Os 10 melhores clipes do Blog

Saindo do conturbado período eleitoral e ingressando no último mês deste corrido 2018, nada melhor do que desanuviar um pouco o ambiente com uma pauta leve, visando a uma boa preparação para os festejos de final de ano. Já que é assim, vamos recorrer a uma das pautas mais presentes neste espaço (e quase sempre esquecida na hora de escrever os posts): a sempre necessária Música.

E, nesse caso, a Música não virá desacompanhada. Não, não. Dessa vez, ela virá ladeada pela luxuosa companhia das edições de vídeo. Afinal, desde mais ou menos o começo da década de 80, é difícil falar numa coisa sem a outra, porque os lançamentos musicais sempre se davam antes na MTV ou nos domingos especiais do Fantástico do que propriamente nas rádios.

Para esse efeito, este post listará, segundo a modesta opinião deste que vos escreve, os 10 melhores clipes de música de todos os tempos. Evidentemente, não serão levados em consideração apenas os critérios técnicos que definem uma boa edição, pois não faria sentido eleger uma belíssima composição visual se a música para a qual o vídeo foi desenvolvido fosse uma suma porcaria. Por isso mesmo, a qualidade (e o tamanho do sucesso) da composição serão igualmente decisivos na composição do elenco.

Como toda lista desse tipo, sempre há o risco de omissões e injustiças. Mas, ao mesmo tempo, deve-se ter presente que a escolha dá-se a partir de uma perspectiva exclusivamente pessoal. Logo, quem gostar, gostou. Quem não gostar, pode pegar a lista e enfiar no ralo da banheira (ou em outro orifício que esteja à mão).

Eis a lista dos 10 melhores clipes de todos os tempos do Dando a cara a tapa:

10 – Segue o seco 

Músicas sobre o Nordeste sempre foram identificadas com Gonzagão ou, no limite, com Fagner. Marisa Monte tem o mérito de ser a primeira compositora e cantora moderna a trazer a seca para dentro daquilo se designa como “MPB” em seu sentido estrito. Além da belíssima letra, o vídeo consegue trazer a perspectiva angustiante do sofrimento nordestino sem cair na pieguice pura e simples. Não por acaso, arrastou 5 dos 6 prêmios nos quais foi indicado no MTV Video Music Awards de 1995. Palmas pra ela.

9 – Hey Ya

Pra quem acha que aqui só rola velharia, eis uma canção deste milênio para integrar a honrosa lista do Blog. Hey ya não só foi um fenômeno musical como, ainda, conseguiu a proeza de fazer com que muita gente acreditasse que houvesse realmente uma banda por trás do clipe. Na verdade, todos são a mesma pessoa: o rapper Andre 3000. Nunca mais ele fez nada digno de nota, mas pelo menos esse mérito ninguém pode tirar dele.

8 – Learn to fly

Mais uma prova de que nem só de passado vive este espaço. Afinal, foi no fim do milênio passado que o pessoal do Foo Fighters estourou nas paradas com Learn to fly. Além da força da música, o vídeo produz uma paródia nem um pouco sutil com Apertem os cintos…o piloto sumiu! Além de ganhar o Grammy de melhor clipe de 2001, pode-se dizer que também serviu pra fazer com que David Grohl deixasse de ser apenas o “baterista do Nirvana” (sob a sombra eterna de Kurt Cobain) pra se transformar no líder de uma banda nova e original. Talvez por isso mesmo, o pessoal de Cesena (Itália) deve ter recorrido a ela para implorar por shows de rock na cidade.

7 – Smells like teen spirit

E por falar em Nirvana, nenhuma lista de “melhores clipes de todos os tempos” digna do nome pode ser levada a sério se não contiver Smells like teen spirit nela. Não só porque não se pode falar de música dos anos 90 sem falar do Nirvana, mas também porque a faixa de abertura do impressionante Nevermind retrata como nenhuma outra o espírito grunge da banda. Um verdadeiro ícone do rock moderno, pois não.

6 – Another Brick in the Wall

Sim, é verdade que os clipes musicais só começaram a fazer realmente parte da paisagem nos anos 80. Mas mesmo antes disso havia muita coisa digna de registro. Nesse rol, claro, não pode faltar Another Brick in the Wall – Part II, que, apesar de não ser propriamente um clipe, mas uma montagem do filme The Wall, de Alan Parker, reflete como jamais se viu igual a rebeldia juvenil das crianças oprimidas por professores recalcados com as próprias vidas. E – sejamos sinceros – quem nunca se imaginou, pelo menos por uma vez, fazendo parte da revolta que encerra o vídeo?

5 – Beat it

Claro que o Rei do Pop não poderia ficar fora dessa lista, né? Beat it parece a escolha óbvia para inaugurar o top 5 das escolhidas. Afinal, ela representa não somente uma viragem no estilo até então contido e correto de Michael Jackson nos seus vídeos, como talvez seja o seu único rock de verdade. Não por outra razão, Quincy Jones – o produtor musical de Michael no álbum Thriller – chamou Eddie Van Halen para tocar o riff de guitarra que marca a metade da canção. Isso, claro, para não falar da coreografia, um verdadeiro espetáculo à parte. Uma obra-prima do começo ao fim, em suma.

4 – Like a rolling stone

Os Beatles foram, sem dúvida, uma das maiores bandas de todos os tempos. Mas a verdade é que, por terem se separado ainda no começo da década de 70, acabaram não pegando a onda dos videoclipes. Sorte dos Rolling Stones, que não só sobreviveram aos loucos anos 70, como ainda passaram incólumes pelos anos 80 e chegaram aos 90 em plena forma. Prova disso é o álbum Stripped, que não só trouxe uma espécie de “versão piada pronta” do clássico Like a Rolling Stone de Bob Dylan (que nada tem a ver com a banda), como também foi o primeiro a trazer, além das músicas, um arquivo em vídeo do clipe da música. Um marco, não há o que discutir.

3 – Nothing compares 2 U

Pode um videoclipe fazer sucesso sem nenhuma coreografia, montagem ou recursos tecnológicos sofisticados? A irlandesa Sinead O’Connor provou que sim. A poderosíssima letra de Prince, ladeada por um arranjo musical impecável, faz as honras da casa, sem que nada mais seja necessário. Foi justamente o que percebeu o Diretor John Maybury, que teve a brilhante idéia de filmar basicamente o rosto da cantora em close, com um fundo preto atrás, mostrando apenas suas expressões de raiva e tristeza ao soletrar a canção. O fato de ela vestir uma espécie de jaqueta também preta transmite a sensação inquietante de que há somente uma “cabeça flutuando” a cantar. A cena final, com a lágrima escorrendo por sobre o rosto de Sinead, faz o resto do trabalho (se o que vem antes já não tiver feito, é claro).

2 – Vogue

Se Michael Jackson foi o Rei do Pop, Madonna sem dúvida foi (ou é) a sua Rainha. Nenhuma outra cantora conseguiu incorporar de forma tão perfeita músicas bem arranjadas com coreografias marcantes em vídeos impecavelmente produzidos. Talvez seja até um pecado ter que escolher só um para representá-la aqui, mas, sendo necessário, vamos de Vogue, não só por conta da batida dance de fundo, mas também porque o diretor David Fincher conseguiu fazer brotar o melhor da diva pop.

1 – Thriller

O primeiro lugar na lista de melhores clipes de todos os tempos é a escolha mais óbvia de todas: Thriller. Aliás, se você vir por aí alguma lista de melhores clipes de todos os tempos que não termine com Thriller na cabeça, pode jogar fora; a lista não é séria. Thriller não somente é a música-tema do álbum mais vendido de todos os tempos, como é praticamente “a mãe” de toda a indústria de videoclipes. É impossível analisar a história dos anos 80, o estouro da MTV e a própria evolução da indústria musical desde então sem antes analisar o que se passou com Thriller. Com mais de 13 minutos, o vídeo é quase um mini-documentário. Tudo nele é bom: a música potente, o soberbo arranjo de Quincy Jones, a coreografia cativante dos zumbis fazendo “break” e até mesmo a cavernosa voz do “Mestre do Macabro”, Vincent Price, compõem um todo indistinguível, único, clássico desde o nascimento. Um sucesso de todos os tempos, que merece todas as loas que se tecem a ele até hoje.

Anúncios
Publicado em Música | Deixe um comentário

Trilha sonora do momento

E ninguém sabe pra onde vai a Funai.

Justamente no dia do aniversário dela.

Triste destino deste pobre Brasil…

Publicado em Trilha sonora do momento | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Pensamento do dia

Smart has the plans. Stupid has the stories.

Publicado em Pensamentos do dia | Marcado com , , , | Deixe um comentário

A educação sexual das escolas

Com algum atraso e deixando para trás a lacuna da semana passada (motivada por razões técnicas), voltamos à atividade normal aqui no Blog. Para reparar a falta, vamos falar sobre um assunto “da moda” – e que tende a ficar ainda mais “na moda” a partir de 1º de janeiro: a educação sexual nas escolas.

Pra quem vem de uma geração em que a “educação sexual” se resumia às lições de reprodução humana nas aulas de Biologia, o assunto pode gerar algum desconforto. Afinal, quem tem mais de 30 anos ou aprendeu o que era sexo “na marra”, ou então foi criado por pais profundamente liberais, mesmo para os dias de hoje, o que certamente constitui uma exceção à regra segundo a qual sexo é assunto proibido dentro de casa.

Talvez por isso mesmo, desde o final do milênio passado e com mais ênfase a partir da virada do século, as escolas começaram a introduzir em seus currículos, não necessariamente na forma de uma disciplina específica, a educação sexual como conteúdo obrigatório de ensino para os estudantes. A idéia era uma só: ensinar para prevenir. O quê? Gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis e – o que é mais importante – estupros e abusos praticados contra crianças e adolescentes.

Na verdade, quando se fala em educação sexual, não se está a tratar de “aulas práticas” de sexo em sala de aula. Os professores não ensinam poses performáticas para atos sexuais nem estimulam experiências grupais, por exemplo. Longe disso. Assim como ocorria nas antigas aulas de Biologia, o que se explica são os mecanismos de reprodução humana que, no início da adolescência, começam a pulsar no corpo dos jovens. A única diferença entre as antigas lições e as atuais talvez esteja na ênfase mais definida em aspectos sobre a própria sexualidade (noções sobre gênero, mecanismos de inter-relacionamento sexual, etc.). Mesmo assim, no essencial, a coisa continua a mesma.

Se é assim, por que tanto estardalhaço a respeito?

Obviamente, como parece ser moda hoje em dia, há muito de ignorância governando a discussão sobre o assunto. Arrimando-se em um fundamentalismo religioso inconsequente, que por vezes transborda para o fanatismo puro e simples, muita gente boa passou a enxergar na educação sexual nas escolas uma forma de depravação moral da juventude, de oficialização da esculhambação em sala de aula, de “doutrinação marxista”, ou coisa que o valha. No meio da recente histeria antipetista, o conteúdo ministrado em sala de aula chegou a ser associado diretamente ao partido da estrela vermelha, o que, além de ser equivocado (não há sequer regulamentação do MEC sobre o assunto), deturpa por completo uma idéia que deveria ser defendida com unhas e dentes pelos pais de família.

O que ninguém enxerga, por exemplo, é que, para uma criança que é vítima de abuso sexual desde a mais tenra idade, a educação nas escolas pode ser a única forma de ela se descobrir abusada e, a partir daí, criar coragem para denunciar o abuso. Dos quase 200.000 casos de abuso sexual ocorridos entre 2011 e 2017, quase 80% envolviam crianças e adolescentes. E, no caso das crianças, quase 70% dos abusos ocorreram dentro da própria casa, por pais, padrastos, tios ou parentes afins.

Sabendo de tudo isso, quem em sã consciência pode defender que “quem ensina sobre sexo é papai e mamãe”? Se o abuso ocorre dentro de casa, a quem a criança vai recorrer?Ao papai que abusa? Ou à mãe que muitas vezes é conivente com o abuso?  E isso – repare-se – para não falarmos dos problemas da proliferação de DSTs entre os mais novos e de um país que detém a nada honrosa posição de ser líder na América Latina em matéria de gravidez em adolescentes.

Parece evidente que a educação sexual nas escolas, antes de ser algo a ser combatido, é algo a ser defendido por pais e mães interessados em defender seus filhos contra todo tipo de mal. Obviamente, alguma forma de regulamentação é bem-vinda. Talvez seja o caso de se pensar em professores especificamente preparados para esse tipo de abordagem, que hoje depende basicamente da boa vontade de professores de Biologia e psicólogos do núcleo de apoio das escolas. Fora isso, é necessário universalizar o ensino, pois, na imensa maioria dos casos, a forma e o tipo de conteúdo ensinados variam conforme a escola na qual o seu filho esteja matriculado.

Não convém, contudo, nutrir muito otimismo quanto a isso. Como gosta de repetir o Ministro Marco Aurélio Mello, vivemos “tempos estranhos”.

E eles parecem que estão só começando…

Publicado em Variedades | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Trilha sonora do momento

Autoexplicativo.

Publicado em Trilha sonora do momento | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Pensamento do dia

Por pior que seja o buraco em que você esteja, sorria. Afinal, ainda não tem terra por cima.

Publicado em Pensamentos do dia | Marcado com , , , | Deixe um comentário

O que é uma Constituição?

Tema sempre recorrente no noticiário, arroz de festa nas rodinhas de Direito e quase sempre tendo invocado o seu santo texto em vão por gente que não está nem aí pra ela, a Constituição talvez seja a coisa mais mal compreendida do quotidiano político. Tal como a Teoria da Relatividade, o texto constitucional é algo que todo mundo acha que algum tempo vai ter tempo para entender. Mas, afinal, o que é uma Constituição?

Dizer que a Constituição é a “Lei Maior”, a “Lei Fundamental”, a “Carta Magna” ou qualquer um dos pseudônimos que a praxe jurídica cuidou de lhe arrumar não ajuda em muita coisa. Saber que existe um sistema hierárquico de normas e que a Constituição ocupa, ao menos em tese, o seu ápice pode ser até de alguma valia, mas não explica, na sua essência, o que é um texto constitucional.

A primeira coisa a se explicar sobre a Constituição é algo que pode chocar muita gente, inclusive os povos do Direito que a estudam na Faculdade sem sequer refletir sobre o seu objeto de curiosidade. Fundamentalmente, a Constituição é um instrumento anti-democrático.

“Anti-democrático?!? Como assim?!? Que maluquice é essa?!?”

Palma, palma, não criemos cânico, como diria Chapolin Colorado. “Anti-democrático” não está aqui no sentido vulgar e pejorativo que as más bocas da política costumam cuspir nos microfones da televisão. Trata-se de um sentido mais profundo do que se possa entender como “anti-democrático”. Para melhor compreender a questão, é preciso ter alguma noção de Ciência Política.

Como todo mundo sabe, as nações surgem a partir de um agrupamento determinado de indivíduos que, reunidos sob um mesmo território, resolvem partilhar as mesmas regras e valores para melhor seguirem com suas vidas. Para colocar a coisa preto no branco, em regra as pessoas recorrem a um instrumento jurídico, destinado a reger as relações entre o Estado que se vai criar e os cidadãos que deram origem a ele. A esse regramento jurídico estrutural dá-se o nome de “Constituição”.

Tratando-se de uma sociedade democrática, as decisões sobre os destinos da nação seguirão as regras de eleição. Por meio próprio ou através de representantes eleitos para esse propósito, a maioria – isto é, aquela parcela da sociedade que reuniu a maior quantidade de votos – governa. E “governar”, aqui, deve ser entendido em seu sentido lato, isto é, crias leis, direcionar políticas públicas, definir prioridades orçamentárias, etc. A regra em qualquer sistema democrático, portanto, é que a maioria decide o rumo que o país vai tomar.

Ocorre, no entanto, que nenhuma maioria, por mais expressiva que ela seja, pode solapar determinados direitos ou estruturas do Estado. Por quê? Porque a Constituição determina, expressa ou implicitamente, limites aos quais toda e qualquer maioria deve se ater. Ainda que se consiga, numa hipótese imaginária, reunir um governo que conte com o apoio de 100% da população, determinadas regras não poderão ser alteradas, ainda que o governo disponha da totalidade dos votos no Congresso Nacional. O objetivo, por evidente, é um só: impedir que as maiorias eventuais massacrem as minorias vencidas, garantindo a estas últimas o direito de se reorganizar e, no futuro, consigam se alternar no exercício do poder.

Tendo-se isso em vista, dá pra entender por que a Constituição é fundamentalmente um instrumento anti-democrático. O que ela faz, em resumo, é retirar do espaço do debate legislativo – aquele no qual as maiorias se reúnem para decidir o que fazer – determinadas matérias que, por sua sensibilidade, não podem ou não devem ser alteradas. E aí nesse rol entram os direitos fundamentais, a separação de poderes, as regras relativas à própria alteração do texto constitucional, etc.

Por isso mesmo, toda vez que o Judiciário é tomado por algum surto de ativismo judicial, o que está havendo, no fundo, é uma exacerbação indevida da restrição imposta pelo legislador constituinte. Com o indefectível recurso ao seu “caráter contra-majoritário”, vez por outra o Supremo arvora-se no direito de reescrever o texto constitucional e suprimir parcela relevante de competência dos poderes democraticamente legitimados. E, assim, amplia-se de forma enviesada o cercadinho da Constituição para retirar do Congresso Nacional a prerrogativa de, através das maiorias constituídas, decidir os rumos do país.

Claro, as constituições em geral não são perfeitas e por muitas vezes falham. Se isso acontece em países desenvolvidos, que dirá no nosso Brasil velho de guerra, cujo texto constitucional atual mal completou três décadas de existência. Mesmo assim, a Constituição continua ostentando o papel de melhor instrumento de defesa das minorias contra maiorias tirânicas.

Que assim continue sendo…

Publicado em Direito | Marcado com , , , | Deixe um comentário