Uma lufada de esperança

Hoje, o noticiário esportivo nacional acordou meio de ressaca. Depois do empate de ontem com a Inglaterra na reabertura do Maracanã, metade das manchetes criticava o time de Felipão. A outra metade descia o cacete, mesmo. Os mais condescendentes ainda concediam a Felipão o fato de ter deslocado Paulinho para a posição de segundo volante, na qual fez o gol de empate. Ainda assim, faziam-no de forma enviesada, com chamadas do tipo “Paulinho evita desastre”, ou ainda “Empate salva Felipão”.

Quem acompanha o blog está careca de saber minha posição em relação a CBF, a Felipão e mesmo à Copa do Mundo no Brasil. No entanto, ao contrário do que hoje se mostra a voz corrente na imprensa esportiva, este que vos escreve acredita muito mais na seleção do que já acreditou nos últimos anos. E não, não é mero exercício de nadar contra a corrente. Há razões bem objetivas para acreditar que a seleção brasileira, agora, pode fazer um bom papel na Copa do Mundo de 2014.

Pra começo de conversa, Felipão parece ter-se dado conta de que o tempo de jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho e Luís Fabiano já passou. Ronaldinho não sabe o que é um bom ano com a bola desde 2006. Kaká, desde 2007. Noves fora o fato de que nenhum dos dois jamais jogou na seleção algo parecido com as melhores fases em seus respectivos clubes, o fato é que lá se vão no mínimo seis anos desde quando ambos se encontravam no “auge” da carreira (embora, na minha modesta opinião, nos dois casos o “auge” tenha sido muito super-estimado). Hoje, tanto Ronaldinho como Kaká não passam de ex-jogadores em atividade. Aliás, Kaká nem nesse conceito se enquadra, pois passa 90% do tempo esquentando o banco no Real Madrid. Insistir com eles seria, na melhor das hipóteses, uma arriscada aposta em um eventual “canto do Cisne” de um deles, como aconteceu com Ronaldo em 2002.

Fora isso, há casos de jogadores dos quais muito se esperava, mas jamais conseguiram corresponder às expectativas. É o caso, por exemplo, de Robinho. Apontado como grande revelação do futebol brasileiro em 2002, Robinho é aquele que foi sem nunca ter sido. Provavelmente, é o exemplo mais bem acabado de “melhor jogador do mundo” que não aconteceu. Hoje, encostado no Milan, as notícias relacionadas a ele dizem muito mais respeito às encrencas que arruma com o técnico do que às façanhas que apresenta em campo. Caminhando no ano que vem para os 30 anos, Robinho já passou pelo apogeu técnico há muito tempo. Apostar nele seria insistir no erro, como provou Dunga em 2010.

Outro caso de “jogadores que não aconteceram” é o de Alexandre Pato. Após ter explodido no Internacional com apenas 18 anos, Pato logo se transferiu para o Milan. De lá pra cá, passou mais tempo parado cuidando de lesões do que jogando bola. Hoje, comprado pela fortuna de R$ 25 milhões, esquenta o banco no Corinthians.

Ao deixar toda essa gente de lado, Felipão oferece a coisa mais importante de que a seleção precisava nos últimos tempos: renovação. Sua convocação para a Copa das Confederações é, pois. mais promissora pelas lacunas que apresenta do que pelas presenças que tem. Apostando em gente como Neymar, Paulinho, Thiago Silva e Marcelo, Felipão tem mais a ganhar do que com os medalhões em semi-aposentadoria e com promessas que nunca chegaram a se concretizar.

Se antes acreditava que a seleção mal conseguiria passar da primeira fase do mundial, hoje acredito que o time pode sonhar com fases mais elevadas. Título? Difícil. Mesmo assim, na pior das hipóteses, já iniciamos a formação da seleção para a Copa de 2018.

Depois de muito tempo, há razões para acreditar no escrete canarinho. Só com isso, Felipão já justificou a sua contratação.

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