Um dia fora de Lisboa

Portugal está na moda. Desde o brazuca de classe média desiludido com os rumos do país até a popstar Madonna, parece que o mundo redescobriu a “terrinha”. Ela, que sempre foi encarada pelo mundo ocidental e até mesmo por parte de seus patrícios brasileiros como um recanto secundário do Velho Continente, agora vê-se às voltas com a imigração maciça de gente em busca do sossego e da tranquilidade oferecidos pelos portugueses.

Para além dos imigrantes, Portugal também redescobriu-se como destino turístico. Se durante anos os lusitanos tiveram de aturar piadas insolentes de que nada abaixo dos Pirineus poderia ser considerado “Europa”, subitamente boa parte do mundo parou pra observar que o clima, a hospitalidade e, sobretudo, o baixo preço oferecido pelo circuito português tornavam a terra de Camões parada obrigatória para quem desejava conhecer o Velho Continente.

O destino óbvio de quem se dirige a Portugal é, claro, Lisboa. Pequena e simpática, a capital lusitana oferece a mistura exata do provincianismo presente nas pequenas cidades do interior com o cosmopolitismo exuberante das principais capitais européias. Além das facilidades de deslocamento (a maioria dos vôos do Brasil para lá aterrissam em Lisboa), o aeroporto da cidade ainda funciona como verdadeiro hub de entrada no continente. De lá, é possível se deslocar em menos de 3h para Londres, Paris e Roma. Apenas para efeito de comparação, é o tempo que se gasta para ir de Fortaleza a São Paulo, por exemplo.

Embora a capital portuguesa ofereça encantos suficientes para encher uma viagem de uma semana ou mais, é certo, por outro lado, que nem todo turista está disposto a gastar todas as suas fichas numa cidade só. Conhecidas as principais atrações, o mais comum é ver a pessoa se deslocar por cidades próximas, não só para adicionar quilometragem ao seu diário de viagem, como também para desbravar os pequenos encantos escondidos do país visitado. E, em Portugal, nenhum lugar talvez atenda a esses requisitos melhor do que Mafra.

Mafra

Distante pouco mais de meia hora de Lisboa, Mafra é acessível por carro, trem ou ônibus. Ou seja: o sujeito pode acordar, tomar café-da-manhã no hotel, ir a Mafra, passear pela cidade e voltar a Lisboa ainda a tempo de almoçar. Embora esse roteiro seja possível, não é exatamente o recomendado, porque uma visita comme il faut a Mafra toma bem mais que um turno só.

De cara, há o formidável Palácio Nacional de Mafra. Jóia da arquitetura joanina, o conjunto reúne, a um só tempo, o Palácio propriamente dito, um antigo convento (no qual Saramago se inspirou pra escrever o seu Memorial do Convento) e a basílica da cidade. A antiga biblioteca do palácio constitui um espetáculo à parte. Fora isso, ao seu lado estão os antigos jardins do Palácio, que foram transformados em um magnífico parque aberto ao público. Se você não perder pelo menos uma manhã inteira visitando esses sítios, é porque deve estar fazendo alguma coisa de errado.

Para almoçar, há várias opções de restaurantes logo defronte ao Palácio. Todos oferecem o básico da cozinha portuguesa, o que, em regra, é mais do que qualquer outra capital da Europa: comida honesta, atendimento cordato e preços camaradas. Mas, se você estiver disposto e estiver de carro, sugiro vivamente que pegue seu automóvel e se dirija à Quinta do Arneiro. Além de poder usufruir uma magnífica cozinha contemporânea, você ainda ganhará o bônus de comer uma comida 100% orgânica, produzida ali mesmo, nas hortas da Quinta. E se calhar de você viajar na época dos morangos, não deixe de apreciar os de lá, os mais doces e saborosos que experimentará na vida.

Restaurante da Quinta do Arneiro

De bucho forrado depois do almoço, pegue seu carro e se dirija à Tapada Nacional de Mafra. Trata-se de uma floresta encravada no meio das montanhas da região, na qual, além de poder desfrutar o ar fresco e a paisagem deslumbrante, será possível ainda andar de cavalo, de charrete, treinar arco e flecha, ver show de aves e praticar arborismo. Para os mais corajosos, há a alternativa de arriscar a vida em um vôo livre. Seja como for, existem atrações para todas as idades e bolsos, que certamente tomarão uma tarde inteira de diversão.

Tapada Nacional de Mafra

Eis, portanto, uma pequena jóia da coroa portuguesa, pronta a ser descoberta.

Porque tudo vale a pena, quando a alma não é pequena…

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