Uma seleção para 2014

Minha opinião sobre a Copa do Mundo de 2014 é conhecida. Já tratei dela em diversos posts aqui no blog. Mas mais do que as obras que certamente não ficarão prontas a tempo – à exceção dos estádios – o Brasil arrisca-se a chegar a 2014 sem a única coisa realmente fundamental para a Copa: uma seleção.

No ciclo que terminou na Copa passada, virou lugar-comum descer o pau no Dunga. Afinal, o cara era bronco, parecia entender muito pouco do riscado e tratava todo mundo a patadas. A seu favor, entretanto, podia-se dizer que ganhara tudo a maior parte dos torneios disputados. Ganhou a Copa América, a Copa das Confederações e terminou as eliminatórias em 1º lugar. Perdeu as Olimpíadas, é verdade, mas a conta dessa derrota foi praticamente debitada nas costas de Ronaldinho Gaúcho. Fora isso, ganhou praticamente todos os jogos contra os grandes do futebol mundial (Argentina, Itália, Inglaterra, etc.).

Mesmo assim, Dunga teve a coragem de fazer o trabalho de aposentadoria na seleção, coragem que faltou a Carlos Alberto Parreira. Ronaldo, Roberto Carlos, Cafu e Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, foram forçados a pendurar as chuteiras, embora quase todos quisessem muito continuar vestindo a amarelinha.

Isso fez de Dunga um grande técnico? Claro que não. Mesmo ganhando, a seleção jogava mal e estava evidente que não havia um time formado. Havia uma dependência excessiva de três jogadores: Robinho, Kaká e Luís Fabiano. Como Paulo Vinícius Coelho cansou de repetir, faltava talento à seleção. Para que o Brasil ganhasse a Copa, era necessário que todos os três jogassem o melhor que podiam em todos os jogos. No momento em que faltasse um, o Brasil seria eliminado. Foi o que aconteceu no jogo com a Holanda, em que os três apagaram as luzes e a seleção, por conseguinte, tomou o caminho de casa.

Com a chegada de Mano Menezes, acreditava-se em novos tempos para a seleção. Afável no trato, Mano vinha de uma campanha vitoriosa no Corinthians, e era tido como um técnico estudioso e dedicado.

Mano corrigiu algumas injustiças de Dunga, chamando logo de cara Ganso e Neymar. Com o passar do tempo, no entanto, ficou claro que não conseguiu formar um time de futebol. Como parecesse difícil ganhar um clássico sequer contra algum cachorro grande, ressuscitou – pasmem – Ronaldinho Gaúcho, um típico caso de “ex-jogador em atividade”, como diria Paulo César Vasconcellos.

Na minha modesta opinião, Mano deveria logo abandonar o projeto de resultados imediatos para se segurar no cargo – a única explicação possível para casos como Ronaldinho Gaúcho e Júlio César – e tentar, agora, formar uma base para 2014. Quando digo “agora”, quero dizer “ontem”; não hoje nem amanhã nem depois de amanhã.

A defesa já está mais ou menos formada. Com Jefferson no gol e Marcelo e Daniel Alves nas  laterais, falta apenas colocar Dedé ao lado de Thiago Silva para terminar de montá-la.

Do meio pra frente é que a porca entorta o rabo. Penso que ele deveria insistir numa base com Ganso, Lucas e Neymar, e procurar opções para as outras posições.

Mais do que isso, deveria ler mais as colunas do Tostão e tentar fazer com que o padrão de jogo do time mude daqui pra lá. Acabar com essa história de “volantes-volantes” e “meias-atacantes” e tentar fazer com que a defesa jogue mais próxima do meio, e o meio mais próximo do ataque, como faz o Barcelona.

Mas se ficarmos fazendo amistosos contra seleções como a Bósnia, estamos nos arriscando seriamente a repetir o desastre de 2010. É esperar pra ver.

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