Os dias mais importantes da sua vida são dois: quando você nasce e quando você descobre o porquê.
By Mark Twain
Os dias mais importantes da sua vida são dois: quando você nasce e quando você descobre o porquê.
By Mark Twain
Com a volta do “menino Neymar” (risos) para o Santos Futebol Clube, para envergar a imortal camisa 10 do Rei Pelé, talvez valha a pena relembrar um post de seis anos atrás sobre a figura, quando muito do que se passou dali em diante já estava desenhado.
É o que você vai entender, lendo.
Publicado originalmente em 5.6.19
Da onde menos se espera, daí é que não vem mesmo. Tal é a conclusão a que se chega depois de ver o “menino” Neymar envolvido em mais uma “polêmica” (pode me chamar de “acusação de crime”, mesmo).
Neymar da Silva Santos Jr. começou nas categorias de base do Santos em 2002. Durante oito anos, o menino – naquela época, o epíteto valia – foi lapidado na mítica Vila Belmiro. Ela, que já relevara o maior jogador de futebol de todos os tempos, parecia destinada a reencarnar a aura dos anos 60 e fazer com que o jovem atacante revivesse os áureos tempos em que o país parava para assistir aos jogos da seleção (hoje, joga-se um amistoso contra o Qatar ao qual ninguém vê).
Ao lado de Ganso, Neymar conseguiu trazer uma lufada da esperança para quem já havia perdido a fé na mágica do escrete canarinho. Longe iam os dias em que os mais incautos acreditavam que Kaká, Adriano ou Ronaldinho Gaúcho conseguiriam levar nosso time de volta ao estrelato. Entre polêmicas, mau gerenciamento da carreira e o evidente hype de uma imprensa acostumada a supervalorizar nossos atletas, a seleção brasileira ia de mal a pior.
Mas, a partir de 2010, tudo seria diferente.
De campeão paulista, o Santos logo passou a campeão da Copa do Brasil para, enfim, devolver ao glorioso alvinegro praiano o título de campeão da Libertadores da América. Era a consagração dos novos “meninos da Vila”. Mesmo a derrota por inapeláveis 4×0 na final do mundial para o Barcelona não arranhou em nada a sua reputação. Afinal, perderam para o melhor time do mundo, com um elenco estelar liderado pelo maior craque deste milênio (Messi). De lá pra cá, no entanto, alguma coisa desandou pelo caminho.
Neymar saiu do Santos e foi para o Barcelona. Já aí surgiu a primeira “polêmica”. Murmurava-se nos bastidores que Neymar já jogara a final do Mundial de Clubes com contrato assinado com o time catalão. Tempos depois, descobriu-se que o rumor era verdade. Pior. Indícios de delitos na transação levaram à queda do então presidente do Barcelona, Sandro Rossell, e a acusações contra Neymar pai e Neymar filho na justiça espanhola.
Em termos futebolísticos, no entanto, Neymar estava onde qualquer um queria estar. Ao lado de Messi e Suárez, o novato constituía o que se poderia descrever facilmente como o melhor ataque do mundo. Isso e mais uma constelação de astros no meio e na retaguarda ajudaram-no a conquistar uma penca de títulos na Espanha. Neymar tinha tudo pra estar feliz, certo?
Errado.
Incomodado com a “sombra” de Messi e Suárez, Neymar decidiu que tinha que partir para um vôo solo se quisesse um dia chegar a melhor jogador do mundo. A mudança para o Paris Saint Germain parecia óbvia, até porque não havia muitos times no mundo com EU$ 200 milhões em caixa pra pagar a multa rescisória do jogador com o Barcelona. Na Cidade-Luz, finalmente Neymar brilharia sozinho e seria feliz, correto?
Errado. De novo.
Mesmo com o bicampeonato francês, Neymar e Cia. não conseguiram levar o time além das oitavas-de-final na Champions League. Um fiasco, considerando o investimento que o time fez na contratação do próprio Neymar e de jogadores com Mbappé. Nesse meio-tempo, as “grandes notícias” sobre Neymar foram sobre suas intermináveis idas-e-vindas com Bruna Marquezine, a agressão a um torcedor na final da Copa da França e, agora, a acusação de estupro de uma modelo.
Independentemente da veracidade ou não da denúncia que sofreu, o fato é que não se fala sobre o futebol de Neymar já há um bom tempo. O “menino” já completou 27 anos e, até o momento, não disse a que veio no futebol. Seus grandes feitos dentro das quatro linhas datam do começo da década. Na seleção, tudo se resume praticamente à inédita medalha de ouro olímpica, feito que deve ser relativizado dada a fragilidade dos adversários. Na seleção principal, Neymar ainda não conseguiu nenhum título de destaque. Nesse meio-tempo, ele parece ter investido mais na carreira de popstar do que propriamente na carreira de jogador.
A verdade é que hoje ninguém mais se pergunta se Neymar jogou bem ou marcou gol na última partida. Pergunta-se, sim, qual foi a “última” que ele aprontou. Um triste fim para a maior promessa do futebol brasileiro dos últimos anos.
Anistia é o c…..!
#ProntoFalei
Quando os deuses querem nos punir, eles atendem aos nossos desejos.
By Oscar Wilde
Passou quase despercebida no noticiário uma declaração recente do Presidente do Supremo Tribunal Federal. Rebatendo aqueles que reclamam da “ilegitimidade” do STF para combater coisas como o orçamento secreto y otras cositas más, Barroso disse o seguinte:
“Lembro que todas as democracias reservam uma parcela de poder para ser exercida por agentes públicos que não são eleitos pelo voto popular, para que permaneçam imunes às paixões políticas de cada momento”.
Como já faz algum tempo que não rola nada de Direito aqui neste espaço, a frase de Barroso serve como mote para explicar um pouquinho as funções, a legitimidade e a própria razão de ser das chamadas “cortes constitucionais”.
Após os horrores da Segunda Guerra Mundial, o mundo emergiu não apenas com cicatrizes físicas, mas com um dilema a resolver: como evitar que ideologias totalitárias voltassem a reinar soberanas em alguma nação. A solução encontrada pelos juristas da época foi transformar o que, antes da II Guerra, apenas numa forma incipiente de balanço de poderes, em um verdadeiro pilar das democracias: as constituições.
Transformada em verdadeiro contrato entre Estado e Sociedade, as constituições do pós-guerra foram desenhadas para serem, fundamentalmente, um instrumento contra-majoritário. Estruturada em torno dos chamados “direitos fundamentais”, a Constituição serviria precipuamente para impedir que maiorias legislativas ocasionais solapassem limites mínimos de proteção das minorias (para entender mais, clique aqui).
Mas como garantir que esse instrumento tão poderoso ficasse de fato à margem das paixões políticas? Como “imunizar” a Constituição dos surtos de raiva do eleitorado que, não raro, conduziam ao poder figuras como Benito Mussolini ou Adolf Hitler?
É aí que entram as cortes constitucionais. Compostas por integrantes não eleitos, as cortes constitucionais foram concebidas como guardiãs da Constituição. A ideia por trás dessas cortes era simples, porém revolucionária: criar um contrapeso ao poder político, capaz de frear eventuais excessos de governos eleitos democraticamente. Ao estabelecer um poder independente, composto por juízes especializados e imparciais, as cortes constitucionais passaram a atuar como um freio moral e jurídico, garantindo que os direitos das minorias não fossem sacrificados em nome de supostas “necessidades” da maioria.
Não por acaso, o principal artífice desse novo modo de pensar a tripartição dos poderes foi justamente a Alemanha. O Bundesverfassungsgericht (“Tribunal Constitucional Federal”) dispõe do poder de anular leis que violem os princípios e os direitos fundamentais assegurados pela Constituição, funcionando, portanto, como contrapeso à força do Parlamento. Daí veio a inspiração para todas as cortes constitucionais européias e, por tabela, também ao Supremo Tribunal Federal brasileiro.
Obviamente, tal estruturação não se deu à margem de críticas de políticos e mesmos de juristas. Afinal, como justificar que juízes não eleitos, desprovidos de mandato popular, tenham a última palavra sobre questões que afetam toda a sociedade? A resposta, como você mesmo deve estar a intuir, está na própria natureza da democracia: ela não se resume à vontade da maioria, mas também à proteção dos direitos individuais e das minorias. Sem um mecanismo que impeça a “tirania da maioria”, a democracia corre o risco de se autodestruir.
Assim, as Cortes Constitucionais surgiram como uma espécie de seguro contra os excessos do poder. Elas são o lembrete de que, em uma sociedade verdadeiramente democrática, nem tudo pode ser decidido nas urnas — especialmente quando o que está em jogo são os direitos fundamentais que garantem a própria existência da democracia. Como a história já demonstrou, até as maiorias mais bem-intencionadas podem ser seduzidas por discursos autoritários ou sucumbir aos caprichos do populismo mais safado.
E, para aqueles que ainda duvidam da importância de um poder não eleito, basta lembrar: se a história nos ensinou algo, é que a maioria nem sempre está certa — e, às vezes, precisa ser salva de si mesma. Como ironizam os cientistas políticos:
“Democracia é quando eu ganho a eleição de você; ditadura é quando você ganha de mim”.
“E a Corte Constitucional?”, perguntaria você.
Ela está lá para garantir que nenhum dos dois vire uma tragédia.
#FicaaDica
É só o que a gente pede.
Bom senso não é uma dádiva, mas uma maldição, porque você é obrigado a lidar com todo o resto das pessoas que não o tem.
Ser pai – pai de verdade – é, antes de tudo, um sacerdócio. Trata-se de um processo de devoção profundo, em que você abdica de si mesmo em função do (a) seu (ua) filho(a). O deslocamento do centro de gravidade da sua vida para um ente externo a si próprio por vezes provoca grande angústia naqueles que ainda não estão preparados para um ato tão supremo de doação. Não por acaso, muitos pais jovens – que ainda não tiveram a chance de vivenciar os doces prazeres da vida – acabam se frustrando e descarregando a raiva dessa frustração nos seus descendentes. Daí a profusão de adolescentes em psicoterapias ou análises do gênero. Esse, contudo, não era o caso de Raul.
Formado em Direito, Raul sempre teve o sonho de subir na vida. Chegar ao Supremo, assim como chegar à Presidência da República, é mais um ato da sorte ou do destino do que propriamente o resultado de um processo meritocrático. Mas Raul estava disposto a fazer a sua parte. Como não dispusesse de conexões políticas suficientes para ser catapultado diretamente à mais alta corte do país, resolveu prestar concurso para servidor do STF. Evidentemente, não era o mesmo que ser ministro do Supremo, mas pelo menos ele estava lá, no meio dos caras, apto a mostrar o seu potencial para as mais reluzentes cabeças jurídicas do país.
Depois de algum tempo, um ministro se achegou a ele. Como Raul tinha um bom raciocínio e escrevia muito rápido, o ministro se valia dele como “coringa”. Quando aparecia alguma discussão de última hora no plenário da corte, sem que houvesse tempo para uma discussão mais aprofundada do assunto no gabinete, era Raul quem esse ministro consultava. Quando esse mesmo ministro, pelo rodízio da Corte, chegou à Presidência do Supremo, ele não teve dúvidas: nomeou Raul para ser seu chefe de gabinete.
Mas Raul não era somente chefe de gabinete do Presidente do Supremo Tribunal Federal. Antes disso – pelo menos em sua cabeça – era pai. E pai, como todo mundo sabe, tem de participar. Foi exatamente esse o pensamento que passou pela sua cabeça quando recebeu uma mensagem da escola.
Seu filho, aluno do sistema integral, iria participar de um festival de natação com os outros colegas de STI. Qual o problema? No mesmo horário, haveria a cerimônia de abertura das atividades do Supremo no segundo semestre. Não se trata de uma sessão regular, na qual os processos são julgados e os ministros discutem entre si. É apenas uma sequência de discursos, muitas vezes enfadonhos, que se sobrepõem sem que nada relevante esteja em causa.
Fazer o quê? Raul era chefe de gabinete do Presidente do Supremo e, pela precedência do cerimonial, seria ele o primeiro a falar. Ficaria no mínimo chato sair no meio da cerimônia, com os holofotes todos voltados ao seu chefe, para comparecer a uma apresentação – a ocasião não se enquadrava sequer no conceito de “competição” – do seu filho.
Para contornar o problema, Raul pensou numa solução: a disputa de natação ocorreria justamente no intervalo de tempo compreendido entre a abertura da cerimônia e o início do discurso do seu chefe. Como a sede da escola não era muito distante do prédio do Supremo, bastava ele dar as caras no começo, correr para a escola e, finda a cerimônia, correr de volta para estar presente ao discurso do chefe.
Essa “ginástica” toda o obrigaria a comparecer à competição do filho devidamente enfatiotado, o que, além de não compor o dress code da ocasião, atentaria contra a sua saúde física, já que o espaço da piscina era um dos mais quentes da escola. Paciência. Era o que dava pra fazer.
Chegando no dia da apresentação, Raul cumpriu à risca o planejado: deixou o filho da escola, correu para o Supremo, assistiu à abertura da cerimônia e correu de volta para estar presente à competição de natação. Ao chegar lá, todas as professoras estranharam a presença daquele pai trajando terno e gravata para comparecer a uma “simples” disputa de nado. Uma delas, a psicóloga, chegou para cumprimentá-lo, meio que fazendo graça:
“Gostei de ver. Todo pai deveria vir assim agora”, disse a psicóloga, sorrindo.
Entrando na onda, Raul emendou:
“Pois é. Inclusive eu deixei o Presidente do Supremo esperando para poder estar aqui com ela”.
O troco foi imediato:
“Não está fazendo mais do que a obrigação”, sentenciou a psicóloga.
E foi assim que Raul descobriu que, não importa o cargo que você ocupe, as obrigações parentais sempre vêm em primeiro lugar…
Foi ontem, mas, para manter a tradição…
Nem todo problema se resolve com uma lata de cerveja. É por isso que a caixa vem com 12.