A pessíma programação da TV brasileira

Não é segredo pra ninguém meu baixo conceito sobre a imprensa nacional. Salvo algumas honrosas exceções, o nível técnico dos jornais, revistas e periódicos nacionais é muito baixo. Poucas reportagens dignas do nome são produzidas. E, quando isso acontece, normalmente se perdem numa perspectiva ideológica enviesada, claramente distorcida pelos interesses do patrocinador de plantão. Isso, claro, para não falar dos assaltos à língua lusitana, cada vez mais comuns nos jornais de hoje em dia.

Ao lado da queda de qualidade, estão também a queda na circulação de jornais impressos e dos índices de audiência na TV aberta. Ano sim, o outro também, a quantidade de gente disposta a comprar jornal ou assistir à programação das principais redes só conhece um caminho, e ele se direciona ladeira abaixo.

Um observador mais apressado atribuirá uma coisa à outra, isto é, a diminuição da qualidade resulta diretamente na queda dos índices de audiência, especialmente na TV aberta. Haverá ainda quem indique a presença de outros fatores como a popularização da TV a cabo e, obviamente, a troca da TV pela Internet. No entanto, há outro fator que aparentemente passa ao largo das observações críticas sobre a TV brasileira: a péssima programação das redes abertas.

À exceção dos telejornais, são raríssimos, quase inexistentes, os programas da TV aberta destinados a educar ou instruir o público. Quando existem, passam em horários proibitivos para a maioria da população, como os telecursos, que começam às 5 da manhã. Mesmo programas que não são propriamente educativos, mas que estimulam o debate, como o de Serginho Groisman, passam a Altas Horas na madrugada. O resto da grade é preenchida basicamente como entretenimento, seja na forma de novelas, seja na forma de filmes, seja mesmo na forma de competições esportivas.

Pra piorar, é cada vez mais popular a “endoprogramação” na TV brasileira. É dizer: cada vez mais se faz programas sobre os próprios programas da emissora. Veja-se o caso da Rede Globo. Antigamente, a endoprogramação encontrava-se restrita ao Video Show. Hoje, quando uma novela é lançada, um mesmo ator é capaz de aparecer nele, no Programa da Fátima e ainda dar uma entrevista à noite no Programa do Jô. Isso, claro, para não falar das indefectíveis aparições dominicais no Domingão do Faustão. Tudo isso para alavancar o sucesso da nova atração da emissora.

À primeira vista, pode parecer uma estratégia inteligente. Afinal, usa-se a própria grade para aumentar os índices de audiência das atrações televisivas. À segunda vista, no entanto, a estratégia revela-se uma grande furada. O aparecimento constante dos mesmos personagens em horários distintos da programação acaba conduzindo à saturação da audiência. Ninguém mais vai querer ver a figura. Se o sujeito estiver na sala zapeando os canais e cair na Globo, ao ver de novo o mesmo sujeito falando sobre o novo papel na penúltima novela da emissora, vai logo dizer: “Ah, esse cara de novo, não!” E trocará de canal.

Fora isso, mesmo os programas de entretenimento têm caído de qualidade numa velocidade assustadora. Foi-se o tempo em que todo mundo jantava, tomava banho e esperava a novela acabar para assistir ao humor revolucionário de Casseta & Planeta. É por essas e outras que personagens como os do programa Porta dos Fundos fazem cada vez mais sucesso na Internet. Com seu humor inteligente e sarcástico, conseguem atrair audiência de grande quantidade de espectadores, mesmo sem estarem vinculados a nenhuma rede televisiva.

Ou as televisões abertas se dão conta de que ficaram para trás na guerra pela audiência e começam a levantar e sacudir a poeira para darem a volta por cima, ou daqui a alguns anos só haverá TV a cabo e Internet. É pagar pra ver.

Esse post foi publicado em Variedades e marcado , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para A pessíma programação da TV brasileira

  1. Pingback: A alienação das redes abertas, ou A péssima programação da TV brasileira – Parte II | Dando a cara a tapa

  2. clauemir araujo disse:

    A TV brasileira, precisa de uma urgente reciclagem, nao so nas suas programacoes, bem como nos seus “artistas”. Falta um espaço nas colunas sociais, para que os telespectdores, expressem suas opinioes sobre as programacões e as atuações dos artistas. Veja bem, quem tem “saco” para assistir Marcos Mion e seu clone aspone, Alexandre Frota, Latino, Amin Kader, “transando com Laerte, Ery jhonson, Dado Dolabela, Reality “A casa”, Zorra total, Mr. Braum, Super Pop, Luciana Gimenez, Lazaro Ramos, a enxurrada de MCs, Francis Cuoco e muitos outro, que de tao ruins nao guardamos o nome.
    Como de staque, assistam :Transando com Laerte” e o que pode ter de mais ruim na TV(canal brasil)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.