Pensamento do dia

A gente escreve o que ouve, nunca o que houve.

By Oswald de Andrade

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Qual o sentido do “cristão conservador” brasileiro?

Já faz algum tempo que o mundo político foi brasileiro foi tomado pela expressão “cristão conservador”. Muitas vezes substituída ou acompanhada pela indefectível variante “cidadão de bem”, os adjetivos designativos de certa parcela do povo brasileiro – quase sempre a sua elite -, acabaram tomando um rumo diferente daqueles a que designam os dicionários correntes da língua pátria. E, não raro, descobrimos “cidadãos de bem” quando eles surgem nas manchetes dos jornais, praticando atos como pedofilia, feminicídio, estupro y otras cositas más.

Não que isso fosse de todo inesperado. Afinal, se há algo que acompanha o cristianismo desde sempre é o seu correlato antípoda: o farisaísmo. Pessoas que falam sobre Deus sem saber ou sem ligar para os seus ensinamentos coabitam conosco desde que o mundo é mundo. O traço distintivo dessa aparente vertente de “neofariseus” é a submissão de todo o discurso religioso a um determinado sentido político, quase sempre enviesado. Se o sujeito está contra alguém (“meu político de estimação”), estará, por conseguinte, também “contra Deus”, como se uma coisa implicasse necessariamente a outra.

Nada mais falso.

Em primeiro lugar, as tentativas ridículas de indicar um candidato – qualquer que seja ele – como “enviado de Deus” ou “preferido do Senhor” violam diretamente o primeiro mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas. Embora o enunciando original tenha se destinado a condenar o politeísmo vigente naquela época, o sentido religioso do mandamento segue o mesmo: condenar toda e qualquer forma de idolatria, inclusive e especialmente aquela que pretende transformar os piores pecadores mundanos em substitutos do próprio Deus.

Em segundo lugar, que tipo de cristianismo se está a professar quando se prega a morte ou a destruição do outro? Não haverá uma viv’alma dentre os “cristãos conservadores” que tenha tomado ciência do segundo mandamento de Cristo (Amarás ao próximo como a ti mesmo)? O discurso de ódio vai na mão contrária de tudo o que os ensinamentos da Bíblia representam. Quem prega o extermínio de adversários, seja no sentido figurado, seja no sentido literal, pode chamar-se de qualquer coisa, menos de cristão.

Em terceiro e último lugar, que suposto pensamento cristão pode fazer com que pessoas aparentemente corretas passem pano para políticos que defendem tortura? Ou por acaso esses “cristãos” terão se olvidado de que o próprio Jesus foi Ele mesmo vítima de tortura; brutal, desumana e ignominiosa como o são todas as torturas? Não se sabe ao certo que livro guia esses “adoradores de Cristo”, mas certamente a Bíblia é que não deve ser.

É evidente que, por mais laico que seja o Estado, política e religião misturam-se em algum grau. Nunca é demais recordar que Jesus Cristo foi – Ele próprio – condenado à crucificação por um motivo político: subversão. Daí a plaquinha aposta por sobre a cruz em que o Cordeiro de Deus foi imolado: INRI – Iesus Nazarenus Rex Iudeaorum – Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus. Todavia, o discurso religioso não pode funcionar como biombo para atitudes manifestamente anticristãs, que se valem da ignorância e da crença do povo mais humilde para servir a outros propósitos que não os de Deus.

A verdade – é triste reconhecer – é que o “cristão conservador” tupiniquim tornou-se uma caricatura muito sem graça e terrível dele mesmo. Elevado ao patamar de bonus pater familias, esse exemplar curioso da fauna política nacional exala hipocrisia, ostenta malvadez e chega ao cúmulo se orgulhar da própria boçalidade. E, se há alguém que possa estar feliz com isso, pode estar certo de que não é o cara lá de cima.

Já o cara lá de baixo…

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Trilha sonora do momento

Uma homenagem à nova jornada da Ana B.

Entendedores entenderão.

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Pensamento do dia

If you’ve got them by the balls, their hearts and minds will follow.

By Theodore Roosevelt

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A inconstitucionalidade da “PEC Kamikaze”

Depois de uma longa e involuntária ausência deste espaço – motivada, dentre outros problemas, pela quebra da máquina com a qual digito essas mal alinhavadas linhas -, eis que retornamos com os posts regulares do Dando a cara a tapa. E, dado o largo período de privação de escrita, tantos são os assuntos acumulados que é difícil estabelecer uma escala de prioridades entre eles. O leitor amigo, contudo, certamente concordará que, no meio do caos que nos rodeia, poucos assuntos causaram tanto impacto quanto a chamada “PEC Kamikaze”.

Escrita literalmente em cima das coxas do ex-líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, a proposta de emenda à Constituição nº. 1/2022 parece um monumento erguido à barafunda legislativa que tomou conta do país nesses últimos tempos. Poucos serão os casos em que uma proposta legislativa reunirá, a um só tempo: desfaçatez, quanto ao seu pressuposto; oportunismo, quanto à sua motivação; e inutilidade, quanto à sua eficácia.

A PEC envolve desfaçatez em seu pressuposto porque, como parece claro a qualquer néscio, não subsiste à mais perfunctória análise o alegado “estado de emergência” empregado para justificar o rol de “bondades” que ela traz. O texto da emenda constitucional estabelece claramente que o tal estado de emergência seria “decorrente da elevação extraordinária e imprevisível dos preços do petróleo, combustíveis e seus derivados e dos impactos sociais deles decorrentes”. Noves fora o fato de que os preços vêm subindo pelo menos desde o começo de 2021, já se passou quase meio ano desde que Putin resolveu invadir a Ucrânia. Se esse “atraso” não fosse o bastante, o valor do barril de petróleo, no dia de hoje, está pouco mais de 5% acima do nível em que estava em fevereiro de 2022, quando eclodiu a guerra na Ucrânia. Convenhamos, menos de 10% de aumento não é algo que possa ser caracterizado exatamente como “elevação extraordinária e imprevisível”.

A PEC envolve oportunismo quanto à motivação porque, se de fato a “emergência” era decorrente do aumento dos preços do petróleo, o que o aumento em R$ 200,00 do valor do Auxílio-Brasil tem a ver com isso? Ou a população que depende do benefício governamental está tendo problemas para abastecer os carros na garagem? Na verdade, o fato de terem enfiado na PEC uma forma de turbinar o antigo Bolsa-Família, limitando o aumento a dezembro deste ano, somente escancara de vez as pretensões eleitoreiras de quem foi responsável pela aprovação da matéria.

Por fim, a PEC é inútil quanto à sua eficácia porque dificilmente reverterá um quadro eleitoral que, hoje, desenha-se como absolutamente adverso ao Presidente da República. Tal como já foi escrito aqui, qualquer tentativa de querer transformar Bolsonaro em novo benfeitor das classes menos favorecidas esbarrará em um obstáculo intransponível: do outro lado está Lula, o “novo Vargas”, o “pai dos pobres”, o criador do Bolsa-Família. Por melhor que seja o marketing reeleitoral de sua campanha, seria necessário um mago para fazer com que Bolsonaro assumisse o lugar do torneiro bissílabo de São Bernardo no imaginário do povo carente que recebe o benefício. Nem mesmo o auxílio aos caminhoneiros ajudaria nesse quesito, repudiado que foi como “esmola” por líderes da classe. Assim como ocorreu quando foi aprovada da PEC dos Precatórios – feita para possibilitar o Auxíli-Brasil de R$ 400,00 – não há nenhuma razão para acreditar que a subida para R$ 600,00 vá causar impacto eleitoral significativo.

Todas essas questões, contudo, não dizem o pior sobre essa emenda. Se tudo isso estivesse sendo feito em um ano “normal”, a emenda seria apenas ruim. Feita nas coxas, com atropelos constrangedores sobre o regular rito legislativo e em pleno ano (re)eleitoral, a PEC representa um verdadeiro desastre para as instituições republicanas. Numa só tacada, foram enviados à lata do lixo a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei Eleitoral e o Teto de Gastos. E, com eles, explodem-se também alguns dos princípios mais caros à nossa Constituição. Se antes havia um mínimo de regras para impedir que o incumbente de turno pudesse usar a máquina a seu favor, agora, com esse “precedente” aberto, abriu-se uma verdadeira caixa de Pandora. Ou alguém imagina que, na próxima eleição, estando o presidente (seja ele quem for) em desvantagem nas pesquisas, respeitará as regras fiscais em nome da manutenção da previsibilidade fiscal e da paridade de armas na seara eleitoral?

Doravante, estaremos condenados eternamente à conveniência e à capacidade de articulação legislativa do governo de turno, para sabermos se haverá ou não outros “estados de emergência” decretados às vésperas das eleições, somente para aplacar interesses eleitoreiros imediatos, sem ligar para as funestas consequências desses atos, tanto a nível político, quanto a nível jurídico.

Uma triste página, portanto, da história desta nossa sofrida República.

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Trilha sonora do momento

E já que hoje é Dia do Amigo, vamos relembrar um clássico dos anos 80…

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Pensamento do dia

Não conte quantos amigos você tem, mas, sim, saiba com quantos você pode contar.

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Trilha sonora do momento

Entendedores entenderão.

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Pensamento do dia

Todo mundo diz que a idade traz sabedoria, mas, para a maioria das pessoas, ela só traz cabelos brancos, mesmo.

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Aviso aos navegantes

Por motivos de força maior, o Blog entrará em um pequeno recesso de duas semanas.

Com a graça do bom Deus, voltaremos às nossas atividades normais daqui a quinze dias.

Até lá, conto com a compreensão e paciência dos meus poucos, mas queridos, leitores.

Com um cordial abraço do

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