Trilha sonora do momento

Fiquei triste, não vou mentir…

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Pensamento do dia

Há quem escolha acender uma vela na escuridão. E há quem escolha ser a própria chama.

By Friedrich Nietzsche

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O jus soli norte-americano, ou A decisão da Suprema Corte contra Donald Trump

Já faz muito tempo, mas vale recordar.

Em 1895, um jovem chamado Wong Kim Ark tentou entrar nos Estados Unidos após uma visita à China. Nascido em São Francisco, filho de imigrantes chineses que trabalhavam legalmente no país, Ark foi barrado na fronteira. O argumento era simples: como os pais de Ark não eram cidadãos norte-americanos, ele tampouco o seria.

O problema era que a 14ª emenda dizia o exato oposto. Logo na sua primeira seção, ela diz que “todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos, e sujeitas à sua jurisdição, são cidadãos dos Estados Unidos e do Estado em que residem”. Depois de uma grande briga nos tribunais, o caso foi parar na Suprema Corte dos Estados Unidos. Em um precedente que entraria para a história como United States v. Wong Kim Ark, a Suprema Corte decidiu que todo indivíduo nascido em solo americano é cidadão. Ponto. Pouco importa, para esse efeito, a situação migratória dos seus pais.

De lá pra cá, nada mudou em termos legais. A Constituição dos Estados Unidos seguem as mesmas. O Nero dos nossos tempos, contudo, preferiu adotar um caminho alternativo. Levando às raias do paroxismo sua “política” de responsabilizar os imigrantes por tudo de mau que há no país, Donald Trump baixou uma ordem executiva dizendo que a cláusula da 14ª emenda que garantiria cidadania a aos nascidos no solo norte-americano porque os filhos de imigrantes irregulares não estariam “sujeitos à jurisdição” americana no sentido que os criadores do texto teriam em mente.

Agindo como o pretendente a imperador que é, o Laranjão pretendeu literalmente reescrever o texto constitucional numa canetada. Obviamente, as cortes inferiores se insurgiram contra a medida. Afinal, a letra da 14ª emenda é muito clara, e mesmo para juízes com inclinações políticas favoráveis ao Nero Laranja sentem-se constrangidos a negar a literalidade do que o vernáculo do texto constitucional diz. Restava, entretanto, a última palavra sobre o assunto da highest court in the land. E ela saiu hoje.

Por 6 votos a 3, a Suprema Corte dos Estados Unidos reafirmou o precedente de 130 anos atrás, quando Wong Kim Ark foi bater às portas do tribunal. Designado por si mesmo para redigir a opinião majoritária, o Chief Justice John Roberts anotou com muita propriedade que “a cidadania é o direito de ter direitos”. Contrariando o que normalmente ocorre em julgamentos de interesse do Laranjão, dois juízes nomeados por ele – Amy Coney Barret e Brett Kavanaugh – alinharam-se aos progressistas para garantir a salvaguarda do texto constitucional.

Do lado contrário, os três dissidentes – os “ídolos” do ultraconservadorismo originalista americano -, Clarence Thomas, Samuel Alito e Neil Gorsuch votaram a favor do Nero Laranja. Para quem tem acompanhado a atuação da Suprema Corte desde quando Trump assumiu pela segunda vez a Casa Branca, a novidade foi zero. Tal qual a antiga banda de música da UDN, esse “trio” nunca desaponta quando a matéria é decepção jurídica.

A reação do Laranjão foi a de sempre. Com o celular na mão, Trump literalmente xingou muito no Twitter. O Nero dos nossos tempos defendeu que o Congresso deveria “começar hoje” a trabalhar numa legislação que acabasse com o direito à cidadania por jus soli, porque, de acordo com ele, “nenhuma Emenda Constitucional longa e trabalhosa é necessária”.

O problema é que, ao contrário do que vociferou o Laranjão nas redes insociáveis, é justamente uma emenda constitucional que garante esse direito. Só se fosse aprovada outra, negando a anterior, que (talvez) seria possível rever o direito à cidadania por direito de solo. A questão é que aprovar uma emenda por lá é muito mais difícil do que aqui no Brasil. São necessários 2/3 de ambas as casas do Congresso, além da ratificação por 3/4 dos estados federados. Não por acaso, os Estados Unidos só têm 27 emendas em 200 anos de Constituição, enquanto nós já vamos com mais de 140 em pouco mais de 40 anos (and counting…).

É curioso lembrar que Trump ficou famoso por difundir, durante a presidência de Barack Obama, uma fake news segundo a qual o então presidente dos Estados Unidos não poderia ocupar o cargo de presidente, por ter supostamente nascido em Gana. Quando confrontado com a certidão de nascimento de Obama, registrado no Havaí, o Laranjão costumava replicar que a certidão não seria prova suficiente de cidadania. Por 6×3, a Suprema Corte acabou de confirmar novamente hoje que sim. Basta para o sujeito nascer lá.

Trump conseguiu, assim, a façanha de ser derrotado duas vezes na mesma causa, com um intervalo de dez anos entre elas: na primeira, quando Obama mostrou sua certidão de nascimento; e hoje, quando a Suprema Corte reafirmou a sua validade. Só resta dizer ao Laranjão e sua trupe:

Parabéns aos envolvidos.

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Trilha sonora do momento

Com a briga escancarada entre Flávio Bolsonaro e Michelle, acho que só tocando Taylor Swift pra ajudar a galera a desopilar um pouco…

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Pensamento do dia

O que os olhos não vêem a paranóia inventa com alta precisão de detalhes.

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Trilha sonora do momento

Os brasileiros que me perdoem, mas hoje é dia de celebrar nuestros vecinos paraguayos.

Nesse caso, contudo, para recordar um antigo clássico de uma banda alemã que cantava em inglês.

Porque, na Alemanha, só o pessoal do Scorpions pra ajudar a afogar as mágoas…

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Pensamento do dia

Eu ofereço o meu melhor, mas não ofereço duas vezes.

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Recordar é viver: “Xeque-mate, ou As entranhas do Zap bolsonarista”

“Bolsonaro não é líder de coisa alguma, nem sequer da própria família”.

Você viu antes por aqui.

É o que você vai entender, lendo.

Xeque-mate, ou As entranhas do Za bolsonarista

Publicado originalmente em 21.8.25

Não que tenha sido surpresa, mas, mesmo para quem não é bolsonarista de carteirinha, abala um pouco.

Às vésperas do julgamento do núcleo principal da trama golpista, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo, o famoso “Bananinha”, por coação no curso do processo e (uma nova) tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Trata-se de desdobramento da última ação contra Bolsonaro pai, que, ao receber uma série de medidas cautelares para não ser preso, teve seu telefone apreendido pela PF. O que saiu agora é resultado dos dados extraídos do aparelho de Jair.

Fora o emprego intensivo de vocabulário de baixo calão – o que, de resto, não constitui novidade pra ninguém -, o que emerge das conversas trocadas no escurinho do Zap bolsonarista é aquilo que a toda a gente já sabia, mas só os zumbis da Bozolândia se recusavam a enxergar:

1 – Os Bolsonaros não estão interessados numa “anistia light” (palavras de Dudu Bananinha), assim entendida como uma anistia que salvasse os peixes pequenos que já foram condenados pela depredação do 8 de janeiro. Interessa, apenas uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, que tire o pescoço de Bolsonaro da corda e, de quebra, salve também o pescoço do filho, autoexilado na Disney. Os bagres são apenas o pretexto utilizado para alcançar esse fim;

2 – Bolsonaro não é líder de coisa alguma, nem sequer da própria família (você viu antes aqui). Para além de ser inconcebível que qualquer filho que tenha o mínimo de apreço pelo pai jamais o mandaria “chupar caju”, ao mesmo tempo em que o xingaria de “ingrato do baralho” (as adaptações em prol da boa higiene vernacular deste espaço são minhas), fica claro que Bolsonaro não tem qualquer poder de ingerência sobre os satélites que o rodeiam. O que fica claro, em resumo, é um verdadeiro processo de barata-voa, em que o Bananinha tenta se cacifar pra ser o “ungido” do clã para concorrer a presidente ano que vem, ao passo que Tarcísio – o “moderado” (risos) – tenta a mágica de comer pelas beiradas sem parecer que está traindo Bolsonaro;

3 – As tarifas têm a ver com Bolsonaro, ma non troppo. A subserviência demonstrada por Jair a Donald Trump durante toda a sua presidência é conhecida de todos, mas não deixa de chocar ver que ela é sincera e se mantém mesmo quando longe dos holofotes. Só isso pode explicar como Bolsonaro possa ter enviado mensagens tão subalternas ao advogado do Laranjão, Martin de Lucca, agradecendo pelo tarifaço e pedindo orientações sobre “como proceder”. É o tipo de sabujismo que é indigno de qualquer ser que possua coluna vertebral;

4 – Com a proximidade do julgamento e da prisão definitiva de Bolsonaro, o desespero tomou conta da família. Não sabem mais para onde atirar e, sem saída, topam qualquer parada para tentar livrar o chefe do clã da cadeia.

Liberados a duas semanas do início do julgamento da trama golpista, os áudios vadios destroem qualquer resquício de dignidade que havia na imagem pública dos Bolsonaro. Já em prisão domiciliar, Bolsonaro agora vê-se na perspectiva de ser enviado para uma dura preventiva antes de ser julgado. Motivos não faltam. Não só pela reiteração criminosa (proteção da ordem pública), como, também, por ter ficado comprovado dezenas de violações sucessivas das medidas cautelares que lhe haviam sido impostas pelo ministro Alexandre de Moraes

A se confirmar o prognóstico das 48h prometidas por Xandão, amanhã deve haver o maior “SEXTOU” da história da República. Preso, sem acesso às mordomias do lar e ficando de fato sem comunicação com o mundo exterior, a Bolsonaro só restará tentar acertar o bingo da sentença condenatória que lhe espera. A chance de reversão judicial é nenhuma e, depois das investidas de Trump, a via da anistia via Congresso parece definitivamente interditada.

Bolsonaro, enfim, será devolvido à irrelevância da qual nunca deveria ter saído. Tendo surfado a onda anti-petista de 2018, Jair finalmente descobrirá que nunca foi o “Lula da Direita”, mas tão-somente o “anti-Lula de ocasião”. Quando isso acontecer, poderá enfim refletir sobre o sábio ditado:

“Nunca voe muito alto em asas emprestadas”.

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Trilha sonora do momento

84 anos do gigantesco Gilberto Gil.

Figurinha carimbada aqui no Blog, Gil merece todas as homenagens deste espaço.

E aqui vai uma das minhas favoritas, não só dele, mas de todo e qualquer cantor…

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Pensamento do dia

Às vezes as pessoas vão te considerar como uma pessoa de trato difícil, mas isso é só porque você não é fácil de enganar.

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