Exposição retrospectiva, ou Os momentos decisivos de uma crise terminal

Já não há muito o que dizer.

Depois da prisão do ex-presidente Lula na sexta-feira passada, a crise política alcançou seu ponto de ebulição máximo. Aproveitando-se da escorregada do juiz Sérgio Moro, que o mandou conduzir debaixo de vara para depor, Lula encarnou o papel que melhor desempenha: a “vítima das elites”, inconformadas com a ascensão do presidente-operário. Conclamando as “massas” petistas a sair às ruas para o “embate final”, o ex-presidente colocou fogo de vez no circo, fazendo com que o país se aproxime perigosamente de uma confrontação de rua no próximo domingo.

A essa altura do campeonato, a única pergunta que fica no ar é a seguinte: como chegamos a uma situação na qual um país outrora pacato e pacífico arrisca-se a degringolar em violência campal?

O primeiro passo para compreender o beco em que nos metemos passa por aceitar o óbvio: o governo Dilma fracassou, e fracassou miseravelmente. Nem mesmo os petistas que pretendem sair às ruas no próximo domingo defendem a atual mandatária da Nação. Seu único propósito é salvar Lula e, por tabela, a possibilidade de elegê-lo presidente nas eleições de 2018. Tudo gira, pois, em torno da manutenção da expectativa de poder, ameaçada pela débâcle generalizada. Quanto à presidente, basta que não renuncie e abandone qualquer restinga do “ajuste fiscal” prometido após a reeleição. De resto, pode muito bem ir pelos ares, desde que não arraste consigo o que restou do partido.

O segundo passo passa por entender que alguma coisa mudou no país desde junho de 2013. Aquele povo manso e ordeiro, acostumado a ser bajulado em época de eleição e vilipendiado toda a vida, não existe mais. Em seu lugar, assumiu uma típica malta pernambucana: inconformada, crítica e disposta a brigar por qualquer coisa. Só isso explica como o estelionato reeleitoral de 2014 possa ter submetido Dilma Rousseff a tamanho constrangimento, quando coisa muito pior aconteceu em passado não tão distante (Cruzado I, de Sarney, e paridade cambial, de FHC, pra ficar só em dois exemplos).

O terceiro e último passo consiste em reconhecer os méritos da Operação Lava-Jato. Nunca antes na história deste país uma operação de persecução penal conseguira apanhar peixes tão graúdos e até mesmo tubarões. Sempre que uma operação da PF chegava perto dos altos escalões do poder, aparecia uma “falha processual” que justificava a anulação do processo nos tribunais superiores. Assim, todo mundo se salvava e podia organizar o próximo esquema de desvio de dinheiro público. Agora, não. Com Sérgio Moro e Cia., a Lava-Jato enfim desmonta a intrincada rede de corrupção que unia empreiteiros, doleiros, lobistas e lavadores de dinheiro. As esperadas delações de Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro devem lançar a pá de cal no que restava do discurso de defesa dos enrolados com a Justiça.

No fundo, a crise atual deriva em grande parte da miopia generalizada da classe política. Dilma e o PT pensaram ser possível vender um país de ficção na propaganda eleitoral, para logo depois darem um cavalo de pau na economia sem dar maiores explicações sobre a guinada. Políticos em geral confiavam que alguma liminar ou decisão judicial pudesse enterrar viva a Lava-Jato, para assim salvarem seus respectivos pescoços. O país de conto de fadas desfez-se no vento. E a liminar do STJ ou do STF ficou na esperança. Como sempre acontece nas crônicas marciais, todo mundo estava lutando a guerra passada. A ninguém ocorreu que os tempos haviam mudado.

Para quem acompanha o Blog, nada há de inesperado nisso tudo. Enquanto muita gente boa apostava no arrefecer dos ânimos a cada vez que a crise dava um respiro, este que vos escreve continuava alertando: a crise vai piorar e não há melhora à vista. O que para muitos parecia previsão catastrofista, a justificar os gracejos mais despropositados contra um suposto pessimismo incorrigível, na verdade apenas prestava tributo aos fatos. Todas as circunstâncias necessárias para apimentar o caldeirão social estavam postas: Lava-Jato, esfacelamento da base de apoio, queda do PIB, aumento do desemprego, e uma interminável lista de etc. Se ninguém quis enxergar, o problema não estava na análise, mas na circunstância de os fatos não se ajustarem a ela.

Olhando-se a crise em retrospectiva, pode-se concluir – para desgosto dos petistas – que teria sido melhor pra todo mundo se Dilma tivesse perdido. Uma derrota na reeleição teria salvo o PT da trágica circunstância de abraçar o ajuste fiscal renegado na campanha, assim como teria conferido muito mais credibilidade a um governo de oposição – Aécio ou Marina – para implementá-lo. O país decerto iria sofrer, mas é provável que a queda não fosse tão dramática. Quanto ao PT, poderia exercitar seu clássico papel oposicionista, denunciado o “ajuste tucano que ele jamais faria” e – quem sabe? – voltar com força para retomar a cadeira presidencial em 2018.

Agora, a crise caminha para seu estágio final. A condução coercitiva do ex-presidente Lula apenas precipitou as coisas. Ninguém acredita que Dilma Rousseff seja capaz de reaglutinar as forças à esquerda – que hoje mantém seu apoio somente por questões circunstanciais -, muito menos de conquistar a simpatia das forças à direita – que nunca confiaram nela. Embora ninguém saiba como será o dia de amanhã, uma coisa é certa: em nenhum dos cenários, Dilma estará na cadeira de presidente da República.

É esperar pra ver.

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9 respostas para Exposição retrospectiva, ou Os momentos decisivos de uma crise terminal

  1. André disse:

    Como esse espaço preza pelo contraditório e a verdadeira liberdade de expressão, diferentemente do que propagam os grandes meios de comunicação que congregam o PIG, vou expor alguns pontos. Lá vai chumbo grosso meu nobre amigo e opositor, pois a situação exige (risos).

    1. “Escorregada do juiz Sérgio Moro”. Tenha dó. Prefiro ficar com o termo ilegalidade, usado pelo Ministro Marco Aurélio.
    2. Com sua licença vou tirar as aspas da construção vítima das elites, pois fica mais verdadeiro com relação ao que fazem ao Lula, aquele, nunca custa lembrar, que foi o maior presidente da história do País.
    3. Quer dizer que foi o Lula que pôs “fogo nas ruas” e não o ato descabido e desnecessário da condução coercitiva.
    4. Quanto ao retrato traçado do segundo governo Dilma concordo plenamente. Sou coerente (risos).
    5. Gostei, minto, adorei a “malta pernambucana”.
    6. Gostei, também, da admissão de que houve “estelionato eleitoral” bem maior na história recente do País, cometidos por Sarney e o nefasto FHC. De lambuja esqueceste o Collor e o confisco da poupança.
    7. Não resta dúvida que a Lava Jato tem grande importância, mas não reluz com esse esplendor todo não, haja vista que é contaminada por um forte viés político e partidário, além da seletividade com relação aos investigados, detalhes significativos que o blogueiro, num lapso de memória, esqueceu de abordar na resenha.
    8. Ah! É melhor nem comentar nada sobre o perfeito entrosamento que dizem existir entre o quinteto – Globo e parceiros, Procuradores, “Justiceiro”, PF e vazamentos – também esquecidos pelo articulista.
    9. Uma coisa é certa: quem acha a Lava Jato um primor é o Aécio.

    Um grande abraço meu amigo.

    • arthurmaximus disse:

      Nos tópicos, meu caro:
      1. Talvez tenha pegado leve, mas não gostaria de chamar o ato de ilegal sem ter visto os autos. À distância, no entanto, considero que o ato foi inoportuno e desnecessário. A essa altura, o próprio Moro já deve ter se convencido disso.
      2. Lula como “vítima das elites” é uma piada, me perdoe. Já considerá-lo como maior presidente da história do Brasil é no mínimo controverso. Eu, por exemplo, acho que houve melhores, embora, com todos os defeitos dele, inclua-o entre um dos melhores em matéria administrativa.
      3. Releia o texto. Eu disse “ex-presidente colocou fogo de vez no circo”. Não acho que ele “começou”. Mas certamente o pronunciamento dele contribuiu para eletrificar ainda mais o ambiente.
      4. Que bom. Pelo menos nisso estamos de acordo, hehehe.
      5. Até imagino por quê, hehehe.
      6. De fato, esqueci do caso Collor, que também foi deplorável. Mas, de todo modo, fica agora o registro.
      7. Não compro a idéia do viés partidário da Lava-Jato. Acho que ainda está tudo muito em aberto para fazer julgamentos definitivos quanto a isso. Vamos dar tempo ao tempo para ver como a coisa fica.
      8. Outra idéia que não compro é essa da “grande conspiração midiática-judicial-policial” envolvendo a Lava-Jato. Há, claro, vazamentos em demasia. Aliás, já passou da hora de punir alguém para dar o exemplo. Vamos ver no que vai dar.
      9. Será? Eu não estaria tão certo disso. 😉
      Um grande abraço, meu nobre contendedor.

      • André disse:

        Para fazer jus ao contendedor, natural que me pronuncie novamente, portanto, em nome do bom debate volto aos tópicos.
        1. “Talvez tenha pegado leve”, já considero um significativo avanço em busca do entendimento. Aceito sua argumentação, porém, com todo o respeito, o Marco Aurélio e todos os ex-ministros da Justiça do FHC, para ficar apenas neles, também não tiveram acesso aos autos, assim espera-se!
        2. No mundo da política e dos seus personagens tudo é controverso, tanto que muitos mudam seus conceitos, quase dogmas, antes emitidos, legitimamente é claro (essa é provocação ehehehe).
        3. Realmente existe um “de vez” no texto, porém como se fosse uma luminária fraquinha e escondida, mostrando quão bem e competentemente o nobre colega usa os recursos estilísticos para não deixar transparecer a causa oposicionista que fala alto.
        4, 5 e 6. Viu como entre um liberal e um esquerdista é possível se chegar ao consenso em alguma coisa.
        7. “Não compra a causa”, mas também não a nega. Fico satisfeito.
        8. Sou de retroagir para alcançar o entendimento, portanto esqueçamos a “conspiração midiática-judicial-policial”, mas negar que exista uma relação no mínimo promíscua no caso, penso ser não admitir o óbvio.
        9. Tenho certeza quanto ao garoto do Rio. Valho-me inclusive do entendimento de quem conhece bem a política brasileira, com o qual concordo plenamente, que vaticina: mudança de governo concretizada, o famoso acordão que está hibernando na gaveta do PMDB e PSDB, sai aos pinotes em nome da redenção do País.

        Renovo o grande abraço.

      • arthurmaximus disse:

        O importante é o diálogo, meu amigo. Como você sabe, gosto muito do contraditório principalmente pelo fato de que a opinião contrária te tira da sua zona de conforto e te obriga a repensar suas convicções. Por isso, aprecio tanto as nossas discussões, em que pese as divergências políticas. Pena que boa parte do país não mantenha o mesmo nível. Um grande abraço.

  2. Alexandre Moreira disse:

    Caríssimo amigo, percebo algumas (muitas?) lacunas em sua análise. Como disse o André no comentário acima, “escorregada” é um belo eufemismo – um tucano não faria melhor – para definir o “atropelamento e fuga” cometidos pelo douto juiz Moro, cuja humilde Vara parece ter abrangência nacional, para espanto dos juristas.

    A ideia de Lula como incitador da violência não procede, pois o ex-presidente reagiu à escalada do ódio insuflado pela imprensa e pelos ditos “formadores de opinião” nas redes sociais. O Facebook é praticamente terreno minado hoje em dia, ocupado por uma malta furiosa que prega a morte e o esquartejamento de Dilma e Lula.

    Também é importante ressaltar que foi a oposição, tendo à frente o moleque irresponsável chamado Aécio Neves, que se recusou desde o início a aceitar o resultado da eleição e começou a falar em impeachment praticamente no mesmo dia em que Dilma foi reeleita. Isso certamente ajuda a explicar porque o nosso “pacífico” país (risos) foi jogado nesse mar revolto. Claro que Dilma também ajudou na confusão, reagindo tarde demais à crise, reagindo da maneira errada e implementando medidas que aprofundaram a recessão.

    Por fim, para não me alongar muito, folgo em dizer que ri bastante com a sua caracterização dos “méritos” da Lava Jato. A história ainda desvelará os verdadeiros motivos por trás da formulação e do desenvolvimento da Lava Jato, mas o que me parece evidente agora é que o tal republicanismo da operação é o famoso “smoke and mirrors”; o objetivo da Lava Jato há muito se tornou político, mais do que policial, e, pior, passou a ser a perseguição a um partido e a um projeto político, enquanto poupa outros grupos e outras pessoas, blindadas desde sempre pela mídia e agora também pelas autoridades.

    Como você mesmo gosta de dizer jocosamente, “o golpe está em marcha”. Quem perde com isso não é o PT, é a nação.

    • arthurmaximus disse:

      Meu caro Alex, como diria Jack, o estripador, vamos por partes.
      1. Olha, já me xingaram de muita coisa aqui no Blog, mas de “tucano” acho que é a primeira vez, hehehe. Como disse antes ao André, o eufemismo se justifica porque não tive acesso aos autos. Mas, de novo, considero que o ato foi inoportuno e desnecessário. Mais que isso. Foi um erro estratégico. Sorte do Moro que se trata de um tema lateral (a condução coercitiva, que fique claro). Se fosse algo central dentro da Lava-Jato, poderia colocar tudo a perder. Felizmente, acredito que o erro é superável e não prejudicará a continuidade da operação.
      2. Não acho que convenha muito ficarmos aqui discutindo quem começou a briga de foice. O fato é que o discurso de Lula acirrou os ânimos que já estavam exaltados. Pode-se reclamar e chamar de “golpistas” aqueles que sairão às ruas no dia 13. Mas não será brincar com fogo convocar manifestações em favor de Lula e de Dilma para a mesma data? Quanto ao Facebook, você vai porque quer; falta de aviso não é, hehehe.
      3. Concordo apenas em parte com você, porque meu ponto aqui é outro. O que mudou no país mudou muito antes da eleição de 2014 e da posterior campanha de impeachment do Aécio. No meu entender, as coisas começaram a tomar outro rumo em junho de 2013. E, sobre isso, pode-se falar tudo, menos que a oposição foi responsável pelas mega-passeatas de então. Na verdade, se você bem se recorda, a oposição era enxotada de toda e qualquer manifestação, assim como a mídia que as acompanhava. Por isso, não dá pra debitar na conta da oposição a maior parte da culpa pela crise atual, embora ela carregue parcela significativa, especialmente no quesito falta de propostas. No fundo, todos – Governo e Oposição – jogaram o jogo da mesma forma como ele vinha sendo jogado desde sempre. Mas tudo havia mudado em junho de 2013. Agora, pagam o preço da miopia.
      3. Também como respondi ao André, não consigo comprar essa idéia de “partidarização” da Lava-Jato. Os fatos simplesmente não corroboram essa tese. Como explicar, por exemplo, que o único político denunciado e com denúncia recebida no Supremo tenha sido justamente Eduardo Cunha, o pior e mais figadal inimigo do PT? Aliás, convém recordar que o próprio Cunha já usou esse mesmo argumento no sentido inverso, ao afirmar que o Procurador-Geral da República atuava em “dobradinha” com o Planalto para afastar a crise de Dilma. O argumento torna-se ainda mais fraco quando se considera que a imensa maioria dos presos – mas a imensa maioria mesmo – é composta por doleiros, lobistas e empreiteiros. Serão eles petistas de carteirinha? Será que dá pra enquadrar a sua prisão como “ato de perseguição ao PT”? Sinceramente, não vejo como. Já o fato de boa parte dos políticos em (má) evidência serem do PT, a meu juízo, decorre da circunstância óbvia de que é o PT que está atualmente no Governo e foi o partido que mandou no país nos últimos 13 anos. A “prevalência” de petistas na Operação é até natural, se consideramos isso. Não acredito que a Operação poupará ninguém, muito menos gente do PSDB. Quanto ao julgamento histórico, vamos ter que esperar alguns anos para saber qual será o veredicto.
      4. “O golpe está em marcha”, não há dúvida, hehehe. E estou de acordo que quem perde se Dilma sair nessas trágicas condições não será o PT, mas o país. Desde o começo parece clara a busca por alguma justificativa que permita abreviar o seu mandato em razão da constatação geral de que ela não tem mais a mínima chance de governar. Se essa constatação deriva justa ou injustamente da incompetência gerencial dela, não importa. No fundo, chegamos a uma situação na qual a maioria da população prefere um fim horroroso a um horror sem fim. É triste, mas é verdade.
      Um abraço.

  3. Mourão disse:

    Caro Arthur, gostei do debate entre pessoas civilizadas e esclarecidas e não vou entrar no mérito das argumentações. Porém, estranhei e muito você afirmar “na qual um país outrora pacato e pacífico, referindo-se eu penso, ao Brasil. Isso é balela, puro mito, o povo brasileiro era e continua sendo, embora tenha modificado um pouco, desorganizado. Pacífico eu acho que nunca, basta ver a violência generalizada contra os escravos e as diversas revoltas destes. Mas vindo para os nossos dias, desde a década de 80, a violência social urbana só faz crescer, veja os exemplos de Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Salvador, e a violência no campo , embora pouco divulgada, na Amazônia, contra os posseiros foi cruel. e sistemática.( melhoru bastante, nos últimos anos).Além disso, a década de sessenta e setenta( estaaté meados) foram exemplo de violência política nada desprezível.
    Um abraço

    • arthurmaximus disse:

      Meu caro Comandante, talvez tenha me expressado mal. Quando me referi ao país pacato e pacífico, referia-me unicamente no sentido político. Afinal, em nenhum dos golpes ou revoluções ocorridas no Brasil do século XX – à exceção da Revolução Constitucionalista de 32 – houve uma única troca de tiro. Mesmo com tanques na rua, as transições de poder davam-se de modo quase tranquilo, sem violência explícita entre vencedores e vencidos. Quanto ao resto, estou de pleno acordo com o senhor escreveu. Um abraço.

  4. Pingback: Lula ministro, ou O ocaso do governo Dilma | Dando a cara a tapa

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