Sugestão de música: Jethro Tull

Esse post deveria ter sido no dia ontem. Mas, graças à maravilhosa conexão da GVT, perdi o texto inteiro depois de terminá-lo. Fazer o quê? O jeito é tentar reescrevê-lo hoje.

Muita gente gosta de rock and roll. Mas há certas bandas que acabam sendo meio negligenciadas pela maioria do público. Em parte, porque o mainstream acaba não oferecendo alternativa à malta. E em parte porque existe uma certa preguiça de ir buscar coisas diferentes, quando já se conhecem coisas boas em quantidade razoável. Geralmente, fica-se no basicão Beatles, Rolling Stones e Pink Floyd e esquece-se o resto. Uma das vítimas desse fenômeno, ao menos no Brasil, é o Jethro Tull.

Fina flor do mais progressivo estilo de rock que já passeou nas plagas britânicas, curiosamente o Jethro Tull explodiu nas paradas antes mesmo do Pink Floyd, banda icônica nessa tipo de música. Em 1971, Aqualung era apresentado ao mundo, dois anos antes do lendário Dark Side of the Moon.

O sucesso foi imediato. Letras marcantes, acompanhadas de melodias cativantes, acompanhadas de uso intensivo de instrumentação eletrônica e sintetizadores, comme il faut.  Não à toa, o álbum integra a lista dos 500 maiores da lista da Rolling Stones. Mais importante do que isso, integra a seleta lista de 200 mais influentes álbuns de todos os tempos do Rock and Roll Hall of Fame.

Para diferenciá-la das demais bandas de rock, havia algo que se tornaria sua marca registrada: a flauta de Ian Anderson. Até onde consigo lembrar, trata-se da única banda de rock que reserva a esse instrumento de sopro um lugar de destaque no palco.

A canção que dá nome ao disco antecipa em quase dois anos algo que só se voltaria a ver com Money, do Pink Floyd. Uma música longa, com variações rítmicas dentro da própria canção que deixaria os mais “puristas” loucos diante do suposto “caos” criativo.

Aqualung começa como um hard rock, com uso pesado de guitarra e bateria. De repente, um fade faz desaparecer o rock and roll e transforma a composição em algo lento e melodioso, quase uma guarânia. Apenas o vocal de Ian Anderson e um violão ao fundo. Do nada, entra um rock meio transição entre anos 50 e 60. Com um pouco mais de imaginação, é possível visualizar os casais dançando algo como um twist pelo salão do baile de formatura. Um solo de guitarra ao melhor estilo David Gilmour precede outro fade, quando a guarânia volta a dar as caras. Finalmente, a música retorna ao seu começo, com a bateria e a guitarra em estilo seco, quase raivoso.

Mas o álbum não é só Aqualung. Mais adiante, há Mother Goose. Com menos variações rítmicas, Mother Goose apresenta ao ouvinte a flauta de Ian Anderson como compensação. A despeito da melodia, a força da canção está na letra, irônica como só ela, com Londres e com o próprio modo de ser britânico.

Menos irônica, Up to me faria certamente a cabeça de Roger Waters. Menos irônica na letra, Up to me é mais provocativa na crítica social que faz. Isso sem perder a harmonia das guitarras com a flauta de Ian Anderson.

Além dessas três, Aqualung notabiliza-se por Wind Up e Hymn 43. Há inclusive quem diga que o Iron Maiden tirou desta última a inspiração para compor seu próprio estilo musical. Eu pessoalmente não vejo muito paralelo entre ambas, mas a influência de todo o conjunto sobre o que viria depois é inegável.

Fica, então, o convite para que você perca um pouco do seu tempo ouvindo Jethro Tull. É satisfação garantida.

Ou seu dinheiro de volta…

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