Trilha sonora do momento

Here we go again

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Pensamento do dia

Quem não aprende com os próprios padrões acaba chamando repetição de “destino”.

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Trilha sonora do momento

Sem choro. Bola pra frente.

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Pensamento do dia

Quando a gente se revela, os outros começam a nos desconhecer.

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Recordar é viver: “A Guerra do Yom Kippur”

Esse aqui vai para quem acha que as guerras no Oriente Médio só atingem as pessoas que moram por lá.

É o que você vai entender, lendo.

A Guerra do Yom Kippur

Publicado originalmente em 29.9.11

Depois da humilhação imposta aos vizinhos na Guerra dos 6 dias, é possível que o exército israelense tenha ficado presunçoso. Afinal, derrotar simultaneamente de forma assim, tão fulminante, três adversários em menos de uma semana – convenhamos – deixaria qualquer um com o moral elevado. Para enfrentar Israel, seria necessário muito mais poder de fogo e muito mais coordenação. Do contrário, a derrota seria certa.

Egito e Síria achavam que tinham aprendido a lição. Em segredo, ruminaram um plano de guerra pretensamente coordenado, rápido e letal. Seu objetivo seria contradizer o que ocorrera nas guerras anteriores. Em menos de uma semana seriam os árabes a tripudiar em cima do Estado judeu.

Em favor dos egípcios e dos sírios, diga-se que o fator surpresa eles conseguiram alcançar. Ao contrário do que ocorrera na Guerra dos 6 Dias, em que Eli Cohen passara a Israel um raio-X geral das forças inimigas, permitindo o ataque fulminante, o segredo imperou em todo o planejamento. Quem conta o que se passou é Elio Gaspari:

“Ao alvorecer de 6 de outubro, Dia do Perdão no calendário religioso judaico, 2 mil canhões egípcios abriram fogo. Dois corpos de exército invadiram o deserto do Sinai. Do outro lado avançaram duas divisões sírias. Somadas, as tropas que atacavam Israel tinham um efetivo maior que as forças da OTAN. Dois dias de combate levaram o Estado judeu às portas do desespero. “O Terceiro Templo está ruindo”, advertia o general Moshe Dayan, chefe do estado-maior do exército, legendário herói de duas guerras, mundialmente conhecido pela venda negra que lhe cobria o olho esquerdo”. (A Ditadura Derrotada, p. 260)

Os egípcios retomaram o Sinai e chegaram a avançar 15km dentro do território israelense. A Síria reconquistara as colinas de Golã. Tudo levava a crer que, dessa vez, a história seria diferente.

Mas, apoiados pelos americanos, que conseguiram estabelecer uma ponte aérea para fornecimento de armas, o exército de Israel começou a virar o jogo. Cinco dias depois do ataque, o exército judeu já expulsara as tropas sírias das colinas de Golã e caminhou em direção a Damasco. No décimo dia, destruíra todas as divisões blindadas do Egito, retomara o Sinai e ficara a apenas 100km do Cairo.

Mais uma vez, soviéticos e americanos impuseram um cessar-fogo. Mas o jogo já estava jogado. Israel mostrara novamente que não conhecia oponentes à altura na região.  Com a ajuda dos Estados Unidos, militarmente ninguém poderia lhe fazer frente.

Sem alternativas militares à mão, os árabes resolveram jogar outro jogo. E decidiram atacar o bolso do padrinho do Estado judeu. Numa reunião da OPEP, subiram o preço do barril de petróleo em 70%.A fase de prosperidade experimentada desde o fim da II Guerra – chamada de A Era de Ouro por Eric Hobsbawm – chegava ao fim.

Essa foi a principal conseqüência da Guerra do Yom Kipur. E talvez esta tenha sido a implicação mais profunda de todas as guerras do Oriente Médio. O primeiro choque do petróleo foi o prenúncio da maioria das crises econômicas subseqüentes. Em 1974, Nixon abandonou o padrão-ouro e desvalorizou o dólar.Isso levou ao aumento da inflação e, posteriormente, à triplicação da taxa de juros americana no começo do governo Reagan. Isso levou meia América Latina à breca – Brasil incluso – e decretou como “perdida” a década de 80.

No Brasil, dependente à época da importação de 90% do petróleo que consumia, o Milagre Econômico começou a fazer água. Com isso, acabara-se a “legitimidade” econômica dos militares que prometiam “Ditadura e Progresso”. Uma crise no Oriente Médio redundaria na redemocratização do Brasil em 1985.

E tem gente que não acredita em efeito borboleta…

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Trilha sonora do momento

Mantendo a tradição, vamos de Stevie Maravilha hoje.

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Pensamento do dia

Tem gente que nunca vai torcer por você, mas não perde um story seu para saber da sua vida.

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Oscar 2026

É isso aí, meus caros.

Lá vamos nós de novo para mais uma edição do nosso tradicional Bolão do Oscar. E olha que, a cada ano, a tarefa fica mais inglória — os índices de audiência da cerimônia têm despencado mais do que manga madura, tamanho é o desinteresse do público por uma premiação que insiste em se levar tão a sério.

A safra deste ano, reconheça-se, até que não é das piores. Após alguns anos vagando pelo deserto da falta de criatividade — que levou, por exemplo, um filme sub-Sessão da Tarde como Green Book a levar a estatueta de melhor filme—, 2026 chega com uma leva de filmes que, se não são exatamente aspirantes a clássicos, ao menos nos fazem lembrar por que gostamos de cinema.

A grande estrela da noite, claro, será o nosso já imortal O Agente Secreto, de Kléber Mendonça Filho. Igualando o recordista Cidade de Deus com quatro indicações, o filme pernambucano não terá exatamente vida fácil pela frente. Se Ainda estou aqui era franco favorito no ano passado na categoria de melhor filme em língua estrangeira, neste ano O Agente Secreto corre o risco de bater na trave nas quatro estatuetas a que concorre. Não porque não as mereça, só pra deixar claro, mas simplesmente porque não é o claro favorito em nenhuma delas. A coisa é tão maluca que seria uma surpresa, mas não seria escandaloso, por exemplo, que a película de Kléber Mendonça Filho perdesse o Oscar de melhor filme estrangeiro, mas ganhasse o de melhor filme geral.

Enfim, o papo está bom mas, sem muitas delongas, vamos direto e reto às previsões do Dando a cara a tapa para a premiação deste próximo domingo:

1 – Melhor ator: Categoria mais imprevisível da noite. O que parecia um caminho triunfal para Timothée Chalamet (Marty Supreme) depois do Globo de Ouro e do Critics Choice virou pó quando Michael B. Jordan (Pecadores) resolveu aparecer e faturar o prêmio do Sindicato dos Atores . Se isso não bastasse, outro membro muito querido da Academia, Leonardo DiCaprio, também concorre ( por Uma Batalha Após a Outra. Ethan Hawke (Blue Moon) também é querido, mas um Oscar para ele seria mais enquadrado naquela categoria de “life achievement“, isto é, “nunca ganhou um Oscar então leva esse aqui agora”. Toda a nossa torcida, claro, vai para o trabalho monumental de Wagner Moura em O Agente Secreto. Numa atuação contida, refinada e sem grandes maneirismos, o ator soteropolitano traz na mala um Globo de Ouro e o prêmio de melhor atos em Cannes. Com tanta gente boa na disputa, me arrisco a cravar que os votos dos “favoritos” vão acabar se diluindo e nosso querido Wagner vai trazer um histórico Oscar pra casa.

2 – Melhor atriz: Ao contrário da sua congênere masculina, o prêmio de melhor atriz este anos é a barbada das barbadas. A unanimidade. Jessie Buckley (Hamnet) venceu tudo o que apareceu pela frente: Globo de Ouro, Critics Choice, BAFTA, SAG, e até o bingo da esquina. Se ela não levar o Oscar, será uma das maiores zebras dos últimos tempos.

3 – Melhor ator coadjuvante: Aqui também a disputa é acirrada. Temos dois gigantes de Uma Batalha Após a Outra na disputa: Sean Penn, em sua sexta indicação (mas a primeira como coadjuvante); e Benicio Del Toro, que já venceu nessa categoria por Traffic . Do outro lado, há Stellan Skarsgård, com 74 anos e a primeira indicação na vida por Valor Sentimental, carregando aquela narrativa comovente do veterano que nunca foi lembrado. A lógica indicaria Skarsgård, mas Sean Penn disparou nas bolsas de aposta depois de vencer o BAFTA e o SAG no final da temporada. Na dúvida, o Blog crava Sean Penn como vencedor dessa categoria.

4 – Melhor atriz coadjuvante: Se nos outros prêmios há favoritos claros ou, pelo menos, uma tendência clara a ser seguida, aqui em melhor atriz coadjuvante temos uma verdadeira loteria. Amy Madigan (Weapons) venceu o Critics Choice e o Actor Awards, mas seu filme tem apenas uma única indicação (a dela). Teyana Taylor (Uma Batalha Após a Outra) venceu o Globo de Ouro, Wunmi Mosaku (Pecadores) levou o BAFTA, e as norueguesas Elle Fanning e Inga Ibsdotter Lilleaas dividem os votos de Valor Sentimental. Já que é pra chutar no escuro, chuto que que Amy Madigan vai levar a estatueta dourada pra casa.

5 – Melhor filme de animação: Outra barbada. Guerreiras do K-Pop é um fenômeno global, tem música chiclete, mensagem positiva e vai levar a estatueta com os dois pés amarrados nas costas. Zootopia 2 até que ameaçou, mas o fenômeno sul-coreano é quase um tufão, e a Academia não contraria de forma tão evidente o público jovem que morre de amores pela Coréia.

6 – Melhor fotografia: Aqui temos mais um brasileiro na parada. Adolpho Veloso concorre por Sonhos de Trem, mas a briga de verdade é entre a fotografia granulada e nostálgica de Pecadores e os planos hipnóticos de Uma Batalha Após a Outra. Como a Academia adora premiar filmes que parecem “pinturas em movimento”, acho que Pecadores leva essa.

7 – Melhor montagem: Categoria que costuma seguir o favorito ao prêmio principal. Se Uma Batalha Após a Outra for o bicho-papão da noite, leva essa com folga. Se Pecadores surpreender, o prêmio vai com ele. Chutômetro: Uma Batalha Após a Outra.

8 – Melhores efeitos especiais: Aqui a briga é entre o novo Frankenstein de Guillermo del Toro e Avatar: Fogo e Cinzas. Como James Cameron já tem uma coleção dessas em casa, acho que o prêmio vai para o monstro de Del Toro, que é uma obra de arte em termos de design e efeitos práticos.

9 – Melhor som: Finalmente a Academia unificou as categorias de som e, para alívio geral, ninguém precisa mais fingir que entende a diferença entre edição e mixagem. O favorito aqui é o imersivo Uma Batalha Após a Outra, mas Pecadores e F1 também têm trabalhos sonoros absurdos. Na dúvida, fico com Uma Batalha Após a Outra.

10 – Melhor roteiro original: Pecadores deve levar essa para casa com certa tranquilidade. Afinal, Ryan Coogler escreveu um filme de vampiro que é também um drama histórico sobre o apagamento da cultura negra nos EUA. Originalidade é o que não falta nesse roteiro.

11 – Melhor roteiro adaptado: A maioria aposta em Uma Batalha Após a Outra, que adapta livremente o romance Vineland, de Thomas Pynchon. Paul Thomas Anderson pegou migalhas do livro e criou uma obra-prima moderna . É o prêmio de consolação perfeito caso ele perca Melhor Direção.

12 – Melhor figurino: Frankenstein aqui é favorito, com seu visual gótico e vitoriano impecável. Pecadores corre por fora com a reconstituição dos anos 1930, mas o monstro de Mary Shelley deve levar esse pra casa.

13 – Melhor maquiagem: Mais uma categoria que deve sorrir para Frankenstein, pelo trabalho de caracterização da criatura e seus arredores. Pecadores também não faz feio, mas Del Toro leva essa.

14 – Melhor canção: A briga é entre Golden, do Guerreiras do K-Pop, e I Lied to You, de Pecadores. Como a música do filme de animação é um hit global, vai ser difícil tirar essa estatueta da Coréia.

15 – Melhor trilha sonora original: Hamnet, com trilha de Max Richter, é o favorito dos especialistas. Mas Jonny Greenwood (do Radiohead) fez um trabalho magistral em Uma Batalha Após a Outra, e Ludwig Goransson (o mesmo de Oppenheimer) mandou ver em Pecadores. Categoria disputadíssima. Chute por chute, fico com Uma Batalha Após a Outra.

16 – Melhor direção: Mais uma categoria com brasileiro na parada. De minha parte, daria o Oscar pra Kléber Mendonça Filho com os olhos fechados. Mas confesso que vai ser difícil ver o Agente Secreto levar nessa categoria. Ryan Coogler fez um trabalho igualmente brilhante em Pecadores e tem o apoio da indústria. Mas Paul Thomas Anderson traz consigo o histórico de 14 indicações e um total de zero estatuetas. Vai ser duro, portanto, tirar o prêmio de Uma Batalha Após a Outra nessa cagegoria.

17 – Melhor filme internacional: E aqui, finalmente, temos mais uma chance de ouro para o cinema brasileiro. Depois da vitória histórica de Ainda Estou Aqui no ano passado, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho chega com força total. O principal concorrente é o norueguês Valor Sentimental, de Joachim Trier, que também é fortíssimo e tem a vantagem de estar indicado em outras categorias de peso. Do outro lado, Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi, é o azarão perigoso: rodado em segredo no Irã, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, tem a narrativa mais forte de todas. Qual o problema para O Agente Secreto? Com vitórias consecutivas nessa categoria, só quatro países conseguiram, e a última vez foi há quase 40 anos . Mesmo assim, acredito que o Brasil pode fazer história novamente. O Agente Secreto é um filme urgente, necessário e tecnicamente impecável. Se a Academia quiser provar que realmente mudou, vai dar o prêmio para Kleber Mendonça Filho. A conferir (e a rezar).

18 – Melhor elenco: Mais uma categoria em que O Agente Secreto tem chances concretas de vitória. Além de ser uma categoria nova – a primeira vez em que ela consta na lista -, o casting do filme de Kléber Mendonça Filho é simplesmente fantástico. Além de Wagner Moura, temos a já icônica Tânia Mara e o show de cena única de Alice Carvalho. Por não haver registro anterior do qual se possa inferir algum prospecto, meu chute é que o prêmio nessa categoria vem pro Brasil (nem que seja apenas um prêmio de consolação).

19 – Melhor filme: Quem leu as previsões anteriores já deve ter percebido que a briga está entre Uma Batalha Após a Outra e Pecadores. O primeiro é o favorito dos críticos e dos festivais; o segundo é o recordista de indicações (16 ao todo, o maior número da história) e o queridinho do público. Há quem diga que Hamnet pode dar o bote por baixo, mas francamente acho improvável. No fim, tudo vai depender de como o vento soprar na noite da cerimônia. Se houver um claro vencedor em Direção e Roteiro, o prêmio máximo deve acompanhar. Se houver um racha, Pecadores pode surpreender. Como não estou nem aí para o que dizem os especialistas, vou cravar que o filme de Kléber Mendonça Filho fará história e trará o prêmio de melhor filme para Pernambuco.

A sorte, pois, está lançada. No próximo domingo saberemos se a bola de cristal deste que vos escreve ainda continua calibrada ou se será necessário trocá-la por um modelo mais moderno ano que vem.

Quem viver, verá.

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Trilha sonora do momento

E como hoje é aniversário de Olinda e Recife, vamos com a baiana Maria Bethânia cantando um dos ícones de ambas: Frevo nº. 1

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Pensamento do dia

O sofrimento ensina o que o conforto jamais revelaria.

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