A Pietà

Quem vai a Roma passa obrigatoriamente pelo Vaticano. Os museus, o Palácio Apostólico e – é claro – a Basílica de São Pedro. A Basílica em si é uma obra de arte. Mas, dentro dela, há outras, menores, mas tão lindas quanto.

O grande destaque dentre as preciosidades guardadas no interior de São Pedro, na minha opinião, é a Pietà.

Esculpida por Michelangelo Buonarroti quando tinha apenas 24 anos, a Pietà é a prova definitiva daquilo que o gênio humano é capaz. Embora David seja mais grandioso, foi ela quem catapultou Michelangelo para o estrelato.

A escultura fora contratada por um cardeal  francês, com o propósito específico de ornar o seu memorial. Falecido antes de ver concluída a obra, o cardeal deixou como disposição de última vontade o desejo de que a peça fosse trasladada para a capela representativa da nação francesa no Vaticano, a Santa Petrolina.

As feições joviais da Virgem contrastam com que a imagem natural que se tem de uma mãe mais velha que o filho. A intenção deliberada de Michelangelo foi trazer uma sensação de paz e contemplação à cena, ao contrário das Pietàs anteriores, que costumavam refletir apenas a angústia e o sofrimento.

Há também uma diferença severa nas proporções dos corpos. A imagem de Jesus é menor do que a de Maria. Michelangelo fez isso por dois motivos. Primeiro, porque era necessário fazer com que o corpo se acomodasse inteiramente sobre o manto da Virgem, de modo a estabelecer uma conexão visual mais presente entre mãe e filho. Além disso, a idéia de Michelangelo era realçar a imagem da Virgem. É ela quem domina a cena.

Polido, o mármore reflete a luz sobre ele produzindo um brilho que incendeia os olhos. Os traços anatômicos assustam de tão precisos. Ninguém ao olhar para a imagem enxerga apenas um bloco de mármore branco. A cena de Jesus descenso da cruz, nos braços de Maria, parece real, como se você voltasse 2000 anos no tempo e presenciasse o luto da mãe pela morte do filho.

Em 1972, um imbecil com uma marreta atacou a imagem, destruindo parte da obra de arte. O nariz e o olho esquerdo de Maria foram danificados. Mais tarde, porém, foram restaurados, sem grande prejuízo para o conjunto. Por conta disso, hoje só se pode vê-la através de um vidro à prova de balas (e de doidos).

Para quem vai ao Vaticano, não deixe de dar uma passadinha no lado direito da entrada da Basílica. Recomenda-se um lenço, contudo. É impossível não ficar embasbacado, babando mesmo, ao contemplar essa magnífica escultura.

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