O pior negócio da história

Todo mundo aprende nas aulas de geografia que, no ranking de maiores países em extensão territorial, o Brasil está em quinto lugar. Antes dele estão Rússia, Canadá, China e Estados Unidos.

O que pouca gente sabe é que, se não fossem os russos, o Brasil seria até hoje o quarto maior, na frente dos Estados Unidos.

“Como assim? Os russos ajudando os americanos?”

Bem, não exatamente “ajudando”, mas “sendo burros” em favor dos americanos.

Muita gente esquece, mas até 1867 o Alasca era uma possessão russa. Aproveitando-se do fato de que o estreito de Bering ficava congelado a maior parte do ano, os primeiro povos russos estenderam sua posse até a América. Ficaram, assim, com um cantinho do mundo que unia a Ásia ao continente americano.

O problema começou quando a Rússia entrou numa disputa territorial contra o Império Otomano, auxiliado por Inglaterra e França. Na Guerra da Criméia, ambos os lados disputavam o controle do estreito de Dardanelos, região estratégica para o acesso do Mar Negro ao Mediterrâneo.

Obviamente, com o apoio de duas grandes potências,  o Império Otomano acabou vencendo o Russo. Para a Rússia, além da derrota, ficaram as dívidas de guerra.

Foi aí que o então Secretário de Estado americano William Seward teve uma brilhante idéia. Por que não se oferecer para comprar aquela terra inóspita e abandonada à Rússia?

Muita gente de seu país foi contra. Achavam burrice gastar dinheiro com uma terra que, segundo o senso comum da época, não valia nada. Pesou, no entanto, a determinação de Seward e o instinto expansionista americano, disposto a aumentar seu território até onde não pudesse mais.

Com uma mala de dinheiro na mão e uma proposta de compra na cabeça, Seward foi negociar com os russos. Com os credores batendo à porte, o Czar Nicolau I achou que seria uma boa idéia. Afinal, terra era o que não lhe faltava. Lero vai, lero vem, fecharam o acordo em US$ 7,2 milhões.

E assim, em 1867, o Alasca juntava-se ao território americano.

Duas décadas depois, para lamento russo, descobriram ouro na região. A Corrida do Ouro foi um episódio tão violento do ponto de vista econômico que chegou a colocar a pulga atrás da orelha no próprio Marx. Riqueza em grande abundância criada do nada fez o barbudo pensar que talvez sua teoria do capital não estivesse, assim, tão certa.

Pra aumentar a decepção russa, já no século XX grandes reservas de petróleo foram encontradas. Os americanos, os maiores bebedores de óleo do planeta, penhoradamente agradeceram.

Fora as perdas econômicas, os russos ainda abriram mão de um território que teria importância estratégica imensa durante a Guerra Fria. Se tivessem mantido o Alasca, além da extrema proximidade com o território americano, os russos ainda teriam o controle total do Estreito de Bering, controlando, por conseguinte, o acesso ao Ártico, palco de 11 em cada dez exercício militares com submarinos naqueles tempos.

Por essas e por outras, a venda do Alasca aos Estados Unidos é, disparado, o pior negócio da história.

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