É melhor ouvir quem está de boca cheia do quem fala com a cabeça vazia.
#FicaaDica
É melhor ouvir quem está de boca cheia do quem fala com a cabeça vazia.
#FicaaDica
Primeiro nome da quarta linha da primeira estrofe.
O segredo da criatividade é saber como esconder bem as fontes.
#FicaaDica
Dois anos depois, quando Inês já está morta e enterrada, o Supremo enfim decreta a inconstitucionalidade da PEC Kamikaze.
Para surpresa de absolutamente ninguém.
Ou, pelo menos, de ninguém que acompanha o Blog.
É o que você vai entender, lendo.
Publicado originalmente em 25.7.22
Depois de uma longa e involuntária ausência deste espaço – motivada, dentre outros problemas, pela quebra da máquina com a qual digito essas mal alinhavadas linhas -, eis que retornamos com os posts regulares do Dando a cara a tapa. E, dado o largo período de privação de escrita, tantos são os assuntos acumulados que é difícil estabelecer uma escala de prioridades entre eles. O leitor amigo, contudo, certamente concordará que, no meio do caos que nos rodeia, poucos assuntos causaram tanto impacto quanto a chamada “PEC Kamikaze”.
Escrita literalmente em cima das coxas do ex-líder do governo no Senado, Fernando Bezerra, a proposta de emenda à Constituição nº. 1/2022 parece um monumento erguido à barafunda legislativa que tomou conta do país nesses últimos tempos. Poucos serão os casos em que uma proposta legislativa reunirá, a um só tempo: desfaçatez, quanto ao seu pressuposto; oportunismo, quanto à sua motivação; e inutilidade, quanto à sua eficácia.
A PEC envolve desfaçatez em seu pressuposto porque, como parece claro a qualquer néscio, não subsiste à mais perfunctória análise o alegado “estado de emergência” empregado para justificar o rol de “bondades” que ela traz. O texto da emenda constitucional estabelece claramente que o tal estado de emergência seria “decorrente da elevação extraordinária e imprevisível dos preços do petróleo, combustíveis e seus derivados e dos impactos sociais deles decorrentes”. Noves fora o fato de que os preços vêm subindo pelo menos desde o começo de 2021, já se passou quase meio ano desde que Putin resolveu invadir a Ucrânia. Se esse “atraso” não fosse o bastante, o valor do barril de petróleo, no dia de hoje, está pouco mais de 5% acima do nível em que estava em fevereiro de 2022, quando eclodiu a guerra na Ucrânia. Convenhamos, menos de 10% de aumento não é algo que possa ser caracterizado exatamente como “elevação extraordinária e imprevisível”.
A PEC envolve oportunismo quanto à motivação porque, se de fato a “emergência” era decorrente do aumento dos preços do petróleo, o que o aumento em R$ 200,00 do valor do Auxílio-Brasil tem a ver com isso? Ou a população que depende do benefício governamental está tendo problemas para abastecer os carros na garagem? Na verdade, o fato de terem enfiado na PEC uma forma de turbinar o antigo Bolsa-Família, limitando o aumento a dezembro deste ano, somente escancara de vez as pretensões eleitoreiras de quem foi responsável pela aprovação da matéria.
Por fim, a PEC é inútil quanto à sua eficácia porque dificilmente reverterá um quadro eleitoral que, hoje, desenha-se como absolutamente adverso ao Presidente da República. Tal como já foi escrito aqui, qualquer tentativa de querer transformar Bolsonaro em novo benfeitor das classes menos favorecidas esbarrará em um obstáculo intransponível: do outro lado está Lula, o “novo Vargas”, o “pai dos pobres”, o criador do Bolsa-Família. Por melhor que seja o marketing reeleitoral de sua campanha, seria necessário um mago para fazer com que Bolsonaro assumisse o lugar do torneiro bissílabo de São Bernardo no imaginário do povo carente que recebe o benefício. Nem mesmo o auxílio aos caminhoneiros ajudaria nesse quesito, repudiado que foi como “esmola” por líderes da classe. Assim como ocorreu quando foi aprovada da PEC dos Precatórios – feita para possibilitar o Auxílio-Brasil de R$ 400,00 – não há nenhuma razão para acreditar que a subida para R$ 600,00 vá causar impacto eleitoral significativo.
Todas essas questões, contudo, não dizem o pior sobre essa emenda. Se tudo isso estivesse sendo feito em um ano “normal”, a emenda seria apenas ruim. Feita nas coxas, com atropelos constrangedores sobre o regular rito legislativo e em pleno ano (re)eleitoral, a PEC representa um verdadeiro desastre para as instituições republicanas. Numa só tacada, foram enviados à lata do lixo a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei Eleitoral e o Teto de Gastos. E, com eles, explodem-se também alguns dos princípios mais caros à nossa Constituição. Se antes havia um mínimo de regras para impedir que o incumbente de turno pudesse usar a máquina a seu favor, agora, com esse “precedente” aberto, abriu-se uma verdadeira caixa de Pandora. Ou alguém imagina que, na próxima eleição, estando o presidente (seja ele quem for) em desvantagem nas pesquisas, respeitará as regras fiscais em nome da manutenção da previsibilidade fiscal e da paridade de armas na seara eleitoral?
Doravante, estaremos condenados eternamente à conveniência e à capacidade de articulação legislativa do governo de turno, para sabermos se haverá ou não outros “estados de emergência” decretados às vésperas das eleições, somente para aplacar interesses eleitoreiros imediatos, sem ligar para as funestas consequências desses atos, tanto a nível político, quanto a nível jurídico.
Uma triste página, portanto, da história desta nossa sofrida República.
E já que domingo é Dia dos Pais…
Se você não tem controle sobre a sua boca, você não tem controle sobre o seu futuro.
#FicaaDica
Saindo um pouco do agitado panorama internacional das últimas duas semanas, vamos ver a quantas anda a política neste Brasil varonil.
Com o Congresso voltando do recesso e o Governo às voltas com a crise da Venezuela, as atenções acabam se concentrando nas eleições municipais que se avizinham. Programadas para outubro próximo, nesta semana os partidos decidiram em suas convenções os candidatos que irão lutar pelo seu voto. Se você estava achando que a eleição presidencial de 2022 tinha sido o fundo do poço político da Nação, convém colocar as barbas de molho.
Orientadas pela polarização que desgraça o país desde pelo menos 2018, as convenções obedeceram a uma lógica partidária ditada pelos padrinhos mais próximos: de um lado, o incumbente, Luiz Inácio Lula da Silva; do outro, o ex-presidente que está às voltas com a Justiça, Jair Bolsonaro. No meio disso, uma população desorientada e praticamente sem escolha, dado o restrito cardápio de opções ofertadas ao eleitorado.
Em alguns lugares, é verdade, a polarização cede passo à política tradicional. É o caso, por exemplo, do Rio de Janeiro, onde o favorito é o candidato à reeleição Eduardo Paes, do PSD. A despeito de ser apoiado por Lula e, do outro lado, ter como adversário um sujeito apoiado por Bolsonaro (Alexandre Ramagem), não se pode dizer que Paes seja lulista de carteirinha, nem que a disputa esteja envenenada pela lógica do “ou é um (Lula), ou é outro (Bolsonaro)”. Esses casos, porém, são as exceções que confirmam a regra.
Na maior cidade do país, o atual prefeito, Ricardo Nunes, contra toda a história do seu MDB, resolveu se abraçar ao Bolsonarismo. À falta de uma candidatura petista competitiva, Lula resolveu tirar Guilherme Boulos (PSOL) do bolso do colete, na esperança de conseguir colocar um aliado no comando do terceiro maior orçamento da República.
A despeito de ter se rendido aos caprichos de Bolsonaro – que indicou seu vice -, seria no mínimo exagero dizer que Nunes seja um radical da mesma estirpe do ex-presidente. Talvez por isso mesmo, o dublê de coach e influencer Pablo Marçal tenha se lançado na disputa da prefeitura de São Paulo. Correndo numa faixa mais à direita do que o próprio Ricardo Nunes, Marçal parece acreditar que conseguirá conquistar corações e mentes antipetistas, de modo a tornar-se um candidato competitivo.
Como?
Oferecendo o que gente dessa laia costuma apresentar para sair do anonimato e ganhar notoriedade nas redes inssociáveis: aplicando a estratégia do “dedo no c* e gritaria”. Tal qual o Jair dos tempos de Superpop, Marçal sai atirando bobagens para todos os lados, falando coisas cada vez mais bizarras e em nível cada vez mais raso e profano, tudo com vistas a “lacrar” e ganhar likes nas redes.
É dessa “linha” de ação política que vieram, até o momento, a sugestão de que há concorrentes “cheiradores de cocaína” na campanha e a esdrúxula cerimônia de “chá de revelação” da sua vice. Pode parecer uma estratégia suicida, mas foi essa mesma tática que catapultou Jair Bolsonaro do baixíssimo clero da Câmara dos Deputados à Presidência da República. A eleição de 2018 provou, portanto, que a esculhambação é eleitoralmente rentável.
Para quem pensa que esse tipo de bizarrice se restringe a São Paulo, sugere-se um olhar mais atento ao redor. Em Fortaleza, por exemplo, o candidato do bolsonarismo atende pelo nome de André Fernandes. Ostentando no currículo um passado de “Youtuber”, André Fernandes tornou-se famoso nas redes sociais ao ensinar, na prática, como fazer depilação anal. Obviamente, agora André Fernandes renega seu passado depilante e se diz “defensor da família e dos bons costumes”.
Quem for descrente ou prefere achar que esse texto é alarmista, vale o alerta: ainda sem campanha e sem estrutura, Marçal tem 11% das preferências nas pesquisas, enquanto André Fernandes conta com 12%.
Nesse cenário, a pergunta que não quer calar é: como é que sujeitos como esse se lançam candidatos?
Como tudo na vida, também o mercado político funciona na base do sistema oferta-demanda. Nenhum partido lança semelhante candidato se não achar que ele lhe renderá votos. Figuras como Pablo Marçal e André Fernandes buscam a sorte nas urnas porque, infelizmente, há gente suficiente (até demais) no mercado eleitoral desejando candidatos como eles. Nada sintetiza melhor a profundidade do buraco em que nos metemos do que isso.
O Brasil, pois, caminha célere em direção ao abismo.
Foi ontem, mas, para não deixar a data passar em branco…
Não te falta tempo. O que te falta é prioridade.
#FicaaDica
Com as mulheres brasileiras dando show, aqui vai a justa homenagem do Blog às medalhistas brasileiras das Olimpíadas.