O embate eterno entre matéria e antimatéria

Dentro do ramo das ciências, a Física é certamente uma das matérias mais detestadas pelos alunos. Perde fácil para a Biologia, pois esta desperta alguma simpatia do corpo discente, por conta de sua mais próxima ligação com a realidade. Mas ganha da Química, um verdadeiro terror para quem não consegue entender a razão pela qual o sujeito tem de aprender a fórmula dos gases.

No entanto, ao contrário de suas primas, além de despertar paixão e ódio, a Física exerce certo tipo de fascínio sobre o curioso científico. Mesmo sem conseguir entender muita coisa do que é passado, muito menos a aplicabilidade prática de suas teorias, o sujeito é atraído para o universo físico tanto quanto um amante do mar é atraído pelo canto da Sereia.

Talvez uma das explicações para esse fenômeno seja uma virtual paridade entre o curioso e o estudioso de física. É dizer: se o cara que nunca a estudou a fundo não entende lá muita coisa, no outro extremo o físico profissional ignora a razão de ser de muitos dos mistérios escondidos no Universo. O cara consegue até explicar a noção geral de seu funcionamento, mas não consegue deitar uma linha sobre algumas charadas nele contidas. E uma delas é o embate entre matéria e antimatéria.

Mesmo quem só estudou física no segundo grau entende mais ou menos como é formada a matéria. Composta fundamentalmente por átomos, a matéria é tudo aquilo que a gente consegue ver, tocar e enxergar. Já os átomos, por sua vez, compõem-se de um núcleo – no qual existem partículas positivas (prótons) e neutras (nêutrons) – orbitado por partículas negativas (elétrons). Até aí, tudo bem. Nada que difira muito do conhecimento básico de física.

A questão é que, oposta à matéria, existe a antimatéria. Trata-se de um bicho estranho, composto do exato contrário da matéria, isto é, estruturada da mesma forma, com partículas semelhantes, mas com carga elétrica oposta: um núcleo de carga negativa – integrado por anti-prótons e anti-nêutrons – orbitado por partículas de carga positiva (anti-elétrons ou pósitrons). Quando matéria e antimatéria se encontram, o resultado é exatamente aquele que você imagina: as duas se aniquilam de forma instantânea, transformando-se em energia.

“E daí?”

Daí que, segundo a teoria científica mais aceita sobre a criação do Universo, após o Big Bang teriam sido criadas matéria e antimatéria em quantidades iguais. E se matéria e antimatéria foram criadas em quantidades iguais, o resultado natural seria que ambas teriam se aniquilado logo após a grande explosão inicial, deixando para o Universo apenas um rastro de luz e energia.

Mas, como você pode imaginar, há um pequeno problema para essa hipótese: eu, você e todo o Universo que nos cerca. Supondo que matéria e antimatéria tenham sido criadas em quantidades iguais após o Big Bang, nada daquilo que existe hoje no Cosmos – estrelas, planetas, galáxias – poderia existir. Como tudo isso existe, há uma evidência científica incontestável contra a hipótese de criação igualitária de matéria e antimatéria no momento inicial do Universo.

Isso conduz à seguinte questão: por que a matéria se sobrepôs à antimatéria e permitiu que o Sol, a Terra e todo mundo que está dentro dela pudesse existir?

A resposta é simples: ninguém tem a menor idéia.

Aparentemente, o Universo tem uma certa predileção pela matéria. Afinal, embora representa uma ínfima parte de seu total, há uma boa quantidade de matéria disponível para observação, ao passo que quase não existe antimatéria dentro dele. Aliás, uma das razões pelas quais se construiu o Grande Colisor de Hádrons (LHC) foi justamente para poder reproduzir as condições iniciais da criação do Universo e, assim, estudar partículas que só existiam naquele momento inicial, como a antimatéria.

O mais provável é que alguma força exterior tenha causado desequilíbrio na formação da matéria e antimatéria nos primeiros segundos após a ocorrência do Big Bang. Foi esse descompasso que permitiu, após a aniquilação de toda a antimatéria, um pequeno saldo de matéria, responsável pelo Céu e pela Terra.

Que tipo de força teria produzido semelhante proeza? Aí já são outros quinhentos.

A pergunta que resta, afinal, é a seguinte: será a resposta para um dos maiores enigmas do ciência a evidência científica mais concreta da “sintonia fina do Universo”, a revelar a existência de uma entidade superior a governar os seus desígnios?

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