Pensamento do dia

Ao que tudo indica, ficar quieto e na sua não é o suficiente para que as pessoas te deixem quieto e na sua.

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Trilha sonora do momento

E com a morte do Lô Borges, deixo-vos com esse clássico dele, na versão de Flávio Venturini.

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Pensamento do dia

Treinando braço, porque se em 2026 as portas não abrirem, eu vou abrir na porrada.

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Recordar é viver: “O verdadeiro Custo Brasil”

Com o noticiário da semana tomado pelo sangue derramado na desastrosa operação no Rio de Janeiro, talvez seja uma boa hora pra recordar um post do começo da década passada, no qual se aborda o aspecto econômico da violência.

É o que você vai entender, lendo.

O verdadeiro Custo Brasil

Publicado originalmente em 5.6.13

Um dos temas mais batidos pela imprensa, pelos políticos e pelas mesas de bar do país é o tal do “Custo Brasil”. No baralho político-econômico nacional, o Custo Brasil faz as vezes de coringa. Os alimentos estão muito caros? Culpa do Custo Brasil. A balança comercial é deficitária? Culpa do Custo Brasil. O país não consegue crescer a taxas asiáticas? Custo Brasil de novo.

O grande problema é que ninguém consegue transformar essa entidade etérea denominada Custo Brasil em algo palpável. Ora se fala na falta de infraestrutura, ora se fala na alta carga tributária. Há ainda quem reclame do excesso de burocracia e do emaranhado normativo para investir e fazer comércio. Ninguém explica, contudo, porque países com menos infraestrutura do que a nossa – como a Índia – e carga tributária infinitamente mais elevada – como a Suécia – não se deparam com semelhantes problemas. Ou, se se deparam, ninguém os embrulha em um só pacote e os transforma na Geni do país.

Curiosamente, um dos maiores problemas do país fica de fora desse embrulho disforme chamado de Custo Brasil. Sim, ninguém nega que a violência é uma grande mazela. Mas são raros os economistas ou políticos dispostos a “precificar” o seu custo. Quanto nós pagamos a mais por cada produto em razão da insegurança reinante no Brasil?

Imagine, por exemplo, uma lojinha de confecções. Antigamente, ela ficava no centro da cidade. Depois de 15 assaltos e ver sua clientela evitar a área por conta da violência, o dono da lojinha tem duas opções: fechar as portas ou se mudar para um shopping. O problema, claro, é que o aluguel de uma loja em um shopping é muito mais caro do que uma loja no centro da cidade. Por quê? Bem, fora a ambientação (ar condicionado, decoração, etc.) e as facilidades (estacionamento, praças de alimentação, etc.), paga-se no shopping pela vigilância armada. Hoje, é possível que este seja o principal fator a atrair a clientela. Sem segurança para andar na rua, ao cidadão comum só resta ir para onde exista gente com armas fazendo a ronda.

Do ponto de vista da manutenção da clientela, o problema está resolvido. Como não existem almoços grátis, o preço do aluguel forçosamente será repassado para o custo das mercadorias. Se antes a lojinha no centro da cidade cobrava R$ 20,00 por uma camisa de malha, a mesma lojinha no shopping cobrará uns R$ 40,00. Do ponto de vista econômico, portanto, a simples mudança de local impactou diretamente o preço final da mercadoria, mesmo sem ser – ao menos em tese – elemento da cadeia produtiva da camisa de malha.

Obviamente, esse é um exemplo banal. Mas é só parar pra pensar: bancos, supermercados e até salões de beleza hoje se sustentam à base de segurança privada. Embora você não perceba de forma imediata o impacto do custo dos vigilantes – nenhum desses estabelecimentos, por razões óbvias, divulga quanto gasta com segurança -, está pagando por eles, seja na forma de tarifas, seja no de preços das estantes ou em quanto você gasta para fazer as unhas. Se não houvesse a necessidade de contratação de segurança privada, cada um desses preços seria proporcionalmente menor.

Além disso, há ainda custos “invisíveis”, representados pelo próprio modo de a sociedade se adaptar ao tamanho da violência que vivencia. Por exemplo: numa cidade que disponha de um razoável sistema de transporte público mas um grande índice de violência, o sujeito certamente preferirá se deslocar com automóvel particular do que de ônibus. Quanto se gasta a mais com a gasolina do carro?

Pra piorar, há ainda os danos indiretos à qualidade de vida do povo. Com menos segurança para usar transporte público, o gasto calórico ordinário de cada dia tende a decrescer. Como a insegurança não permite atividades ao ar livre para compensar a sedentariedade adquirida com o deslocamento por carro, o sujeito tem de pagar por uma academia particular (na qual, obviamente, está incluído o preço da segurança). Quem não pode pagar por uma, tende a engordar. Aumenta-se, assim, o índice de obesidade da população. Uma população mais obesa tende a frequentar mais os hospitais. Consequentemente, aumentam o gasto dos planos de saúde e dos governos com tratamentos médicos.

Por tudo isso, arrisco-me a dizer que, hoje, o principal componente do Custo Brasil é a violência. Sem a resolver, tratar do resto será apenas perfumaria.

E embromação eleitoral, claro.

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Trilha sonora do momento

E já que hoje é dia de Halloween…

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Pensamento do dia

Ter coragem para querer coisas melhores na sua vida é a melhor forma de exercitar a autoestima.

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O populismo bárbaro da extrema-direita, ou Analisando objetivamente a operação no Rio de Janeiro

Da onde menos se espera, daí é que não vem mesmo. Tal é a sensação de quem acompanha o noticiário desde a fatídica operação que matou mais de 120 pessoas no Rio de Janeiro. Se a semana começou com o gosto amargo de sangue na boca com a matança indiscriminada numa ação policial que já é a mais letal da história do país, ela termina com claro avanço das hostes bárbaras, como se o que ocorreu na antiga capital federal fosse algo a ser celebrado.

Nas redes insociáveis da extrema-direita, o discurso do “bandido bom é bandido morto” adquiriu diversas variantes, mas todas conduzem a um só resultado: a barbárie. Como se adotassem um conceito facínora do pensamento de Ivan Karamazov, uma vez que Deus abandonou estas plagas há muito tempo, tudo está permitido. No limite, dane-se o bandido morto.

Deixemos de lado o fato de que, há mais de trinta anos, esse mesmo “método” vem sendo aplicado, com os resultados que estão aí. Deixemos de lado o fato de que a nossa Constituição não autoriza pena de morte, salvo em caso de guerra declarada. Deixemos de lado até a questão de que ninguém sabe ao certo se os 120 mortos eram de fato bandidos ou não. A pergunta é: como classificar objetivamente essa operação?

Do lado do populismo barato da extrema-direita, “argumenta-se” que não se prende bandido “com flores”, nem se entra numa favela “pedindo licença”. Verdade. Falta explicar, contudo, como essa mesma polícia – em coordenação com as Forças Armadas – conseguiu tomar dezenas de favelas, expulsando centenas de traficantes, na época das UPPs, sem a mesma quantidade de vítimas de agora. Ou, ainda, da prisão do assassino do jornalista Tim Lopes, Elias Maluco, na favela da Grota, com um total de zero mortes.

De acordo com a polícia, o objetivo da operação era cumprir cerca de 80 mandados de prisão contra lideranças do Comando Vermelho entocados nas favelas do Alemão e da Penha. Dessas, a principal era Edgar Alves de Andrade, o “Doca”. Doca foi preso? Não. Por quê? Segundo a própria polícia, porque a operação vazou. Quem vazou? Ninguém sabe.

Se o objetivo não era tomar território, já à partida a “estratégia” de guerra campal a céu aberto não faz sentido. Se o objetivo da operação era realmente cumprir mandados de prisão, não há como classificar senão como desastre o que aconteceu. Uma operação desse tipo deve ser cercada de toda uma preparação de inteligência, de modo que os bandidos sejam presos – até para que se possa obter mais informações deles – e nenhum policial morra. Nessa, morreram quatro policiais, número inaceitável para uma operação desse tipo.

Diz-se que o Comando Vermelho construíra “hotéis” na favela para abrigar faccionados do Brasil inteiro, e que o objetivo da operação era prender essa galera. Beleza. Considerando que isso seja verdade, a polícia sabia: 1) onde estavam os “hotéis”; e 2) quem estava “hospedado” neles. Com essas duas informações em mãos, se a polícia preferiu não fazer uma estratégia de cerco e mirar cirurgicamente os pontos em que estavam os criminosos, bem… aí o problema foi de quem “planejou” a operação.

Objetivamente, portanto, pode-se afirmar desde logo que: 1) a estratégia utilizada pela polícia foi errada; 2) não se sabe por qual razão, mas voluntariamente a polícia resolveu seguir uma linha de ação que colocou muito mais gente – inclusive os próprios policiais – em perigo; e 3) nenhum resultado prático foi atingido, salvo enxugar gelo.

Haverá, claro, quem ainda prefira celebrar a morte dos meliantes (sem saber, ainda, quantos dos 120 de fato eram bandidos). Tudo bem. É a mesma galera que celebrou a ação da polícia de São Paulo, quando invadiu um presídio em 1992 para acabar com uma rebelião. No massacre do Carandiru, morreram 111 presos (que, ao contrário destes de agora, tinham sido julgados). Em resposta, algum tempo depois os encarcerados de São Paulo resolveram criar uma espécie de “sindicato” para se defenderem da ação ilegal do Estado.

Seu nome?

Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Trilha sonora do momento

Não é 3 de outubro, mas é dia 30.

E o contexto, convenhamos, não é muito diferente….

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Pensamento do dia

Você vai sofrer de qualquer modo. Já que é assim, sofra com coisas que valham a pena.

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Trilha sonora do momento

Tem horas em que só o Gil salva.

Gente estúpida!

Gente hipócrita!

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