Semana especial de aniversário – As maiores bolas foras do Blog: Who wants to be a billionaire?

Para encerrar esta semana especial de aniversário, na qual se recordou as maiores previsões furadas do Blog, é evidente que a maior de todas, a mais estúpida, a medalha de ouro da cartomancia mais primitiva, tinha que ficar por último.

Porque, olhando em retrospecto, não pode haver exercício de futurologia mais bizarro do que ter previsto que, no começo de sua queda, Eike Batista ainda tinha muitas cartas na manga para se safar.

Hoje, a única carta que lhe resta é a cidadania alemã.

Isso se ele conseguir chegar lá, é claro…

Who wants to be a billionaire?

Publicado originalmente em 5.4.13

Há pouco mais de quinze anos, ninguém sabia direito quem era Eike Batista. Os mais bem informados, isto é, aqueles que liam as revistas de fofoca como Contigo, Caras e afins, sabiam apenas que o sujeito era esposo da Luma de Oliveira, musa da TV e dos carnavais do Rio de Janeiro. Brilhava quem o identificava como filho do poderoso Eliézer Batista, engenheiro e ex-presidente da Vale do Rio Doce.

Pois bem. Desde a virada do milênio pra cá, Eike Batista não só deixou de ser o “marido da Luma”, ou, quando muito, “o filho do Eliézer Batista”, para se tornar quase um popstar do mercado. Montado em dezenas de bilhões de dólares, com o objetivo declarado de se tornar o homem mais rico do mundo, Eike Batista se tornou a um só tempo objeto de inveja e admiração.

Mas como é que um sujeito que, até outro dia, era um empresário pequeno, no máximo um investidor de médio porte, virou um símbolo de prosperidade?

Quem conta é o próprio. Numa entrevista concedida ao Roda Viva, Eike Batista, quase sem querer, explica como partiu de um empreendimento médio, quase acanhado, para se tornar dono de uma variedade quase infinita de empresas, todas terminadas com o indefectível X:

Vendendo suas participações nos empreendimentos mundo afora, Eike Batista conseguiu angariar US$ 1 bilhão. Muito dinheiro, claro, mas nada comparável ao que tem hoje. Com o bilhão de dólares no bolso, Eike teve o insight de reunir duas circunstâncias economicamente favoráveis, mas aparentemente desconexas.

Primeiro, as licitações de áreas de exploração de petróleo na costa brasileira. Em um lance ousado, Eike Batista recrutou alguns funcionários-chave da Petrobras. Ele só tinha uma bala – ou melhor, um bilhão – no bolso do colete e não poderia desperdiçá-la. Os lotes exploratórios que ele iria comprar tinham de ter petróleo. Do contrário, toda sua estratégia iria por água abaixo.

Depois de gastar US$ 800 milhões comprando bilhões e bilhões de litros de água salgada, Eike partiu para o segundo movimento. Aproveitando-se do aumento exponencial de liqüidez no mercado no período pré-crise de 2008 (traduzindo: muita grana boa e barata disponível), criou a OGX e lançou suas ações no mercado. Numa só tacada, conseguiu o equivalente a US$ 7 bilhões. Daí pra frente, tudo ficou “mais fácil”.

Com uma empresa-mãe no centro do esquema, Eike Batista começou a criar várias outras empresas destinadas a “auxiliá-la”. LLX (logística) e OSX (plataformas de petróleo) são dois dos exemplos mais marcantes dessa estratégia de agregar valor aos empreendimentos desenvolvida por Eike. E, ao criar cada uma dessas empresas, imediatamente se seguiam os famosos IPOs, ou seja, o lançamento de ações dessas empresas no mercado. De IPO em IPO, Eike Batista deve ter faturado por baixo uns US$ 12 bilhões.

Com muita grana em caixa, Eike enfrenta agora seu maior desafio. Como vendedor, já se pode considerar um vencedor ao ter conseguido levantar tal fortuna vendendo apenas sonhos. Como empreendedor, contudo, Eike ainda terá de mostrar que é capaz de transformar sua conhecida lábia em ações concretas e, claro, em dividendos para os acionistas.

Aliás, é justamente por atrair tanta atenção que qualquer escorregão de Eike toma uma proporção gigantesca. Um poço seco aqui, um prejuízo trimestral acolá, qualquer coisa faz com que as empresas terminadas em X derretam na bolsa como manteiga em frigideira. Nessas horas, alguém pode pensar: “Bom, agora ele se estrepa”. Quem pensa assim esquece, no entanto, que Eike vendeu suas ações na crista da onda. Hoje, pode recomprá-las por 1/3 do valor de venda e aumentar sua participação nas próprias empresas.

O fim da saga de Eike Batista já foi anunciado – e esperado – por muitos. Mas, se eu fosse investidor, não apostaria muito nisso. Eike ainda deve ter muitas cartas na manga.

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