Pensamento do dia

Não adianta nada meditar uma hora por dia e ser babaca nas outras vinte e três.

#FicaaDica

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A segunda morte de Sérgio Moro, ou Triste fim de um pretendente a herói da Nação

Da onde menos se espera, daí é que não vem mesmo. Tal é a sensação de quem acompanhou o desenrolar das tramas eleitorais da política paranaense nos últimos dias.

Suposto pré-candidato ao Planalto, o atual governador do Paraná, Ratinho Jr., abriu mão de uma candidatura que nunca chegou efetivamente a decolar para dizer que continua no cargo até o fim de seu mandato. Embora pudesse renunciar ao cargo para se candidatar a senador, por exemplo, Ratinho Jr. preferiu manter sob suas mãos o controle da poderosa máquina estatal.

Dentre tantos fatores que levaram o filho do apresentador Carlos Massa a desistir da corrida presidencial, um certamente foi decisivo: o apoio do PL a Sérgio Moro para concorrer ao Palácio Iguaçu, sede do executivo estadual. Com esse movimento, o ex-juiz da Operação Lava Jato morre para o distinto público pela segunda vez.

A primeira morte – metafórica, apenas para deixar claro – de Sérgio Moro deu-se quando ele renunciou ao cargo de juiz federal para aceitar ser Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. Tendo conduzido com mão de ferro a Lava Jato, prendido o então líder das pesquisas (Lula) e soltado até o vídeo de uma delação fajuta de Antônio Palocci às vésperas da eleição para influenciar o pleito de 2018, já naquela ocasião Moro dera indícios de que sua atuação como magistrado não respeitara princípios básicos do processo judicial, especialmente e sobretudo a imparcialidade que se cobra de um julgador.

No governo, deu-se o desastre que qualquer beócio em política nacional poderia esperar. Com a extrema-direita no poder, Moro viu com quantos golpes se constrói um mito de araque. Na fatídica reunião do dia 22 de abril de 2020, Jair Bolsonaro falou abertamente que não deixaria ninguém f…. a sua família porque não podia trocar o chefe da PF no Rio de Janeiro (que investigava as rachadinhas de Queiroz e Flávio Bolsonaro). “Vai trocar sim! Se não puder trocar, troca o chefe de dele (o diretor-geral da PF)! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro (Moro)!” Para que não houvesse dúvidas sobre o que o então presidente queria dizer, ele mesmo completou: “Não estamos aqui pra brincadeira!”

No dia seguinte, Moro renunciou ao cargo denunciando que a tentativa de mudar o comando da PF no Rio de Janeiro seria uma “interferência política”. Em resposta, de acordo com o próprio Moro, Bolsonaro teria dito “que seria mesmo”. Para denunciar essa interferência e tentar, com isso, impedi-la, o ex-juiz largou o cargo de ministro para, em suas palavras, “preservar a minha biografia”. Em diversas entrevistas posteriores, Moro reiterou as acusações e rejeitou a interferência na PF para que Bolsonaro protegesse o filho das investigações da rachadinha.

Sem emprego na política e tendo abandonado a carreira de juiz, restou a Moro tentar a sorte na política. Como lhe parecesse difícil conseguir os votos de que precisava para se eleger senador pelo Paraná, Moro dobrou a espinha e foi beijar a mão de seu algoz, Bolsonaro. Numa dobradinha trágica, se não fosse infame, Moro aceitou até pagar de coach de Bolsonaro em debates presidenciais. A falta de rigidez na coluna vertebral acabou se pagando, e Moro acabou eleito.

Já tendo morrido uma vez e se humilhado publicamente depois disso, Moro resolveu se matar pela segunda vez. Sem que seu partido (União Brasil) lhe garantisse legenda para concorrer ao governo do estado do Paraná, Moro resolveu correr para os braços de quem? Justamente o estopim da sua ruidosa saída do cargo de ministro da Justiça: Flávio Bolsonaro. Como humilhação pouca é bobagem, Moro aceitou até mesmo mudar-se para o partido do 01, o PL, presidido pelo notório Valdemar da Costa Neto, condenado por corrupção no processo do Mensalão.

Agora, o ex-magistrado – que fez fama e carreira como combatente da corrupção – é integrante de um partido presidido por um ex-mensaleiro e vai apoiar alguém envolvido em rachadinhas, cujo pai – segundo ele mesmo – tentou interferir na Polícia Federal para impedir que os delitos fossem investigados. Não se pode dizer sequer que essa seja uma morte horrível, porque morto Sérgio Moro já estava. Não era necessário, porém, cuspir na lápide, matando-se uma segunda vez.

Para quem um dia pretendeu ser o “herói nacional” que “passaria o Brasil a limpo”, Sérgio Moro caminha a passos largos para se tornar o caso mais emblemático de como desconstruir uma imagem de sucesso. O rebranding de Moro, contudo, não deve durar muito. Hoje, ele não engana mais ninguém. Talvez, quem sabe, só o próprio espelho. Ao que tudo indica, ele ainda insiste em refletir a imagem de quem acredita na própria fantasia.

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Trilha sonora do momento

Há 42 anos, John Huges reuniu cinco adolescentes em um sábado, numa pacata cidade do estado de Illinois. Desde aquele detention day, o mundo – pelo menos o do cinema – nunca mais foi o mesmo.

Para homenagear o Breakfast Club Day, aquela que é provavelmente a melhor música-tema dos filmes dos anos 80.

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Pensamento do dia

A coisa mais cara do mundo é perder quem não tem preço.

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Trilha sonora do momento

Com a desistência de Ratinho Jr., vamos relembrar esse clássico aqui de KC & The Sunshine Band.

Porque desistir é para os fracos. O ideal é nem tentar.

#Piadapronta

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Pensamento do dia

Escolher bem as pessoas que nos cercam é o mais próximo que podemos chegar de controlar nosso destino.

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Recordar é viver: “Afeganistão II, ou Os 100 dias do atoleiro ucraniano”

Depois de Afeganistão II, teremos Vietnã II?

É o que você vai entender, lendo.

Afeganistão II, ou Os 100 dias do atoleiro ucraniano

Publicado originalmente em 6.6.22

Pois é, meus caros.

Para quem gosta de efemérides, nesta semana se completam 100 dias desde que o ditador russo Vladimir Putin resolveu atravessar a rua para escorregar na casca de banana que estava na outra calçada e decidiu invadir a vizinha Ucrânia. Para quem chegou um dia a acreditar na parolagem de que a guerra duraria uma semana, quem sabe alguns poucos dias, a marca centenária desmonta por completo a idéia de uma guerra curta, rápida e certeira, destinada a “decapitar” o governo de Volodymyr Zelensky.

Não que isso fosse inteiramente inesperado, muito pelo contrário. Quem acompanha o Blog pode testemunhar que o panorama que então se insinuava era rigorosamente este que agora está posto, tanto no cenário geopolítico, quanto no cenário econômico, e até mesmo suas implicações na política nacional. Embora muita água ainda vá rolar por debaixo dessa ponte, já se pode tirar desde logo algumas conclusões evidentes:

1 – So much for “Putin-grande-estrategista-pensador-enxadrista-que-se-preparou-por-dois-séculos-para-enfrentar-o-resto-do-mundo”.

Ao deflagrar o conflito ucraniano, Putin cometeu a maior besteira de seus mais de vinte anos de reinado neoczarista. Nunca a Rússia esteve tão isolada no mundo e nunca os riscos à sua própria posição como líder incontestável foram tão grandes.

É bem verdade que muito pouco ou quase nada se sabe sobre os meandros da política interna russa. Mesmo assim, os insistentes boatos que surgem aqui e acolá sobre o estado de saúde do ditador russo, e até mesmo sobre eventuais tentativas de assassinato contra a sua pessoa, deixam claro que Putin, no mínimo, não está numa situação confortável. Se isso vai ou não levar a uma mudança de regime, é difícil cravar neste momento. Todavia, é claramente visível uma trinca no cristal da ditadura neosoviética, o que, por si só, já coloca enorme pressão sobre Putin e seu entourage, que lutam agora não somente para prevalecer numa guerra estúpida, mas, sim, pela própria sobrevivência.

2 – So much for “aliança-oriental-militar-política-cultural-entre-Rússia-e-China-ameaçando-a-hegemonia-ocidental-no-mundo”.

Quando a guerra começou, “analistas” de Twitter começaram a vender a tese de que Europa e Estados Unidos tinham cometido um “erro” ao apoiar a Ucrânia contra a investida russa. Segundo os “çábios” de plantão, esse movimento jogaria a Rússia nos braços da China, que se firmaria como pólo central de poder, operando um verdadeiro reordenamento da geopolítica mundial.

É verdade que a China até agora não moveu uma só palha para demover Putin de seu intento expansionista. No entanto, é igualmente verdadeiro que tampouco a China mostrou qualquer tipo de apoio mais incisivo ao seu “aliado”. Afora manifestações protocolares pedindo por diplomacia e contenção de ambas as partes, a verdade é que até agora a China tem se mantido longe da guerra, o que deve ter frustrado não somente o ditador russo, mas também os idólatras que adoram festejar uma suposta decadência do “imperialismo ianque”.

No fundo, toda essa gente está descobrindo tardiamente o que parecia óbvio até mesmo para um beócio em relações internacionais. A China está pouco se lixando para o resto do mundo. Ou, mais especificamente, a China está pouco se lixando para outros interesses que não os seus próprios. No fundo, a China não quer marola – o que a guerra causa aos montes -, porque isso em regra prejudica sua posição na balança comercial mundial – pagando mais pelo petróleo que importa e causando recessão naquelas que são as maiores consumidores de seus produtos, as potências ocidentais.

Com suas próprias questões internas a resolver e com interesse zero em aumentar o tamanho da marola causada por Putin, pode-se intuir que a China atuará daqui pra frente da mesma forma com que tem atuado até agora: deixando as coisas ficarem como estão, para ver como é que ficam.

3 – So much for “sanções-internacionais-mais-bloqueio-de-reservas-causarão-descrédito-na-moeda-norte-americana-como-reserva-de-valor-e-levarão-à-desdolarização-da-economia-mundial”

Quando os Estados Unidos, juntamente com seus aliados, impuseram o bloqueio e o congelamento das reservas internacionais do Banco Central russo, os mais afoitos logo vieram advogar a tese segundo a qual o ato equivaleria a um “golpe fatal” na credibilidade do dólar, pois ninguém mais iria sujeitar suas reservas em moeda forte a algum tipo de sanção internacional unilateral. O movimento seria de tal ordem que todo o comércio mundial seria agora reordenado com a ascensão de novas moedas, que substituiriam o dólar em seu reinado de quase um século, causando uma débâcle considerável nos Estados Unidos. Ocorreria, em suma, uma “desdolarização da economia mundial” (risos).

Além de nada do que foi “previsto” ter acontecido, na verdade em muitos casos ocorreu justamente o contrário. O dólar passou a ganhar mais força e atingiu máximas frente a outras moedas fortes, como a libra, o euro e o iene. E por que isso aconteceu? Porque o dólar continua sendo a moeda de valor referencial para toda e qualquer transação em nível internacional.

Pode parecer trivial, mas “trocar” a moeda de valor referencial para o mundo não é exatamente como trocar de roupa. Alguém poderia imaginar, por exemplo, que daria certo negociar o petróleo russo em rublos (como mandou Vladimir Putin). No entanto, um contrato de compra e venda de petróleo envolve dezenas de outros contratos derivados dele, como o frete do produto e o seguro do transporte da mercadoria. E todos esses contratos continuam sendo cotados em dólar.

O que faz o dólar ser “o dólar”, portanto, não é somente o fato de os Estados Unidos serem a maior economia do mundo, mas principalmente o fato de que não há uma alternativa imediata à mão. Fora questões técnicas, como a falta de conversibilidade de possíveis moedas concorrentes (como o yuan), nenhuma outra moeda ostenta a liquidez – isto é, a capacidade de se trocar por ativos reais (carro, comida, alimentos, etc.) – que o dólar detém. A menos que alguém esteja pensando que o Bitcoin (mais risos) substituirá o dólar, as verdinhas americanas continuarão a dar as cartas no mundo ainda por um bom tempo.

Mas e a guerra? Quando ela acaba?

A essa altura do campeonato, é praticamente impossível de se prever. Com Putin tendo sua posição interna questionada, uma revolta interna que o destronasse poderia resultar no fim quase imediato do conflito. Entretanto, isso não está no horizonte próximo, nem ninguém teria a capacidade de prever com antecedência um movimento dessa magnitude.

Presumindo, portanto, que se mantenham as condições normais de temperatura e pressão ora existentes, dificilmente a guerra se encerrará antes do final do ano. Com o exército russo atolado e as potências ocidentais enviando cada vez mais armamentos para o exército ucraniano, uma vitória militar de qualquer dos lados torna-se a cada dia mais improvável.

E, se uma vitória nos campos de batalha torna-se militarmente impossível, a “solução” virá muito provavelmente por exaustão. Ou seja: quando um dos lados esgotar sua capacidade de guerra, seja por exaustão de recursos físicos, seja por exaustão de apoio político, o que, por definição, demora bastante tempo para ocorrer.

A verdade – é triste reconhecer – é que o conflito da Rússia com a Ucrânia parece que “veio para ficar”. Assim como tantas outras guerras no nosso passado (Vietnã, Afeganistão, Irã-Iraque), essa também parece destinada a ocupar um espacinho cada vez menor no noticiário nosso de cada dia. Até que um dia, muito tempo e muitos mortos depois, organize-se um armistício para devolver alguma racionalidade ao cenário.

Até lá, que Deus nos ajude…

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Trilha sonora do momento

Com a morte de Chuck Norris, morre não só o homem. Morre o mito. Morre a lenda.

Para homenageá-lo, penso que esse clássico do Carl Douglas seja bem apropriado.

Porque a maioria não lembra, mas ele surgiu como “mero” coadjuvante de Bruce Lee.

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Pensamento do dia

Chuck Norris já contou até o infinito. Duas vezes.

#RIP

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Chantagem atômica, ou Um mundo (mais) difícil

Facilidade e mundo são dois substantivos que não costumam andar alinhados. Dizer que vivemos em um mundo difícil é chover no molhado, quase sinônimo de dizer que o céu é azul ou que nenhum arroz fica melhor com uva passa. Para quem, olhando ao redor, dissesse que o planeta está se desfazendo aos pedaços, alguém mais cínico poderia replicar: “e qual foi a última vez em que o planeta não estava se desfazendo aos pedaços?” Ainda assim, há motivos para acreditar que as dificuldades agora são bem maiores do que foram em outras épocas.

Desde o bombardeio norte-americano a Hiroshima e Nagasaki, o terror atômico assombra o mundo, a ponto de termos vivido quase metade do século XX sob o risco de destruição global maciça caso as duas superpotências da época – Estados Unidos e União Soviética – resolvessem trocar mísseis uma sobre a outra. O delicado equilíbrio do terror, expresso no malfadado acrônimo MAD (Mutually Assured Destruction – Destruição Mútua Assegurada), deixou o mundo em estado de tensão permanente por quase 50 anos.

Curiosamente, contudo, o equilíbrio atômico entre as duas superpotências trouxe consigo, também, uma relativa estabilidade no cenário geopolítico. Mesmo quando a coisa esquentava, como na Guerra da Coréia ou na Crise dos Mísseis, o fato de termos numa das pontas a possibilidade de destruição da humanidade fazia com que a turma do “deixa disso” acabasse levando a melhor na maioria das paradas. Bem ou mal, esse balé de elefantes dançado a dois diminuiu drasticamente o nível da matança de seres humanos em conflitos, comparado ao que aconteceu na I e na II Guerras Mundiais.

Com a queda da União Soviética em 1991 e a ascensão dos Estados Unidos à condição de potência hegemônica incontestável, projetava-se um futuro de paz e prosperidade. Liderado pelo capitalismo liberal do chamado “Mundo Livre”, ninguém precisaria mais se preocupar com fim do mundo, apenas em melhorar de vida. Caso a coisa degringolasse em algum recanto do planeta, os Estados Unidos – livres das amarras da Guerra Fria – podiam desempenhar o papel de “polícia do mundo”, reprimindo eventuais desvios. Foi o que aconteceu, por exemplo, na Guerra do Kwait. E foi o que aconteceu, também, na Guerra da Bósnia.

A condição dos Estados Unidos como “xerife global”, entretanto, dependia de uma condição básica: a de que eles somente agissem dentro do sistema de regras internacionais. Embora não se pudesse dizer que esse arranjo colocasse os norte-americanos numa posição equivalente à de um juiz – porque “imparcial” nenhum país é -, a legitimidade da sua atuação repousava na capacidade de difundir globalmente pelo menos a impressão de que, se os Estados Unidos agiram, foi para fazer o que era “justo”, não simplesmente para atender a interesses próprios. Apesar de escaramuças ocasionais, como a II Guerra do Golfo, pode-se dizer que a coisa funcionou mais ou menos bem.

Até surgir Donald Trump. Em pouco mais de um ano de segundo mandato, Trump jogou fora todo o arcabouço diplomático duramente erguido durante décadas para assegurar (alguma) relativa paz mundial. Em menos de 18 meses de presidência, o Laranjão já: 1) quis anexar o vizinho Canadá; 2) quis obrigar a Dinamarca a “vender” a Groenlândia; 3) sequestrou o presidente de um país adversário (Nicolas Maduro, da Venezuela); 4) assassinou o chefe de Estado de uma nação soberana (Ali Khamenei), iniciando uma guerra sem fim à vista no Oriente Médio; e 5) disse que ia “tomar Cuba”, pois poderia “fazer o que quisesse” com a ilha caribenha.

Em todos os casos, sem qualquer exceção, não houve sequer sombra daquela fantasia dos americanos atuando como “super-heróis” em defesa da “justiça” ou coisa que o valha. Autoinvestido na condição de pirata do mundo moderno, o Nero Laranja decidiu que iria usar a supremacia bélica de seu país para fazer prevalecer seus interesses econômicos, ainda que ao custo de dinamitar relações com aliados históricos, como era o caso do Canadá ou da Dinamarca.

Ao mesmo tempo em que pintam e bordam ao redor do mundo, os ianques guardam obsequioso silêncio sobre nações que efetivamente oferecem risco ao planeta, como a Coréia do Norte. Se a idéia é “promover a liberdade” e “fazer justiça”, por que os americanos não invadem o país de Kim Jong-Un? A resposta é uma só: porque a Coréia do Norte, ao contrário do Irã hoje e do Iraque há 20 anos, possui de fato armas nucleares.

Diante desse cenário, qual a mensagem que os norte-americanos passam ao mundo? “Corram atrás de construírem armas nucleares, pois, do contrário, em algum momento a gente pode querer te invadir, mudar o governo ou assediar suas riquezas por algum motivo torpe qualquer”. Doravante, o mundo será governado por uma única certeza: não adianta ser “bonzinho”. Não adianta ter exército. Não adianta nem mesmo ser aliado dos Estados Unidos. A única ferramenta que garante a soberania e a segurança de uma nação é dispor de um arsenal nuclear.

Com isso, o mundo passa a entrar numa nova forma de corrida atômica. Todos os países – párias ou não – começarão a correr atrás das suas armas nucleares, como único instrumento de dissuasão disponível contra o assédio externo. Se antes a corrida atômica era somente briga de cachorro grande, coisa de quem pretendia exercer hegemonia a nível global, agora a coisa escorregou para o andar de baixo. Todo mundo vai querer comprar esse “seguro” contra ameaças externas.

Daqui pra frente, o dinheiro que antes poderia ser mais bem empregado em educação e saúde para a população agora será desviado para as forças armadas do país. Em suma, o mundo que Donald Trump está criando é um mundo mais tenso, menos seguro e, com tamanha proliferação de armas atômicas, mais suscetível a um fim repentino pelo holocausto nuclear.

Durma-se com um barulho desses…

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