A vitória da AfD, ou Os riscos da nova ascensão da extrema-direita

Quem não estuda História está condenado a repetir os erros do passado. Esse é o mote de 11 em cada 10 historiadores. Infelizmente, ele parece ser mais atual do que nunca no panorama alemão do século XXI.

Berço do nazismo, com uma população historicamente ressentida pela vergonha dos experimentos sociais e políticos do nacional-socialismo de Hitler, a verdade é que a Alemanha nunca se resolveu bem com seu passado. De certa forma, o retalhamento do país após a II Guerra e, principalmente, a divisão de Berlim em duas cidades separadas por um muro serviu como desculpa mental para que o alemão comum pensasse: “Ah, a gente foi ruim, mas os outros foram ruins também”.

É bem verdade que, depois de 1945, a Alemanha Ocidental – e, depois da queda do muro, da Alemanha reunificada – construiu uma das democracias mais sólidas do continente europeu. Como forma de espantar os fantasmas do passado, os alemães resolveram construir em cada cidade um memorial para lembrar os horrores que a extrema-direita alemã foi capaz de produzir.

Pois bem. Se essa espécie de “vacina” funcionou por quase 70 anos, o estado da Saxônia-Anhalt parece querer colocar essa solução à prova.

Com 44% dos votos em um sistema parlamentarista, a Saxônia-Anhalt elegeu para governá-la a AfD (Alternativa para a Alemanha, no original teutônico). Fundado em 2013 como “apenas” um movimento eurocético, a AfD progressivamente se despiu das vestes “moderadas” para se assumir como a direita radical que é. Durante a crise dos refugiados de 2015, atuou fortemente contra a política de acolhimento de Angela Merkel. Em 2026, o partido foi classificado pela própria inteligência doméstica alemã como organização “de extrema-direita confirmada”. Seu líder na Turíngia, Björn Höcke, foi condenado pela Justiça alemã por usar um slogan nazista proibido por lei. O mesmo Höcke já qualificou Hitler como “um grande homem”. Membros do partido acumulam condenações por saudações nazistas e ligações com grupos neonazistas documentadas.

Como bom partido de extrema-direita, a AfD é fundamentalmente baseado na hipocrisia. O jornal conservador Frankfurter Allgemeine Zeitung tratou de traçar o perfil de alguns dos novos deputados que esses 44% enviaram ao parlamento estadual. Simon Lansmann, eleito com 41,6% no distrito de Salzwedel, está sendo investigado por supostamente integrar a “Artgemeinschaft”, organização neonazista antissemita proibida por lei. Em junho, sua propriedade particular em Gardelegen sediou uma cerimônia pagã de solstício de verão com rituais de chifres de animais e, segundo o Der Spiegel, cantos da Juventude Hitlerista.

Já Phillipp-Anders Rau foi eleito com quase metade dos votos no distrito de Zerbst. Seu currículo é mais “modesto”. Inclui “apenas” falsificação de certificado escolar para obter vaga universitária, atuação em filmes pornográficos, condenação por furto, admissão de dependência de cocaína em tribunal e falência pessoal declarada. O partido que se vende ao público como guardião dos “valores alemães” e da “identidade cultural” do país elegeu ao parlamento um ator pornô falsário e um neonazista de rituais pagãos.

O resultado, contudo, não veio do nada. É o último capítulo de uma história que o mundo ocidental tem escrito há pelo menos uma década, com personagens encenando diferentes espetáculos em países diferentes, mas sempre com o mesmo roteiro. Foi assim com Trump em 2016 e novamente em 2024. Foi assim Bolsonaro em 2018. E foi assim com Milei na Argentina em 2023. Ao que parece, a extrema-direita não é mais exceção no mundo ocidental. Está se tornando a norma.

O que há de específico no caso alemão é o peso simbólico desse processo. Se nos outros países há a ameaça do retrocesso democrático, na Alemanha, o risco não é só esse. É o de um fantasma que tem nome, endereço e seis milhões de mortos no currículo: nazismo.

O resultado de domingo ameaça romper o que a política alemã chamava de Brandmauer (“muro corta-fogo”), o cordão sanitário pelo qual todos os demais partidos se comprometiam a não formar coalizão com a AfD, independentemente do resultado eleitoral. A AfD obteve 39 cadeiras num parlamento que exige 42 para maioria absoluta. O CDU, que governava o estado, desabou para 17%. Governar sem a AfD agora exigirá uma coalizão de quatro ou cinco partidos, algo de difícil operacionalização prática.

O argumento que elege a AfD é o mesmo que elegeu Trump, Bolsonaro e todos os seus avatares ao redor do mundo: o imigrante é a causa de todos os males. O problema é combinar isso com os fatos. A Saxônia-Anhalt, por exemplo, é um dos estados alemães com menor concentração de imigrantes, o que coloca a região na curiosa posição de ser o lugar onde as pessoas têm menos contato com estrangeiros e mais medo deles.

A Alemanha, com sua população envelhecida e a taxa de natalidade em colapso, depende estruturalmente da imigração para funcionar. O trabalhador que a AfD usa como bode expiatório é, na maior parte dos casos, o mesmo que cuida dos idosos alemães, coleta o lixo e paga a contribuição previdenciária que financia as aposentadorias de quem vota contra ele. Além dos imigrantes, a lista de grupos que o partido trata como ameaças à “identidade alemã” inclui a comunidade LGBTQ+, jornalistas críticos e professores que ensinam história sem eufemismos. Essa é uma história que a Europa já conhece. E não terminou bem.

O que a vitória de domingo alterou de concreto é a geometria do possível. Governar a Saxônia-Anhalt sem a AfD vai exigir uma arquitetura parlamentar lenta, frágil e incapaz de entregar o que o eleitorado exige. A tentação de ceder ao partido alguma forma de participação no poder vai crescer a cada mês de impasse. Alice Weidel já exige eleições federais antecipadas e fala em “mandato claro para governar”. O Brandmauer ainda resiste. Mas 44% é uma rachadura que não se fecha apenas com declarações de princípio.

A Alemanha passou oitenta anos construindo a mais elaborada infraestrutura de memória histórica que uma democracia já tentou erguer. Memoriais em cada cidade, museus dedicados exclusivamente a documentar o que acontece quando o ódio decide ir às urnas e mais uma série de outros “desincentivos” à repetição da história. Os memoriais continuam de pé.

Já a democracia alemã, ninguém sabe…

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Trilha sonora do momento

Vamu nóis…

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Pensamento do dia

Estamos todos quebrados. Mas é assim que a luz entra.

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Recordar é viver: “Panorama atual, ou Dilma vai cair?”

10 anos depois do impeachment de Dilma Rousseff, é hora de revisitar um post de 11 anos atrás, quando o caldo já havia entornado.

Principalmente para entender o que veio depois.

É o que você vai entender, lendo.

Panorama atual, ou Dilma vai cair?

Publicado originalmente em 19.8.15

“Dilma vai cair?” Eis a pergunta de 1 milhão de dólares que todo mundo se faz pelo menos desde o começo do ano. Com as ruas novamente tomadas por manifestações populares, um Congresso arisco e a popularidade abaixo do volume morto, a impressão que se tem é que a presidente mal se segura no cargo; qualquer sopro mais forte pode jogá-la para fora do Planalto.

A impressão não é de todo infundada, é verdade. Muito pelo contrário. Antes apenas murmurada nos bastidores de Brasília, a deposição da presidente – por impeachment ou pela renúncia forçada – é hoje discutida ao ar livre. Só isso já confirma a fraqueza do Governo. Estivéssemos em um governo forte, essa questão jamais estaria colocada, muito menos ao ar livre.

Não me interessa, aqui, analisar o mérito de uma eventual deposição da presidente, matéria já largamente abordada aqui no Blog. Interessa-me, contudo, abordar o panorama atual da política brasileira, sob uma ótica estritamente factual. Para tanto, vamos aos fatos:

Fato 1 – O Governo está no chão.

Os petistas podem reclamar à vontade, mas o fato é que o Governo não tem mais força pra coisa alguma. Nem um simples pedido de adiamento de votação no Congresso o Governo consegue mais aprovar, como ficou comprovado com a votação da PEC da AGU. Se isso ainda fosse pouco, o Governo perdeu completamente o controle da agenda no país, a ponto de se agarrar como náufrago nas propostas de Renan Calheiros, vistas como última bóia de salvação, ainda que muitas delas fossem diametralmente opostas ao programa do PT.

Fato 2 – A oposição não tem força pra derrubar o Governo.

A incompetência da oposição brasileira já foi objeto de análise neste espaço uma dezena de vezes. E,  depois de tanto tempo, o laudo segue o mesmo: ela continua tão inoperante quanto antes. O PSDB ainda esboçou uma aproximação envergonhada aos movimentos que organizaram as passeatas de 16 de agosto último, mas o fato é que os movimentos de rua passam ao largo dos partidos. São os movimentos que conduzem os partidos, e não os partidos que conduzem os movimentos. Disso resulta que a avassaladora insatisfação popular com Dilma Roussef não consegue se transformar em fator de desestabilização definitiva do seu Governo. Por isso, mesmo no chão, o Governo não caiu ainda.

Fato 3 – Não há consenso sobre o que vai acontecer no day after.

Fora a incompetência da oposição, ninguém chegou ainda a um consenso sobre o que fazer caso Dilma venha a realmente ser deposta. José Serra, por exemplo, preferiria assumir um cargo de Ministro da Fazenda em um eventual governo de transição de Michel Temer. Aécio Neves, por sua vez, seria partidário da tese de que o vice deveria ser levado de roldão, convocando-se novas eleições em 90 dias, para que, valendo-se do recall da última eleição, pudesse dessa vez ser sufragado pelas urnas. E aí reside o problema: ninguém vai tirar Dilma sem saber o que será colocado em seu lugar.

À primeira vista, portanto, Dilma Roussef, ainda que alquebrada e mal das pernas, cumpriria o mandato.

Todavia, essa conclusão é precipitada. Afinal, há um aspecto circunstancial que passa à margem do jogo político e sobre o qual os conchavos de Brasília não têm qualquer controle: a Operação Lava-Jato.

De fato, o principal fator de desestabilização não só do Governo, mas de toda a estrutura política brasileira, reside em Curitiba, conduzido pela caneta competente de Sérgio Moro. Até agora, a investigação comandada pelo juiz paranaense já produziu mais estrago no mundo político do que todas as outras operações da Polícia Federal deflagradas até hoje. E nada leva a crer que seu potencial destrutivo esteja perto do fim.

Sabe-se, por exemplo, que Renato Duque, Fernando Baiano e Nestor Cerveró, pressionados pela prisão longeva e pelos familiares, estariam hoje mais propensos a assinar acordos de delação premiada. Se isso realmente vier a acontecer, PT e PMDB, os dois maiores partidos do consórcio político que governa o país há mais de doze anos, sofrerão consequências apocalípticas. Não custa lembrar que, quando Paulo Roberto Costa, homem do PP, resolveu abrir a boca, pelo menos metade da bancada do partido na Câmara viu-se em maus lençóis. Tudo indica que as delações do trio de ferro mencionado anteriormente terão efeitos catastróficos semelhantes ou maiores do que o do primeiro homem-bomba da Lava-Jato.

Confirmada essa hipótese, seria difícil imaginar Dilma Roussef terminando o mandato, quiçá este ano. Se, com o estrago feito até o momento, o país está praticamente ingovernável, não é difícil imaginar o que aconteceria caso se concretize o cenário de “terra arrasada” resultante da delação de homens-chave do esquema de corrupção na Petrobras: governabilidade em frangalhos, crise sucessivas no Congresso e instauração de um clima de “salve-se-quem-puder” em Brasília.

Nessa conjuntura, o pouco de apoio que Dilma ainda recolhe em setores relevantes da economia se esvairia como grãos de areia ao vento. Receosos do agravamento da débâcle econômica, os empresários do país poderiam entender que seria preferível um fim horroroso a um horror sem fim. Ou seja: melhor pagar pra ver se da queda de Dilma resultaria alguma melhora no ambiente econômico do que ver a crise se arrastando indefinidamente até 2018, sem nenhuma perspectiva de melhora.

Analisando-se friamente o cenário atual, a única conclusão a que se chega é a de que o mandato de Dilma Roussef pende por um fio. Resta apenas saber qual será o tiro de misericórdia que detonará o processo de deposição da presidente.

É triste, mas é verdade.

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Trilha sonora do momento

Distribuam as facas, senhores.

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Pensamento do dia

De todas as coisas que estão entrando em extinção, a que mais me preocupa é o caráter.

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Guerra aberta no Supremo, ou A saga de Highlander: “There can be only one”

Durante o governo Geisel, rolava uma guerra fria entre o presidente e seu ministro do Exército, Sylvio Frota. Candidato, Frota pensava que seria capaz de emparedar o “Alemão” e forçá-lo a indicá-lo como seu sucessor. A relação já atingira tal nível de esgarçamento que, em determinado momento, Frota mandou seu gabinete cancelar um encontro convocado por Geisel – que, como presidente, era seu superior hierárquico – porque, segundo ele, “não havia nada importante a despachar”.

Em um almoço em Brasília naquele tenso mês de outubro de 1977, um então jovem jornalista chamado Elio Gaspari almoçava com o (já naquela época) senador José Sarney. Gaspari aproveitou a ocasião para perguntar ao senador do Maranhão qual o desfecho que ele imaginava para a crise entre o presidente e seu ministro do Exército. Respeitado por ser um notável conhecedor dos meandros da política brasiliense, Sarney limitou-se a responder:

“É. Um dos dois vai ter que sair”.

Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos isso que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal agora.

Desde sempre, André Mendonça e Alexandre de Mores nunca foram exatamente os ministros mais próximos no STF. Indicado por Michel Temer após a trágica morte de Teori Zavascki, Xandão notabilizou-se pelo enfrentamento direto dos arroubos autoritários do governo de Jair Bolsonaro. Se hoje não vivemos numa ditadura, boa parte dos créditos devem ser dados a ele.

Nesse mesmo governo, contudo, serviu primeiramente como Advogado-Geral da União e, depois, como Ministro da Justiça, André Mendonça. Além de ocupar uma posição naturalmente inglória em um governo cujo objetivo maior era transformar o regime democrático de 1988 em um revival porco e mal assemelhado à ditadura de 1964, Mendonça protagonizou alguns episódios, digamos, “controversos”, como a elaboração do dossiê contra os anti-fascistas e o uso indiscriminado da falecida Lei de Segurança Nacional contra qualquer um que ousasse criticar o “Mito” na presidência.

Indicado por Bolsonaro na categoria de “terrivelmente evangélico”, Mendonça precisou suar camisa para conseguir a vaga no STF. Depois de enfrentar o anti-jogo de Davi Alcolumbre, que enrolou por três meses sua sabatina na CCJ do Senado, Mendonça alcançou o mínimo necessário para colocar por sobre os ombros a toga de ministro do Supremo.

Como ministro, Mendonça notabilizou-se por sempre adotar posturas mais brandas contra os golpistas de 8 de janeiro. Tendo Alexandre de Moraes como ponta-de-lança da cruzada que, ao fim, colocaria Bolsonaro e seus generais na cadeia, era até natural que ambos rivalizassem e se colocassem em lados diametralmente opostos no plenário do Supremo. Ficaram famosos os embates entre os dois em diversas passagens, como no episódio em que Mendonça pareceu sugerir que o 8 de janeiro tinha sido uma espécie de armação do governo Lula. Ao que Xandão replicou na lata:

“Ah, faça-me o favor!”

O que antes era apenas uma intriga e uma indisposição velada entre os dois virou agora guerra aberta. Na terça-feira, o Ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação sobre o Banco Master. E não qualquer parte, mas aquela relativa ao possível envolvimento do seu antípoda na corte, Alexandre de Moraes. Como esperado, o mundo (quase) veio abaixo.

Não que o tenha sido revelado seja exatamente novo, que fique claro. Já se sabia há alguns meses do contrato mal explicado da mulher de Alexandre, Viviane de Moraes, com o atual picareta-mor da República, o infame Daniel Vorcaro. Supondo que de fato as mensagens tenham sido trocadas com Xandão, os diálogos indicam que Vorcaro teria tentado, através dele, impedir que as investigações contra as suas falcatruas andassem na Justiça.

Qual o problema?

Do ponto de vista legal, nenhum ministro do Supremo Tribunal Federal pode ser investigado senão após autorização expressa da instância maior da corte, ou seja, do seu plenário. A razão disso é um tanto óbvia. Se ministros pudessem investigar colegas sem autorização dos seus pares, teríamos no limite a possibilidade de um cenário em que ministro conduziriam investigações recíprocas contra seus desafetos no Supremo, em um processo de autofagia retroalimentada.

Mas é justamente isso que está acontecendo agora.

Depois de ter visto André Mendonça ter chutado o balde e tê-lo investigado sem autorização do plenário, Alexandre de Moraes deu o troco ao seu estilo e solicitou expressamente ao presidente da corte, Edson Fachin, que determinasse a convocação de uma sessão para abrir uma investigação contra Mendonça, por supostamente ter cometido improbidade administrativa e abuso de autoridade.

Para além do fato de ter aparentemente investigado um colega de toga sem autorização do plenário, Mendonça viu-se envolvido em algo deveras mais preocupante. O site ICL divulgou áudios informando que, em 2025, o próprio Mendonça encontrara-se com Daniel Vorcaro em São Paulo. Fora da agenda (e também de Brasília), André Mendonça teria ganhado do Vorcaro um terno caríssimo da Vasco, uma famosa alfaiataria paulistana.

Mendonça confirma o encontro, mas nega o favorecimento. Seja como for, o fato é que, assim como Moraes, também ele agora encontra-se envolvido na mesma teia vorcárica que arrastou meia República para o mar de lama produzido pelo ex-dono do Banco Master. Sendo verdadeiras ou não as imputações, objetivamente Mendonça não reúne mais as condições para ser o relator da encrenca.

O pano de fundo de tudo isso, sem dúvida, é a corrida eleitoral. Se até o momento vivíamos a mais modorrenta e desinteressante campanha presidencial da Nova República, coube ao Judiciário botar fogo no parquinho e acender paixões e ódios que pareciam adormecidos no eleitorado.

A Mendonça claramente interessa a vitória de Flávio Bolsonaro, pois a partir dela poderia transformar sua posição hoje minoritária numa posição absolutamente dominante. Já para Xandão, a vitória do filho 01 de Jair representaria o ocaso. Não só seu impeachment seria possível como se tornaria, aliás, muito provável. Sem a proteção da toga, seria muito difícil para Alexandre de Moraes escapar da sede de vingança dos Bolsonaro. Por outro lado, se Lula ou qualquer um que não seja Flávio Bolsonaro ganhe, o mesmo se aplicaria contra Mendonça. Sua saída da corte – ou coisa até pior – seria apenas uma questão de tempo.

Assim como ocorreu no embate entre Ernesto Geisel e Sylvio Frota, não há mais espaço para aquele típico arranjo de bastidores brasiliense. Não há espaço para recuos. O que há, agora, é uma luta brutal pela sobrevivência. O Supremo Tribunal Federal ficou pequeno demais para acomodar Alexandre de Moraes e André Mendonça. Como dizia o lema de um antigo sucesso cinematográfico dos anos 80, there can be only one.

Qual dos dois vai sobreviver?

Façam suas apostas.

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Trilha sonora do momento

E a única pessoa que consegue explicar o Brasil de hoje é o saudoso Renato Manfredini Jr.

🤷‍♂️​

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Pensamento do dia

As pessoas não abandonam quem amam. As pessoas abandonam de quem elas se utilizavam.

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Trilha sonora do momento

Nessa vibe…

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