Trilha sonora do momento

E como nesta semana se comemoram 40 anos do melhor clipe de todos os tempos, nada mais justo do prestar aqui o devido tributo a essa obra prima do Rei do Pop.

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Pensamento do dia

Existem duas soluções para tudo nesta vida: o tempo e o foda-se.

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A ditadura argentina, ou Argentina, 1985

A melhor notícia do ano – disparado – vem do cinema argentino.

Está em cartaz, no streaming da Amazon, Argentina, 1985. Com direção de Santiago Mitre e contando com Ricardo Darín no papel principal, o filme trata do julgamento histórico da última das ditaduras que se abateu sobre o nosso maior vizinho.

Para explicar a razão pela qual esse é o maior filme deste ano de 2022, convém antes explicar o contexto histórico que conduziu à história nele retratada.

Na virada do século XIX para o século XX, a Argentina era uma potência. Sétima maior economia do mundo, nuestros hermanos fizeram fama e fortuna como uma espécie de celeiro global, vendendo grãos e carnes para as maiores potências da época (a Inglaterra, em particular). Tudo começou a desandar, contudo, no dia 27 de outubro de 1943. Foi nesse dia em que alguém teve a “brilhante” idéia de nomear um oficial de média patente para o então obscuro Departamento Nacional do Trabalho. Seu nome era Juan Domingo Perón.

Para o bem e para o mal (muito mais para o mal), Perón mudou para a sempre o destino da Argentina. Bem articulado politicamente, Perón conseguiu atrair o apoio dos poderosos sindicatos portenhos. Simultaneamente, fazia-se querido na tropa e indispensável na burocracia de uma ditadura recém-instalada em junho de 1943. No caos social que permeava aquela época, Perón emergiu como a liderança mais popular do país.

Em pânico, os mesmos militares que haviam permitido sua ascensão tentaram desligá-lo da tomada. Demitido, Perón foi preso e detido no dia 12 de outubro de 1945. Seus adversários apressaram-se em decretar seu veredicto: “Perón agora não passa de um cadáver político”. Cinco dias depois, no famoso 17 de octubre, 300.000 pessoas saíram às ruas para exigir sua libertação. A partir daí, numa sucessão de eleições, golpes e contragolpes, Perón dividiria para sempre a política argentina entre peronistas e anti-peronistas.

Exilado por um golpe de Estado desde 1955, Perón nunca deixou de tramar um retorno triunfal à presidência de sua terra natal. Uma vez que sua amada Evita – “patrona dos descamisados” – morrera também em 1955, Perón buscou uma figura feminina que pudesse lhe servir de substituta. E ele foi encontrá-la justamente em um cabaré na cidade do Panamá.

Maria Estela Martínez Cartas nascera na Argentina e formara-se bailarina. Por admirar a rainha Isabel de Portugal, adotou como nome artístico Isabelita. Não se sabe exatamente se foram seus atributos físicos ou seu talento como dançarina que atraíram a atenção de Perón, mas o fato é que o caudilho portenho entregou-se completamente à paixão, a ponto de envolver a nova esposa no seu plano de regresso ao poder.

Em 1973, haveria novas eleições presidenciais na Argentina. Candidato a presidente, Perón resolve colocar como vice sua própria esposa, Isabelita (que, mais por conveniência política do que por obrigações cartorárias, resolveu adotar o sobrenome do marido, tornando-se “Isabelita Perón”). Juntos, Juan Domingo e Isabelita Perón foram eleitos com 62% dos votos.

Mas a alegria duraria pouco.

Menos de um ano depois de assumir o cargo de presidente pela terceira vez, Perón morreu. Em seu lugar, assumiria uma mulher sem nenhuma experiência administrativa, com histórico político nulo e desprezível capacidade de articulação. Sem saber governar e sem ter a quem recorrer, Isabelita resolveu buscar ajuda aonde? Nas Forças Armadas. E aí aconteceu o que todo mundo sabe quando se colocam militares em posição de poder: um desastre.

Quebrada, corroída pela inflação e vendo o caos social brotar por todos os poros, a Argentina entrou numa espiral de violência poucas vezes vista. Grupos armados começaram a promover ações de guerrilha contra o seu governo, incluindo assaltos, assassinatos e até o sequestro de um avião. Diante da débâcle, os militares nem precisaram fazer muita força para dar um golpe; boa parte da população praticamente implorou por ele.

Uma vez no poder, os militares foram à forra. Instaurou-se a mais cruel, sanguinária e desumana das ditaduras latino-americanas no século XX (e olha que a disputa nesse campo é feroz). Em resposta aos guerrilheiros, a ditadura prendeu, torturou e matou milhares de pessoas. Apenas para ilustrar o tamanho da perversidade dos militares argentinos, basta dizer que muitos dos presos eram arremessados, dopados e amarrados, de aviões de carga da Força Aérea no meio do Oceano Atlântico. Os corpos somente apareciam – quando apareciam – semanas depois, quando já chegavam sem vida às praias.

Nenhuma crueldade seria maior, contudo, que o sequestro indiscriminado de crianças. Fundada numa esdrúxula e abominável “doutrina” de que a ideologia se transmitiria hereditariamente, militares argentinos sumiram com quase 500 bebês tomados aos presos da ditadura. Muitos foram “adotados” no cárcere, pelos mesmos carrascos que prenderam seus pais. Foi em reação a essa sistemática violação aos princípios mais básicos de humanidade que surgiu o corajoso e tocante movimento das “mães da Plaza de Mayo”.

Depois do fracasso incontornável da Guerra das Malvinas, a ditadura argentina caiu de podre. Organizou-se uma transição de poder entre os militares e os civis, de modo a reorganizar institucionalmente o país. Na eleição de 1983, elegeu-se Raúl Alfonsín. Radical na concepção e firme nos propósitos, Alfonsín decretou desde logo uma espécie de “comissão nacional da verdade” e determinou que todos os líderes das juntas militares fossem a julgamento.

É aí que entra o filme de Santiago Mitre.

Argentina, 1985 mostra a história de como os argentinos tomaram para si a missão de impedir a repetição de todos aqueles abomináveis atos, contando a história improvável de um experiente promotor, Julio Strassera, e sua equipe de jovens dedicados à causa da Justiça. Apesar do tema “pesado”, o filme se desenvolve numa narrativa leve e dinâmica, bastante amigável mesmo a quem não é muito afeito a filmes históricos.

É claro que o filme, em si, não é isento de erros. Para além das “licenças fáticas”, a película às vezes escorrega em clichês bem batidos do cinema mundial, como o do processo de recrutamento da equipe que irá ajudar a acusação nesse processo. Todavia, o conjunto como um todo prevalece. O destaque fica por conta da soberba atuação de Ricardo Darín no papel de Julio Strassera.

Como não poderia deixar de ser, o filme de Santiago Mitre foi o indicado pela Argentina para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro do ano que vem. Se ainda houver alguma justiça na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, a película certamente estará entre os 5 finalistas do prêmio (e provavelmente levará a estatueta). Mas, como justiça e Oscar são palavras que normalmente caminham em direções opostas, convém colocar as barbas de molho.

Seja como for, independentemente do que acontecer a nível artístico, nuestros hermanos argentinos sempre poderão se vangloriar de terem sido os únicos habitantes desta Terra de meu Deus que julgaram seus militares pelos crimes que cometeram no transcurso de uma ditadura. Graças a isso, eles podem orgulhosamente dizer a toda a gente, em alto e bom som:

“Nunca más!”

Abaixo, o trailer do filme, para quem quiser assistir:

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Trilha sonora do momento

E lá se foi o gigante Erasmo Carlos.

Que, além de ser um dos maiores cantores e compositores da história da MPB, era também grande benemérito do Clube de Regatas Vasco da Gama.

Contrariando a tradição de sempre homenagear the faithful departed com uma canção do próprio autor, nesse caso acho justo abrir uma exceção para recorrer a uma composição que o amigo de fé, irmão camarada Roberto Carlos dedicou a ele.

Porque de fato ele dizia as verdades em frases abertas.

E era o mais certo das horas incertas…

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Pensamento do dia

Toda história tem dois lados, até aparecerem os prints do WhatsApp.

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A Copa do (vai se) Catar

Estamos em Copa do Mundo.

Nem parece, eu sei. Mas ela começou oficialmente ontem, embora as peladas que tenham ocorrido no domingo e nesta segunda-feira mal possam se qualificar como jogos profissionais do tradicional esporte bretão.

Obviamente, a questão esportiva não é a principal razão para questionar a realização da Copa no pequeno emirado encravado no meio do Golfo Pérsico. Houve, claro, muita reclamação com a mudança da data, dos costumeiros meses de junho e julho, para os meses de novembro e dezembro. A alteração, contudo, é plenamente justificável, dada a impossibilidade física de praticar-se futebol sob uma Lua de 50 graus, como seria o caso se a Copa se realizasse no julho desértico do Oriente Médio.

Nesse particular, alega-se que os principais campeonatos do mundo (leia-se: os campeonatos europeus) teriam de ser suspensos para que a grande festa do futebol mundial tivesse lugar. Paciência. Até 2022, os sul-americanos sempre tiveram de adaptar os seus próprios calendários (quase sempre coincidentes com o gregoriano) às vicissitudes do calendário europeu.

Agora, ocorre o inverso, e se há grita dos clubes europeus, os motivos são exclusivamente financeiros, não por que haveria algum prejuízo futebolístico à competição. Aliás, muito ao contrário, pois se há um efeito positivo dessa mudança no calendário é justamente impedir que as maiores estrelas do futebol cheguem à Copa em fim de temporada, com articulações e musculaturas estouradas pela extenuante temporada de jogos do calendário regular. Sob esse aspecto, seria de se esperar até uma certa melhora na qualidade técnica dos jogos, embora os atuais escretes nacionais – salvo as exceções de praxe – não recomendem grandes expectativas.

O que, então, torna a Copa do Catar tão assombrosamente impopular na mídia em geral?

Em primeiro lugar, deve-se destacar que o “produto” Copa do Mundo vem sendo aviltado já há algum tempo pela própria Fifa. E não só pela questão comercial, que ultrapassou a questão esportiva já lá se vão umas boas três décadas. O problema é que a escolha das sedes virou um verdadeiro festival de corrupção da toda-poderosa dona do circo mundial do futebol. Depois de vários escândalos, foi confirmada compra de votos para escolha da sede na Copa da Alemanha (2006) e na África do Sul (2010). As mesmas suspeitas recaem sobre as escolhas da Rússia (2018) e do próprio Catar (2022). E, caso você esteja se perguntando sobre uma certa copa realizada em 2014, não é preciso fazer muita conta para suspeitar do que aconteceu, a despeito de nada ter sido comprovado até o momento.

Em segundo lugar, no entanto, a escolha do Catar traz constrangimentos de toda ordem para um mundo em que os conceitos de ESG (Environmental, social, and corporate governance) tornam-se cada mais comuns. Deixe-se de lado, por exemplo, a impossibilidade de tomar bebidas alcoólicas no país, mesmo ao redor dos estádios (dentro pode). Mas o que dizer de fazer o evento em um lugar onde a homossexualidade e o sexo fora do casamento são considerados crimes? Em que mulheres adúlteras são punidas com 100 chibatadas e vivem literalmente sob tutela masculina? Ou de um país em que, para construírem-se os estádios que receberão os jogos, morreram mais de 6 mil trabalhadores, sob graves acusações de trabalho escravo?

É certo que não é a primeira vez em que a Fifa fecha os olhos para violações graves aos direitos humanos em sedes da Copa. O exemplo da Argentina em 1978 está aí, à vista de todos, naquela que foi a mais sanguinária ditadura sul-americana e cujos comandantes, para glória do Judiciário do seu país, foram condenados à prisão pelas atrocidades cometidas (sobre o caso, assistam ao filmaço Argentina, 1985, disponível na Amazon).

Mesmo assim, o mundo do século XXI não é o mesmo do quartel final do século XX, no qual coisas básicas como os direitos humanos poderiam ser solenemente ignoradas por razões de business as usual. Há algo de maior em um evento dessa magnitude e é papel tanto da imprensa quanto dos torcedores exigir que haja um mínimo de dignidade na sua realização. Afinal de contas, a Copa do Mundo deveria ser uma celebração esportiva, não um caça-níqueis ambulante que parasita um país a cada quatro anos.

A verdade – é triste dizer – é que toda a magia que encerrava a realização de uma Copa do Mundo parece, cada vez mais, apenas uma lembrança fugidia do passado. Como a foto empoeirada e em preto e branco do moleque jogando bola na calçada, ela apenas remete à memória de um tempo que não volta mais. Um tempo em que sim, éramos infelizes, mas no qual pelo menos não éramos conscientes da nossa própria infelicidade…

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Trilha sonora do momento

Cortesia do nosso “iluminista” Luís Roberto Barroso…

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Pensamento do dia

O mal do malandro é achar que só a mãe dele fez filho esperto.

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Dando a cara tapa – Semana especial das eleições: “O futuro”

Lula ganhou.

Nem bem saíram os resultados das urnas, o babalorixá petista já passou a se comportar como se posse já tivesse tomado. Tal é a desenvoltura do ex-líder sindical que até representar o Brasil em conferência internacional ele vai, ainda que o Brasil tenha oficialmente outro presidente no cargo. Trancado em seus rancores e ruminando a derrota, Bolsonaro foi reduzido à condição de ex-presidente em atividade.

E agora?

“Agora é que são elas”, como diria o matuto.

Antes de mais nada, deve-se destacar que Lula alcançou uma façanha inédita em nossa quase sesquicentenária república. Nunca, em momento algum da nossa história, uma única pessoa foi eleita três vezes para o cargo de presidente. Rodrigues Alves inaugurou a “reeleição” quando conseguiu se eleger novamente em 1918, após ter servido no Palácio do Catete de 1902 a 1906, mas morreu antes de assumir o segundo mandato. É verdade que Getúlio Vargas foi quem ocupou o cargo por mais tempo, mas somente por duas vezes foi eleito: em 1934 (depois de ter dado o golpe em 1930) e em 1950 (mandato do qual saiu morto, por próprio punho). Daí pra frente, embora Fernando Henrique ainda tenha sonhado brevemente com o retorno em 2006, ninguém conseguira tal feito.

Também é fato que o próprio Lula chegou a flertar com uma emenda golpista do tipo “Evo Morales” durante o seu segundo mandato. No auge da sua popularidade, algum dos nefelibatas stalinistas do Partido dos Trabalhadores sussurrou em seu ouvido o canto da serpente: “Por que não aprovar uma emenda para acabar com o limite de reeleição?”. Felizmente, a iniciativa estapafúrdia não foi levada adiante, sem embargo de que o torneiro bissílabo de São Bernardo tenha tentado governar por interposta pessoa: Dilma Rousseff. E deu no que deu.

Para tentar compreender o que nos espera no terceiro governo do ex-líder sindical do ABC, é necessário, antes, entender o que leva um sujeito que saiu consagrado ao se despedir do Planalto, com mais de 80% de popularidade, uma economia que bombava 7,5% ao ano e tinha conseguido eleger sua sucessora (a primeira mulher a sentar na cadeira de Presidente), a regressar ao mesmo posto que ocupara.

A primeira pista para responder essa questão talvez esteja no próprio desenrolar da história do que se passou desde que Lula desceu a rampa do Planalto. De 2011 pra cá, assistimos a um verdadeiro filme de horror, com povo na rua (2013), escândalos de corrupção em volume inaudito (Lava Jato) e um velho fantasma voltando a nos assombrar (inflação). Isso, registre-se, mesmo levando em consideração que o país voltou a sediar uma Copa do Mundo e recebeu pela primeira vez as Olimpíadas, fatores que deveriam aumentar a autoestima nacional (ocorreu o contrário). Se Dilma caiu, pois, a culpa recai única exclusivamente sobre ela e sobre quem a indicou: Luiz Inácio Lula da Silva.

Olhando em retrospecto o que deu errado, Lula pode tomar um novo caminho e reconstruir a própria imagem – hoje enxovalhada – como líder político. A despeito de alguns ruídos neste período de transição, Lula parece ter-se dado conta do recado que as urnas lhe mandaram. Se ele resolver implementar um “governo do PT”, estará acabado (e possivelmente sequer terminará o mandato). Se, ao contrário, promover um verdadeiro governo de união nacional, refletindo a “frente ampla” que ajudou a elegê-lo contra a máquina bolsonarista, o troféu de se tornar o “Getúlio Vargas do Séc. XXI” estará ao alcance da mão.

A esperança, portanto, é de que Lula governe com os olhos voltados para a História. E esse é o melhor lugar que um político tarimbado pode almejar estar. Sem se preocupar com reeleição e desprezando as picuinhas típicas do ofídiário brasiliense, o babalorixá petista poderá construir uma mitologia sobre a sua própria personagem. Livros e filmes existem aos montes contando sagas de ascensão-queda-ascensão, mas são poucos os casos da vida real que se encaixam nessa narrativa heróica. Depois de ter seu legado destruído por quem lhe sucedeu e amargar quase dois anos de prisão em um processo que posteriormente se reconheceu fraudulento (cortesia de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol), Lula parece tentar destronar todos os demais concorrentes no campeonato de “maior presidente de todos os tempos”.

No final das contas, porém, ninguém tem certeza de como será o terceiro governo Lula. Todavia, todo mundo sabe como seria um segundo governo Jair Bolsonaro. A simples percepção desse fato já nos permite vislumbrar o futuro com alguma dose de esperança no coração.

Toda a sorte do mundo ao novo Presidente, são os desejos sinceros do Dando a cara a tapa.

Ele e o Brasil merecem.

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Trilha sonora do momento

Ah, que saudade…

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