Não basta ser padrinho. Tem que participar.
#FicaaDica
Não basta ser padrinho. Tem que participar.
#FicaaDica
Se Deus quisesse fazer a vida fácil, tinha embalado em um pacote de Miojo.
Sabe aquela história do casal que mal se conhece, namora torridamente e, de repente, a moça aparece grávida? Era justamente o caso de Fernando e Jasmin. Ele, um pernambucano a visitar os pais em Fortaleza; ela, uma universitária fortalezense que gastava seu tempo entre amigos e família. Como os dois ainda cursassem a universidade, ninguém ali tinha muita idéia do que queria da vida. Curtir a vida era a máxima daquela época.
A gravidez, claro, alterou por completo os rumos daqueles dois jovens adultos, mal chegados aos vinte anos. Casados, Jasmin mudou-se para o Recife, onde deu à luz seu primeiro rebento, Raul. Fernando terminava o último ano de Engenharia, enquanto ela – pela mudança e pela gestação – fora forçada a trancar o curso de Letras. Mesmo com os perrengues, ambos conseguiram superar os desafios de pais de primeira viagem. Raul crescia forte e saudável, e aos poucos o caixa do jovem casal foi sendo reforçado pela progressão do marido na carreira.
Mas veio o carnaval. Onze meses depois de nascido, Raul iria com os pais curtir sua primeira festa momina. Naquela altura, nenhum pernambucano que se prezasse gastaria seus dias de folia no Recife. De certo modo, a primeira capital de Pernambuco era – e talvez ainda seja – o must do carnaval no Nordeste. Era para lá que Fernando e Jasmin estavam destinados a ir.
Conhecedor profundo dos meandros urbanísticos de Recife-Olinda, Fernando foi logo avisando a Jasmin:
“Vamos, minha filha! A gente tem que sair cedo, porque senão vai pegar um engarrafamento danado e não vai ter lugar pra estacionar!”
Aperreada, Jasmin colocou tudo que tinha na mão dentro da bolsa do bebê. Na correria, contudo, acabou por esquecer uma coisa que havia separado: as mamadeiras com leite, água e suco para Raul.
Ao chegar nas ladeiras de Olinda, estava tudo certo. Música rolando, todo mundo dançando, Fernando e Jasmin se divertindo como se ainda fossem dois jovens solteiros. Eis que, por volta das 19h, Raul abre o berreiro:
“Bbbbuuuuuáááááá!!!! Bbbuuuuáááááá!!!”
“Meu Deus, o que será isso?”, perguntou assustado Fernando.
“Deve ser sede”, matou a charada na hora Jasmin.
Abre a bolsa, mexe dentro dela e….ooooppppsss! Cadê as mamadeiras do Raul?
“Jesus, Fernando! Esqueci as mamadeiras do Raul! E agora?!?”
Enquanto os dois tentavam ver o que faziam, a cada cinco segundos passava um ambulante com a caixa de isopor pendurada no pescoço.
“Olha a cervejinha! Olha a cervejinha! Na minha mão é mais barato, hein?!”, anunciava a plenos pulmões o vendedor.
“Não tem água não, meu senhor?”, perguntou quase em desespero Jasmin.
“Não, minha senhora. No Carnaval de Olinda a senhora só vai encontrar cerveja e cachaça”, respondeu na lata o ambulante.
Foi quando Fernando teve uma idéia:
“Dá uma latinha de cerveja pra ele. Só uma não vai fazer mal, não”.
“Será, Fernando?”, respondeu uma incrédula Jasmin.
Uma vez que o volume do berreiro aumentasse e sem solução à vista, ambos cederam à tentação. Na base do gut-gut, Raul entornou sua primeira cerveja na vida.
O efeito foi imediato. Não só o choro acabou, como Raul passou a responder aos confetes que lhe eram lançados com aquela animação típica de fim de festa: braços balançando de um lado a outro e um sorriso embriagado nos lábios.
Crise resolvida, volta todo mundo pra casa. Raul, já capotado, foi colocado direto no berço. Na manhã seguinte, Jasmin acorda assustada. Ao contrário do que ocorria normalmente, Raul não despertara uma só vez em busca de comida ou consolo. Por precaução, Jasmin preparou uma mamadeira e colocou-a na boca da criança. Sorvida sem piedade, a mamadeira esvaziou-se sem que Raul esboçasse sequer abrir os olhos.
10h, 12h, 18h, 24h de sono e nada de Raul acordar. Já na noite do dia seguinte, 26h depois de capotar na folia, Raul enfim abre os olhos e sorri para os pais. Sim, apesar da ressaca e do coma alcóolico, estava tudo bem com o pimpolho.
No dia seguinte, Jasmin liga para a mãe e relata o ocorrido. Com o desespero aplacado pela constatação que não sucedera o pior, a mãe de Jasmin limita-se a perguntar:
“Mas, minha filha, você não ficou preocupada?!?”
“Preocupada o quê, mamãe? Ah, se eu soubesse disso antes! Quantas noites de sono eu não teria economizado?”, respondeu tranquilamente Jasmin.
E foi assim que a mãe de Jasmin descobriu que, mesmo em face do maior perrengue, ainda é possível definir prioridades…
Uma singela homenagem do Blog ao maior publicitário que este Brasil já conheceu.
É possível contar um monte de mentiras dizendo apenas a verdade.
By Washington Olivetto
Dois anos depois, a mesma ladainha enfadonha.
Para dar rigorosamente na mesma coisa: nada.
É o que você vai entender, lendo.
Publicado originalmente em 20.6.22
Era só o que me faltava.
Morte no Amazonas, combustíveis nas alturas, o Brasil de novo no mapa da fome, e o mais recente “grito da moda” no Planalto Central é uma Proposta de Emenda à Constituição para ceifar os poderes do Supremo Tribunal Federal. De autoria do deputado federal Domingos Sávio, a PEC até agora reuniu pouco mais de cinquenta assinaturas entre seus pares. Mas, para encurtar a história a quem não tem muita paciência para conversa fiada, adianto-lhes desde logo a conclusão: tudo não passa da espuma.
De acordo com a proposta apresentada por Domingos Sávio, o Congresso Nacional deteria o poder de anular decisões não unânimes do STF. Mediante aprovação de 3/5 de ambas as casas legislativas (mesmo quórum para aprovação de emendas à Constituição), a decisão do Supremo sofreria uma espécie de overruling pelo Congresso, que passaria a deter a palavra final sobre qualquer disputa levada a cabo no Supremo.
Não é preciso ser nenhum doutor em Direito para concluir que a PEC em questão padece de incontornável inconstitucionalidade. Ora, o que faz do Supremo “o Supremo” é justamente sua capacidade de – como certa vez advertiu ironicamente Ruy Barbosa – “errar por último”. A função básica de qualquer sistema judiciário é dizer o direito no caso concreto, isto é, determinar por meio de um processo qual das partes tem razão. Quando se traslada essa competência de um Poder (Judiciário) para outro (Legislativo), chega-se à inequívoca conclusão de que um deles foi inteiramente esvaziado. Afinal, se é o Congresso que vai dizer quem é que tem razão numa determinada contenda constitucional, para que Supremo?
De fato, quando o Barão de Montesquieu estabeleceu as premissas teóricas básicas para a criação do que hoje se convencionou chamar de “teoria da tripartição dos poderes”, seu intuito básico era de evitar o surgimento de um “poder superpesado”, isto é, que houvesse um poder “superpoderoso” que sobrepujasse os demais. Estabelecida como contraponto ao Ancien Régime, a teoria da tripartição logo se tornou o principal baluarte para impedir um eventual retorno ao absolutismo.
É justamente em razão disso que uma tal “PEC do equilíbrio dos poderes” não pode prosperar. Agravada pelo fato de que ela submete praticamente todas as decisões do Supremo a eventual revisão congressual – a PEC fala em decisões “não unânimes”, o que representa mais de 99% do universo das decisões do STF -, a emenda transformaria o Congresso praticamente na única instância decisória do país, podendo, no limite, rejeitar até mesmo as decisões do Supremo que julgassem como inconstitucionais as leis aprovadas pelo Parlamento. Absurdo maior não poderia ser imaginado.
Haverá, claro, quem contraponha a isso o fato de o Congresso deter a prerrogativa de sustar decretos presidenciais que exorbitem o poder de regulamentar. A comparação, contudo, é falha e rasa. Em primeiro lugar, porque o Congresso não susta um decreto para colocar outro em seu lugar, como ocorreria com a PEC que se pretende sobre o Supremo. E, em segundo lugar, o poder de cassação se dá, nesse caso, para defesa das prerrogativas do próprio Congresso, uma vez que os decretos presidenciais que recaiam nessa hipótese estão a usurpar a componente legislativa que é a própria razão de ser do Parlamento. Bem oposto, ao revés, é o caso de se trasladar o poder de dizer o direito em última instância no caso concreto do Supremo para o Congresso, no que resultaria sem dúvida no desapossamento do núcleo essencial do poder jurisdicional.
O que a PEC apresentada pelo deputado Domingos Sálvio propõe, em resumo, é o mesmo chopp ruim que os garçons das bodegas mais derrubadas trazem na madrugada para os pinguços de fim de festa: muita espuma e pouca cerveja. O que o Brasil precisa é de solução para seus problemas concretos, aqueles que afligem a toda a gente e que tanto político procura esconder em época de eleição com cortinas de fumaça dessa natureza.
Quanto ao Supremo, vai bem, obrigado.
E já que amanhã é Dia das Crianças, vamos lembrar esse clássico dos anos 80.
E que, infelizmente, continua bem atual…
Ter um filho faz de você um pai. Ter dois faz de você um árbitro.
#FicaaDica
Quem está com suas obrigações eleitorais em dia e não quis tomar multa pelo não comparecimento este ano, deve ter votado no último domingo nas eleições municipais ocorridas em todo o Brasil. Como de hábito, a preguiçosa imprensa brasileira já saiu afirmando as coisas mais certas sobre os cenários mais incertos, em especial quando se trata de projetar o resultado eleitoral de agora com o que virá daqui a dois anos, em 2026.
Do ponto de vista puramente estatístico, a tentativa de inferir o resultado das eleições presidenciais com base no que se passou nas municipais tem a consistência de uma gelatina mole. Neste milênio, por exemplo, em apenas um caso – no ano 2000 – foi possível extrair dos pleitos locais uma tendência mais firme, que veio posteriormente a ser confirmada na eleição presidencial seguinte. Salvo essa exceção, ou a eleição de prefeitos e vereadores não indica coisa alguma; ou contraria expressamente o resultado “projetado” pela eleição municipal. Foi o que ocorreu, por exemplo, na eleição de 2020, quando o PT foi praticamente varrido de todas as maiores cidades do país, mas acabou ganhando a presidência novamente com Lula em 2022, cortesia do desastre chamado Jair Bolsonaro.
Afastada a preguiça interpretativa, vamos ao que de fato interessa: há alguma coisa em particular nessa eleição que permita inferir alguma tendência para a eleição de 2026?
Do ponto de vista puramente prático, a resposta é não. Se há alguma coisa que essa eleição de agora pode ensinar é que direita e esquerda estão jogando a última guerra, sem atentar para os desafios que a próxima, em 2026, irá trazer.
No lado jacobino do eleitorado, tudo continua mais ou menos na mesma. Há pelo menos 30 anos, Lula – com seu inegável carisma e habilidade política – interdita as vias à esquerda. Sem ninguém que lhe faça sombra, o babalorixá petista ofusca o surgimento de novas lideranças, a ponto de ter de recorrer ao psolista Guilherme Boulos para erguer uma candidatura viável na maior cidade do país, São Paulo. Não por acaso, o PT foi mais uma vez atropelado nas grandes metrópoles, limitando sua “vitória” eleitoral ao aumento no número de prefeituras. De resto, para um partido que detém a máquina do governo federal na mão, trata-se de um fiasco incontestável.
No extremo oposto desse espectro, a direita teve seus dias de guerra civil. Com o surgimento do fenômeno Pablo Marçal, o radicalismo presente nessa parcela do eleitorado finalmente se viu “livre” da influência de Jair Bolsonaro. Ziguezagueando feito uma barata-tonta, o ex-presidente ficou literalmente em cima do muro na disputa da capital paulista. Sem querer se vincular a Ricardo Nunes (cujo vice havia indicado) e com receio de desafiar Marçal na arena das redes sociais, Bolsonaro recolheu-se e ficou mudo, tentando manter um pé em cada canoa. Como esperteza, quando é muita, come o dono, tudo que Bolsonaro conseguiu colher foi a constatação nua e crua do seu aliado Silas Malafaia: “Que porcaria de líder é esse?!?”
Como de hábito, o grande vitorioso dessas eleições foi o Centrão. Liderado pelo PSD do onipresente Ricardo Kassab, os partidos mais fisiológicos do Congresso de novo lavaram a burra nas eleições municipais. Somando apenas os quatro primeiros colocados (PSD, MDB, PP e União Brasil), chega-se ao total de 3.094 cidades, mais da metade dos municípios brasileiros. PL e PT, que em tese seriam os mais adversários da tal “polarização” política que o Brasil vive, não chegam sequer a 800 prefeituras somados.
Mas, afinal, o que é possível concluir daí?
Se forem levados em consideração os potenciais efeitos que prefeitos e vereadores têm sobre os eleitores de seus municípios, a única conclusão a que se pode chegar é que, quem conseguir trazer para junto de si mais partidos do Centrão até 2026, terá mais chances de ganhar a próxima eleição presidencial.
Até lá, grandes emoções nos aguardam.
Será, Mr. Musk?