Trilha sonora do momento

Com o desastre humanitário dos ianomâmis, é impossível não recorrer a Renato Manfredini Jr. e sua Urbana Legio.

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Pensamento do dia

Take the risk or lose the chance.

#FicaaDica

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12 anos Dando a cara a tapa – Semana especial de aniversário: O Brasil em 2023

Dando sequência ao especial de aniversário do Dando a cara a tapa, vamos às previsões do Blog para este Brasil varonil, já cansado de tanta guerra, em 2023.

Anos pós-eleitorais – em especial quando as eleições são presidenciais – geralmente são anos de ressaca. Seja pela curtição ou pela fossa, o fato é que a maioria da população chega em janeiro com a cabeça meio pesada. Assim como nas festas de fim de ano, parece que o esforço cobra o seu preço e há uma sensação geral de anestesia, que só vem a ser quebrada depois do carnaval, quando o ano – pelo menos extraoficialmente – começa no Brasil. E, se isso é verdade em anos, digamos, “normais”, com mais razão ainda é neste 2023 que se inicia, dado o tipo de eleição a que fomos submetidos no ano passado.

A menos que o sujeito seja um fanático “bolsominion”, não há cidadão que não reconheça a ameaça representada por Bolsonaro e seus asseclas. Variante moderna do que antigamente se costumava chamar de fascismo, o “Bolsonarismo” libertou os instintos mais primitivos do ser humano brasileiro. Aquele sujeito cordial, pacato, gente boa, amigo de todo mundo, agora é apenas uma lembrança fugidia do passado. Em seu lugar, assumiu uma besta-fera disposta a tratar como inimigos – se necessário, com recurso ao uso da força – qualquer um que ouse discordar do seu “pensamento”. É isso que explica, em parte, o que se passou no fatídico dia 8 de janeiro de 2023. Resta saber, contudo, o que nos espera daí por diante.

Do ponto de vista estritamente legal, o jogo está jogado. Muita gente, de variados graus de hierarquia na cadeia alimentar social, está afundada até o pescoço nos sórdidos atos que culminaram com a devastação vândalo-terrorista do dia 8 de janeiro. Em tese, bastaria à polícia investigar, ao Ministério Público denunciar e ao Judiciário condenar para que tudo terminasse bem. Do ponto de vista político, contudo, o buraco é mais embaixo.

Se é verdade que Lula teve razoável sucesso em compor uma espécie de “frente ampla” para enfrentar o risco bolsonarista na eleição do ano passado, por outro também é certo que ele tem passado sinais trocados desde a virada do calendário. Começando com a composição do seu ministério (e a aparente dificuldade de “encaixar” as gigantes Marina Silva e Simone Tebet dentro dele), passando pela adoção da tal “linguagem neutra” em cerimônias oficiais e terminando com um festival de patadas no pessoal de “o mercado”, Lula por vezes parece ter se esquecido de que não foi – ou não foi somente – com a esquerda que ele venceu o pleito. Sem o pessoal do centro e da direita verdadeiramente conservadora e liberal, horrorizados com o desastre humanitário patrocinado por Bolsonaro, Lula teria colhido sua quarta derrota em eleições presidenciais, não sua terceira vitória.

O que se passará no Brasil neste ano de 2023, portanto, dependerá fundamentalmente dessas duas variáveis. Ao mesmo tempo em que deverá fazer de tudo para combater o golpismo a todo custo – incluindo a punição e a eventual prisão de gente fardada -, Lula terá de manter acesa pelo menos a esperança de que seu governo seguirá minimamente as linhas da “frente ampla” que o levaram à vitória.

Nesse tênue e delicado balanço, Lula ainda terá de se equilibrar entre uma economia claudicante, com uma dívida pública em trajetória ascendente e um déficit fiscal assustadoramente preocupante – cortesia do “liberalismo” (risos) de Paulo Guedes destinado a reeleger Bolsonaro -, e uma população sedenta de um monte de coisas que lhe foram negadas por quatro anos (aumento real do salário-mínimo, reajuste de servidores, correção da tabela do Imposto de Renda, vacinas, etc.). Tudo isso com juros americanos em alta, guerra na Ucrânia e um mundo à beira de uma recessão. Em suma, Lula terá de agradar a gregos, troianos e associados, ao mesmo tempo em que impede os hunos de destruir tudo que está em volta.

Decerto não será tarefa fácil. Mas se há um político no Brasil capaz de operar esse milagre, esse alguém atende pelo nome de Luís Inácio Lula da Silva.

Que Deus nos ajude.

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Trilha sonora do momento

“Quero prisão, não quero dinheiro”.

Way to go, girl! 👏🏻

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Pensamento do dia

Metade de ser inteligente é saber aquilo em que você é burro.

#FicaaDica

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12 anos Dando a cara a tapa – Semana especial de aniversário: As previsões econômicas de 2023

Pois é, meus amigos.

Após um breve interlúdio na segunda-feira para tratar da pauta mais urgente do momento – a crise no Exército -, é hora de retomar os festejos dos doze anos que o Blog alegremente festeja neste mês.

Para honrar as tradições, começaremos com o velho embate entre os chutes descarados deste que vos escreve e o pessoal de “o Mercado”. Até o momento, os çábios da Faria Lima têm levado uma sova inapelável do Dando a cara a tapa. Sem contar o ano passado, até agora o placar marca humilhantes 6×2 em favor do Blog. E olha que, nesse particular, o pessoal de “o Mercado” joga em casa, pois o empate os favorece. Mesmo jogando com o regulamento debaixo do braço, ainda assim os erros dos “analistas” (risos) têm sido ainda mais crassos do que deste que vos fala.

Antes de passarmos às previsões para este ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2023, vamos fazer um apanhado da disputa do ano passado. Para quem está chegando agora, a regra é simples. Das cinco categorias escolhidas (inflação, dólar, PIB, saldo da balança e taxa de juros), toma-se o previsto no primeiro boletim Focus do ano e os chutes do Blog. Ao final, apura-se quem chegou mais perto de acertar e atribui-se um ponto por categoria. Assim como no futebol, quem acertar mais chutes no gol leva.

Vejamos, portanto, o que disse a chutometria avançada no passado (para saber mais, clique aqui):

“1 – Inflação:

– Focus: 5,03%.

– Blog: 6,4%.

2 – Dólar:

– Focus: R$ 5,60.

– Blog: R$ 5,15.

3 – PIB:

– Focus: 0,28%.

– Blog: -0,35%.

4 – Saldo da balança comercial:

– Focus: US$ 55,50 bilhões.

– Blog: US$ 60 bilhões.

5 – Taxa de juros ao final do ano:

– Focus: 11,75%.

– Blog: 11%”.

No primeiro item, o Blog sai na frente. Segundo o IBGE, o IPCA do ano passado fechou em 5,79%. Considerando que o pessoal de “o Mercado” chutou 5,03% e o Blog, 6,4%, fica claro quem chegou mais perto do resultado final. Dando a cara a tapa 1 x Çábios 0.

No segundo item, o Blog amplia o marcador. Dos R$ 5,60 previstos pelos “analistas” do mercado para os R$ 5,15, a distância é grande, mas é evidente que o Blog chegou mais perto dos R$ 5,27 do último dia útil do ano passado. No placar, portanto, Blog 2 x Mercado 0.

No terceiro item, não temos ainda os dados finais do IBGE, mas é certo que tanto o Blog quanto os çábios erraram por larga margem o resultado da economia em 2022. É certo que houve aí uma série de mandrakarias reeleitorais patrocinadas por Jair Bolsonado, sob o olhar complacente do “liberal” (RISOS) Paulo Guedes, o que justifica em parte os erros de lado a lado. No entanto, com o PIB do ano passado deve ter girado em torno de 3%, tanto o Blog quanto os çábios ficaram a ver navios neste particular, visto que a margem de erro de 1% foi extrapolada pra qualquer dos lados. O placar, portanto, continua em 2×0 para o Dando a cara a tapa.

No quarto item, o que antes parecia só uma vitória regular, passa a adquirir ares de goleada. Sim, porque o Blog praticamente cravou o resultado das trocas comerciais entre o Brasil e o exterior no ano passado: US$ 62,3 bilhões (o Blog previu US$ 60 bi redondos). Vamos chegando ao final da nossa tradicional disputa e o placar não mente: Dando a cara a tapa 3 x “O Mercado” 0.

No último e derradeiro item, enfim os çábios conseguem marcar seu golzinho de honra, para que a humilhação não seja completa. Enquanto o Blog, otimista, previu uma Selic terminal de 11% ao final de 2022, os “analistas” de “o Mercado” chutaram 11,75%. Depois de overshootar pra baixo a taxa de juros para ridículos 2% a.a., o BC resolveu então overshootar pra cima, deixando com que a taxa de referência dos títulos públicos encerrasse o ano a boçais 13,75%. Embora a galera do mercado tenha errado por dois pontos percentuais o resultado, não vou ser preciosista e privá-los da alegria de tirar o 0 do marcador.

O placar final, portanto, soma mais uma vitória do Blog sobre a galera do Boletim Focus. No agregado, esta é a sétima vitória, contra apenas duas derrotas, em quase uma década de disputa.

E o que isso prova?

Para quem acompanha o Blog há algum tempo, já sabe qual é a resposta: absolutamente nada. Prova apenas que ninguém deve planejar sua vida e investimentos com base nas previsões de engravatados da Faria Lima metidos a sábios, mas que mal conseguem enxergar dois palmos diante do nariz, a despeito de mantê-los elevados quase numa perpendicular de 90º.

Resolvida a parada do ano passado, vamos às previsões da Bola de Cristal do Dando a cara a tapa e do pessoal do Boletim Focus para este ano de 2023.

1 – Inflação:

– Focus: 5,36%.

– Blog: 5,9%.

2 – Dólar:

– Focus: R$ 5,28.

– Blog: R$ 4,80.

3 – PIB:

– Focus: 0,78%.

– Blog: 1,2%.

4 – Saldo da balança comercial:

– Focus: US$ 56,61 bilhões.

– Blog: US$ 60 bilhões.

5 – Taxa de juros ao final do ano:

– Focus: 12,25%.

– Blog: 13%.

A sorte, pois, está lançada. Daqui a um veremos se o Blog continua com os chutes apurados, ou se o Mercado vai conseguir diminuir um pouco o resultado vexaminoso que vem colhendo até aqui.

Quem viver, verá.

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Trilha sonora do momento

Não pára, não pára, não pára, não…

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Pensamento do dia

O grande problema da modernidade não é saber se há pessoas que pensam, mas em descobrir pessoas que o fazem.

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A demissão do Comandante do Exército, ou A necessária imposição do poder civil aos militares

Esta semana deveria começar com nossos tradicionais posts comemorativos do aniversário do Blog. No entanto, como todo mundo pode perceber, a premência do noticiário acaba por se impor. E seria no mínimo negligência da minha parte deixar passar em branco um acontecimento tão importante quanto a crise que culminou na demissão do Comandante do Exército.

Do ponto de vista formal, não haveria muito o que se falar sobre um ato quase burocrático como a troca no comando do Exército. Como comandante-em-chefe das Forças Armadas, Lula pode demitir os comandantes da Força na hora que bem entender. Afinal, “manda quem pode; obedece quem tem juízo”. Do ponto de vista real, contudo, as coisas são um pouquinho mais complicadas.

É fato que o Brasil nunca completou sua transição para a democracia. Com o fracasso da emenda Dante de Oliveira e da campanha das “Diretas Já”, o retorno à “normalidade democrática” ficou condicionado a um arranjo de bastidores entre a turma da caserna e aquela liderada por Tancredo Neves. Mineiro como só ele, Tancredo estava careca de saber que não poderia chegar botando o pé na porta. Havia ainda muitos elementos da chamada “linha dura” agindo contra o retorno aos quartéis. Não custa lembrar que, apenas dois anos antes da indireta que elegeu Tancredo, agentes da ditadura patrocinaram a bomba no RioCentro. Qualquer passo em falso dos democratas, portanto, poderia colocar tudo a perder.

Por isso mesmo, a “negociação” arquitetada por Tancredo passava pela aceitação integral da auto-anistia imposta pelos militares (1979), inclusive para atos que não poderiam nem sequer cronologicamente estarem abarcadas por ela, como o próprio RioCentro (1982). “Não mexa comigo, que eu não mexo com você”, foi em suma o pacto firmado na transição. E foi com base nele que não houve levante quando Tancredo teve de ser internado antes da posse, assumindo em seu lugar – inconstitucionalmente – José Sarney (para saber mais, clique aqui).

O problema, como agora parece claro a qualquer néscio, é que simplesmente deixar os militares encostados no canto, como se nada houvesse acontecido, significou apenas empurrar o problema com a barriga. Ao contrário da Argentina, que enquadrou seus militares em um julgamento histórico (ver aqui), e mesmo de países cujo pacto transicional deu-se de forma “pacífica”, como a África do Sul, aqui simplesmente colocaram uma pedra em cima do assunto e fingiu-se que estava tudo bem. Ao invés de ser exorcizado, o fantasma da intervenção militar ficou trancado no armário. Bastava alguém disposto a abri-lo para que o fantasma voltasse a nos assombrar. Foi exatamente o que aconteceu com a eleição de Jair Bolsonaro, ele próprio um elemento subversivo da tropa, “expulso a convite” depois de um julgamento absolutamente girafa do Superior Tribunal Militar por ameaçar colocar bombas em quartéis e na adutora do Guandu.

Tudo que se passou nos últimos quatro anos, portanto, desde o bisonho tweet do general Villas-Boas, passando pelos desmandos dos militares em todas as áreas da Administração Pública (com destaque para a “brilhante” atuação do general Pazuello na Saúde), até chegar ao famigerado dia 8 de janeiro, tudo isso decorre do fato de que a República do Brasil, mesmo depois da redemocratização, continuou a todo o tempo sob tutela silenciosa dos homens de farda. A “única” coisa que Bolsonaro fez foi tirá-los do silêncio e promover barulho. Mas seria de uma ingenuidade atroz imaginar que os militares tenham se entregado assim, tão de corpo e alma, a um governo absolutamente desastroso se não fosse por convicção de que são “melhores” para governar do que os civis. O mito da caserna ainda impera por estas bandas, por piores que sejam os resultados em todas as vezes em que eles estiveram no poder. E é justamente por isso que a demissão do comandante do Exército pode enfim nos ajudar a virar essa página.

Para além de tudo que aconteceu no desgoverno bolsonarista, com resultados conhecidos, as imagens de blindados e da Polícia do Exército bloqueando a passagem da tropa de choque da PM do Distrito Federal são por demais impactantes para que simplesmente se feche os olhos para o que passou. No momento mais decisivo da nossa jovem democracia, o fato incontornável é que os militares se postaram a favor de criminosos terroristas, que depredaram os símbolos máximos da nossa República, apontando os canhões para a sociedade. Nesse instante crucial, a ordem, a disciplina e a Justiça estavam representadas pela PM do DF. E, ao invés de se juntarem a ela, os militares resolveram se juntar à desordem, à balbúrdia e à injustiça, protegendo os vândalos que lá foram se refugiar.

Fez muito bem, portanto, o presidente Lula ao demitir o general Arruda do comando do Exército. Se algo há a criticar-se nessa decisão foi somente o fato de não o ter feito na mesma noite do 8 de janeiro, quando os blindados se interpuseram entre os golpistas e a tropa de choque da PM. Todavia, a demora de uma semana pode muito bem ser debitada na conta das circunstâncias políticas. Até porque, para demitir o comandante do Exército, Lula necessariamente teria de ter outro general para nomear em seu lugar. E, até onde a vista alcança, nenhum militar está mais bem talhado para a missão do que o general Tomás Ribeiro Paiva.

Em seu pungente discurso de quinta-feira, o então comandante militar do Sudeste disse o óbvio. Não importa quem venceu as eleições: as Forças Armadas têm de respeitar a soberania popular e bater continência para o presidente eleito, seja ele quem for. O profissionalismo de qualquer servidor público – e, em última instância, todo militar é “apenas” um servidor público armado – dá-se na exata medida do entendimento de que as suas preferências pessoais devem ser colocadas de lado quando confrontada com sua missão pública. Assim como seria absurdo imaginar um policial deixando de prender um torcedor por ser um colega rubro-negro, seria igualmente esdrúxulo imaginar um militar deixando de prestar continência a um presidente somente por ele ser de esquerda ou de direita.

O próximo passo, agora, é exigir do novo governo e do novo comandante que as investigações sigam até o fim. Se houver militares envolvidos nos atos golpistas, seja por ação (depredando as sedes dos três poderes), seja por omissão (onde raios estava o Batalhão da Guarda Presidencial?!?), todos eles têm de ser punidos, sofrerem baixa por desonra e, se for o caso, presos e encarcerados. Somente quando ficar claro a todo cidadão que o braço da Justiça pode alcançar qualquer pessoa, independentemente de ela ser militar ou não, poderemos enfim dizer que vivemos numa democracia plena. Até lá, mantenhamos os olhos abertos e as barbas de molho.

Porque cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém…

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Trilha sonora do momento

É isso, em resumo…

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