Trilha sonora do momento

E como hoje é aniversário do Zeca Pagodinho, vamos com esse clássico dele.

Porque eu também tô meio nessa vibe.

Só não sei para onde ela vai me levar…

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Pensamento do dia

Você nunca vai chegar no seu destino se parar para jogar pedras em cada cão que late.

By Winston Churchill

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Encrenca Master, ou As origens da crise do Banco Master

Imagine a seguinte cena: um banco cresce de forma espetacular, oferecendo rendimentos generosos, que deixam os concorrentes com inveja. Seus clientes, encantados com os juros altos e com a sensação de segurança, aportam seus recursos. Mas, assim como em qualquer pirâmide financeira, um dia a casa cai. E aí o escândalo aparece. Foi exatamente o que aconteceu no caso do Banco Master.

Para entender como um tamborete – chamar o Master de banco é uma ofensa ao conceito de casa bancária – chegou a ter R$ 80 bilhões em ativos e quebrou de forma tão espetacular, é preciso voltar um pouquinho no tempo.

Com o fim da espiral hiperinflacionária após a implementação do Plano Real, todo o sistema financeiro perdeu um poderoso aliado: a correção monetária. Como gostava de repetir seu criador, Roberto Campos (o avô, não o incompetente do neto), a correção monetária era um instrumento de primeira para economias de quinta. Era justamente essa a definição do Brasil desde os anos 1960 até o meio dos anos 1990.

Com a correção monetária, os ativos do banco, ao invés de serem depreciados pela inflação galopante, eram corrigidos no balanço pelo mesmo percentual da inflação. Logo, ninguém tinha de se preocupar com o tamanho dos seus ativos independentemente do percentual que a inflação alcançasse em um mês ou em um ano.

Se, no mundo das economias desenvolvidas, um banco vê, por exemplo, seus ativos imobiliários perderem metade do valor porque a inflação daquele ano foi de 50%, ou o banco recebe dinheiro dos seus acionistas (a famosa “chamada de capital”), ou ele simplesmente quebra. Nesse mesmo cenário, com a mágica da correção monetária, um ativo de R$ 100,00 passa a valer R$ 150,00, ficando elas por elas. Foi através dessa mandrakaria que o Brasil pôde conviver durante anos com uma inflação que, no acumulado, chegou a um quatrilhão por cento, sem que houvesse guerra civil ou uma revolução.

Para além do artifício contábil da correção monetária, a hiperinflação também tornava mais difícil auditar o balanço dos bancos. No meio de tantos zeros da moeda, era mais fácil para banqueiros e contadores inescrupulosos maquiarem as contas de suas casas quebradas. Com o fim da inflação, a maquiagem ficou mais difícil. Foi assim que foi à breca, por exemplo, o Banco Nacional, cujo boné ficou amplamente conhecido na cabeça de seu garoto-propaganda mais famoso: Ayrton Senna.

Implantado em 1994, era apenas questão de tempo até que os primeiros corpos começassem a boiar. Como se diz na gíria do mercado, somente quando o mar (ou a liquidez) seca é que você consegue ver quem estava nadando pelado. Não é que o fim da hiperinflação tenha quebrado os bancos. Ela apenas expôs na vitrine as nádegas de quem vinha fraudando seus balancetes.

Em pânico para evitar uma corrida bancária, o governo Fernando Henrique resolveu transferir a conta da brincadeira para a viúva. Conhecido como Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro), o programa era um mamão com açúcar. Feito de pai pra filho, o programa dividia o banco quebrado em duas partes: parte “boa” (que dava lucro) e outra “ruim” (as dívidas). A parte “boa” era entregue de graça para quem quisesse tocar o negócio pra frente. A parte “ruim” ficava para o governo, que arcava com o prejuízo. Nessa brincadeira, mais de R$ 20 bilhões do contribuinte foram enterrados para salvar estelionatários disfarçados de banqueiros. Pior. Nenhum desses escroques foi sequer processado pelas fraudes que cometeram.

Como o custo político dessa falta de vergonha foi muito alto, o governo e os próprios bancos pensaram numa forma de tirar a viúva da jogada caso outras quebras acontecessem. Foi aí que surgiu o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O dinheiro do fundo viria de contribuições compulsórias cobradas às próprias instituições financeiras. Dessa forma, o risco ficava socializado entre a banca, embora todo mundo saiba que essa grana vinha do dinheiro tomado em forma de tarifas aos seus correntistas. Agora, se um banco quebrasse, o FGC honraria até R$ 250 mil de dinheiro aplicado pelos correntistas.

Foi aqui que surgiu o paradoxo do Banco Master. Sabendo que o FGC funcionaria como guarda-chuva em caso de tempestade, o tamborete de Daniel Vorcaro transformou o que era pra ser uma espécie de seguro em propaganda. “Invista no Master, CDB garantido pelo FGC”, era o mote da campanha. Mesmo gente ressabiada tomava coragem para emprestar dinheiro que rendia a 150% do CDI (50% mais do que as taxas mais altas do mercado) quando sabia que havia risco zero de perder grana nesse negócio. De certa forma, o guarda-chuva do FGC foi quem financiou a viagem do Master e de seus correntistas até a tempestade. No final das contas, o que o cliente contratava era um “produto do FGC” patrocinado pela marca Master.

Com a grana que arrecadou no meio dessa esbórnia, Daniel Vorcaro comprou não apenas jatinhos, automóveis luxuosos e mansões de revista. Comprou também muito apoio político. Não por acaso, a teia de gente associada ao Master é ecumênica: há gente da esquerda, passando pelo centro, pela direita até chegar na extrema-direita. O notório senador Ciro Nogueira, por exemplo, ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, patrocinou um projeto de lei para aumentar o limite deo FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A justificativa? “Proteger o pequeno investidor”. Claro. Porque nada protege mais o pequeno investidor do que garantir os milhões aplicados pelos muito, muito grandes investidores. Era a tentativa de, no rescaldo do furacão, vender um guarda-chuva ainda maior – e mais caro para o sistema – justamente para quem tinha navegado nas águas turbulentas que o próprio guarda-chuva ajudou a criar. A proposta, felizmente, naufragou no ridículo, mas serviu como perfeito epílogo para essa farsa.

Ao fim e ao cabo, o que Daniel Vorcaro fez foi transformar uma idéia que nasceu de um erro numa desgraça ainda maior. Ostentando o selo de garantia do FGC, investidores em geral passaram a negligenciar os riscos dos seus investimentos, com a prudência anestesiada pelo risco zero de perda. O que era pra ser uma garantia a ser invocada em último caso passou a ser uma ferramenta de marketing.

No final das contas, a ousadia da pilantragem torna-se regiamente remunerada, mas a conta da aventura, como de hábito, é entregue para outra pessoa pagar. O FGC, formado pelo dinheiro de todos nós poupadores, ficou com o espeto da alavancagem irresponsável do Banco Master. Vorcaro, com sua extensa rede de contatos, curtiu uma semana de cana, mas já foi liberado. Como se costumava dizer durante a crise do Proer nos anos 90, o segundo melhor negócio do mundo é fundar um banco.

“E o primeiro?”

Afundá-lo.

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Trilha sonora do momento

Como ainda estamos no Blog numa vibe pernambucana, vamos a um dos melhores duetos dos últimos anos, com o talentoso Tiago Iorc numa parceria tão improvável quanto brilhante com minha conterrânea Duda Beat.

Enjoy.

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Pensamento do dia

É impressionante a quantidade de gente insegura sobre a própria aparência, mas não com o seu caráter.

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Trilha sonora do momento

E já que hoje é Dia de Iemanjá…

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Pensamento do dia

Por que você tem tanto medo de perder alguma coisa, se nada neste mundo realmente te pertence?

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Recordar é viver: “Barata-voa na extrema direita, ou O xadrez da alternativa Tarcísio”

Prego batido, ponta virada.

Quem não quiser votar em Lula, vai ter de ir de Rachadinha ou nulo nas próximas eleições.

Não que isso não tenha sido previsto, pelo contrário.

E hoje já temos a resposta para a pergunta.

É o que você vai entender, lendo.

Barata-voa na extrema direita, ou O xadrez da alternativa Tarcísio

Publicado originalmente em 16.9.25

Como esperado, a condenação definitiva de Jair Bolsonaro deflagrou de vez um processo de barata-voa na extrema direita tupiniquim. Com seu principal expoente já em prisão domiciliar e a caminho da Papuda, os reacionários nacionais encontram-se numa busca desesperada por uma alternativa eleitoralmente viável para enfrentar Lula no ano que vem.

Para os otimistas dessa corrente, a resolução do imbróglio é relativamente fácil. Bolsonaro abençoa o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como seu sucessor e a parada estaria decidida. Ungido pelo Centrão dinheirista – que quer emparedar o Supremo para livrar-se dos seus processos de roubança dos cofres públicos – e pelo pessoal de “o mercado” – que topa qualquer negócio, até acabar com a democracia, desde que se tire a esquerda do poder –, Tarcísio seria o oponente perfeito para evitar a sexta vitória presidencial do torneiro bissílabo de São Bernardo (quatro dele somadas às duas de Dilma). Tudo muito bom, tudo muito bem, então.

Só que não.

Além das dificuldades inerentes ao próprio candidato (para saber mais, clique aqui), o xadrez da substituição de Bolsonaro é muito mais complexo do que o que esse raciocínio simplista induz.

Pra começo de conversa, há de se ter em mente que Jair não é líder de coisa alguma, muito menos da família dele. As conversas vazadas entre os zaps de Eduardo Bolsonaro e do ex-presidente são a demonstração mais evidente disso. Com o “Rei” em xeque, Dudu Bananinha parece querer fazer as vezes de cavalo, saltando loucamente pelo tabuleiro. Pra piorar, o 03 da família Bolsonaro já anunciou abertamente a disposição de sacrificar todas as peças – na famosa estratégia de “terra arrasada” – para conseguir seu o objetivo: vingar-se dos “ditadores de toga”.

O problema é que os movimentos do cavalo no xadrez são bem limitados. Ele só anda em “L” – a ironia, aqui, é incontornável – e, mesmo com a ajuda do Rei, é incapaz de dar xeque-mate em alguém. Com todas as outras peças sacrificadas – o agro e a Faria Lima já o abandonaram depois da suicida estratégia de apoiar o tarifaço de Donald Trump –, é improvável que o Centrão embarque na sua empreitada.

Nessa hipótese, restaria ao Bananinha somente adotar a estratégia do pombo: defecar no tabuleiro e sair voando a cantar vitória. O que, traduzindo em termos práticos, significaria sair do PL e concorrer por algum partido alternativo (o PRTB já lhe ofereceu o aluguel da legenda). Com isso, estaria aberta a cizânia na oposição ao PT. De um lado, teríamos uma extrema-direita “light” – ou “bolsonarismo moderado”, como queiram –, representada por Tarcísio de Freitas. Do outro, a extrema-direita hardcore – representada por Dudu Bananinha. Com a “guerra civil” instalada, o mais provável é que ambos se canibalizassem na campanha e tornassem mais fácil o caminho da reeleição de Lula.

Como desgraça pouca é bobagem, ao lado dessa partida principal rolaria uma partida simultânea, jogada entre Tarcísio de Freitas e os pretendentes ao trono de governador que ele abandonaria. Segundo maior orçamento da República, o governo de São Paulo é um troféu almejado por muitos políticos. Antes de deixar o cargo para concorrer a presidente, Tarcísio precisa antes acertar como faria a própria sucessão. Do contrário, já entraria capengando na disputa presidencial.

Até onde a vista alcança, há três candidatos a suceder o governador paulista: Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo; seu vice, Felício Ramuth; e o seu tutor e guru intelectual Gilberto Kassab. Kassab já disse abertamente que prefere que Tarcísio fique onde está e só concorra em 2030, quando ele acredita que seja mais viável herdar o Palácio dos Bandeirantes.

Ricardo Nunes também almeja o posto, mas seu desempenho sofrível na campanha pela reeleição (só ganhou porque do outro lado havia o rejeitado Guilherme Boulos) descredencia o prefeito para o posto. Ramuth é um ilustre desconhecido, mas nenhum vice gosta de ser passado para trás caso o titular deixe o cargo. Antes de resolver essa pendenga, não há como Tarcísio sonhar com o Planalto.

Como pano de fundo dessa disputa fratricida, estaria ainda o fantasma de Geraldo Alckmin. Único sujeito na história a governar São Paulo por quatro vezes, o famoso “Picolé de Chuchu” é lembrado com carinho por boa parte da população paulista. Sentado no banco como candidato a vice de Lula, Alckmin poderia muito bem ser deslocado para tentar mais uma vez o Palácio dos Bandeirantes. Se contra um Tarcísio candidato à reeleição sua candidatura seria quase como ir para o sacrifício, contra qualquer um dos possíveis substitutos sua vitória não seria apenas possível, mas até provável.

Tarcísio, portanto, está espremido entre duas disputas. Pior. Não parece adequadamente preparado para qualquer delas. Neófito na política, é difícil imaginar que o governador paulista acerte uma sequência vencedora em duas partidas simultâneas de xadrez, sem que em algum momento escorregue numa casca de banana. Basta um passo em falso para que Tarcísio não só não ganhe o Planalto, como ainda perca o Palácio dos Bandeirantes.

Terá ele coragem para correr esse risco?

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Trilha sonora do momento

Será que tem como fazer essa mágica?

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Pensamento do dia

Se você sofre quando uma pessoa sai da sua vida, acredite: doeria muito mais se ela tivesse ficado.

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