Trilha sonora do momento

E não pára… :-/

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Pensamento do ida

Inteligência emocional é a capacidade de mandar alguém ir à merda de tal forma que a pessoa fique entusiasmada com a viagem.

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Prioridades – III

Dona Florinda sempre foi aquela pessoa que cuidava de todo o mundio. Da tia ao sobrinho, do gato ao cachorro, praticamente nenhum membro da família deixava de estar ao seu abrigo. Não porque a família a explorasse, nem tampouco ela se sentia explorada. Os cuidados eram mais uma manifestação de afeto, dada de bom grado em troca de um sorriso no rosto e um abraço ao final do dia.

Seu temperamento, contudo, não era exatamente dos mais dóceis. Criada no interior do Ceará, Dona Florinda conhecera a fundo o que era uma a sociedade patriarcal e machista que imperava no Brasil até os anos 60. Ela não desapareceu de lá pra cá, mas se insurgir contra esse status quo deixou de ser tabu e encarado com preconceito desde pelo menos a década de 90. Por isso mesmo, sempre aprendeu a responder na lata e a não deixar que homens (logo eles!) viessem a tentar cantar de galo sobre ela.

Mãe de três filhas, Dona Florinda convocou a caçula, Gena, para levá-la ao supermercado. Não, não era para fazer as compras do mês, mas para aproveitar uma promoção de sabão líquido em um estabelecimento específico. A oferta era de um galão de 5 litros por apenas R$ 15,00. O estoque se esgotaria rápido, obviamente. Dona Florinda, contudo, ainda chegou a tempo de alcançar a quantidade de galões suficiente para encher o porta-malas da filha com a preciosa composição utilizada nas máquinas de lavar roupa.

“Pra que tanto sabão?”, deve estar se perguntando você.

Apesar de todas as filhas estarem criadas, Dona Florinda ainda mantinha por hábito lavar as roupas de todas em casa. Depois de limpas, as roupas eram passadas e devolvidas às filhas limpinhas e cheirosas. Tanto era uma forma de ajudar as filhas, como também um pretexto para estar sempre nas casas delas a visitar os netos. A disposição era tanta que até duas irmãs mais novas de Dona Florinda tinham entrado no esquema de “delivery” e despachavam a roupa suja para que ela as lavasse.

Ao chegar em casa, o problema: era preciso levar aquele sabão todo para o apartamento. Como ambas só contavam cada uma com duas mãos e como cada galão pesava pouco mais de 5kg, era preciso pedir ajuda. Muito simpática, Gena conhecia todo mundo no prédio e pediu ajuda a um dos vizinhos. Muito solícito, o vizinho imediatamente se dispôs a ajudar a subir aquele horror de sabão. Com dois galãos em cada mão, lá foi o rapaz ajudar mãe e filha.

Todavia, enquanto caminhavam para o elevador, o vizinho – que calçava sandálias – acabou por tropeçar e fazer com que o pé se retorcesse por sobre o tornozelo. Embora desequilibrado, o moço ainda conseguiu se segurar numa coluna, evitando uma queda potencialmente mais perigosa. Assustada, Gena foi logo perguntando:

“Você tá bem?!? Eu vi o teu pé virando! Torceu?!?”

Recuperado do desequilíbrio, o vizinho tratou de acalmar a amiga:

“Não, não foi nada, não. Só virei o pé, mesmo, mas não chegou a torcer”.

Assistindo impávida a tudo que se passara, Dona Florinda apenas comentou:

“Ainda bem que ele não caiu. Imagina o tamanho do prejuízo que eu ia ter se ele derrubasse esses galões!”

Sem saber onde enfiar a cara, Gena limitou-se a retorquir:

“Mas, mãe, pelo amor de Deus! O rapaz quase que quebra o pé e a senhora preocupada com o galão de sabão líquido?!?”

A velha não se deu por achado:

“Mas é claro! O que é que eu vou fazer com esse pé dele? Cada galão desses são vinte rodadas de máquina com roupa suja”.

E foi assim que o vizinho descobriu que, entre os afazeres domésticos e a sua saúde ortopédica, Dona Florinda não hesitaria em sacrificar esta última…

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Trilha sonora do momento

Haja chuva, Seu Mininu!

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Pensamento do dia

Siga seu coração, mas não se esqueça de levar o cérebro junto.

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Recordar é viver: “O Dia Internacional da Mulher”

E já que amanhã celebramos o Dia Internacional da Mulher, vamos recordar um dos primeiros posts da seção Variedades.

Porque nunca é demais homenagear aquelas que tornam muito mais prazeroso aproveitar a vida…

O Dia Internacional da Mulher

Publicado originalmente em 8.3.11

Certa vez me chamaram pra fazer um discurso no Dia Internacional das Mulheres.

Oratória nunca foi meu forte. Mas, sei lá por quê, as mulheres que estavam presentes no recinto – todas em torno de seus 40 ou 50 anos – gostaram muito do discurso. Depois do evento, uma delas veio me explicar:

“Foi a primeira vez que vi uma homenagem no Dia Internacional da Mulher que não foi igual ao Dia das Mães”.

Aí caiu a ficha. De fato, muita gente confunde as duas coisas. O dia de hoje não é uma homenagem à mulher-mãe, mas à mulher-gênero, aquela que luta para se afirmar perante nós, homens.

Bom, vou parar por aqui, se não vou acabar escrevendo outro discurso. Aí vai:

“É lugar-comum falar, no dia Internacional da Mulher, sobre o incêndio na fábrica de Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque, no qual 129 mulheres foram trancafiadas e queimadas vivas por protestarem melhores condições de trabalho.

Prefiro falar de outro evento, bem anterior, ocorrido na Roma Imperial.

Em discussão no senado, a revogação da Lei Ópia. Essa lei estabelecia um limite à posse de quantidade de ouro pela mulher e proibia-lhe o luxo no vestir. Para pressionar os senadores, as mulheres romanas fecharam as ruas que davam acesso ao Fórum Romano, numa das primeiras – se não a primeira – manifestação coletiva feminina de que se tem notícia.

Dentro do Senado, Catão discursava a favor da manutenção da lei. Dizia ele:

“Presentemente nossa liberdade, vencida por seu caráter passional, aqui mesmo, no Fórum, é despedaçada e calcada aos pés. E, por não termos sabido resistir cada qual à sua mulher, eis que agora tememos a todas. Na verdade, eu consideraria uma fábula, uma ficção, essa supressão radical, numa ilha, dos machos pelas fêmeas conjuradas, pois não existem seres dos quais possam vir maiores males se os deixamos se reunir, deliberar e manter conciliábulos”.

Como o próprio Catão disse em outra ocasião: “O Tempora! O mores!”

Esse discurso, embora antigo, reflete o estado de espírito do homem em relação à mulher ainda nos dias atuais. Criados como complementares, portam-se como antagônicos. Eis a razão: a evolução do macaco ao homem aparentemente não subjugou seu instinto de dominação. O animal ainda se sobrepõe ao humano.

O direito à liberdade de casamento, ao voto, à liberdade sexual e ao trabalho, todas essas foram conquistas impostas pela mulher ao homem. Nenhuma delas veio sem antes enfrentar a oposição ferrenha do homem. Parecia ser demais conceder às mulheres liberdade de pensamento, liberdade de comportamento e independência econômica.

Por instinto, tradição, costume ou coerência, o mesmo espírito de outrora se manifesta nos homens de hoje. O medo, o receio da impotência diante de quem pode tudo, até mesmo conceber a vida, faz cerrar olhos e mente a mudanças, fazendo com que o homem renegue aquilo que constitui a sua natureza e o diferencia dos outros animais: a razão.

Fernando Pessoa dizia que:

‘Se há algo de fato estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentada sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo própria. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro conseqüentemente.  Como, então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem?”

Essa doença é bem conhecida de todos. Chama-se machismo.

E de quem é a culpa por tudo isso?

Não olhem ao redor. Não busquem essa resposta nos compêndios de escola. Como disse Cássio a Brutus: “A culpa, meu caro Brutus, não está nos astros, mas em nós mesmos”.

Os homens, querendo escravizar, acabaram tornando-se escravos de si mesmos.

Aos homens não é permitido admitir que tenham medo. Aos homens não é permitido chorar. A eles não é permitido expressar sua própria sensibilidade. Não passam, portanto, de meio-humanos, porque suportam o peso da culpa do destino passivo ao qual eles condenam suas mulheres. Disso resulta ressentimento oculto e esterilidade do amor, algo que não ocorre entre duas pessoas que se amam, senão entre aquelas que têm entre si um elemento de exploração.

Isso tudo o homem faz na esperança de se sentir livre. Mas o homem somente será verdadeiramente livre quando as mulheres forem totalmente livres para tomar suas próprias decisões sobre suas vidas e sobre a sociedade que as cerca.

Parabéns a vocês, mulheres”.

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Pensamento do dia

Não espere muito dos outros. Nem todo mundo tem o coração bom como você.

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O “Admirável” Novo Mundo de Donald Trump, ou O fim de uma era geopolítica

Da onde menos se espera, daí é que não vem mesmo. Tal é o sentimento de quem assiste aos movimentos erráticos de Donald Trump nos últimos dias. À semelhança de um elefante numa loja de porcelanas, o Nero Laranja parece firme no propósito de desestruturar todo o sistema geopolítico estabelecido após o final da II Guerra Mundial. Para explicar melhor o tamanho da confusão em que o Laranjão está nos metendo, vamos voltar um pouquinho no tempo.

Desde antes da descoberta das Américas, as grandes potências do mundo – todas européias – digladiavam-se pelo domínio dos mares, dos continentes e, portanto, da riqueza produzida no globo. Nessa época, o mundo assistiu, sucessivamente, países como Portugal, Espanha ou Holanda brigando pelo monopólio do comércio de especiarias ou simplesmente pela produção do açúcar derivado da cana.

Com o tempo e o desenvolvimento de novas tecnologias, essa briga passou para outras coisas, como ouro e pedras preciosas. O pano de fundo, porém, continuava o mesmo: às potências coloniais importava dominar mais e mais territórios para, com isso, ganhar mais e mais dinheiro, que, por sua vez, financiaria o domínio de mais territórios. Foi com essa “metodologia”, por exemplo, que o Reino Unido tornou-se o “Império onde o sol não se põe”.

Obviamente, tudo isso não veio de graça. Uma vez que a “repartição” do mundo não se dava à margem de disputa entre as próprias potências, era essencial que elas se armassem até os dentes para enfrentar a oposição externa. Foi essa corrida armamentista que deu origem à I Guerra Mundial e, apenas vinte anos depois, à II Guerra Mundial.

O desmantelo causado pela segunda grande guerra foi tão gigantesco que as grandes potências vencedoras daquele conflito – Estados Unidos, de um lado, e União Soviética, do outro – resolveram que era preciso dar um basta nisso. Nas duas principais conferências realizadas após o fim da guerra – Yalta e Potsdam – definiu-se que o mundo seria basicamente dividido em duas zonas de influência: uma, comandada pelos americanos; outra, comandada pelos soviéticos.

Mas como essa ordem seria estruturada?

Simples: os países mais “problemáticos” – Alemanha e Japão – seriam literalmente ocupados, para que não se rearmassem e trouxessem caos de novo ao mundo. A Alemanha foi retalhada em quatro pedaços (EUA, França, Inglaterra e URSS). Já o Japão ficou sob domínio norte-americano até 1952, quando o chefe da ocupação, General Douglas MacArthur, outorgou a constituição pacifista que vigora até hoje em solo nipônico. O resto do planeta ficaria sob a proteção do bedel do seu lado (EUA ou URSS)

Obviamente, houve custos nesse rearranjo mundial. Para que nenhum desses estados se sentisse tentado a se rearmar com base na ameaça de uma invasão soviética, os americanos resolveram assumir o papel de “polícia do mundo”. Em caso de necessidade (uma invasão soviética, por exemplo), os americanos se comprometiam a entrar na parada para defendê-los. Daí as dezenas de bases americanas espalhadas pelo continente europeu e pela Ásia, inclusive com a instalação de mísseis nucleares, para fazer frente ao colosso soviético. Fora isso, criou-se um fórum mundial para discutir as coisas a nível diplomático – a famosa Organização das Nações Unidas –, de modo a pelo menos tentar evitar que o mundo se precipitasse novamente no abismo de um conflito mundial.

Pode-se reclamar da preponderância de apenas dois países e de muitas outras coisas nessa ordenação geopolítica. Um fato, porém, é incontestável: oitenta anos depois da rendição do Japão, nunca mais o mundo presenciou uma guerra a nível mundial. O que Trump está fazendo nos últimos dias, em resumo, é jogar tudo isso fora.

“Para colocar o quê no lugar?”

Ninguém sabe. Não se sabe sequer se o Laranjão possui alguma estratégia de fundo, para além da destruição pura e simples do atual sistema de governança global. Para quem olha de fora, parece simplesmente que o Nero dos nossos tempos quer simplesmente botar fogo no circo, tacar um VSF pro mundo e liberar o “cada um por si” geopolítico.

Os riscos dessa nova “era” parecem evidentes, mesmo para quem não entende bulhufas de geopolítica. Se a Rússia pode invadir um país menor em busca de expansão territorial e da posse de suas riquezas – e, ainda assim, sair impune e vitoriosa dessa empreitada -, o que impedirá, por exemplo, a China de tentar o mesmo com Taiwan? Até o último presidente norte-americano, havia a certeza de que os Estados Unidos viriam em socorro da “província rebelde” chinesa. Agora, quem pode dar essa garantia?

Sempre é bom lembrar que a metáfora da geopolítica como um “jogo de xadrez” global é bastante imprecisa. O mundo não é um tabuleiro dividido entre peças pretas e brancas. Cada “movimento” possui impactos diretos na vida do cidadão comum. As decisões que são tomadas nesse contexto vão muito além de um xeque para induzir o adversário em erro. Elas são capazes de alterar profundamente o modo como o futuro à nossa frente se constrói.

A idéia vendida por Trump de que os Estados Unidos vêm sempre em primeiro lugar e agora é cada um por si pode até render um bom slogan de campanha, mas pode muito bem voltar-se como um bumerangue contra os próprios interesses norte-americanos. Se ninguém pode mais confiar nos Estados Unidos como aliados, quem vai voltar a fazer negócio com eles? O tratamento ora dispensado a México e Canadá desaconselha qualquer país com o mínimo de senso a se aproximar dos americanos.

No fim das contas, as mudanças que Donald Trump está trazendo para a geopolítica não são só uma questão de política interna norte-americana. Assim como previsto aqui, elas são um sinal de que estamos entrando em uma nova era, de caos e desordem. E a pergunta que fica é: estamos preparados para essa nova ordem global?

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Trilha sonora do momento

Paciência…🤷🏻‍♂️

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