Trilha sonora do momento

E hoje nos deixou o grande Lalo Schifrin, possivelmente o mais brasileiro dos argentinos.

Para quem não o conhecia, aí vai a mais famosa dele…

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Pensamento do dia

Vida perfeita só existe em dois lugares: na imaginação das pessoas e nas redes sociais.

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País à deriva, ou Parlamentarismo bastardo – Parte II

Não foi por falta de aviso.

Sem base sólida, presidindo um governo francamente minoritário e sem a menor paciência para o rame-rame diário da política ordinária (nos sentidos denotativo e conotativo da palavra), Lula viu ontem mais uma vez seu governo ser atocaiado pelo Congresso. Descumprindo um acordo firmado com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente da Câmara, Hugo Motta, convocou uma sessão da Câmara para derrubar o decreto governamental que aumentar as alíquotas de IOF. Numa tabelinha com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Motta mostrou o tamanho da desconexão entre o Executivo e o Legislativo, ao amealhar quase 400 votos pela derrubada do decreto. No Senado, a votação foi simbólica.

E agora?

Do ponto de vista jurídico, a decisão não se sustenta. De acordo com o art. 49, inc. V, da Constituição Federal de 1988, cabe ao Congresso Nacional “sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”. No caso do IOF, a própria Constituição prevê que o Executivo possa, por meio de decreto, alterar as suas alíquotas (art. 153, §1º, CF/88). A menos que o decreto tratasse de outra coisa que não alteração de alíquota, não há o menor cabimento em ver o Congresso anular uma decisão soberana do Presidente da República.

Dado o contexto político atual, é difícil imaginar que o Governo venha a judicializar a questão. Não só porque a relação com o Congresso já está demasiadamente esgarçada – uma ida ao STF seria vista como drible ao Congresso -, mas também porque o Supremo, às voltas com o julgamento da cúpula do golpe , não se encontra com capital político sobrando para gastar numa contenda que não é propriamente sua.

Fazer o quê, então?

Rebobinar a fita não vai adiantar muito a essa altura do campeonato. Lula poderia ter deixado outra pessoa que não Gleisi Hoffmann para lidar com os abutres do Congresso. Poderia, também, ter deixado Geraldo Alckmin como responsável pela gerência da quitanda enquanto flana pelos fóruns mundiais. Poderia, pelo menos, ter se certificado da mínima fidelidade dos partidos do Centrão antes de sair por aí distribuindo ministérios, cargos e prebendas para eles.

Resta, agora, partir para o embate. Lula não tem outra alternativa. Seu governo falhou miseravelmente em construir um sucessor natural para o babalorixá petista. Provavelmente por ego, certamente por hesitação, Lula praticamente empalhou em seu ministério alguns dos nomes mais óbvios que poderiam estar na prateleira para servir de opção em 2026. Tebet desapareceu. Alckmin idem. Marina só aparece quando atacada pelo “ogronegócio” numa sessão do Senado. Camilo Santana ainda não mostrou a que veio no MEC. Enquanto isso, a grande estrela da companhia, Fernando Haddad, parece ter carimbado na testa para sempre o apelido de “Taxad”.

O que sobrou pra Lula agora é fazer a tão famosa “luta política”. O primeiro passo pra isso é dar nome aos bois. Se o Congresso quer impedir o aumento do IOF em nome da “pauta fiscal”, muito bem. Para ser coerente com essa “agenda”, Lula deve vetar o aumento indecoroso do número de deputados para 531, numa pauta tão corporativista quanto cínica, patrocinada pela cúpula congressual.

Para além disso, deve ir pro pau na questão das emendas. Bloqueá-las tão-somente não vai resolver a questão. São mais de R$ 50 bilhões, boa parte escorrendo pelos desvãos da corrupção e da malandragem. Lula tem que ir à TV e à redes sociais denunciar que o mesmo Congresso que fala em “cortar custos” defende como um time retranqueiro suas verbas paroquiais. Ao mesmo tempo, seria bom também o Supremo jogar luz sobre os inquéritos já abertos para apurar os malfeitos nessa seara. Uma coisa é a população imaginar que a roubalheira nesse quesito é grande. Outra, bem diferente, é identificar nominalmente quem e quanto foi roubado.

Agora, se Lula quiser continuar passeando pelo mundo com a primeira-dama, sem gastar saliva nem pestana com a desgraceira que corre aqui dentro, bem… aí, paciência. Quando um Bolsonaro ou outro proxy qualquer ganhar a eleição do ano que vem, não vai adiantar chorar. Ao olhar ao redor em busca de um responsável pela derrota, alguém deverá lhe fazer o favor de mostrar um espelho. É no seu reflexo que ele encontrará o culpado.

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Trilha sonora do momento

Se gritar pega Centrão…

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Pensamento do dia

Saudade é o preço que você paga por gostar de alguém.

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Trilha sonora do momento

Foi ontem, mas, para não perder a tradição…

E o nome dela é Gal.

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Pensamento do dia

A vida não tá nem aí pro teu planejamento.

#FicaaDica

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Dos xás aos aiatolás: uma breve história do Irã

Já que agora falar do Irã virou moda (não pelos melhores motivos, é fato), vamos retomar nossa velha e querida seção de História para que os 123 seguidores deste espaço possam argumentar com mais profundidade sobre (mais um) imbróglio que se desenrola na antiga Pérsia.

Assim como quase tudo no Oriente, a história do Irã representa milênios de uma civilização única. Conhecido como Pérsia até 1935 – ou seja, até ontem, em padrões cronológicos -, o território por ele representado sobreviveu às conquistas de Alexandre, o Grande, às invasões árabes, aos turcos e até os mongóis. Durante todo esse tempo, mantiveram a língua e a rica cultura como manifestações concretas da identidade nacional. No grande cisma do islamismo, escolheram abraças o xiismo contra o sunismo no século XVI, já que o sunismo era expressão de outro grande império da época, o Império Otomano.

O problema, como você mesmo pode intuir, foi quando descobriram que em suas terras havia petróleo. Aí a porca entortou o rabo. Rússia e Reino Unido, duas grandes potências do começo do século XX, dividiram o território persa em duas zonas de influência, passando por cima das autoridades locais. Com o fim da II Guerra Mundial, a débâcle da Grã-Bretanha devastada pelo bombardeio alemão acabou precipitando um processo de independência em toda a região. O Irã, obviamente, não fugiu à regra.

Governado desde antes da independência por uma dinastia política que tentava se vincular à herança do antigo Império persa, assumiu como primeiro-ministro do Irã, em 1951, um sujeito chamado Mohammad Mossadegh. No contexto dos anos 50, nacionalizar as empresas de petróleo era a vibe (não nos esqueçamos da nossa famosa campanha O Petróleo é Nosso!, da mesma época). No caso dos países do Oriente Médio, tratava-se não só de uma moda, mas de uma questão de sobrevivência. Mossadegh entendeu bem isso e partiu para nacionalizar a Anglo-Persian Oil Company.

Como vocês podem imaginar, os britânicos não gostaram muito da idéia. Ajudados pelos Estados Unidos, o Reino Unido impôs um bloqueio econômico ao país. Como desgraça pouca é bobagem, os dois serviços secretos anglófonos – CIA e MI6 – arquitetaram um golpe de Estado em 1953. A idéia foi a de sempre: semear o caos para, no meio da confusão, dar um golpe. Maquiavelicamente, o plano deu super certo. Mossadegh foi preso e, em seu lugar, o xá Reza Pahlevi deixou de ser rainha. da Inglaterra e passou a ser ditador de facto do país, embora todo mundo soubesse que o xá era apenas uma figura teleguiada a partir de Londres e Washington.

À primeira vista, a chamada “Revolução Branca” parecia popular. O xá aboliu o véu imposto às mulheres pela lei islâmica, permitiu-lhes a educação e – suprema heresia – até o trabalho. Nos porões do regime, contudo, o pau comia. Gente que ficou de fora da festa, assim como os conservadores islâmicos, não ficaram nada satisfeitos com essa “ocidentalização” do povo persa.

Para piorar, o xá achou que seria uma boa gastar a grana do petróleo numa festa para comemorar os “2500 anos do Império Persa” (essa, pelo menos, era a propaganda e a justificativa oficial do banquete). Com menu concebido pelo Maxim’s de Paris, o xá organizou aquele que viria a ser conhecido como maior regabofe da história. 15 mil árvores foram importadas da França, enquanto 50 mil pássaros trazidos da Europa para ornamentar a festa morreriam dias depois sob o intenso calor de Teerã. Convidados do mundo inteiro puderam se deliciar com faisão recheado com foie gras e trufas frescas da Provence, enquanto bebiam Château Lafite 1945 e champagne Dom Pérignon 1959.

Com o tempo, a raiva foi se acumulando até que, em 1979, uma revolução pôs abaixo a ditadura do xá. Em seu lugar, assumiu outra ditadura (ou uma teocracia, como queiram), liderada por um clérigo xiita que vivia no exílio: o aiatolá Khomeini.

A Revolução Islâmica teve como alvo, claro, o “Grande Satã”, também conhecido como “Estados Unidos da América”. Quando os americanos aceitaram receber o xá exilado para um tratamento médico em Nova York, o caldo entornou de vez. Khomeini tocou as trombetas, denunciando o recebimento de Pahlevi como parte de uma conspirata visando a um futuro novo golpe no Irã. Em fúria, alguns estudantes e rebelados – convenientemente não reprimidos pelas forças policiais iranianas – invadiram a embaixada norte-americana em Teerã. Tinha início a crise que culminou com o esgarçamento definitivo das relações entre Estados Unidos e Irã.

Os iranianos diziam que só libertariam os reféns caso os Estados Unidos deportassem Pahlevi para ser julgado no Irã. Alguns funcionários da embaixada conseguiram fugir. Algum tempo depois, eles foram repatriados às escondidas, numa operação retratada de forma alegórica no filme Argo. Os reféns restantes permaneceram presos na embaixada. A crise foi tão grande que fulminou a campanha à reeleição de Jimmy Carter. O acordo para libertação dos reféns só foi assinado dois anos depois, em 1981, já com Ronald Reagan como inquilino da Casa Branca.

Nesse meio tempo, como forma de vingança, os americanos acharam que seria uma boa idéia apoiar um país vizinho, de maioria sunita, para lutar contra o Irã. Seu presidente? Um sujeito chamado Saddam Hussein. Nascia, assim, a Guerra Irã-Iraque, que duraria oito anos (1980-1988) e custaria um milhão de mortos. Dois anos depois, endividado e embriagado pelo poder de ter se tornado a maior potência bélica da região, Saddam usaria as mesmas armas fornecidas pelos americanos para invadir o Kwait. A Guerra do Golfo não foi a mais sangrenta, mas provavelmente foi a mais irônica da história moderna.

De lá pra cá, toda a vez que os americanos resolveram meter o dedo no Oriente Médio, o resultado foi desastre. Foi assim com a invasão do Iraque. Foi assim com a invasão do Afeganistão. Vinte anos depois, os americanos parecem não ter aprendido nada. Só isso explica o bombardeio às instalações nucleares iranianas. Não importa que tenham feito isso para supostamente “salvar” Israel da ameaça atômica. Nenhuma paz é possível ou sustentável se for montada com base na força das baionetas. Somente um acordo que permita aos iranianos levantarem as sanções econômicas mediante o compromisso de inspeção de suas instalações nucleares pode resultar numa paz duradoura. Com os bombardeios da semana passada, tudo isso está mais longe.

Nesse contexto, é curioso observar que persas e judeus – hoje inimigos declarados – fazem parte da história um do outro, e não de uma forma desagradável. Afinal, foi Ciro, o rei da Pérsia, que entrou para a história – inclusive bíblica – como herói dos judeus, ao libertá-los do cativeiro da Babilônia.

Como diria Morpheus: fate, it seems, is not without a sense of irony.

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Trilha sonora do momento

Tô nessa vibe.

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Pensamento do dia

Às vezes algo está tão claro que acaba cegando a gente.

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