A Capela Sistina

Quando se fala em Roma, logo vem à mente o Vaticano. Vindo à mente o Vaticano, imediamente se associa uma ida a São Pedro, a maior e uma das mais belas basílicas do mundo. No entanto, uma das maiores obras-primas da história universal não se encontra na basílica de Bramante, mas num pequeno e modesto edifício ao seu lado: a Capela Sistina.

Quem mandou construi-la foi Sisto IV. Daí o nome dado à Capela, típico dos mandarinatos papais de antigamente; cada um deixava as “marcas” de sua administração para a posteridade.

Supostamente inspirada no antigo Templo de Salomão, onde se guardava a Arca da Aliança, a capela é arquitetonicamente irrelevante. É uma caixa retangular, com parede restas, sem grandes virtuosismos, quer na estrutura, quer na aparência. É nas paredes, contudo, que está a magia da Sistina.

Inspirado pelo renascimento, Júlio II, sucessor de Sisto IV, chamou alguns dos maiores artistas da época para enfeitar o interior da capela: Boticcelli, Rafael e – claro – Michelangelo Buonarrotti.

É fato: quando se fala de obra-prima de pintura, imagina-se logo Mona Lisa, Las Meninas, Persistência da Memória e outros grandes quadrosda pinacoteca mundial. Mas a maior delas não está numa tela. Não está sequer numa parede. Está no teto da Capela Sistina.

Convidado por Júlio II a retratar no teto da capela a seqüência da criação do mundo, Michelangelo relutou muito em aceitar a tarefa. Primeiro, porque demandaria muito tempo. Segundo, porque gostava mais de esculpir do que pintar. E, em último lugar, Michelangelo temia por sua saúde. Como as tintas daquela época eram altamente tóxicas, Michelangelo não curtia muito a idéia de pintar num teto e ver os pingos de tinta caindo por sobre seu corpo.

Sem alternativas, Michelangelo começou a pintar o teto. Seguindo a seqüência Gênesis, Michelangelo começa por Deus separando a luz das trevas. Ao seu lado, a criação do sol e da luz e a separação da água da terra. Depois, a criação de Adão e Eva, o pecado original e a expulsão do paraíso. Logo depois, uma incongruência seqüencial: o sacrifício de Noé precede o dilúvio, algo que não corresponde à narração do primeiro livro da Bíblia. Ao fim, o retrato de Noé bêbado, depois de experimentar o vinho que ele mesmo produzira após as águas baixarem.

O teto da capela sistina é, sem dúvida, a mais bela pintura da história da humanidade. Reza a lenda que Michelangelo passou o resto da vida padecendo dos males causados pelas tintas tóxicas que lhe caíram por sobre a pele. Mesmo assim, já no final de sua vida, Michelangelo mais uma vez foi chamado pelo Papa (dessa vez, Paulo III) para enfeitar as paredes da Sistina. Depois de reproduzir a criação do mundo, o Papa queria o fim da história: o Juízo Final.

Ocupando a parede atrás do altar, o Juízo Final retrata o apocalipse, com anjos a tocar trombetas, os danados expiando seus pecados, tudo comandado por um Jesus atlético, no centro da tela.

Hoje, além dos turistas, a Sistina recebe o conclave de cardeais para eleger o Papa. É como se os prelados achassem que, sob a magnífica obra de Michelangelo, a inspiração do Espírito Santo viria com mais facilidade.

Se isso realmente acontece, é uma questão de fé. Maravilhando-se com todas as obras a enfeitar a Capela Sistina, o mais fervoroso ateu pode até dizer que Deus não existe. Mas terá de aceitar que pelo menos a idéia de sua existência gera uma inspiração divina.

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