Recordar é viver: “A crise do Banco Master, ou A hipocrisia da extrema-direita”

Nove meses depois, continuamos na mesma.

O que aumentou foi apenas o cinismo.

É o que você vai entender, lendo.

A crise do Banco Master, ou A hipocrisia da extrema-direita

Publicado originalmente em 27.1.26

Que há uma crise no Supremo Tribunal Federal, só as avestruzes não vêem. Desde o estouro do escândalo do Banco Master, foi revelado que a mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, fora contratada pela casa de Vorcaro por R$ 129 milhões. Noves fora o valor exacerbado do contrato, soube-se que o próprio ministro havia se encontrado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos duas vezes antes da liquidação do banco.

A repórter Malu Gaspar, do Jornal O Globo, sustenta que os encontros serviram para que Xandão pressionasse Galípolo a autorizar a compra do Master pelo BRB. Xandão, ao revés, rebate dizendo que se encontrou com o presidente do BC para tratar das sanções da Lei Magnitsky que o governo de Donald Trump impusera contra ele. As datas batem, isto é, os encontros teriam ocorrido posteriormente às sanções do Laranjão. Até aí, portanto, é a palavra da jornalista contra a do ministro. Jogo jogado.

O caldo começou a entornar de verdade quando outro ministro, Dias Toffoli, resolveu entrar na brincadeira. Numa decisão meio girafa, Toffoli mandou avocar toda a investigação para o Supremo. À primeira vista, parecia um despropósito. Não havia um único sujeito com foro por prerrogativa de função investigado. A “justificativa” seria de que, no meio do papelório encontrado, fora descoberto um contrato de empréstimo do Master com um deputado federal (João Carlos Bacelar, do PL da Bahia).

O problema: o contrato não foi assinado. Aliás, não só não foi assinado, como ambas as partes – Master e o deputado – negam que as tratativas sequer tenham seguido adiante. Se isso já seria suficiente para levantar uma sombra de dúvida sobre a decisão de Toffoli, pior ainda foi descobrir que ele tomou a decisão de avocar o processo para o STF depois de ter compartilhado uma carona em um jatinho de um empresário com o advogado de um dos diretores do Master, responsável pelo protocolo da petição que levou o caso ao Supremo.

Daí pra frente, como esperado, a coisa degringolou. Para além de decisões curiosíssimas – como a de determinar uma acareação entre pessoas que nem haviam sido ouvidas, ou a de escolher ele mesmo os peritos da PF que investigariam o material apreendido -, o noticiário começou a ser inundado com notícias embaraçosas, relacionando o patrimônio de Toffoli e da família a empreendimentos imobiliários e a negócios financeiros em que o Master estava envolvido.

O que levou Toffoli a tomar essa sequência de decisões controversas? Ninguém sabe ao certo. Todavia, pela nuvem de polêmicas que se levantou desde então, é no mínimo razoável entender que o ministro não possui a isenção necessária para tratar esse caso com a equidistância que se ordinariamente se exige dos magistrados. O melhor para todos, até para resguardo do próprio Toffoli, é que se ele afastasse voluntariamente e deixasse a PF tocar o inquérito como de praxe.

Se o imbróglio de Toffoli com o caso Master serviu para alguma coisa, porém, não foi para impor aos ministros do Supremo o mesmo código de conduta imposto aos demais magistrados. Se houve algo que toda essa confusão ajudou a iluminar foi a hipocrisia suprema da extrema-direita com sua pauta “anti-STF”.

Desde quando surgiu como movimento em 2018, dos alicerces “ideológicos” do bolsonarismo é a contestação ao Supremo. Com pedidos de impeachment atrás de pedidos de impeachment, Bolsonaro e sua trupe se lançaram numa cruzada de verdadeiro assédio institucional contra o STF, na vã esperança de controlar a Corte e impedir que ela se opusesse aos seus arroubos autoritários. Felizmente, o Supremo não se vergou e hoje, com Justiça, Jair e sua trupe de golpistas curte uma cana dura na Papuda.

Agora, no entanto, temos um “escândalo” que justificaria um pedido de impeachment contra um ministro do Supremo. Sem fazer qualquer juízo de valor se as acusações contra Toffoli são falsas ou verdadeiras, há no mínimo um conjunto de indícios razoáveis que autorizariam, em tese, a propositura de impedimento contra um magistrado do STF.

E cadê o bolsonarismo? Cadê as campanhas orquestradas nas redes insociáveis contra o Supremo? Cadê as manifestações de rua com faixas a dizer “Supremo é o povo”? Cadê o grito contra a corrupção e contra “tudo que está aí?”

Com a bola quicando na pequena área e sem goleiro, os bolsonaristas preferem – ao invés de chutar a bola ao gol e correr para o abraço – fazer uma caminhada inútil, que só serviu para emular uma idolatria de cunho religioso do novo xodó dos extremistas, o deputado Nicolas Ferreira. O Senhor parece ter se irritado com as violações ao primeiro – Amar a Deus sobre todas as coisas – e ao segundo mandamentos – Não invocarás Seu Santo Nome em vão -, e resolveu mandar Nicolas e sua trupe de fanáticos literalmente para o raio que os partisse, fazendo com que caíssem raios sobre a multidão.

Fingindo-se de morto, o candidato oficial da oposição, Flávio Bolsonaro, resolveu sair do país para não tomar parte da confusão. Utilizando como justificativa a idéia de “reforçar os laços com Israel”, o filho 01 de Bolsonaro guarda até aqui obsequioso silêncio sobre o escândalo do Master. Por quê? Porque Dias Toffoli suspendeu, numa canetada, o inquérito do MPRJ que investigava as famosas “rachadinhas” do seu gabinete de deputado estadual, comandadas pelo notório Fabrício Queiroz. Ademais, foi o BRB – que compraria o Banco Master para salvar Vorcaro – quem emprestou, numa transação pra lá de suspeita, milhões de reais para que Flávio Bolsonaro comprasse a mansão onde agora vive em Brasília.

Conclui-se, portanto, que nunca foi interesse dos bolsonaristas realmente investigar a fundo os eventuais desvios dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Sua idéia era apenas intimidar e acuar a corte para que não colocasse empecilhos à sua empreitada ditatorial. Assim como o lema “Deus, Pátria e Família”, também era falsa a noção de que essa gente lutava “contra o Supremo”. A única coisa verdadeira que há no bolsonarismo é a sua hipocrisia. O resto é uma mistura de empulhação, mentira e corrupção.

Que isso sirva de lição para a população nas próximas eleições.

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Trilha sonora do momento

25 anos do 11 de setembro.

O mais próximo que o mundo já esteve de cumprir a profecia de Raulzito…

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Pensamento do dia

Ninguém enlouquece por ser fraco. Enlouquece por sentir demais em um mundo que sente de menos.

By Hild Hist

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Suprema briga de rua, ou O STF no modo Ultimate Fighting

Para quem nunca assistiu a uma luta de UFC na vida, a coisa se passa assim: dois atletas entram numa gaiola octagonal de aço e se entregam a um combate que mistura pancadaria, agarrões, imobilizações e chaves nas articulações até que um dos dois seja nocauteado ou peça arrego. Tirando dedo no olho e ataques diretos às partes baixas, tudo é permitido. A violência brutal e gratuita é da própria natureza do espetáculo. Guardadas as devidas proporções, foi mais ou menos isso que aconteceu no Supremo Tribunal Federal nos últimos dez dias.

Tudo tem como origem o Banco Master, do notório Daniel Vorcaro, que curte uma temporada na Papuda. Depois que Dias Toffoli deixou a relatoria após ser gentilmente “informado” das suas ligações financeiras com a rede vorcárica, o caso foi redistribuído ao terrivelmente evangélico André Mendonça. Seja lá por qual motivação for, André Mendonça resolveu escarafunchar – sem autorização do pleno do STF – as mensagens supostamente trocadas por Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. Reunido o material, Mendonça resolveu jogar o relatório da PF no ventilador. Foi aí que a confusão começou.

Como era de se esperar, Xandão não deixou por menos. Apresentou representação contra Mendonça, apontando indícios de “improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a grupos políticos”. Embasando seu pedido, havia relatórios de inteligência da Polícia Federal. O ato representava um claro contra-ataque às medidas do colega de toga.

Mendonça deu o troco na mesma moeda. Aceitou um pedido de liminar do partido Novo e afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência, Leandro Almada, acusando-os – sem indicativo concreto algum – de terem sido os responsáveis pela confecção dos relatórios de inteligência. Determinou também a interrupção imediata da confecção de novos documentos de inteligência. A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria de três votos para manter os afastamentos, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Antes que a poeira baixasse, Flávio Dino entrou no meio da confusão. Atendendo a um pedido do Diretor-Geral da PF, alegando que seu afastamento impedia as investigações sobre o caso Dark Horse, Dino chegou de voadora e determinou a reintegração imediata dos dois delegados afastados por Mendonça. Assim, configurou-se uma situação na qual um dos ministros do STF reverteu, por decisão singular, a decisão de outro ministro. Ou seja: o que era pra ser um debate rigoroso na mais alta Corte de Justiça do país virou briga de rua.

Atropelado pelas circunstâncias, o presidente do Supremo, Edson Fachin, saiu de seu aparente estado de catatonia diante dessa briga generalizada e tentou colocar alguma ordem na gafieira. Fachin suspendeu as duas decisões, a de Mendonça e a de Dino, o que na prática devolve Andrei Rodrigues ao cargo de Diretor-Geral da PF. Ato contínuo, retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news. Por fim, convocou sessão plenária extraordinária para o próximo dia 15 de setembro.

Do ponto de vista de uma “jurisprudência de crise”, a decisão de Fachin é razoável (embora tenha faltado tirar de Mendonça as relatorias dos casos Master e INSS). O problema é que ela chegou uma semana depois do início da crise, quando a instituição já havia sofrido um dano de imagem que nenhuma decisão monocrática desfaz. Fachin é o presidente do Tribunal. Ver ministros trocando liminares como lutadores trocam socos em praça pública sem que ninguém ponha ordem na balbúrdia denigre a imagem da Corte. Agir depois que tudo explode permite apenas administrar escombros, não prevenir incêndio. Para quem ocupa o posto mais alto do Judiciário brasileiro, uma semana de omissão num cenário desses tem um só nome: inoperância.

O saldo da semana é um STF fraturado em duas alas irreconciliáveis, com ministros se digladiando como se estivessem em um octógono, e um diretor da PF que é removido e volta ao cargo como quem dá a volta numa porta giratória. Enquanto isso, o presidente da Corte, responsável por manter o mínimo de dignidade nas batalhas jurídicas, assiste a tudo impassível e só age quando o sangue toma conta do ringue.

Antigamente, por pior que fosse a crise, boa parte da mídia regia aos “alarmistas de plantão” com o indefectível mote de que “as instituições estão funcionando”. Hoje, de fato, elas estão funcionando. No caso do Supremo, contudo, elas estão funcionando no modo Ultimate Fighting. A diferença é que no octógono algumas regras ainda são respeitadas. No STF, o vale-tudo está instaurado de vez.

Ao final da noite, no UFC alguém invariavelmente acaba indo embora de maca. No caso do Supremo, a questão agora é apenas saber quem.

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Trilha sonora do momento

Será que ouviremos mais Katy Perry daqui pra frente? 🤔​

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Pensamento do dia

Take it personal. At this age, people are 100% aware.

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Trilha sonora do momento

Se eu fosse refazer minha lista de 10 melhores músicas de todos os tempos, teria que dar um jeito de encaixar essa aqui no Top 5.

E f***-se quem pensar o contrário.

#ProntoFalei

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Pensamento do dia

Eu uso o sarcasmo porque bater nas pessoas ainda é ilegal.

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A vitória da AfD, ou Os riscos da nova ascensão da extrema-direita

Quem não estuda História está condenado a repetir os erros do passado. Esse é o mote de 11 em cada 10 historiadores. Infelizmente, ele parece ser mais atual do que nunca no panorama alemão do século XXI.

Berço do nazismo, com uma população historicamente ressentida pela vergonha dos experimentos sociais e políticos do nacional-socialismo de Hitler, a verdade é que a Alemanha nunca se resolveu bem com seu passado. De certa forma, o retalhamento do país após a II Guerra e, principalmente, a divisão de Berlim em duas cidades separadas por um muro serviu como desculpa mental para que o alemão comum pensasse: “Ah, a gente foi ruim, mas os outros foram ruins também”.

É bem verdade que, depois de 1945, a Alemanha Ocidental – e, depois da queda do muro, da Alemanha reunificada – construiu uma das democracias mais sólidas do continente europeu. Como forma de espantar os fantasmas do passado, os alemães resolveram construir em cada cidade um memorial para lembrar os horrores que a extrema-direita alemã foi capaz de produzir.

Pois bem. Se essa espécie de “vacina” funcionou por quase 70 anos, o estado da Saxônia-Anhalt parece querer colocar essa solução à prova.

Com 44% dos votos em um sistema parlamentarista, a Saxônia-Anhalt elegeu para governá-la a AfD (Alternativa para a Alemanha, no original teutônico). Fundado em 2013 como “apenas” um movimento eurocético, a AfD progressivamente se despiu das vestes “moderadas” para se assumir como a direita radical que é. Durante a crise dos refugiados de 2015, atuou fortemente contra a política de acolhimento de Angela Merkel. Em 2026, o partido foi classificado pela própria inteligência doméstica alemã como organização “de extrema-direita confirmada”. Seu líder na Turíngia, Björn Höcke, foi condenado pela Justiça alemã por usar um slogan nazista proibido por lei. O mesmo Höcke já qualificou Hitler como “um grande homem”. Membros do partido acumulam condenações por saudações nazistas e ligações com grupos neonazistas documentadas.

Como bom partido de extrema-direita, a AfD é fundamentalmente baseado na hipocrisia. O jornal conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung tratou de traçar o perfil de alguns dos novos deputados que esses 44% enviaram ao parlamento estadual. Simon Lansmann, eleito com 41,6% no distrito de Salzwedel, está sendo investigado por supostamente integrar a “Artgemeinschaft”, organização neonazista antissemita proibida por lei. Em junho, sua propriedade particular em Gardelegen sediou uma cerimônia pagã de solstício de verão com rituais de chifres de animais e, segundo o Der Spiegel, cantos da Juventude Hitlerista.

Já Phillipp-Anders Rau foi eleito com quase metade dos votos no distrito de Zerbst. Seu currículo é mais “modesto”. Inclui “apenas” falsificação de certificado escolar para obter vaga universitária, atuação em filmes pornográficos, condenação por furto, admissão de dependência de cocaína em tribunal e falência pessoal declarada. O partido que se vende ao público como guardião dos “valores alemães” e da “identidade cultural” do país elegeu ao parlamento um ator pornô falsário e um neonazista de rituais pagãos.

O resultado, contudo, não veio do nada. É o último capítulo de uma história que o mundo ocidental tem escrito há pelo menos uma década, com personagens encenando diferentes espetáculos em países diferentes, mas sempre com o mesmo roteiro. Foi assim com Trump em 2016 e novamente em 2024. Foi assim Bolsonaro em 2018. E foi assim com Milei na Argentina em 2023. Ao que parece, a extrema-direita não é mais exceção no mundo ocidental. Está se tornando a norma.

O que há de específico no caso alemão é o peso simbólico desse processo. Se nos outros países há a ameaça do retrocesso democrático, na Alemanha, o risco não é só esse. É o de um fantasma que tem nome, endereço e seis milhões de mortos no currículo: nazismo.

O resultado de domingo ameaça romper o que a política alemã chamava de Brandmauer (“muro corta-fogo”), o cordão sanitário pelo qual todos os demais partidos se comprometiam a não formar coalizão com a AfD, independentemente do resultado eleitoral. A AfD obteve 39 cadeiras num parlamento que exige 42 para maioria absoluta. O CDU, que governava o estado, desabou para 17%. Governar sem a AfD agora exigirá uma coalizão de quatro ou cinco partidos, algo de difícil operacionalização prática.

O argumento que elege a AfD é o mesmo que elegeu Trump, Bolsonaro e todos os seus avatares ao redor do mundo: o imigrante é a causa de todos os males. O problema é combinar isso com os fatos. A Saxônia-Anhalt, por exemplo, é um dos estados alemães com menor concentração de imigrantes, o que coloca a região na curiosa posição de ser o lugar onde as pessoas têm menos contato com estrangeiros e mais medo deles.

A Alemanha, com sua população envelhecida e a taxa de natalidade em colapso, depende estruturalmente da imigração para funcionar. O trabalhador que a AfD usa como bode expiatório é, na maior parte dos casos, o mesmo que cuida dos idosos alemães, coleta o lixo e paga a contribuição previdenciária que financia as aposentadorias de quem vota contra ele. Além dos imigrantes, a lista de grupos que o partido trata como ameaças à “identidade alemã” inclui a comunidade LGBTQ+, jornalistas críticos e professores que ensinam história sem eufemismos. Essa é uma história que a Europa já conhece. E não terminou bem.

O que a vitória de domingo alterou de concreto é a geometria do possível. Governar a Saxônia-Anhalt sem a AfD vai exigir uma arquitetura parlamentar lenta, frágil e incapaz de entregar o que o eleitorado exige. A tentação de ceder ao partido alguma forma de participação no poder vai crescer a cada mês de impasse. Alice Weidel já exige eleições federais antecipadas e fala em “mandato claro para governar”. O Brandmauer ainda resiste. Mas 44% é uma rachadura que não se fecha apenas com declarações de princípio.

A Alemanha passou oitenta anos construindo a mais elaborada infraestrutura de memória histórica que uma democracia já tentou erguer. Memoriais em cada cidade, museus dedicados exclusivamente a documentar o que acontece quando o ódio decide ir às urnas e mais uma série de outros “desincentivos” à repetição da história. Os memoriais continuam de pé.

Já a democracia alemã, ninguém sabe…

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Trilha sonora do momento

Vamu nóis…

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