O Tratado de Versalhes

Como aqui já foram explicadas as causas da I Guerra Mundial e como ela chegou ao fim, acho de bom tom falar um pouco sobre o tratado de paz firmado após o seu término: o Tratado de Versalhes.

Firmado no Palácio da cidade, entre os reflexos do magnífico Salão dos Espelhos, o Tratado de Versalhes pôs fim a uma guerra e plantou a semente da seguinte, que aconteceria 20 anos depois. Movidos mais pela vingança do que pelo bom senso, os membros da Entente queriam não só a rendição alemã. Queriam a sua humilhação.

O ponto de partida era a chamada “cláusula de culpa”: a Alemanha reconhecia incondicionalmente sua responsabilidade total pela guerra e por todos os danos dela decorrentes. Para repará-los, a Alemanha seria obrigada a indenizar os vencedores no irrisório montante de 270 bilhões de marcos alemães.

Fora isso, a Alemanha ainda perdeu territórios. A Alsácia-Lorena, tomada durante a guerra franco-prussiana, foi devolvida à França. Outros territórios conquistados à Dinamarca e à Polônia foram devolvidos aos seus antigos donos. Como se isso fosse pouco, a Alemanha teve de abrir mão de todas as suas colônias e possessões ultramarinas.

Pra fechar com chave de ouro, cláusulas destinadas a “evitar” uma guerra futura limitavam o efetivo e o desenvolvimento das forças armadas alemãs. Achava-se que, com isso, a Alemanha ficaria “amarrada”, e não poderia voltar a ameaçar a paz no continente.

Um dos efeitos imediatos do Tratado de Versalhes foi uma severa crise econômica na Alemanha. Com a economia já devastada pela guerra, não havia condições de, a um só tempo, reconstruir o país e pagar as indenizações de guerra. A solução? Mandar rodar a prensa na casa da moeda. O resultado? O primeiro grande surto hiperinflacionário do século XX. São dessa época as famosas imagens de alemães levando carrinhos de dinheiro à padaria para comprar pão. Se por um lado isso ajudou a quitar rapidamente os débitos de guerra (o valor real das indenizações ficou ridículo), por outro lançou o país numa tremenda crise social.

Associando-se a humilhação da assunção exclusiva da culpa da guerra à vergonha de perder territórios e à crise social provocada pela hiperinflação, estava preparado o terreno para receber a semente de algum grupo radical nacionalista.

Sem saber, as potências ocidentais plantaram em Versalhes as sementes do Nazismo e do Fascismo.

A nenhuma delas ocorreu dar ouvidos a John Maynard Keynes. Denunciando o Tratado como uma “Paz de Cartago”, Lord Keynes avisou: com um tratado de paz como esse, haveria uma guerra dentro de 20 anos.

Na mosca.

20 anos depois, a Alemanha invadiria a Polônia. Uma guerra ainda mais cruel e devastadora voltava a assolar a Europa. Tudo por conta da sede de vingança dos membros da Entente.

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