Mais um fracasso na Copa, ou Haverá futuro para a seleção brasileira?

Ninguém pode dizer que foi surpresa.

Exatamente como esperado, a seleção brasileira de futebol naugrafou mais uma vez no caminho para o hexa. Tal como previsto aqui, o Brasil de Ancelotti foi derrotado de forma incontestável por uma Noruega que, se não tem tanta tradição, mostrou muito mais qualidade em campo. Diante da camisa amarela com 5 estrelas no peito, os noruegueses não amarelaram e acabaram com qualquer ilusão que a vitória sofrida contra o Japão pudesse ter incutido no torcedor brasileiro.

É verdade que a data – 5 de julho, a mesma da fatídica Tragédia de Sarrià – não trazia bons augúrios. Mesmo assim, o que se viu em campo foi um Brasil irreconhecível, preso atrás numa estratégia de contra-ataque que jamais foi tentada de forma tão ostensiva quanto agora. Não por acaso, a seleção exibiu o menor percentual de bola numa partida de Copa do Mundo desde quando essa estatística começou, na Copa de 1966.

Também é verdade que o Brasil teve suas chances. Tivesse Bruno Guimarães mais competência – ou se Vini Jr. tivesse exibido mais cojones para reclamar o papel de batedor – o pênalti no início do jogo poderia dar outra cara à partida. Da mesma forma, a chance bisonhamente desperdiçada por Endrick cara a cara com o goleiro, quando o jogo ainda estava 0x0, poderia fazer com que a estratégia suicida de Ancelotti afinal resultasse. Mas, como vimos, a sorte não sorriu pra gente.

E por falar em Ancelotti, é sobre ele que deve recair a maior parte das críticas pela eliminação tão prematura da seleção neste mundial. Se ele já havia errado ao convocar Neymar para a Copa, colocá-lo em campo contra um time bem armado contra a Noruega, estando o jogo 0x0, foi de uma temeridade à toda prova.

Com a alteração, todo o esquema tático que o próprio Ancelotti tinha armado para o jogo foi desfeito. Antes, Rayan voltava para cobrir Danilo, improvisado na lateral da direita. Sem Rayan, coube a Endrick – que não tem cacoete nenhum pra tarefa – o papel de ajudar na marcação pelo lado direito da defesa brasileira. Resultado: os dois gols da Noruega saíram justamente depois das alterações do técnico italiano. E ambos pelo lado direito do Brasil.

Engana-se, porém, quem acha que o Brasil perdeu só agora, dentro das quatro linhas. Na verdade, o resultado do jogo de domingo já estava escrito há muito tempo. Poderia ter sido antes, caso o Japão soubesse segurar a bola. Ou poderia ter sido depois, caso o ataque brasileiro não fosse tão pródigo em perder chances de gol. Desde 2002 o Brasil não sabe o que é chegar numa final de Copa do Mundo. Seria muita ingenuidade creditar a um técnico que tem pouco mais de um ano no cargo a responsabilidade por quase um quarto de século de fracassos futebolísticos. Nossos problemas são de outra ordem, e não será nenhum técnico – nacional ou estrangeiro – quem irá resolvê-los.

Pra começo de conversa, o Brasil não forma mais jogadores de elite. Isso é um fato, não é opinião. Em 2002, tínhamos dois jogadores que já haviam sido escolhidos melhores do mundo (Ronaldo e Rivaldo) e outro que o seria logo depois (Ronaldinho). Além deles, havia ainda Roberto Carlos, que, mesmo ocupando a lateral, já havia ficado em segundo no ranking, atrás apenas do próprio Fenômeno. Em 2006, tínhamos Ronaldinho, Ronaldo (pesando 400kg, mas ainda conseguindo gingar à frente do goleiro, ao contrário de Endrick) e Kaká, fora gente do quilate de Adriano Imperador e Juninho Pernambucano.

E de lá pra cá? Por que o Brasil não forma mais craques fora de série como no passado?

Se há um lugar óbvio para apontar a responsabilidade por esse estado de coisas é a Confederação Brasileira de Futebol. Organizada numa estrutura anacrônica e recheada de acusações de corrupção, a toda-poderosa CBF representa, hoje, o principal mal a acometer o outrora glorioso futebol brasileiro. As federações estaduais encontram-se povoadas por feudos familiares ou algum consórcio de compadres. O atual presidente, o desconhecido-até-outro-dia Samir Xaud, chegou ao cargo por obra e graça de uma “herança” familiar. Seu pai, Zeca Xaud, havia sido presidente da Federação Roraimense por 42 anos. Depois, repassou o cargo ao filho.

Candidato único em 2025, Xaud foi eleito presidente da CBF com o voto de 25 das 27 federações estaduais. 21 dos maiores clubes do país boicotaram a eleição em protesto contra o sistema que dá às federações peso triplo em relação aos clubes na hora de votar. Desde sua eleição, Xaud notabilizou-se apenas por duas coisas: a primeira, contratar Carlo Ancelotti para comandar a seleção canarinho; a segunda, levar a esposa para a Copa do Mundo, instalando-a no México; assim como sua amante, que foi instalada em Nova Iorque.

Como esperado, ninguém foi demitido (muito menos Xaud). Nenhuma federação se pronunciou. Os jogadores e Ancelotti guardaram obsequioso silêncio. Não se convocou ninguém para uma CPI no Congresso. Não houve sequer quem criticasse a falta de “isonomia” entre as instalações em que ficaram a esposa e a amante. A imprensa esportiva, como de hábito, tratou o assunto como fofoca e seguiu em frente.

Para que as coisas comecem de fato a mudar no futebol brasileiro, não adianta simplesmente focar no que ocorre dentro das quatro linhas. Há exatos 12 anos o Brasil sofreu a maior humilhação futebolística de sua história (o famigerado 7×1) e nada mudou. Quantos anos terão de passar até que a população se dê conta de o problema de verdade está fora do campo?

É preciso acabar pra ontem com o poder desproporcional das federações estaduais no sistema eleitoral da CBF, abrir a gestão para profissionais que realmente entendam de futebol – a começar pelas seleções de base – e exigir transparência financeira plena de uma entidade que move bilhões de reais de ano à custa da maior paixão esportiva do país sem prestar contas a praticamente ninguém.

Tendo em vista que esse cenário ainda vai demorar a se concretizar, o torcedor brasileiro – na sua infinita capacidade de sátira – resolveu extravasar a frustração através de um canal inusitado: o Reclame Aqui. Nos dias seguintes à eliminação, milhares de torcedores acorreram ao famoso site de reclamações de consumidores para registrar queixas formais contra a CBF.

Não se pode dizer que a iniciativa seja de todo equivocada. Olhando para a atual estrutura do futebol brasileiro, não restam muitas outras opções para que o torcedor possa extravasar a sua raiva. Reclamar no Reclame Aqui pode não mudar nada. Mas, convenhamos, é exatamente esse nível de “solução” que essa CBF que está aí merece.

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Trilha sonora do momento

Apesar do sangue argentino, confesso que o grito ficou preso na garganta.

Paciência…

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Pensamento do dia

Tem gente que está no mundo em busca de coisas caras. Eu prefiro buscar coisas que não tem preço.

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Trilha sonora do momento

A gente joga bola e não consegue ganhar!

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Pensamento do dia

A pressão não cria defeitos. Ela apenas revela os que já existem.

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Recordar é viver: “Copa das Copas?, ou Qualidade x Emoção”

Já não podemos dizer mais que tivemos a copa mais emocionante de todos os tempos.

E, ao contrário da Copa de 2014, essa agora tem aliado qualidade à emoção.

É o que você vai entender, lendo.

Copa das Copas?, ou Qualidade x Emoção

Publicado originalmente em 2.7.14

Quem dissesse que estava esperando o que se viu desde que a Copa do Mundo começou estaria mentindo. Tudo bem que ninguém esperava algo semelhante à horrorosa Copa de 2010, mas o nível de futebol praticado nas primeiras rodadas do Mundial do Brasil tem se mostrado assustadoramente alto. Jogadas geniais, viradas de placar e uma quantidade de gols que não se via desde a Copa de 1982. Enfim, todos os ingredientes para que se possa dizer, sem medo de errar, que, dentro de campo, a Copa tem sido um sucesso. Mas será esta a melhor Copa de todos os tempos, a “Copa das Copas”?

Nesse ponto, a porca entorta o rabo.

Deixemos de lado, por ora, a constatação evidente de que o Mundial ainda não se encerrou (ainda vamos assistir às quartas-de-final). Como a última impressão – nesse caso, o jogo final – é o que normalmente fica, é ainda arriscado fazer um prognóstico definitivo de como esta Copa será vista daqui a uma ou duas décadas. Mesmo assim, o apanhado geral já permite esboçar algum tipo de análise quanto ao tipo de futebol jogado até o momento

Diferentemente de outros mundiais, não há uma “seleção sensação”. Nenhum time encantou ainda o público, ou, pelo menos, nenhum o fez de forma consistente. Ao contrário, por exemplo, da Hungria de 54 e da Holanda de 74, que massacraram todos os seus adversários até perderem a final contra a Alemanha, não há nenhuma seleção impondo seu jogo às demais. Promessas da primeira fase, como a Holanda (5×1 na Espanha) e Alemanha (4×0 em Portugal), penaram nos jogos seguintes e, em ambos os casos, passaram às quartas com as calças na mão, jogando contra adversários teoricamente mais fracos (México e Argélia).

Por outro lado, esse aparente equilíbrio geral tem gerado partidas emocionantes. Tivemos quase 10 jogos com viradas de placar. Grande parte dessas viradas ocorreu nos últimos quinze minutos de partida. Pra melhorar, cinco dos oito jogos das oitavas foram à prorrogação, com as partidas sendo decididas nos derradeiros cinco minutos de disputa (vide os casos já citados de Alemanha e Holanda). Somando-se a isso tudo a boa média de gols até aqui, pode-se dizer que emoção é o que não está faltando na Copa de 2014.

Mas é possível dizer que esta é a melhor Copa de todos os tempos?

Bom, se nós entendermos “melhor” como a de “maior qualidade técnica”, a resposta é um sonoro não.

Em muitas partidas, vê-se uma quantidade razoável de gols, mas disso não decorre necessariamente um jogo de alto nível técnico. Por exemplo: Itália 2 x Inglaterra 1 foi um jogo muito melhor do que Argélia 4 x Coréia do Sul 2, embora tenha contado com metade dos gols desta partida.

Embora seja sempre temeroso comparar gerações distintas, a Copa de 1970 continua ostentando o primeiríssimo lugar no ranking de “Melhores Copas de Todos os Tempos”. Não só porque o Brasil tinha uma seleção com Pelé, Rivellino, Tostão e Gérson, mas porque a Alemanha tinha Beckenbauer, a Itália tinha Gigi Riva e até mesmo o modesto Peru tinha Cubillas para encantarem o público. Fora isso, os dois jogos mais emocionantes da história das Copas – segundo votação mundial realizada pela Fifa – são justamente da Copa de 70: Itália 4 x Alemanha 3 na semifinal; e Brasil 4 x Itália 1, na final.

Depois de 1970, a Copa de 82 aparece ainda em um mui honroso segundo lugar. Claro que, nesse quesito, pesa muito o Brasil do quarteto mágico Zico-Sócrates-Falcão-Cerezo. Mas há ainda de se considerar a França de Platini, Fernandéz e Tigana, a Argentina de Maradona e Passarella, a Alemanha de Matthäus e Müller e a própria Itália de Conti e Paolo Rossi. O posto vem não porque todos eram craques da bola, mas porque protagonizaram duelos tecnicamente impecáveis, como a semifinal Alemanha 3 x França 3 (5 x 4 nos pênaltis).

Hoje, pelo menos na minha modesta opinião, o terceiro lugar fica com a Copa de 1998. O Brasil nem tinha uma seleção das melhores, mas várias seleções apresentaram um futebol de primeira, que dava gosto de ver: Inglaterra (Beckham), Argentina (Verón), Dinamarca (Laudrup) e, obviamente, a França (Zidane). Alguns jogos ainda não me saíram da memória e entrariam fácil na lista dos mais-mais das paradas: Brasil x Dinamarca, Inglaterra x Argentina e Brasil x Holanda, só pra citar três.

Com alguma sorte, se as retrancas inevitáveis das fases finais não atrapalharem, podemos passar a Copa da França e tomar-lhes o terceiro lugar. Mas é quase um sacrilégio desportivo chamar esta Copa de “a melhor da história”. Poderemos nos orgulhar, no entanto, de termos sediado o Mundial mais emocionante de todos os tempos.

E esse título, pelo menos pelo que se viu até agora, já está no papo. É só esperar pra ver

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Trilha sonora do momento

Simplesmente “A” história da Copa até agora.

Cabo Verde deixará muita sodade

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Pensamento do dia

Quando alguém não é pra você, vai te machucar até que você entenda.

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A Noite das Astronautas, ou A hipocrisia do mundo político brasileiro

Reza a lenda que as duas profissões mais antigas do mundo são a política e a prostituição. Em ambas, mercadejam-se corpos (ou mentes) em troca de dinheiro. Se elas cresceram através da História em mundos paralelos, é certo que, em determinadas esquinas, elas acabam por se cruzar. É a conclusão a que se chega de quem procura analisar a famigerada Noite das Astronautas.

Para quem ainda não está por dentro do babado, o caso é relativamente simples. Em maio de 2024, durante a Brazil Week em Nova York — um convescote de ricaços, políticos e lobistas —, Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, organizou uma sequência de eventos de luxo para, digamos, “entreter” seus convidados. O esquema era semelhante às antigas festas dos gregos ao Deus do vinho, Dionísio. “Importado” para Roma, Dionísio virou “Baco”, e o substantivo das festas em seu louvor ganharia o nome que seria conhecido pela infâmia: bacanal.

Para uma dessas festas, os organizadores da Vorcaro Suruba & Eventos preparam algo especial. Numa suíte presidencial de um famoso hotel da 5ª Avenida, russas e ucranianas circulavam com macacões prateados e capacetes de astronauta. De acordo com o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, o “ritual de escolha” era simples: como se estivesse em um buffet de carne humana, o convidado aproximava-se da cortesã, levantava a viseira do capacete e anunciava “essa aí que eu quero”.

Além dos Farialimers de sempre e toda a fauna que costumava cercar o ex-dono do Banco Master, também esteve presente ao evento a nata da elite política brasileira. Dentre eles, inclusive, gente que supostamente “defende a família”, segundo o relato de Garotinho. A conta da brincadeira chegou a quase R$ 4 milhões, de acordo com a Polícia Federal.

Vorcaro, é bom lembrar, não é simplesmente um banqueiro esbanjador que gostava de torrar grana em festas nababescas. É o ex-controlador do Banco Master, investigado por organização criminosa, corrupção e fraudes bilionárias que causaram um rombo estimado em dezenas de bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos. E, ao que tudo indica, enquanto desviava bilhões de pessoas físicas incautas, usava parte do ervanário para bancar festas com autoridades públicas em Manhattan.

“E daí?”, pode estar se perguntando você.

Daí, respondo eu, que a coisa vai além dos bacanais propriamente ditos. Toda vez que aparece alguma coisa do gênero no meio de um escândalo político, a galera faz uma espécie de “pacto de silêncio” em torno do assunto. Não se trata, apenas, dos adversários políticos, mas engloba boa parte da imprensa, da polícia e até da população. O argumento, claro, é de que isso não seria de “interesse público”, pois estaria inserido na esfera da vida privada dos envolvidos. Poucas coisas podem ser mais cínicas do que esse “entendimento”.

Quando um bandido como Daniel Vorcaro gasta R$ 4 milhões de reais numa só noite para “entreter” parlamentares, o nome que se dá a isso não é “hospitalidade”. É “cooptação”. Ainda que o caso ficasse restrito ao pagamento de prostitutas para satisfazer a lascívia imoral – e não há razão alguma para crer que o negócio acabaria por aí -, ainda assim estaríamos tratando de propina gasta por um empresário inescrupuloso na esperança de obter algum benefício futuro de autoridades públicas.

E tem mais. Supondo que de fato existam os tais vídeos sobre as festas de que todo mundo – inclusive Anthony Garotinho – fala, quem garante que todo essa orgia coletiva não passava apenas de um instrumento simples de chantagem? Político mentir para seu eleitor é arte que o sujeito aprende tão logo veste o paletó. Mentir para a mulher com a qual compartilha o leito são outros quinhentos. E, nesse caso específico, as consequências tendem a ser muito mais funestas.

Como se isso não bastasse, segundo consta a Noite das Astronautas não foi um episódio isolado. Até agora ele é “apenas” o mais famoso. A PF já documentou uma agenda inteira de “eventos de entretenimento político” patrocinada por Vorcaro em cidades como Londres, Nova York e Trancoso. O que se sabe, portanto, é nada. O que está por vir provavelmente será muito pior.

Não por acaso, foi nesse ambiente que Michelle Bolsonaro resolveu jogar no ventilador seu vídeo contra Flávio Bolsonaro. Na segunda-feira, a ex-primeira-dama repostou o vídeo de Garotinho nos seus stories com uma frase enigmática: “A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer”. O post sumiu logo depois, mas o recado ficou.

No contexto da crise políticacom o enteado — que a teria “humilhado e maltratado ao telefone” —, a mensagem de Michelle não precisava de legenda. Para piorar, Flávio vestiu a carapuça da acusação. Disse o filho 01 de Bolsonaro que “nunca esteve em festinha de astronauta de Vorcaro”, no típico erro de quem proclama inocência sem ter sido formalmente acusado.

Se Flávio Bolsonaro estava ou não na festa, é algo que saberemos mais hora, menos hora. O fato é que, segundo relatos unânimes de quem já viu o material, cabeças coroadas do sistema político brasiliense foram convivas da esbórnia patrocinada por Daniel Vorcaro. “Quantas e quais?”. Só a investigação poderá revelar.

Ao contrário do que a prega a regra do silêncio sobre a “vida pessoal” dos políticos, a melhor coisa a se fazer no momento seria a Polícia Federal ir a fundo para descobrir quem de fato esteve nessas orgias coletivas patrocinadas pelo ex-dono do Banco Master. Libertinagem paga com dinheiro de banco investigado por fraude bilionária não é “intimidade”. É elemento de crime. Onde há vídeo com autoridade pública em situação comprometedora, de duas, uma: ou há prova de pagamento de propina; ou há um instrumento potencial de chantagem. E mais: se alguém tem cópia desse material, o que está pedindo em troca para não divulgá-lo?

No final das contas, a Noite das Astronautas diz muito mais sobre a nossa política do que qualquer pesquisa eleitoral. Ela comprova que o problema do Brasil não é que seus políticos defendam a família enquanto frequentam orgias pagas por banqueiro preso. Isso é hipocrisia, mas é trivial. O problema é que ninguém — absolutamente ninguém — parece ter achado que havia algo de errado em aceitar o convite.

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Trilha sonora do momento

Se dinheiro na mão é vendaval, imagine em livros ocos de Direito.

Em qualquer caso, teremos aí um Pecado Capital.

#EntendedoresEntenderão

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