Os vícios de escrita

Muita gente – e a coisa parece cada dia pior no mundo jurídico e na imprensa – costuma escorregar em certos erros gramaticais e de ortografia. De tão repetidos, alguns erros ganharam a linguagem corrente e ninguém mais se toca de que são erros, de tão inocentes que são.

No entanto, em textos técnicos, e principalmente em apresentações públicas, convém sempre evitar esse tipo de erro. Primeiro, porque é erro e, de certo modo, você estará ajudando a disseminá-lo. Segundo, porque sempre pode aparecer um cara mais chato e te detonar, acusando-o de “ignorante”.

Pensando nisso e no bom uso do vernáculo, vou citar aqui cinco erros clássicos, extremamente disseminados, para os quais a língua pátria sempre oferece uma solução elegante:

1 – “Elencar” e “listar”: neologismo clássico. Deriva do substantivo “elenco”. Por isso, alguém resolveu criar o “elencar” para dar início a uma seqüência ordenada em um texto qualquer. Mas o verbo não existe.  O mesmo se aplica ao “listar”, derivado do substantivo “lista”. Em seu lugar, use “enumerar”, “relacionar”ou “enunciar”.

2 – “Afirmativa”: bom, esse lá não é bem um erro. Muitos dicionários o reconhecem como sinônimo do substantivo “afirmação”. No entanto, o melhor português recomenda restringir o uso de “afirmativa” como adjetivo, em frases como: “Essa é uma ação afirmativa”. Para os outros casos, prefira “afirmação”. “Qual afirmação abaixo é a correta?”

3 – “A nível de de”: o maior, o mais tosco e o mais famigerado dos erros. Curiosamente, a proporção de “a níveis de” aumenta à medida que o interlocutor se acha “muito culto”. O correto seria “em nível de”. Mesmo assim, evite essa expressão. Prefira algo mais direto. Seu texto certamente não precisará dela.

4 – “Antártida/Antártica”: problema que voltou à moda desde o incêndio na base brasileira no continente gelado.  “Antárdida” é o nome do continente. “Antártica” é o adjetivo correspondente. “A base antártica do Brasil” ou “O continente antártico”, por exemplo. Ou, é claro, o refrigerante ou a cerveja.

5 – “Xeque/Cheque”: curiosamente, um erro que tenho visto repetidamente em vários blogs e em textos de colunistas. “Cheque” é o título de crédito assinado pelo emitente contra o sacado (o nosso famoso “voador”). “Xeque”, ou, mais precisamente, “colocar em xeque”, é a ação enxadrística pela qual uma peça ameaça o rei adversário. Por isso, “Fulano colocou seu argumento em xeque”, e nunca “Eu dei um cheque nele”.

São coisas simples, eu sei, mas que acabam passando despercebidas no dia-a-dia. De vez em quando, convém revisitar os dicionários e os clássicos da literatura portuguesa para “purificar” o seu texto.

Porque escrever é preciso…

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