A composição química no Universo, ou A formação da Terra

Tirando a ferrugem das polêmicas que costumam dar as caras neste espaço, vamos retornar a um dos temas mais sensíveis do Blog: a criação do Universo.

Para a quase totalidade da comunidade científica, o Universo começou a partir de uma explosão de uma sopa primordial de partículas, dando origem a toda a matéria nele existente, em um evento conhecido como “Big Bang”. Até aí, nada de mais, pois todo mundo já tem certa noção do que ela trata. A questão é que o Big Bang traz consigo alguns outros problemas. E o primeiro deles diz respeito à composição química do Universo.

Em praticamente todas as observações possíveis, chega-se a um consenso de que Universo é composto basicamente por hidrogênio (75%) e hélio (24%). Logo depois do Big Bang, houve um processo denominado por “núcleossíntese primordial”. Como o processo conduziria inevitavelmente à formação de elementos mais simples e mais leves, eis que ficamos rodeados por hidrogênio e hélio. No entanto, como explicar a infinidade de elementos químicos mais complexos já identificados na nossa tabela periódica?

Quanto a isso, existe relativa paz doutrinária. Todos os cientistas concordam que, nas estrelas do Universo, mais especificamente no núcleo delas, ocorre um processo similar ao que ocorreu durante o Big Bang: núcleos de elementos mais simples são fundidos pela gigantesca pressão gravitacional e o calor das estrelas para formar novos elementos, mais complexos do que os predecessores. A isso se chama “nucleossíntese estelar”. E é desse processo que surgem, por exemplo, o silício, o ferro, o oxigênio e o nosso tão necessário carbono.

A grande questão é: como foi que esses elementos chegaram à Terra e, eventualmente, aglomeraram-se para formar toda a vida ao nosso redor?

É aí que a porca entorta o rabo. Sabe-se que, ao explodirem, as estrelas moribundas lançam toda a matéria nela existente – principalmente os elementos químicos mais complexos pelo espaço. Para alguns cientistas, esses elementos reuniram-se ocasionalmente na Terra e permitiram a formação do DNA e, depois, da própria vida. Lawrence Krauss, por exemplo, escreveu um livro cujo título é: Forget Jesus – The stars died so you could be here today (Esqueça Jesus – As estrelas morreram para que você estivesse hoje aqui).

Trata-se de uma explicação satisfatória em termos de origem dos elementos químicos, mas ela tem dificuldades para se coadunar com a escala cronológica do espaço. Explico.

Há consenso científico de que o Universo tem alguma coisa entre 13,5 e 14 bilhões de anos de idade. Também há consenso sobre a idade do nosso sistema solar (5 bilhões) e de nosso próprio planeta (4,5 bilhões). A questão é: haveria tempo suficiente para que os elementos químicos mais complexos se formassem no interior das estrelas, explodissem, se espalhassem pelo Cosmos, para depois se reagruparem em sistemas solares como o nosso?

Essa é uma questão difícil de responder. Nossa estrela-mãe, o Sol, tem 5 bilhões de anos e ainda deve ter mais 5 bilhões de vida pela frente. Portanto, estrelas como ela não podem ser a origem dos elementos existentes em nosso planeta.

Argumenta-se, em sentido contrário, que o grosso dos elementos químicos mais complexos é produzido em estrelas com milhares de vezes a massa do nosso Sol.  Essas estrelas, por sua vez, tem expectativa de vida bem menor do que o nosso Sol, em torno de uma centena de milhões de anos; tempo suficiente para que explodissem e voltassem a se reunir em coisas como nosso planeta.

Será?

A estrela mais antiga já observada tem 13,2 bilhões de anos. Do outro lado, sabe-se que o nosso Sistema Solar tem 5 bilhões de anos. Entre as duas coisas, 8 bilhões de anos. Levando-se em consideração a média de uma explosão Supernova a cada centena de milhões de anos, haveria em torno de 80 a 100 explosões desde a formação das primeiras estrelas até o surgimento do nosso Sistema Solar. Pouco, muito pouco para justificar tamanha “sorte” de reunir tanta coisa em um único lugar.

Obviamente, pode-se argumentar que o Universo compreende trilhões de estrelas, em bilhões de galáxias, o que tornaria a hipótese um tanto menos improvável. Mesmo assim, é difícil acreditar que somente o acaso tenha justificado a reunião formidável de tantos elementos complexos em um especial e abençoado “pálido ponto azul no espaço”.

A formação do Universo e do nosso planeta continua sendo, portanto, um grande mistério.

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3 respostas para A composição química no Universo, ou A formação da Terra

  1. Lucas Santos disse:

    gostei, de fato, concordo… também tenho o mesmo analise da vida no universo.

  2. Lucas Santos disse:

    também tenho a mesma visão e opinião do surgimento da vida no universo.

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