Trilha sonora do momento

Grande dia. 👍🏻

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Pensamento do dia

Às vezes você se cobra tanto por não ter chegado aonde queria que se esquece de reconhecer o quanto já caminhou.

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Aluno afiado

Poucas fases na vida são mais divertidas do que a adolescência. Para além dos perrengues naturais de quem se encontra naquele miolo em que não se é “nem tão jovem que possa ser considerado criança” e “nem tão velho que possa ser considerado adulto”, o adolescente parece aproveitar cada oportunidade para curtir a vida. Quando isso não é possível, ele aproveita para tirar onda com a cara dos outros. Esse, pelo menos, era o pensamento de Raul.

O ambiente, contudo, não era dos mais propícios para desenvolver a sua veia cômica. O colégio em que ele estudava – o XV de Novembro – era conhecido pelo rigor disciplinar e os coordenadores faziam questão de usar o terror como método de dissuasão pedagógica. Se o Piaget não funcionava, o esquema era recorrer ao Pinochet. E havia vários pretendentes a ditador chileno naquele educandário específico.

Nem tudo eram espinhos, entretanto. Havia professores legais, que não só aceitavam que os alunos tirassem onda com eles, como também se permitiam tirar onda com os alunos. Márcio era desses. Professor de redação, Márcio já estava cansado de corrigir textos sobre “as minhas férias preferidas”. Mesmo assim, conduzia estoicamente as aulas, sempre aproveitando a versatilidade da língua portuguesa para enfiar algum gracejo entre os ensinamentos. Não era exatamente o maior conhecedor da matéria, mas se fez popular pela simpatia.

Quando aparecia um daqueles temas batidos, do tipo “você está à noite numa casa escura e, de repente, surge um barulho”, Raul escrevia textos non sense. Pra piorar, ele ainda assinava com pseudônimos do tipo “Alejandro José Arturo Gonzáles”. Márcio levava as brincadeiras na esportiva. Corrigia os textos sem sentido e ainda colocava a seguinte mensagem na parte em que o autor supostamente se identificava: “Quem é você?”

Como os alunos gostavam de trocar ideias e experiências, Márcio acabava vez por outra sendo assunto do alunato na hora do recreio. Conversando com Clarissa, uma amiga de outra série, Raul comentava o quanto gostava de se divertir com Márcio nas aulas de redação. Clarissa ainda não chegara à série de Raul, mas conhecia o professor pelo fato de ele já ter ficado com uma prima dela. O que, para Clarissa, era motivo de algum espanto. Por mais popular que fosse, Márcio não era exatamente um protótipo de beleza. Ao contrário. Algumas feições proeminentes do rosto de certa forma lhe conferiam um ar semelhante ao do Topo Gigio.

“Ele não é aquele dos dentões?”, perguntou Clarissa.

“Esse mesmo”, respondeu Raul, rindo.

Como Raul era daqueles que perdia o professor, mas não perdia a piada, aproveitou a conversa com Clarissa para tirar onda com Márcio.

“Professor, eu tava falando com uma amiga minha no recreio e ela comentou que você tinha ficado com uma prima dela. Ela inclusive achou estranho, porque logo em seguida ela complementou: ‘Não é aquele com os dentes grandes?’”, provocou Raul.

Márcio não se deu por achado. Devolvendo a brincadeira, ele respondeu sorrindo a Raul:

“Mas ela falou de outra coisa que também era grande?”

Raul foi pego de surpresa com o contra-ataque imediato, mas raciocinou rápido em defesa da amiga:

“Falou, sim. As orelhas”.

Ambos caíram na gargalhada.

E foi assim que Márcio descobriu que não adiantava ter mais repertório do que seus alunos se estes eram mais afiados do que ele…

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Trilha sonora do momento

Assim se espera…

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Pensamento do dia

Entenda sinais confusos como “não”. O “sim”, em geral, é inconfundível.

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Recordar é viver: “Por uma poesia de transformação”

E já que no dia de hoje também se comemora o dia nacional da poesia, vamos a um dos primeiros posts deste espaço, quando o poeta que em mim habita ainda tentava dar as caras por aqui.

É o que você vai entender, lendo.

Por uma poesia de transformação

Publicado originalmente em 28.3.11

Revoluções são episódios únicos, que acontecem só de tempos em tempos.

O mecanismo de uma revolução é exatamente o mesmo que leva você chutar o balde: é preciso estar de saco chieo com alguma coisa. À diferença do balde à distância, a revolução necessita que outras pessoas estejam de saco cheio junto com você.

No começo do século XX, as condições para uma revolução artística no Brasil estavam dadas. O mundo passara por uma Grande Guerra, que matara 50 milhões de pessoas. Vivia-se uma paz armada que, com o tempo, levaria a outra guerra mundial.  Para usar uma expressão da época, era como se todos estivessem a dançar sobre um barril de pólvora. Isso no plano internacional.

Nas terras tupiniquins, vivia-se uma sociedade autista. O mundo em ebulição, a miséria crescendo a olhos vistos, um país eternamente dependente do café para equilibrar a balança de pagamentos (importações x exportações) e um rodízio de presidentes mineiros e paulistas que aparentava ser para sempre.

Estávamos alienados; essa era a verdade.

Alguns intelectuais da época achavam que era preciso agitar. Balançar o coreto, mesmo. Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Manuel Bandeira…escritores, pintores, poetas, artistas…essa gente que tem um pé neste mundo e o outro no outro, acharam por bem montar uma Semana de Arte.

E assim surgiu a Semana de Arte Moderna de 1922.

Foi um choque. Ninguém estava preparado para aquilo. Pinturas não convencionais, escritos não prolixos, liberdade de formas, a Semana de Arte Moderna representou uma verdadeira revolução artística e – por que não dizer? – política no país. Tudo isso parecia estranho a um público acostumado a não pensar, a não criticar, a aceitar passivamente as mensagens vazias que as artes lhe transmitiam.

Na poesia – tema deste post – queria-se romper com a camisa-de-força mental que imperava naquele tempo. Vivia-se o parnasianismo, movimento literário que primava pela “forma pela forma”. Dane-se o conteúdo. O que importa é se o poema é esteticamente bonito. Vaso Chinês, de Alberto de Oliveira, é o exemplo perfeito do poema parnasianista. Um sujeito descrevendo, nos mínimos detalhes, a estrutura de um vaso chinês. Algo tão belo quanto vazio.

Os poetas modernistas queriam mais. Queriam fazer com que os leitores pensassem. Queriam sacudi-lo na cadeira e fazer interagir – para mudar – a realidade à sua volta.

Manuel Bandeira era um deles. Tuberculoso, inteligentíssimo e irriquieto, Manuel Bandeira era um típico pernambucano: reclamão. Olhava para o mundo e não gostava do que via, e gostava de dizer isso em voz alta.

Um dos seus mais belos poemas é PoéticaPoética é uma verdadeira ode ao modernismo. É um grito libertário:

Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem comportado

Em outras palavras: tô de saco cheio.

A conclusão é impiedosa:

Abaixo os puristas!

Para isso, Bandeira dá o tom que se deve seguir:

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

E lança uma pá de cal à alienação passada:

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Acho que ele queria dizer o seguinte: mude o mundo. Entregar-se à pasmaceira é tudo o que não se pode fazer.

Abaixo, a íntegra do poema:

POÉTICA
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

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Trilha sonora do momento

E já que hoje se comemora o dia das pessoas que nasceram com trissomia do cromossomo 21, aqui vai a música que melhor os representa.

Quem for mais velho vai entender…

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Pensamento do dia

Quando você vai comprar algo, não é com dinheiro que você paga. Você paga com o tempo da sua vida que você gastou para conseguir esse dinheiro.

#FicaaDica

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A revolução do elétrico, ou Um novo mundo automotivo

Faz tempo que não rola nada na seção mais aleatória deste espaço (Variedades). Para reparar essa omissão, vamos falar de um assunto que começou tímido, virou febre e agora já tomou as ruas de todo o país: a revolução dos carros elétricos.

Houve uma época – e olha que nem faz tanto tempo assim – em que todo jovem aficcionado por carros desejava veículos europeus ou americanos. A preferência era unicamente pela marca, a depender do gosto do sujeito: Ferrari, BMW, Maseratti, Ford… enfim, a lista é grande. Invariavelmente, as opções de modelo recaíam sobre aqueles ultraturbinados, com 6 ou 8 cilindros, dispondo de uns mil cavalos de potência. Quase todos eram esportivos e era difícil achar algum desse tipo que não acelerasse de 0 a 100 km/h em menos de 5 segundos. Lamento informar, contudo, que esse mundo acabou.

Movida pela necessidade climática, primeiro a norte-americana Tesla e, depois, chinesas como a GWM e a BYD, transformaram o que por muito tempo foi um sonho numa realidade bem concreta. Hoje já não é difícil encontrar um carro elétrico transitando até por cidades menores. Há até modelos que figuram entre os 10 mais vendidos em alguns meses. Sim, o carro elétrico veio para ficar.

Obviamente, ainda há muito preconceito contra o carro elétrico. Para além da ignorância de quem nega até mesmo a mudança climática, há gente néscia que fala em “carros pegando fogo” ou “baterias que pifam do nada”. Os únicos carros elétricos que pegaram fogo ultimamente foram os da Tesla, e por razões outras que não alguma falha em suas baterias (foram ativistas queimando os modelos de Elon Musk e suas postagens neonazistas).

Vivendo no Brasil, um receio justificável sempre foi a falta de infraestrutura de recarga. Daí a preferência pelos carros híbridos plug-in, dotados que são de um “gerador” movido a gasolina, capaz de “abastecer” o motor elétrico do veículo. Não por acaso, um dos modelos mais vendidos do país – e que está longe de ser considerado barato – é o BYD Song Plus, carro de altíssimo luxo e desempenho, comparável aos melhores alemães da categoria, por quase metade do preço.

Para quem transita apenas em grandes cidades, isso nunca foi empecilho de monta. Mas viagens mais distantes (acima de 200km) representavam de fato um empecilho. O sujeito podia ir. Entretanto, se não encontrasse algum lugar para recargar o veículo, poderia não voltar. Felizmente, com investimento maciço da própria indústria e de alguns empresários, isso tem mudado.

Fora o problema da falta de infraestrutura, um dos principais empecilhos aos 100% elétricos era o tempo de recarga. Dificilmente você consegue “encher” a bateria em menos de meia hora. E isso nos carregadores ultra-rápidos. Recentemente, no entanto, a BYD informou que desenvolveu um sistema de recarga da bateria em apenas 5 minutos, mais ou menos o mesmo tempo que qualquer um gasta para encher um tanque de gasolina no posto. Claro que essa tecnologia vai demorar a chegar por aqui, mas não é preciso muita imaginação para entender o tamanho do estrago que isso causará nas vendas das montadoras tradicionais. Se replicada globalmente, essa tecnologia pode enterrar de vez a “ansiedade de autonomia” e tornar os elétricos irresistíveis até para os motoristas mais tradicionais.

Aliás, por falar em montadoras tradicionais, tudo que tem se desenhado nessa seara de três anos pra cá apenas demonstra de maneira incontornável a decadência de nomes antes tidos como “vacas sagradas” do mundo automobilístico. Tendo feito a fama e deitado na cama, as grandes montadoras claramente perderam o ritmo e o timing da mudança imposta pelos carros elétricos. A Toyota, por exemplo, ainda aposta 70% de sua produção em híbridos não recarregáveis, enquanto a Ford reduziu metas de produção de elétricos em 2024 devido à baixa demanda.

É verdade que montadoras estabelecidas há muito tempo têm custos altíssimos com fábricas, sindicatos e redes de concessionárias focadas em motores a combustão. Para elas, migrar para veículos elétricos significa abandonar décadas de investimento — um “suicídio corporativo” que muitas hesitam em cometer. Enquanto isso, as chinesas, livres de amarras históricas, constróem fábricas modularizadas, adotam softwares atualizáveis por 5G e vendem diretamente ao consumidor, cortando intermediários. Quando o problema da demora na recarga for resolvido, vai ser difícil convencer um sujeito a gastar quase o dobro do preço por um veículo tecnologicamente inferior e que, no limite, implica mais gastos de manutenção do que os fabricados pelas montadoras chinesas.

Os números, a nível mundial e local, não deixam margem a dúvidas. A BYD, por exemplo, vendeu mais de 4 milhões de veículos elétricos apenas em 2024, ultrapassando a até então invencível Tesla. No Brasil, montadora chinesa vendeu 70 mil carros, um aumento de mais de 300% em relação a 2023. Nada mal para uma empresa cujo veículo de entrada (Dolphin Mini) custa “módicos” R$ 115 mil.

A verdade é que o mundo mudou e as montadoras tradicionais estão ficando para trás. Elas conseguirão tirar o atraso para as concorrentes americanas e chinesas? Difícil dizer. Uma coisa, contudo, é certa: o futuro chegou e ele será carregado na tomada.

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Trilha sonora do momento

Para os que preferem viver nos Estados Unidos…

#EntendedoresEntenderão

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