentar 120 minutos de partida mais os pênaltis contra a Itália. Pra piorar, a Espanha tinha um dia a menos de descanso e 3000km a mais para viajar de avião até o Maracanã. Tudo isso e mais o time inteiro em final de temporada. Não é difícil entender, portanto, porque o Brasil voava enquanto a Espanha parecia se arrastar em campo.

Além disso, o time ainda ostenta algumas debilidades que podem comprometer seriamente um jogo decisivo. Hulk é um sujeito legal e esforçado, mas tem um pequeno problema com a bola: ele a ama, mas a paixão não parece correspondida. Oscar tem cara de bom menino e pode até ser um bom atacante, mas não tem o menor cacoete pra meia. Ele não consegue organizar o jogo no meio, muito menos cadenciá-lo. Aliás, não há nenhum jogador no Brasil com essa característica. É isso que explica um segundo tempo jogado a 120km/h, mesmo com o placar marcando 3×0 para o Brasil. Houvesse no time um Pirlo ou mesmo um Ganso das áureas épocas do Santos, o time correria muito menos riscos estando à frente no marcador.

Mesmo assim, a despeito de todos os senãos e poréns, a Felipão deve ser dado o crédito de, enfim, dar à torcida brasileira um time para chamar de seu.

Palmas pra ele.

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