Recordar é viver: “Crase pra que te quero”

As Dicas de Português sempre foram um ponto alto deste espaço. Não só pela predileção confessa deste que vos escreve pela língua de Camões, mas também porque nosso país anda cada vez mais carente de pessoas que falem e escrevam corretamente o vernáculo.

E já que esta é a seção nostalgia deste espaço, vamos recordar um dos primeiros e mais visitados posts sobre o tema: a famosa (e fatídica) crase.

Crase pra que te quero

Publicado originalmente em 8.2.11

 

Confesso que não entendo o porquê de tanta confusão a respeito do uso da crase. Na maior parte dos casos, os erros podem ser evitados a partir de algumas noções básicas sobre ela.

Primeiramente, crase não é acento; crase é fenômeno. Um fênomeno língüístico em que a preposição “a” funde-se ao artigo definido “a”. Esse fenômeno é representado na escrita por um acento “`”, a que chamamos de acento grave, que é igual ao agudo, só que virado para o outro lado.

Pois bem. Quando usar a crase?

Se a crase resulta da fusão do “a”-preposição com o “a”-artigo, nunca se deve usar crase antes de substantivos masculinos. Ou você já viu algum substantivo masculino precedido do artigo definido “a”? (Se bem que, em tempos de Big Brother e transgêneros, isso já não é tão verdade assim, mas vá lá)

Alguém deve estar perguntando: “Ah, e quando eu vou a um restaurante português e vejo um “Bacalhau à Gomes de Sá”? Olha a crase aí antes de nome masculino!”

Sim, meu caro. O problema é que em “Bacalhau à Gomes de Sá” está implícita a palavra “moda”. O sentido é “Bacalhau à [moda de] Gomes de Sá”. Por isso a crase. Mas, em regra, salvo nesses casos, NUNCA se deve usar crase antes de substantivos masculinos.

E se a regra envolve artigo definido “a”, logo NUNCA – e aí NUNCA mesmo – se deve usar crase antes de verbo.

Do mesmo modo, se a crase depende da preposição “a” para existir, não se deve usá-la após verbos transitivos diretos.

Tá na dúvida se deve usar a crase? Uma boa dica é simplesmente trocar o substantivo que está na frente pra saber se é necessário ou não utilizar o acento grave.

Vejamos: “Vou à Farmácia”. A crase está bem ou mal empregada?

Substituindo “Farmácia” por “Supermercado”, tem-se: “Vou ao Supermercado”.

Viu? A preposição “a” juntou-se ao artigo definido “o”. Logo, no caso de Farmácia, há a preposição e o artigo definido “a”. O emprego do acento grave, portanto, está correto.

Sempre que, substituindo-se o substantivo feminino por um masculino, resultar em “ao”, não tenha medo: meta o acento.

Fuja como cramulhãozinho da cruz da utilização da crase antes de substantivos masculinos e verbos. Não deixe que o acento grave caia sobre sua cabeça.

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