7 anos Dando a cara a tapa: Semana Especial de Aniversário – A política internacional em 2018

Se no Brasil o jogo da política parece mais ou menos jogado, a depender quase que exclusivamente do destino de Luís Inácio Lula da Silva, no cenário internacional a coisa não difere muito. Na verdade, 2018 tem tudo para prometer mais do mesmo. E, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, tal conclusão não significa um panorama absolutamente isento de emoções no mundo da geopolítica.

Em primeiro lugar, por óbvio, todos os olhos ficarão voltados para as futuras presepadas de Donald Trump. Se a sucessão de escândalos e a discussão sobre a sua sanidade mental não o removerem antes do cargo, é quase natural que o mundo prenda a respiração mais ou menos a cada 15 dias, período no qual a maioria dos surtos do presidente norte-americano costuma acontecer.

Trump, pode, por exemplo, esgarçar a já delicada situação da península coreana, que tem passado por um breve período de calmaria e distensão nas últimas semanas. Trump pode, ainda, enfiar a azeitona na empada do Oriente Médio, buscando um conflito que parecia definitivamente afastado contra os regimes dos aiatolás de Teerã. Caso nenhuma dessas coisas aconteça, Trump pode no limite chutar o balde e retirar os Estados Unidos do Nafta, atitude que pode balançar o coreto das finanças a nível mundial.

O que conforta o resto do mundo, no entanto, é que os Estados Unidos são talvez o país mais próximo da anarquia no planeta. Melhor explicando, tudo lá funciona muito bem independentemente do Governo, e depende menos ainda do inquilino de plantão na Casa Branca. Logo, o poder de fogo de Trump é reduzido, pois as instituições americanas funcionam como fortíssimo anteparo institucional dos seus arroubos de Twitter.

Na Europa, a grande discussão vai ser a consumação (ou não) do malfadado Brexit. As idas e vindas nesse processo já atingiram tal monta que, a preço de hoje, não seria de todo esdrúxulo imaginar um cenário no qual os britânicos dessem o dito pelo não dito e terminassem por retornar à União Européia. Seja como for, o sufocamento do movimento independentista da Catalunha parece ter freado os arroubos separatistas no seio do Velho Continente, afastando, pelo menos por ora, o risco de uma fragmentação desordenada de vários países.

Do outro lado do mundo, além do receio despertado pelo poderio nuclear norte-coreano, as atenções se voltarão para a reaproximação entre China e Rússia. Depois da histórica briga do final dos anos 60, chineses e russos parecem tentados a utilizar seu vasto arsenal financeiro para fazer despertar um novo pólo de poder econômico na Ásia, se não maior, pelo menos grande o suficiente para se contrapor ao Império Norte-americano. Em mundo ditado pelas finanças, ao deslocamento de centros financeiros costuma se seguir o deslocamento de centros de poder. A conferir.

Neste cantinho do mundo esquecido por Deus, a América Latina vai levando sua velha vida de ovelha negra da família. Seu maior país, o Brasil, patina economicamente depois de ter defenestrado a segunda presidente em pouco mais de duas décadas. Situação parecida ocorre na Argentina, embora o desastre econômico lá pareça ser um pouco menor que o nosso. De resto, vê-se à distância a Venezuela indo pelo ralo. Chile e Peru já vão a meio caminho. Olhando o continente de longe, talvez o único país que se salve na foto seja a Colômbia. Bem resolvida a nível econômico e com o problema das Farc aparentemente superado, o país parece uma ilha de estabilidade e prosperidade em meio ao caos.

No meio de tantas dúvidas, a única certeza é a de que o Brasil continuará ostentando o mesmo patamar de sempre nas relações internacionais, ou seja, nenhum. A importância política do Brasil nunca foi lá grande coisa no cenário mundial, é fato. Salvo por um breve período no governo Lula e um período brevíssimo no governo Fernando Henrique, o país não costuma ser ouvido pra nada, muito menos para decidir os rumos do planeta. Mesmo assim, é triste constatar que o país atravessará mais uma quadra condenado à irrelevância, sem que possa pelo menos aspirar, em um horizonte próximo, a alcançar o patamar de dignidade que sempre prometeu desde quando foi criado.

2018, portanto, será recheado de incertezas. A única coisa que pode ser assegurada a nós, brasileiros, é que essas incertezas serão vistas pela televisão. Porque, afinal, nós não seremos de modo algum agentes relevantes em qualquer cenário.

Triste sina deste pobre Brasil…

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