7 anos Dando a cara a tapa: Semana Especial de Aniversário – O Brasil em 2018

Ano novo, vida velha. Pelo menos essa é a tônica em Brasília e adjacências. Temer permanece presidente, a Reforma da Previdência continua dando os tons do trabalho no Congresso e o Judiciário segue com sua toada da Lava-Jato, embora submetida a um torniquete do tipo ataque de jibóia, apertando para quebrar osso por osso a espinha dorsal da operação. E a pergunta que todo mundo costuma se fazer nessa altura é: afinal, o que será do Brasil em 2018?

O primeiro passo para responder a essa pergunta passa por um pequeno ajuste no calendário. É dizer: em anos pré-eleitorais, os anos políticos costumam sempre ser mais curtos. Isso porque ninguém está ligando muito para o que acontece nesse restinho de Governo, mas, sim, com o que vai acontecer de 2019 pra lá. E este ano de 2018, em especial, tende a ser ainda menor do que em outros anos pré-eleitorais.

Para todos os efeitos, o ano de 2018 começa na semana que vem. Mais especificamente, na próxima quarta-feira , dia 24. E, como você já deve ter intuído, o ano novo dará a cara mais cedo na cidade de Porto Alegre, sede do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Nele será decidido não só o destino do mais carismático líder político do país, mas também como será jogado o xadrez da sucessão presidencial.

Se Lula for absolvido, arrisco-me a dizer que o jogo estará jogado. PT e cia. vão trombetear aos quatro ventos a perseguição judicial que supostamente sofreu, trazendo para o cesto do líder das pesquisas um bom balaio daqueles que não votam hoje nele por conta do peso da espada da Justiça sobre sua cabeça. Sem que a centro-direita tenha conseguido empinar uma candidatura digna do nome, Lula flanaria impávido numa eleição que se poderia dizer resolvida antes mesmo de começar.

Se Lula for condenado, aí é que serão elas. Independentemente do que se venha a decidir sobre o início do cumprimento da pena – afinal, ninguém sabe até quando o STF vai manter a jurisprudência sobre a prisão após condenação em 2ª instância -, o fato é que Lula estará enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Logo, não poderia se candidatar a nenhum cargo, muito menos a Presidente da República.

Murmura-se nas hostes petistas uma estratégia segundo a qual Lula seguiria a ferro e fogo, mesmo debaixo de pau e pedra, com sua candidatura. A idéia seria levar a candidatura às últimas consequências, mesmo que depois viesse a ser derrubada judicialmente. Contando com a lentidão da Justiça e o próprio calendário eleitoral, os petistas acreditam que Lula só viria a ser excluído definitivamente do pleito em meados de setembro. Na antevéspera da eleição. Aí, seria o caso de decidir se Lula seria substituído por algum poste, ou se melhor seria não botar ninguém no lugar para “denunciar a ilegitimidade” da eleição.

Que é uma estratégia arriscadíssima, ninguém discute. Não só porque jamais o país viu um sujeito condenado judicialmente se candidatando a presidente, como menos ainda se viu o líder das pesquisas arriscado a ficar de fora da jogada por conta da ficha corrida. Iniciada a campanha, Lula poderia tanto derreter nas intenções de voto – porque ninguém se arriscaria a votar em alguém na iminência de ser excluído do pleito -, como poderia crescer ainda mais, amparado no discurso da perseguição. Nessa última hipótese, a Justiça Eleitoral estaria magnificamente emparedada: os ministros do TSE teriam coragem de excluir o líder das pesquisas depois do que aconteceu no julgamento da chapa Dilma-Temer no ano passado?

Para escapar dessa sinuca de bico, o mais provável é que, se Lula for condenado, aconteça algum procedimento supersônico que barre sua candidatura no nascedouro, isto é, antes de a campanha ir pra rua. Depois disso, tudo ficaria mais difícil e é incerto que o pessoal do TSE compre o risco embutido nesse cenário.

Com Lula fora do páreo, que será da eleição?

À direita, as vias parecem interditadas em favor de Jair Bolsonaro. Montado no mais tosco discurso radicalista já visto em anos, o ex-capitão do Exército conseguiu consolidar a simpatia de uma parcela expressiva do eleitorado e é no mínimo duvidoso que venha a desinflar como balão furado durante a campanha. Quem aposta nisso, como boa parte do mundo tucano, pode dar com os burros n’água.

Do outro lado, Ciro Gomes tentaria herdar parte do espólio de Lula. O problema é que petistas nunca morreram de amores pelo ex-governador do Ceará. Ainda que houvesse alguma simpatia ideológica na esquerda pelo candidato do PDT, o fato é que o patrimônio eleitoral de Lula é personalíssimo. Seria difícil transferir esse capital político para um candidato qualquer petista, que dirá para um que não reza segundo o credo do partido. Fora isso, sempre há o risco de Ciro Gomes morrer pela boca e falar alguma besteira durante a campanha que o faça afundar como pedra na água.

A grande disputa, portanto, será pelo chamado centro. Até agora, nenhum candidato apresentou-se para se assenhorar dessa parcela do eleitorado. As parcas tentativas que surgiram até o momento transitaram entre o cômico (Henrique Meirelles montado numa “recuperação econômica” que nunca vem) e o trágico (Rodrigo Maia, presidente da Câmara e novo líder do Centrão na casa). Daí os balões de ensaio de Joaquim Barbosa, João Dória e até mesmo Luciano Huck, para ver se pelo menos um destes consegue acelerar numa pista que, por ora, se encontra incrivelmente deserta.

A verdade é que ninguém sabe exatamente o que vai acontecer daqui pra junho, quando ocorrerão as convenções eleitorais. E menor ainda é a quantidade de gente que imagina o que vai acontecer até outubro, quando terminará o ano de 2018 e começará o de 2019. Espera-se, apenas, que o Brasil consiga chegar vivo até o final do ano.

Até lá, muitas emoções nos aguardam.

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