Os 10 melhores álbuns do Brasil dos anos 90

Outro dia rolou por aqui uma crítica à lista da revista Holywood Reporter sobre os 100 melhores filmes de todos os tempos. Disse eu, então, que essas listas são uma grande baboseira. A uma, porque não há como estabelecer um parâmetro objetivo e apriorístico para definir uma medida naturalmente subjetiva. A duas, porque, ainda que fosse possível “objetivizar” o que é subjetivo, é quase certo que tal critério jamais conseguiria ter alcance universal, dado que as particularidades regionais costumam pesar horrores naquilo que se entende por “melhor”.

Embora eu mesmo não seja afeto à elaboração dessas listas, achei conveniente hoje elaborar uma com os álbuns obrigatórios para quem viveu os curiosos anos 90 neste pedaço do mundo. Não só porque faz tempo que não dedico um post digno do nome a uma das características mais presentes deste espaço, mas também porque certas coisas acabam se perdendo no tempo e as pessoas se esquecem do quanto elas foram importantes no desenvolvimento da música como ela é hoje.

Portanto, sem qualquer pretensão de estabelecer uma lista definitiva, eis aqui minha modesta lista dos 10 melhores álbuns dos anos 90:

10 – Usuário

Usuário

Se a intenção era abalar as estruturas, a galera do Planet Hemp acertou em cheio. Seu álbum de estréia é um verdadeiro clássico do pop rock. Com letras ácidas e uma crítica latente por trás de cada verso, Usuário trouxe definitivamente para o debate público a questão da legalização das drogas. Legalize Já, Deisdazseis, Dig Dig Dig (Hempa) e Fazendo a sua cabeça tornaram-se hits imediatos nas paradas.

9 – Lavô, tá novo

Lavô, tá novo

É verdade que o álbum de estréia dos Raimundos já tinha catapultado o grupo pro estrelato musical brasileiro. No entanto, foi o segundo álbum – Lavô, tá novo – que inscreveu definitivamente o nome da banda no panteão dos grupos mais famosos do país. A mistura iconoclasta do punk, com o forró, com o hardocore, com o rock, acabou resultando numa experiência musical realmente inovadora. Misturando uma certa crítica social com o humor mais despudorado, os Raimundos emplacaram várias canções do disco nas primeiras colocações das paradas: Opa, Peraí caceta, Tora Tora, I saw yoy saying e, claro, a indefectível Eu quero ver o oco, que se transformou em expressão no Nordeste brasileiro.

8 – O grande encontro

O Grande Encontro

Já que estamos falando do Nordeste, nada melhor do que recordar um dos maiores álbuns da época. A feliz idéia de reunir quatro dos maiores artistas da terra para cantar alguns dos maiores sucessos da música nordestina. A releitura de clássicos como Sabiá, Chão de giz, Dia Branco e Admirável Gado Novo compunham um panorama inigualável de riqueza musical, para mostrar que a MPB vai muito além do circuito Rio-São Paulo.

7 – Calango

Calango

Pouca gente sabia que nas Minas Gerais alguém se dedicava a compor músicas. Pois depois do segundo álbum do Skank, Minas entrou definitivamente no roteiro musical brasileiro. Com um balanço diferente, que não era exatamente rock, mas também não era o puro pop da década de 80, o Skank é um dos poucos grupos que pode se orgulhar de construir um estilo próprio. Jackie Tequila, Esmola, Te Ver, Pacato Cidadão e, claro, a versão mais perfeita de É proibido fumar de que se tem registro.

6 – Sobre todas as forças

Sobre todas as forças

Até o surgimento do Cidade Negra, reggae no Brasil era somente um sinônimo de Bob Marley. Quem era mais descolado, ainda colocava Peter Tosh na jogada. Mas reggae brasileiro era como tomate sem agrotóxico; coisa que não existe. No seu terceiro álbum, o Cidade Negra finalmente conseguiu emplacar uma série de sucessos que o colocaria como maior referência nacional do gênero. Downtown, Doutor, Onde você mora? e a melhor versão em português de The harder they come (Querem meu sangue) que alguém poderia produzir.

5 – Gabriel, o Pensador

Gabriel, o Pensador

Até o começo de 1993, rap era considerado “coisa de pobre”. O preconceito que rondava o gênero praticamente o confinava às periferias da cidade. Não havia quem conhecesse uma música em rap e, quem conhecesse, dificilmente se arriscaria a assobiá-la por aí. Depois que Gabriel, o Pensador lançou o álbum homônimo, tudo isso mudou. De quebra, Gabriel conseguiu ainda reunir em um único disco a denúncia do negro período que o antecedeu e a denúncia da mediocrização social pela qual passava – “passava”? – o país. São exemplo disso Tô feliz, matei o presidente, Lôraburra, Indecência militar e a inesquecível Retrato de um playboy.

4 – Titãs Acústico

Titãs Acústico

Desde que Eric Clapton estourou nas paradas com seu unplugged, era apenas questão de tempo até que a moda chegasse ao país. Capitaneada pela MTV Brasil, a onda acústica gerou muitos bons álbuns de grandes artistas. Mas, dentre todos, nenhuma foi mais importante do que o Acústico dos Titãs. Não só porque se trata de uma das maiores bandas de rock nacional, mas porque a soberba produção conseguiu melhorar o que já era excelente. Boa parte dos clássicos da banda está lá, como Marvin, O Pulso, Televisão, Bichos Escrotos, 32 dentes e uma canção que marcaria época: Pra dizer adeus.

3 – O Papa é Pop

O Papa é Pop

Os anos 80 ainda estavam frescos na memória. A onda pop ainda tomava conta de tudo na mídia e na sociedade. Foi então que Humberto Gessinger e Cia. tiveram a brilhante idéia de associar a onda ao ícone popular da igreja católica: o Papa. Os instrumentos clássicos da banda – guitarra, baixo e bateria – ganham a companhia de aparelhagem eletrônica. Mais que isso. O som dos Engenheiros do Hawaii conseguiria influenciar como poucos o rock nacional que se produziria naquela década. Canções que se tornaram verdadeiros hinos são desse álbum: Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones, Exército de um homem só, Pra ser sincero e, obviamente, a canção-título: O Papa é Pop.

2 – Mais

Mais

Marisa Monte tinha tudo para ser um one hit wonder. Depois de estourar nas paradas no final dos anos 80 com Bem que se quis, todo mundo ficou meio com a impressão que a cantora de voz fina não teria fôlego para ir muito além disso. Mais é a prova definitiva do talento da cantora carioca. Além de músicas de profundo sentido melodioso,  Mais traz misturas improváveis, como o dueto com Ed Motta. Tudo isso e mais uma sublime versão de Pixinguinha.  Da primeira à última faixa, tem-se um álbum tecnicamente perfeito. Os grandes hits dele são Beija eu, De noite na cama, Rosa e Ainda lembro.

1 – Da Lama ao Caos

Da Lama ao Caos

Era janeiro de 1994 quando Chico Science e a Nação Zumbi terminaram de gravar seu primeiro álbum. À primeira vista, parecia coisa de maluco. Quem, em sã consciência, poderia conceber um estilo musical que mesclasse funk, rock, maracatu e música afro? Pois foi o que Chico Science fez. Mais do que um novo estilo musical, nascia um movimento: Mangue Beat. Com um som revolucionário, letras de acentuado conteúdo crítico-social e uma harmonia absolutamente improvável para tal mistura, Da Lama ao Caos entra fácil na lista dos 10 discos mais importantes e influentes da MPB de todos os tempos. São desse álbum clássicos como Antene-se, A Cidade, Praieira e, claro, Da Lama ao Caos.

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