Aviso aos navegantes

Chegando ao final do ano, o Dando a cara a tapa entrará a partir da semana que vem no seu tradicional recesso natalino.

Voltamos, com a graça do Bom Deus, para comemorar mais um aniversário do Blog no meio de janeiro.

Até lá, desejo a todos um Feliz Natal e um 2020 muito melhor do que este difícil ano de 2019.

São os votos sinceros do

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A “verdade” sobre João 8:32

Chegando ao final de mais um ano aqui no Dando a cara a tapa, vamos recorrer a uma das seções mais incompreendidas deste espaço: a sempre vilipendiada Religião. Mas, para sair do encanto fácil de falar algo batido sobre o Natal ou o nascimento de Jesus, iremos analisar um tema do momento: o agora famoso capítulo 8, versículo 32, do Evangelho segundo João.

Como todo mundo sabe, o Evangelho de João compõe, ao lado de Mateus, Marcos e Lucas, os evangelhos canônicos, o que popularmente todos nós conhecemos como “Novo Testamento”. Em “substituição” ao Antigo Testamento, celebrado por Deus diretamente com o povo judaico, o Novo Testamento restabelece as bases da relação do homem com o divino. Se antes o, digamos, “objetivo” era que os judeus rejeitassem qualquer outro culto e admitissem Jeová como o seu único Deus, agora a “Nova Aliança” proposta por Jesus destina-se a salvar a humanidade amaldiçoada pelo pecado através do arrependimento sincero e do amor a Deus. Não por acaso, o “Deus” do Antigo Testamento é inteiramente “diferente” do do Novo: o anterior era vingativo, inclemente, quase rancoroso; o seu sucessor é amoroso, piedoso, um poço de compaixão.

Dos quatro evangelhos canônicos, João é disparado o mais místico e espiritual de todos eles. Seu começo deixa logo isso claro a qualquer um:

“1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.

Evidentemente, “verbo” não está aí na sua acepção comum, terrena, de uma palavra que indica uma ação ou alguma mudança de estado. Ao dizer que “no princípio era o Verbo”, o evangelista está a explicar que Deus é eterno; estava no começo de todas as coisas, e todas as coisas só são por sua causa. A segunda parte é autoexplicativa: a palavra de Deus é Deus e ponto, não se podendo estabelecer qualquer espécie de dissociação entre um e outro. Deve-se destacar que esse tipo de abordagem é exclusiva; nenhum dos outros três evangelistas estabelece esse tipo de relação entre Deus (ou Jesus) e a sua palavra.

Dito isto, a leitura de todo o Evangelho de João deve ser feita tendo isso em mente: trata-se do evangelho mais “metafórico” do Novo Testamento. Nada, portanto, pode ser lido “literalmente”, senão depois de um profundo estudo do que verdadeiramente representa cada palavra.

Pois bem. Qual o “problema” com João 8:32?

O capítulo oitavo do Evangelho de João contém um longo debate entre Jesus e os fariseus, ocorrido durante a Festa dos Tabernáculos, que celebra a colheita no calendário judaico. Continuando a discussão que começara no capítulo anterior, os fariseus continuam a tentar pegar Jesus no contrapé. A idéia, como parece óbvio, era desacreditar Jesus como filho de Deus ou mesmo seu profeta, qualificando-o como sacrílego.

Na primeira batida, os fariseus confrontam Jesus com a mulher flagrada em adultério. Como a Lei de Moisés ordenava que se lhe apedrejasse até a morte, perguntam então o que fazer com ela. Jesus tira de letra o desafio: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela” (João 8:7). Uma vez que não houvesse ninguém na multidão que preenchesse esse requisito, a mulher se salva. Jesus então pergunta: “Ninguém a condenou?”. “Ninguém, Senhor”, responde ela. E então Jesus sentencia: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado” (João 8: 10-11).

A segunda parada diz respeito à natureza divina de Jesus: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12). Ao que os fariseus replicam: “Você está testemunhando a respeito de si próprio. O seu testemunho não é válido!” (João 8:13). E mais uma vez Jesus deixa os fariseus com a brocha na mão: “Ainda que eu mesmo testemunhe em meu favor, o meu testemunho é válido, pois sei de onde vim e para onde vou. Mas vocês não sabem de onde vim nem para onde vou” (João 8:14).

Finalmente, chegamos à terceira confrontação entre os fariseus e Jesus. Jesus diz: “Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos” (João 8:31), para então completar: “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (João 8:32).

Aturdidos, os fariseus contestam: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como você pode dizer que seremos livres?” (João 8:33). E Jesus responde com paciência divina: “Digo a vocês a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado” (João 8:34). E conclui: “Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres” (João 8:36).

Dessa forma, pode-se verificar que, quando Jesus faz referência a “verdade” no versículo 32, não está se referindo exatamente ao vocábulo “verdade”, mas, sim, a Ele mesmo. Jesus éverdade. Por isso, quando os pecadores enfim o reconhecerem como tal, a “Verdade” – ou seja, “Jesus” – os libertará. E só assim eles serão “de fato livres”.

O erro, portanto, do Presidente Jair Bolsonaro – e de tantos outros que o seguem – é o de fazer uma leitura rasa e desatenta do texto bíblico, ignorando que o vocábulo “verdade” não se encontra aqui no seu uso regular, mas, sim, como “sinônimo” do próprio Jesus. O dito bíblico, em resumo, nada tem a ver com tentar ensinar o crente a não mentir, mas, sim, em mostrar que Jesus é a única salvação do indivíduo. Afinal, como diz João em outra passagem de seu Evangelho, Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6).

Boa reflexão a todos.

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Trilha sonora do momento

Mantendo a tradição…

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Pensamento do dia

Fim de ano é a época em que você se lembra de algumas das coisas mais importantes da vida: férias e 13º.

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A revolução do streaming, ou O admirável mundo novo da mídia televisiva

Já não era sem tempo.

Depois de décadas de domínio absoluto das grandes redes de televisão, e, no Brasil, de quase um virtual monopólio da Nave Mãe (Globo), enfim a modernidade prometida pela Internet resolveu dar as caras para mudar para sempre o panorama do consumo de mídia no país.

Não que isso não fosse previsível. Muito pelo contrário. Desde que a world wide web baixou por estas paragens, ainda no tempo da Internet discada, profetizava-se o dia em que o consumo de informação e de entretenimento migraria das plataformas tradicionais – rádio e televisão – para novas modalidades de transmissão. O que antes parecia sonho de visionário muito louco de LSD, agora ganhar ares cada vez mais concretos de incontornável realidade.

Em relação à informação, a transição já se deu quase que por completo. Hoje, é difícil conhecer alguém que se informe – ou, pelo menos, que se forme exclusivamente – apenas com jornais, escritos ou televisionados. As revistas vão na mesma toada, e hoje a maioria dos semanários de grande circulação ostenta mais assinantes nas suas plataformas digitais do que nas suas tradicionais versões encadernadas. Faltava, no entanto, dar o salto para o mundo do entretenimento. E é aqui que entra a Netflix e o YouTube.

Fundada com uma idéia simples – evitar gastos extras com atrasos na devolução de fitas (!) e, mais tarde, DVDs -, a agora gigante do streaming norte-americano conseguiu superar as dificuldades iniciais para firmar-se como uma das maiores produtoras de conteúdo de entretenimento no mundo. A revolução é de tal ordem que o que antes parecia restrito às séries parece ter ganhado definitivamente Hollywood. Para quem duvida, basta verificar que, na última relação de indicados ao Globo de Ouro, a Netflix emplacou 3 de seus filmes entre os 5 indicados para o prêmio de Melhor Drama.

Menor não é a revolução perpetrada pelo YouTube. Também soerguido a partir de uma simples idéia – poder fazer com que qualquer um tivesse o seu “canal de televisão” -, o site hoje pertencente ao Google transformou-se numa das principais plataformas de difusão de conteúdo digital. Nele, misturam-se desde vídeos artesanais, lembranças de antigamente até verdadeiros “canais” de comunicação, de que é exemplo o agora famoso MyNews.

Para toda uma geração que cresceu e viveu sob a égide do sofá e da TV, a mudança revela-se dramática. De repente, ninguém mais se senta na sala de estar com a família para assistir ao que quer que seja. Cada qual pode, a seu bel prazer, assistir ao que quiser no seu computador ou mesmo no seu celular. O único entrave que existia – a deprimente velocidade da conexão brasileira -, foi enfim superado com a popularização das redes 4G e tende a desaparecer por completo quando por aqui aportar o tão esperado 5G.

As vantagens desse novo mundo são evidentes. Além da comodidade, o sujeito não está mais refém dos horários de televisionamento de filmes ou novelas, muito menos dos famigerados “comerciais” entrecortando a programação. Melhor ainda, acabou-se o monopólio de contratos de atores e da produção de conteúdo no Brasil. Não custa lembrar que houve um tempo em que artistas só podiam aparecer em determinada emissora e, caso a grande rede ficasse contrariada, o sujeito era jogado numa espécie de limbo, no qual nem mesmo aparições em comerciais de outras redes de TV era possível.

Obviamente, a mudança não ficará restrita aos consumidores. Seu aspecto mais revolucionário, e também dramático, se dará sobre as próprias emissoras de TV. Perdendo audiência, perderão publicidade, perdendo, por conseguinte, receita. Daí, por exemplo, as recentes demissões de medalhões da Globo e a repactuação de grande parte dos contratos de suas grandes estrelas. Grandes mudanças, como de hábito, não ocorrem sem grandes traumas.

Ainda que isso não acontecesse, seria difícil imaginar que qualquer emissora brasileira pudesse concorrer de igual pra igual com concorrentes estrangeiros que faturam dezenas de bilhões de dólares por ano. Se uma Netflix já era dureza pra qualquer um, imagine a gigante agora ladeada por Amazon, Apple e sabe-se lá mais quem daqui pra frente. Não há Globo que consiga aguentar essa parada.

Por isso mesmo, essa mudança de paradigma é tão auspiciosa. Pela primeira vez desde que a televisão foi instalada no Brasil, o telespectador parece ter ganhado sua independência. E, como prova de que os novos tempos vieram para ficar, Bruno Gagliasso resolveu tirar onda fazendo um “teste” para La Casa de Papel.

Duvida?

Então assista:

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Trilha sonora do momento

E como ontem Marie Fredriksson deixou-nos e partiu desta para uma melhor, aqui vai a singela homenagem deste pequeno espaço da web para a vocalista do Roxette, em um dos sucessos que mais embalo noites com dor de cotovelo deste que vos escreve…

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Pensamento do dia

As boas coisas vêm com o tempo. As melhores, de repente.

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