Trilha sonora do momento

É isso, em resumo…

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Pensamento do dia

Eu gostava mais do tempo em que a gente estudava Direito Constitucional e tudo era uma teoria. Agora, a gente estuda o negócio de manhã e já à noite ele tá na televisão.

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12 anos Dando a cara a tapa

Pois é, meus amigos.

Lá se vão 12 anos desde aquele já distante 18 de janeiro de 2011, quando este que vos escreve resolveu libertar-se das amarras então vigentes dos 140 caracteres do Twitter para expor ao distinto público os tormentos e as angústias que afligiam a mim e a toda a gente.

Houve, claro, bons e maus momentos, tanto a nível pessoal quanto a nível histórico. Sim, o Blog acabou invariavelmente se tornando uma testemunha ocular da história. Ela, que passou impávida diante dos nossos olhos, terminou por revelar uma pessoa e um mundo muito diferentes daqueles que começaram timidamente a década passada. Basta lembrar que em 2011 Dilma Rousseff presidia o Brasil, Obama presidia os Estados Unidos e Donald Trump não passava de um excêntrico bilionário picareta que apresentada um show de má qualidade na televisão. O mundo mudou e, junto com ele, mudei eu (e espero, vocês) também.

Nestes doze anos de Dando a cara a tapa, já se contam mais de 6.700 posts, espalhados em 20 seções muito distintas entre si. Os escritos deste espaço atraíram a atenção de 711.560 pessoas, 2.338 das quais resolveram seguir o conselho do Autor e, assim como ele, expuseram seus pensamentos ao mundo, dissertando na caixa de comentários.

É certo que há muito mais por vir, sem dúvida. Não no ritmo alucinante dos primeiros anos, com 5 e às vezes até 7 posts diários. A idade e a paternidade cobram o seu preço, e existem outras coisas na vida a fazer além de “tretar” na Internet.

Todavia, se é certo que o Blog dificilmente retomará em algum momento a profusão textual que um dia foi sua marca na infância, por outro também é certo que a adolescência deverá trazer-lhe mais liberdade de escrita e alguma diatribe. Sim, estejam preparados para textos mais diretos e apimentados, sem o uso intensivo de mesuras que por vezes caracterizou este espaço.

Para fazer jus ao anúncio desta nova era “bloguística”, prometo-vos uma semana inteira de textos oferecendo ao distinto público uma autópsia do bolsonarismo, esta chega que se abateu sobre o Brasil e acabou por destruir inclusive a legitimidade da Direita, tão defendida aqui neste espaço e com ele tão injustamente confundida.

Antes, porém, teremos na semana que vem, mais especificamente na segunda, na quarta e na sexta-feira, nossa tradicional Semana especial de aniversário, com os prognósticos do Blog para a Economia, o Brasil e o Mundo em 2023.

Enquanto a água não atinge o ponto de fervura, deixo aqui mais uma vez o meu muito obrigado a todos. Foi para vocês que este espaço foi criado.

Cordialmente,

O Autor

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Trilha sonora do momento

Pela lei brasileira, este espaço acaba de deixar a mais tenra idade para entrar na problemática fase da adolescência.

Levando em consideração o aniversário do Blog e, principalmente, o estado de espírito deste que vos escreve, não consigo pensar em trilha sonora mais apropriada para celebrar a efeméride do que esta aqui:

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Pensamento do dia

Comemorar mais um aniversário é a arte não só de matar um leão por dia, mas principalmente de desviar das antas.

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Trilha sonora do momento

Hoje seria um dia para ir de Eletric Light Orchestra.

Mas, para não perder a tradição, vamos de Tim Mais, mesmo…

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Mensagem de Natal

Pois é, meus amigos.

Mais um ano que se acaba. Ao contrário de praticamente todos os demais desde que este Blog foi inaugurado, este provavelmente foi o ano mais desafiador das nossas vidas. Nunca, em tempo algum, tanta coisa esteve em risco; nunca esse risco foi tão real; e nunca ele esteve tão próximo de se concretizar.

Felizmente, Deus se apiedou deste país ao sul do Equador e, pelo menos, podemos nos dar por aliviados por termos escapado de um fim horroroso (embora ainda corramos o risco de cair em um horror sem fim, mas isso é outra história).

Com a chegada do bom velhinho, o Dando a cara a tapa entrará em seu tradicional recesso natalino. Voltaremos na segunda quinzena de janeiro, quando, se o Bom Senhor permitir, teremos um movimento mais dinâmico aqui no Blog, com mais atualizações semanais e – quem sabe? – talvez com o retorno de algumas seções que foram esquecidas neste espaço.

Até lá, desejo-vos um Bom Natal e um Feliz Ano Novo, pleno de graça e realizações.

São os votos sinceros do

Autor

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Trilha sonora do momento

Here we go again…

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Pensamento do dia

The main reason why Santa is so jolly is because he knows where all the bad girls live.

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Final dos sonhos, ou A imbecil rivalidade entre Brasil e Argentina

Era tudo que a gente esperava.

Salvo os otimistas incorrigíveis e os trêfego nefelibatas, ninguém mais acreditava em um título da seleção brasileira. O técnico da seleção, com sua “Titebilidade”, já deixara clara a limitação do seu esquema. Desde escolhas incompreensíveis (por que convocar NOVE atacantes?) até erros verdadeiramente bisonhos (convocar Daniel Alves apenas para no banco como café-com-leite), o fato é que o time do ex-técnico corintiano nunca inspirou confiança. E, se ele não apanhou tanto quanto merecia até então, muito se deve à complacência quase criminosa com que a imprensa brasileira o tratou desde que assumiu o escrete canarinho.

Já que não havia condições reais de torcer por um improvável hexacampeonato, restava aos amantes do futebol torcer por uma final que reunisse as duas melhores seleções da Copa. E, mesmo para quem não entende bulhufas do esporte bretão, estava claro que os dois melhores times eram Argentina e França (com a Inglaterra correndo honrosamente por fora).

Não por acaso. Além de terem os melhores técnicos, os dois grandes craques da atualidade são, de um lado, o argentino Messi; e, do outro, o francês Mbappé. Nenhum dos dois é o “clássico” número 10 ao qual estamos acostumados, mas ninguém em sã consciência duvida que ambos honram com sobras a mística da camisa imortalizada por Pelé. Basta, para tanto, lembrar o que aconteceu na própria final: Messi fez dois gols e começou a jogada do outro; e Mbappé tornou-se o primeiro jogador a marcar três tentos numa final de Copa do Mundo. E se o caneco ao final ficou em mãos argentinas, isso se deve mais ao empenho da seleção alviceleste, que foi superior a maior parte do jogo e sempre buscou o gol. Simplesmente sensacional.

Chega a ser tristemente irônico que a mais fantástica final de um torneio mundial de futebol tenha tido lugar justamente na mais criticada das nações que o recebeu. Afinal, a qualidade do desempenho dos atletas em campo em nada apaga o retrospecto da Copa no Catar, que ficará para sempre marcado pelas restrições às mulheres, aos homossexuais e pelo desrespeito grosseiro aos direitos humanos dos trabalhadores que a tornaram possível.

Todavia, ao lado dessas tristezas (e elas não são poucas), coube-nos a boa fortuna de ver praticamente uma nação inteira torcendo por aquela a quem se diz ser sua arquirrival. Sim, porque se tem algo que o brasileiro aprende depois que aprende a chutar uma bola é que, havendo do outro lado uma camisa branca e azul, a próxima coisa a se chutar é uma canela. A rivalidade entre Brasil e Argentina é, sem dúvida, a maior do futebol mundial. E não seria exagerado dizer que o embate entre os dois maiores vencedores da América do Sul compõe o maior clássico da bola.

A despeito disso, a maior parte dos brasileiros torceu pela Argentina na final da Copa. Mesmo aqueles que escondiam sua torcida sob o manto diáfono do “estou torcendo só pelo Messi” mal conseguiam disfarçar o que, à vista de todos, parecia ser só um pretexto. No final, quando sacramentado o resultado das penalidades, a explosão em júbilo deixou claro o que batia no peito desses torcedores enrustidos.

Mas por que tanto ódio aos argentinos?

A bem da verdade, a razão para isso é nenhuma. A rigor, Brasil e Argentina nunca estiveram em guerra um contra o outro. Salvo um breve interlúdio conflituoso na Guerra do Prata, brasileiros e argentinos sempre estiveram lado a lado, desde a Guerra do Paraguai até as duas guerras mundiais (embora a Argentina tenha se mantido oficialmente neutra nas duas, los hermanos chegaram a “emprestar” combatentes aos aliados para o esforço de guerra).

A desconfiança brasileira em relação aos argentinos pode ser medida pela disposição de suas forças. O maior e mais poderoso contingente militar do Brasil é o III Exército (agora chamado de Comando Militar do Sul), com sede em Porto Alegre. Durante boa parte do século XX, viveu-se com a impressão de que uma guerra entre Brasil e Argentina pelo domínio do continente sul-americano era inevitável, a ponto de ambas as nações terem gastado tempo e dinheiro produzindo – pasmem – um programa nuclear. Felizmente, essa parte da rivalidade parece ter ficado no passado.

Para aqueles que reclamam do suposto racismo e xenofobia ao sul do Rio da Prata, a única resposta possível é a de que imbecis e racistas existem em qualquer lugar. Duvidam? Basta ver o que aconteceu depois das eleições em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul quando foram colhidos os votos dos nordestinos. Assim como é errado dizer que todo sulista é um idiota xenófobo, é igualmente equivocado generalizar o comportamento de alguns portenhos néscios e extrapolá-lo ao comportamento de toda uma nação.

Já é hora, portanto, de superar esse ranço estúpido e reconhecer nos nossos irmãos argentinos a riqueza de uma cultura que produziu um prêmio Nobel de Química, dois de Medicina e dois da Paz. Isso, claro, para não falar de Ernesto Sabato, Adolfo Bioy Casares e – claro – Jorge Luís Borges. E, se alcançamos a Jules Rimet antes deles, “agradeçam” à II Guerra Mundial. Se o selecionado argentino tivesse disputado os cancelados torneios de 1942 e 1946, possivelmente a Argentina teria hoje as mesmas cinco estrelas que enfeitam o escudo da seleção brasileira.

Por algumas horas, quiçá dias, Messi conseguiu fazer com que esse pesado histórico fosse colocado de lado. Se a sua genialidade, premiada pelo justíssimo título argentino, puder fazer com que esse seja mais um legado duradouro de sua brilhante carreira, é sinal de que o futebol é, de fato, uma tenda de milagres. O Brasil e o futebol agradecem.

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