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Ainda nessa vibe.

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Pensamento do dia

Quem não se levanta para acender a luz não pode reclamar do escuro.

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Recordar é viver: “A batalha da anistia, ou A farsa do bolsonarismo moderado”

Às vezes tenho a sensação de estar me repetindo.

Mas, de vez em quando, a sensação se transforma em fato.

É o que você vai entender, lendo.

A batalha da anistia, ou A farsa do bolsonarismo moderado

Publicado originalmente em 2.9.25

Era só o que me faltava.

O Brasil enfim levando a julgamento facínoras que tentaram demolir o edifício democrático em nome de uma ideologia miserável como de Jair Bolsonaro e tudo que se fala nos bastidores do Congresso é uma pauta que nenhum brasileiro decente quer ouvir: “anistia”. Capitaneada agora pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, essa nova frente de batalha escancara para quem quiser ver a farsa do “bolsonarismo moderado”.

Pra começo de conversa, qualquer conversa sobre anistia aos golpistas antes de findo o julgamento será algo inútil. Conforme já foi explicado aqui, qualquer discussão sobre perdão a criminosos – e nenhum crime pode ser mais grave numa democracia do que golpe de Estado – só pode acontecer depois do trânsito em julgado da condenação. Isto é: enquanto o julgamento não acabar de vez e ainda for possível interpor recursos, por mais protelatórios que sejam, qualquer decisão nesse sentido será, na melhor das hipóteses, ineficaz (além, é claro, de inconstitucional).

Para além disso, a discussão sobre anistia revela uma falsa pauta do Congresso Nacional. Fora a trupe golpista de Jair Bolsonaro, ninguém quer saber de impunidade. São várias as pesquisas que revelam que a maioria da população se opõe firmemente a qualquer tentativa de passar a mão em quem pretendeu roubar seu voto (porque, no fundo, é a isso que se resume um golpe de Estado). Os percentuais variam de 55% a 65%. Em nenhuma pesquisa séria os que defendem a impunidade dos golpistas alcançam sequer 40% do total.

No final das contas, essa ressurreição assombrada de uma discussão que já deveria estar morta e enterrada é reflexo direto da briga pelo espólio da extrema-direita. Com o barata-voa deflagrado pelas sanções de Donald Trump contra o Brasil, o país pôde assistir de camarote à briga entre Dudu Bananinha e Tarcísio de Freitas pelos votos que ora pertencem a Bolsonaro. Em meio aos diversos impropérios que lançou via Zap contra o próprio pai, Eduardo Bolsonaro deixou uma mensagem muito clara: “Não confie em Tarcísio de Freitas, porque ele nunca fez nada pra te anistiar”.

Mensagem lida, recado captado. Vendo a oportunidade de cavalgar uma candidatura presidencial antes de encerrar sequer um mandato como governador, Tarcísio de Freitas foi a campo em busca dos votos que faltavam para votar a anistia aos golpistas na Câmara dos Deputados. Não só isso. Em diversas entrevistas, Tarcísio fez questão de ressaltar que daria indulto a Bolsonaro “na hora”, porque “não confia na Justiça”.

Com tais atitudes, o atual inquilino do Palácio dos Bandeirantes rasga de vez a fantasia do “bolsonarismo moderado”. Essa tese defendia a noção de que Tarcísio poderia representar uma versão light de Jair Bolsonaro. Um “conservador” que sabe sentar à mesa e usar os talheres, isto é, alguém que defenderia os interesses de “o mercado” e das franjas mais radicais de um cristianismo fanatizado, mas sem colocar o país numa crise institucional por semana.

Embora boa parte da mídia e dos “analistas” tenha embarcado alegremente nesse barco, essa “tese” nunca foi comprada neste espaço (conferir aqui). O “bolsonarismo” não pode ser moderado porque depende, necessariamente, de um estado de tensão constante para manter-se vivo. O que Tarcísio de Freitas está fazendo, para quem consegue enxergar dois palmos à frente do nariz, é anunciar em público que ele topa o arranjo de ser radical, desde que, para isso, receba as bençãos de Jair Bolsonaro como sucessor. Para mostrar que fala sério, já contrata desde agora uma crise constitucional entre Congresso e Supremo sobre a possibilidade de anistiar crimes contra a democracia.

Além de eleitoralmente estúpido (quanto mais próximo alguém estiver de Bolsonaro, mais longe estará do Planalto), o arranjo é precário dentro da própria lógica interna da extrema-direita brasileira. Para a família Bolsonaro, o patrimônio eleitoral de Jair só é transmissível via sucessão hereditária. Em outras palavras, se alguém tiver que herdar os votos do ex-capitão do Exército, esse alguém terá que ser, necessariamente, alguém da família. Terceiros não são admitidos nesse clube.

Não se deve esquecer que ser “líder da oposição” também é um lugar de poder. Hoje, cortesia da pusilanimidade e da burrice da direita brasileira, esse lugar está ocupado por Bolsonaro. Se amanhã Tarcísio de Freitas se elege presidente, o posto de “anti-Lula” ou de “anti-PT” passará obrigatoriamente a ser ocupado por ele. Não foi por outra razão que, numa de suas muitas entrevistas desde as sanções do Laranjão, Dudu Bananinha deixou escapar que talvez fosse melhor perder a próxima eleição presidencial com um Bolsonaro do que “ganhá-la” com Tarcísio.

Seja como for, resta aos verdadeiros democratas enfrentar novamente mais essa ameaça à democracia e garantir que, depois de condenados, os golpistas passem uma boa e longa temporada na cadeia. Como já se disse aqui mais de uma vez, não estamos mais em 1964, muito menos em 1979.

Anistia?

Nunca mais.

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Trilha sonora do momento

É isso.

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Pensamento do dia

Nunca troque autenticidade por aprovação. Deixe as pessoas não gostarem de você.

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A radicalização de Flávio Bolsonaro, ou A farsa do “Bolsonaro moderado”

Era algo que estava mais ou menos escrito.

Desde quando começou a campanha, Flávio Bolsonaro quis vender a imagem de moderação. A começar pela distância tomada na questão da vacina contra a Covid – “Ele não tomou. Eu tomei duas doses” – o filho 01 de Jair procurava construir uma persona pública que, a um só tempo, mimetizasse a figura do pai (por razões eleitorais) e dela se afastasse (pelos mesmos motivos).

Essa mágica seria inédita, algo como tirar a cartola de dentro do coelho, justamente em um momento em que a população está p da vida por ter acreditado em ilusionismos. Por conta disso, tinha tudo para dar errado. E de fato deu.

Do ponto de vista da embalagem, o raciocínio até que fazia sentido. Afinal, Flávio é mais jovem que o pai, parece ser menos impulsivo e construiu sua carreira política nas franjas do Centrão. O filho 01 buscaria o eleitor desgarrado da direita, aquele que não aguentava mais ver as lives de Jair defendendo armas, ameaçando o STF e entupindo o governo de generais na tentativa de intimidar os outros poderes com “as minhas Forças Armadas”. Em outras palavras, Flávio queria ser o Bolsonaro que o pessoal da campanha imagina dele que parte do eleitorado queria que o pai tivesse sido. Daí Flávio ter reduzido os ataques a Alexandre de Moraes, negociado com partidos de centro e ter até criado uma IA para seduzir o eleitorado feminino.

O problema com esse raciocínio é que ele ignora o único princípio verdadeiramente estrutural desse movimento. É dizer: o bolsonarismo não existe sem tensão institucional permanente. Não se trata de um adorno lateral. É a pedra de toque do ecossistema que o mantém vivo. Para manter-se relevante, o bolsonarismo precisa de um inimigo declarado, da sensação de cerco, da sombra do “comunismo” ou coisa que o valha, porque é essa adrenalina que mantém a sua base mobilizada. Um Bolsonaro que não briga com o STF, que não questiona as urnas, que não declara guerra a alguém antes do café da manhã, não passa de uma imitação barata do original. De certo modo, o eleitor bolsonarista-raiz estava órfão de representante nesta eleição.

Agora não está mais.

Depois de ser alvejado sucessivamente pelo caso Dark Horse, pelo vídeo de Michelle Bolsonaro, pelas tarifas de Donald Trump e, agora, pelas notas fiscais mal explicadas do Banco Master, Flávio Bolsonaro parece ter preferido jogar fora a versão pirata do sistema e rodar o programa original. Se cada um desses episódios isoladamente poderia ser administrável, o seu conjunto praticamente obrigou o filho 01 de Jair a buscar socorro no eleitorado cativo do bolsonarismo: aquele eleitor hidrófobo, que acredita em fantasmas vestidos de vermelho e de vez em quando reza pra pneu.

O primeiro passo dessa nova tendência foi dado ontem. Em um discurso a diplomatas, Flávio Bolsonaro retomou a velha cantilena de Jair contra as urnas eletrônicas. Levantando os mesmos argumentos já desmentidos pelos fatos inúmeras vezes – como, por exemplo, a acusação mentirosa de que uma empresa venezuelana as teria produzido -, o filho 01 de Jair pediu o envio do “máximo possível” de observadores estrangeiros para acompanhar a eleição de outubro. Trata-se rigorosamente do mesmo roteiro de 2022, com o mesmo propósito: justificar uma derrota futura.

O movimento, no entanto, produziu o efeito colateral mais previsível possível: União Brasil e PP, que negociavam apoio à candidatura, recuaram e anunciaram neutralidade no pleito de outubro. Lideranças do Centrão passaram a qualificar o discurso de “tóxico” em conversas reservadas. Ao se despir da fantasia de “moderado”, Flávio Bolsonaro rifa qualquer possibilidade de aproximação dos eleitores independentes. Por diminuta que seja essa espécime no cenário nacional, são eles que decidem a eleição.

Mas o que levaria Flávio Bolsonaro a adotar uma postura que, no limite, pode lhe custar a eleição?

A resposta é simples: porque a idéia deles não é ganhar a eleição, mas manter o monopólio da direita. Caso um candidato – qualquer candidato – venha a superar Flávio Bolsonaro nas intenções de voto no primeiro turno, esse candidato será imediatamente alçado ao posto de “anti-Lula”. E aí esse lugar da cena eleitoral brasileira, ocupado provisoriamente pelo patriarca dos Bolsonaro, será transferido de propriedade. Trata-se, portanto, de uma estratégia de sobrevivência do clã.

O risco, claro, é que essa meia-volta pode ficar pelo caminho. No afã de tentar se salvar, Flávio Bolsonaro pode alcançar a façanha de produzir o pior dos dois mundos: perder definitivamente o eleitorado independente, sem garantir o retorno do núcleo duro do bolsonarismo. Afinal, o eleitor radical não vota em um nome. Vota no primeiro da fila que demonstrar viabilidade para tirar Lula do poder.

Flávio Bolsonaro passou o primeiro semestre todo tentando ser o Bolsonaro que não existia. Agora, está tentando ser o Bolsonaro que já existe. O problema é que esse Bolsonaro foi derrotado e está inelegível. Com seu discurso de radicalismo, o risco concreto é de que a cópia termine tão derrotada e inelegível quanto o original.

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Trilha sonora do momento

É oficial: estamos vivendo o Dia da Marmota. #EpicFail

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Pensamento do dia

Quem mente ganha o primeiro round. O problema é que a verdade ganha todos os outros.

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Trilha sonora do momento

De novo essa história, bicho?

Não tem quem aguente…

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Pensamento do dia

Toda vez que você dá um passo pra frente, alguma coisa acaba ficando pra trás.

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