Recordar é viver: “Dicas de viagem”

As Dicas de Viagem sempre foram um ponto muito caro a este espaço. Não somente porque elas são talvez a forma mais sincera de utilidade pública do Blog, mas também porque são um modo de revisitar cidades por onde passei e das quais guardo doces e faceiras recordações.

Nesse caso, vamos recordar o post que deu origem à série. Quem chegou depois no Dando a cara a tapa pode ter passado em branco por ele, uma vez que se trata de uma das primeiras publicações deste espaço. Assim, ficam as dicas devidamente compiladas para os novos e futuros visitantes do Blog.

Dicas de viagem

Publicado originalmente em 21.1.11

Um pouquinho de utilidade pública pra quem perde tempo nesse espaço se sentir menos culpado.

Pra fazer viagens internacionais, você não precisa de agência de viagens. Pelo contrário. Fuja delas. Por quê? Dou sete motivos pra isso:

Primeiro: nas agências, você vai pagar mais caro, porque obviamente tem a comissão deles.

Segundo: você sempre recebe um pacote pronto. Normalmente você não pode decidir pra onde vai, nem quanto tempo vai passar em cada cidade.

Terceiro: pra piorar, você não tem a opção de decidir o quais passeios quer fazer e o tempo que quer gastar em cada um deles. Eles já estão programados, e o tempo que você vai passar em cada atração turística também. Então, se você não é muito fã de Igreja, estará obrigado a passar duas horas na Notre Dame, caso vá a Paris. Por outro lado, se você quiser gastar mais um tempinho pra subir a torre da Igreja ou as fundações históricas que ficam por debaixo dela, pode esquecer.

Quarto: mesmo nos momentos em que, na programação, aparece “tempo livre”, você estará em liberdade vigiada. Haverá um horário certo pra começar e terminar a sua “saída temporária” da prisão. Experimente não chegar no horário previsto pra ver o que acontece.

Quinto: você não pode escolher o hotel. Se quiser gastar um pouquinho mais por um pouco mais de conforto, não pode. Também, se você for mochileiro e não estiver nem aí prum hotel mais caro e topar ficar em qualquer canto onde haja somente uma porta e um teto, não pode.

Sexto: Você estará obrigado a conviver com um monte de gente estranha, a maioria nem sempre agradável. Tipo: “Ai, a gente tem que ir na Champs-Elysées pra eu tirar um foto embaixo da placa com o nome da avenida”. E por aí vai…

Sétimo: o esquema é militar. Acordar às 6h, tomar banho às 7h, café da manhã às 8h e sair com o ônibus às 9h. No final, você acaba tão cansado que não consegue aproveitar bem o dia.

Pra quem quiser se aventurar em viagens solo, longe de agências, hoje as coisas são bem mais fáceis. Aí vão algumas dicas:

Defina as cidades que quer conhecer: é o primeiro passo. Faça uma escolha das principais cidades que quer conhecer. Depois, separe o tempo entre elas. O ideal, em regra, são 4 dias pra cada cidade: o primeiro de chegada; dois dias “livres” de passeio; e, no último, a partida. Para metrópoles maiores, como Paris e Londres, o ideal é uma semana inteira: primeiro e último dia para “trânsito”, e cinco dias “livres” para passeio. Se não, você sai com a impressão de que não viu absolutamente nada delas.

Estude a logística: depois de decidir as cidades, veja como se deslocar entre elas. Entre metrópoles, sempre há trechos de avião em companhias áreas de baixo custo (tipo Easyjet e Ryanair). Mas cuidado especial ao ver de onde saem e onde pousam os aviões. Às vezes, o deslocamento do centro até o aeroporto é tão distante que não compensa nem em termos financeiros (custo do táxi ou do trem até o aeroporto), nem muito menos o tempo perdido com o deslocamento. Muitas vezes vale a pena gastar um pouco mais indo de trem. Neles, você não precisa fazer check-in, pode chegar em cima da hora pra viajar, não tem limite de bagagem e, normalmente, embarca e desembarca em alguma área central da cidade.

Respeite seu organismo: em viagens internacionais, tente fazer com que a primeira cidade seja a mais distante possível, e organize a seqüência da viagem de modo que você venha “voltando” pra mais próximo do Brasil à medida que viaja. Isso ajudará na adaptação ao fuso e ao clima. Exemplo: viagem de cinco cidades, passando por Paris, Lisboa, Madrid, Viena e Berlim. Faça a primeira perna indo direto Brasil-Viena. Depois, vá na seqüência para Berlim, Paris, Madrid e, por último, Lisboa. Assim, você sentirá menos os efeitos da viagem.

Planeje com antecedência: isso permitirá a você economizar preciosos $$$ na viagem. O ideal é fazer o planejamento com no mínimo 4 meses de antecedência. Com esse tempo, você pode aproveitar as promoções que aparecerem pelo caminho até a data da viagem. Exemplo: um trecho Londres-Paris pela Easyjet pode sair, com 4 meses de antecedência, por EU$ 30. O mesmo trecho comprado uma semana antes pode sair por EU$ 250,00.

Escolha o hotel: um hotel ruim pode destruir a viagem de qualquer um. Um local barulhento, sujo, ou onde você não é bem recebido, vai fazer com que toda a viagem seja afetada. Ou você vai ficar com sono, ou vai ficar mal humorado, e vai acabar descontando isso na cidade visitada que, na maioria das vezes, não tem nada a ver com isso (essa regra não se aplica às cidades italianas de Roma pra baixo). Não se confie no número de estrelas. Um bom modo de saber se o hotel vale a pena é conferir as avaliações feitas por quem já esteve lá. Visite o site www.tripadvisor.com.br. Nele você pode ver um ranking de hotéis de quase todas as cidades do mundo, feito a partir de depoimentos de pessoas que já se hospedaram neles. Nesse site você também vai encontrar links pra sites de reserva de hotéis, como o Booking.com e o Venere.com, nos quais você pode conferir o preço e a disponibilidade de quartos paras as datas em que quer viajar.

Escolha as atrações: essa é talvez a pior parte, a não ser que esteja viajando sozinho. Definir pra onde ir em qualquer cidade é algo tormentoso, especialmente em grandes cidades, onde há tanta coisa a visitar. Definir antes quais lugar quer ir ajuda a planejar os deslocamentos internos. Tente organizar as visitas de acordo com a proximidade das atrações. Assim, você se cansará menos e gastará menos em transporte. Em museus grandes ou em atrações enormes, reserve ou um dia inteiro ou, ao menos, um turno. Não adianta ir ao Louvre e passar apenas duas horas lá dentro. A sensação ao sair será de frustração. Acredite.

Liberte-se da programação: lembre-se de que você está de férias. A programação não é uma camisa de força. Se você chegou num canto, gostou e quer ficar mais um pouquinho, não tem problema. Vá em frente. A única obrigação que você tem é de aproveitar.

Faça pelo menos uma refeição decente por dia: tirando o café-da-manhã, que normalmente está incluso na diária do hotel, faça outra refeição “normal” por dia. Escolha ou o almoço ou o jantar. (Se tiver dinheiro pra gastar nos dois, melhor). Você pode comer uma das duas refeições em fast food, mas a outra obrigatoriamente deve ser em um restaurante. Acredite: ninguém consegue sobreviver muito tempo à base de McDonald’s.

Escolha os restaurantes: por falar em comida, uma atenção especial deve ser dada aos restaurantes. Na dúvida, prefira os italianos. Sempre haverá um com uma pizzazinha ou spaghetti à bolonhesa honesto pra matar a larica. Mas se você é fã de comer, não deixe também de incluir obrigatoriamente na viagem tempo para perder se deliciando com as delícias da terra, como um bacalhau português ou uma paella valenciana.

Planeje suas despesas: Calcule a média de gastos e tente pagar antecipadamente ou ir comprando aos poucos a moeda do país. Não adianta passar um mês fingindo que é rico e, quando voltar, ficar estressado com as dívidas que fez na viagem. Além disso, leve mais dinheiro do que vai precisar. calcule a média de quanto quer gastar por dia na viagem e adicione a ela, no mínimo, mais 10%. Isso evitará aperreios caso imprevistos aconteçam durante a viagem. Se não usar, ótimo: sobrará mais dinheiro pra gastar com compras na volta.

Prefira o transporte público: não se engane. O trânsito nas grandes cidades do mundo é tão ruim ou pior do que o nosso. Alugar carro em grandes metrópoles é quase sempre suicídio. Você vai se estressar, perder um bom tempo do dia no trânsito e gastar uma nota pra estacionar. Isso se você achar onde estacionar. Por isso, à exceção de quem viaja pra Suíça, que é tão pequena quanto Recife, prefira usar o metrô a alugar um carro.

Bom, acho que com isso você poderá fazer uma viagem melhor, mais barata, e aproveitando mais do que aproveitaria se pagasse pra uma agência de viagem.

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