Trilha sonora do momento

Toda a força ao grande Lionel Richie, que está internado numa UTI depois de passar mal após um show.

🙏​🙏​

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Pensamento do dia

Dizem que o amor salva, mas é o amor que ensina ao homem o quão profundamente ele pode sangrar sem morrer.

By Marcus Aurelius

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Recordar é viver: “Reflexões sobre a vida e a morte”

E hoje a seção mais nostálgica deste espaço não poderia contar com outro post senão este.

É o que você vai entender, lendo.

Reflexões sobre a vida e a morte

Publicado originalmente em 21.10.15

Quem acompanha o Blog desde o começo sabe que o Autor não é muito afeito a falar de sua vida privada, muito menos daqueles que o rodeiam. Privacidade é a marca deste espaço. E, salvo algumas incursões furtivas em casos pitorescos da minha infância, pouco se sabe acerca de mim, a não ser quanto àquilo que escrevo, o que, de certa forma, fala mais sobre a minha pessoa do que um mero ato de apresentação formal.

Todavia, não é segredo pra ninguém que sofri dois baques muito recentes. Até porque foi por causa deles que passei quase um mês ausente aqui no Blog. Relacionados à perda de duas pessoas muito queridas, os baques acabaram por me laçar em um período de reflexão que eu não experimentava pelo menos desde minha conturbada adolescência. Reflexões que, no final das contas, foram adiadas pela feliz circunstância de eu ter demorado tempo até demais para confrontar-me com ela.

“A morte é a única certeza da vida”, repetem os que gostam de lugares-comuns para falar sobre a “indesejada das gentes”. “Mas vivemos como se nunca fôssemos morrer”, replicam os filósofos de botequim, valendo-se de outro lugar-comum bem caro aos que pensam ser possível resumir todas as implicações existenciais numa única sentença.

Lugar-comum por lugar-comum, o fato é que ninguém está preparado para a morte. Convivemos com ela todos os dias; ela nos chega diariamente pela televisão ou por página de Internet. Mesmo assim, nossa reação diante dela é semelhante à de alguém que assiste a um filme ou a uma novela: não há comoção verdadeira. Afinal, a morte é sempre “do outro”, de um chinês vítima de terremoto ou de um menino sírio a atravessar o Mediterrâneo. Nada disso, portanto, é capaz de nos atingir.

A ficha só cai, portanto, quando a morte é de alguém próximo. Não só isso. Quando a morte é de alguém próximo e também querido. A morte de uma pessoa próxima com a qual não há relação de afeto beira a desimportância. Por mais cruel que seja, não raro a partida nesses casos é recebida com alívio, não com dor. Por isso mesmo, as reflexões que a morte suscita só aparecem quando se perde alguém de quem genuinamente se gosta.

A primeira reflexão incensada pela morte diz respeito à dor do lamento. Com pessoas próximas, há uma variação inevitável entre os momentos de maior e menor querença. É dizer: ninguém gosta muito de ninguém o tempo inteiro. Há momentos em que se gosta menos e até mesmo episódios de raiva e de ressentimento. O que fica, no entanto, é o conjunto da obra: durante a minha vida, eu gostei mais dessa pessoa do que desgostei? Tal será a medida da lamentação quando ela se for.

A segunda reflexão diz respeito à natureza das coisas. Construímos, em maior ou menor grau, um mundo material à nossa volta. Imóveis, carros, objetos pessoais, quinquilharias de todo o tipo; tudo isso constitui o acervo que, bem ou mal, reflete o que se passou na nossa vida. No entanto, todas essas coisas só têm sentido na medida em que há a sua conexão pessoal com elas. Quando você se vai, tudo aquilo perde a razão de ser. Qualquer pessoa pode ter uma ligação afetiva com uma maleta de negócios, por estar ligada a algum momento especial de sua vida ou por ter sido sua primeira conquista como homem de negócios. Se o sujeito morre, entretanto, a conexão sentimental desaparece. Para qualquer outra pessoa, aquela maleta não significará coisa alguma. Disso resulta o seguinte: quando a gente morre, tudo morre com a gente.

A terceira e definitiva reflexão relaciona-se às relações interpessoais. Nas salas de UTI, costuma-se dizer que os melhores acompanhantes são aqueles que sempre estiveram presentes na vida do paciente. Os piores, por sua vez, são aqueles que foram ausentes ou que têm alguma pendência com quem se vai. Por quê? Porque a morte lhes coloca diante da verdade cruel: o que havia de ser feito ou o que se queria fazer já teria de ter sido feito àquela altura; não há tempo para mais nada. Se a pessoa morre, todos os bons e maus momentos, toda a convivência que houve ou que faltou, todas as questões mal resolvidas partirão junto com ela. Se isso serve de consolo para quem soube e pôde aproveitar, cai como uma bomba na cabeça de quem vai seguir vivendo sem ter tido a chance de viver os momentos que perdeu ou resolver os problemas que ficaram no meio do caminho. E a única conclusão possível é esta: quando alguém querido morre, parte da gente morre também.

Boa reflexão a todos.

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Trilha sonora do momento

E amanhã Seu Monteiro completaria 100 anos.

Miss you so much, my man… 😢​😢​

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Pensamento do dia

Mais um belo dia que se passa sem que eu tenha precisado usar o seno, o cosseno ou a tangente.

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Candidatos em fuga, ou A crise dos debates nas eleições

Que há uma crise nos debates das eleições brasileiros, isso só as avestruzes não vêem. No último domingo, a TV Bandeirantes deu início à série de debates para as eleições presidenciais deste ano. Das seis cadeiras reservadas, metade ficou vazia. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema fugiram da raia. Por pouco o nanico Augusto Cury também não roeu a corda, o que deixaria a arena reserva para uma espécie de “duelo” entre apenas Ronaldo Caiado e Renan Santos. É triste.

As justificativas foram as mais variadas. Lula não foi porque, segundo sua assessoria, não queria “ouvir bobagem”. Flávio Bolsonaro pelo menos foi sincero: não foi porque Lula não foi (ou seja: se o outro não vai se queimar, eu é que não vou entrar na roda). E Romeu Zema não foi porque, presumivelmente, também não quis ouvir bobagem — embora, nesse caso, a bobagem provavelmente viesse dele mesmo. Sem os dois candidatos que lideram as pesquisas, restou a Caiado reclamar dos fujões e a Renan Santos produzir cortes toscos de lacração para suas redes sociais. Deprimente.

Em favor dos que fogem dos debates como o diabo da cruz, há uma justificativa teórica que os ampararia. Do como como estruturados hoje, o formato dos debates é ruim. No modelo atual, qualquer candidato de partido com representação suficiente no Congresso tem a prerrogativa de comparecer ao debate. Foi esse tipo de regra que permitiu, por exemplo, a bizarrice de vermos Padre Kelmon nos debates de 2022. Candidato-satélite do bolsonarismo. o famoso “Padre de Festa Junina” fora colocado na disputa com o propósito específico de tirar Lula do sério e defender Bolsonaro de graça. Não havia nenhum programa de governo, nenhuma intenção real de governar e nenhum resultado eleitoral que justificasse sua presença. Miserável.

Mas, se o atual formato representa um problema para os debates, ele está longe de justificar a pura e simples ausência. Fato.

Quem quer presidir um país de 215 milhões de habitantes, com a décima maior economia do mundo e uma democracia que vem de anos de convulsão institucional, com direito a tentativa de golpe de Estado, tem a obrigação elementar de se submeter ao escrutínio público em um confronto direto com seus adversários. Não numa entrevista para a mídia amiga, onde as perguntas chegam previamente comunicadas e o entrevistador apenas sorri e segue em frente quando o candidato sai pela tangente. É nos debates que o adversário responde, onde o candidato é pressionado, onde as inconsistências aparecem e onde o eleitor pode assistir, em tempo real, do que o sujeito é feito quando a porca entorta o rabo.

É importante destacar que democracia não é só o dia da eleição. É o processo inteiro. E é nos debates que o candidato presta contas pessoalmente, sem intermediário, sem assessor ao lado sussurrando a resposta, sem texto de teleprompter ditado pelo marqueteiro. Recusar isso é recusar-se ao escrutínio. E recusar-se ao escrutínio é, no fundo, desrespeitar o eleitor.

“O que fazer, então, para melhorar?”

Vamos a duas propostas concretas

Primeiro: a lei deve estabelecer a participação obrigatória dos candidatos em pelo menos três debates antes do primeiro turno. Um na primeira semana de campanha oficial, outro no meio do período e o último nas vésperas da eleição. Calendário fixo, regras claras, sem surpresas. Um candidato poderia faltar, com justificativa aceita pela Justiça Eleitoral, a apenas um desses três. Se a falta for, o sujeito perde o equivalente a uma semana de horário eleitoral gratuito. Se faltar a dois sem razão, aí é caixão e vela preta: impugnação da candidatura. Simples, direto e sem direito a choro.

Segundo: todos os debates seriam transmitidos simultaneamente por todas as emissoras de televisão aberta do país. Sem competição de audiência, sem escolha de qual emissora vai sediar o evento do dia, sem fragmentação de público. O Brasil inteiro assistindo ao mesmo debate ao mesmo tempo, como acontecia com a Copa do Mundo antes de a transmissão se pulverizar entre plataformas. O efeito colateral benéfico é que as próprias emissoras, obrigadas a transmitir o mesmo evento que todas as outras, teriam incentivo real para fazer um debate de qualidade. Afinal, o único diferencial passaria a ser as perguntas e a condução, não a exclusividade do conteúdo.

Não seria, claro, a panacéia de todos os nossos problemas eleitorais. Mas pelo menos submeteria os principais candidatos a um mínimo de escrutínio público antes de almejarem o seu voto. Resolver de verdade só através da famosa “reforma política”. O problema, como todo mundo sabe, é que desse debate todo e qualquer político foge, não só os candidatos.

Mesmo assim, o que se tem para hoje é o seguinte: no domingo passado, no primeiro debate televisionado de candidatos a presidente da República, metade dos cadeiras ficou vazia. Quem tem a pretensão de governar o país vai ter que aparecer mais cedo ou mais tarde em um recinto onde as perguntas não sejam combinadas com antecedência. E o nome disso é debate:

Sim, aquela coisa com púlpito que ficou vazia no último domingo…

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Trilha sonora do momento

Uma pequena homenagem do Blog ao Alison Piu, que superou uma grave lesão no joelho para, hoje, bater o recorde mundial dos 400m com barreiras.

Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.

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Pensamento do dia

Como é que eu deveria agir de acordo com a minha idade se eu nunca tive essa idade antes?

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Trilha sonora do momento

Com a tragédia de hoje no Nepal, só esse clássico dos Stones mesmo pra ajudar a desopilar…

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Pensamento do dia

Nunca diga a uma pessoa para ela ser forte quando ela vem até você para poder ser fraca.

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