Pataniscas de atum

Faz tempo que não rola nenhuma receita por aqui. Para não desapontar à maioria dos visitantes inopinados deste espaço, que em regra vêm parar aqui por conta da sempre apreciada seção de Culinária, vamos a um dos clássicos da Cozinha Maravilhosa do Blog: as deliciosíssimas Pataniscas de atum.

Pataniscas de atum

Herdeira da melhor tradição lusitana, as pataniscas são uma espécie de mini-panqueca. Geralmente elas vêm na sua variante de bacalhau, bem ao gosto dos nosso patrícios. No entanto, como o bacalhau é um peixe com gosto muito acentuado, que nem sempre agrada aos paladares mais delicados, o atum acaba sendo a escolha perfeita para quem quer agregá-las ao seu cardápio. E, para quem tem crianças em época de introdução alimentar em casa, trata-se da forma mais fascinante de englobar uma imensa variedades de alimentos nutritivos numa apresentação atraente e, ao mesmo tempo, muito saborosa.

Para preparar as pataniscas você vai precisar de:

1 –  2 latas de atum em azeite (se possível, dê preferência aos filets, mas, se não tiver, pode ser o ralado mesmo);

2 – 1 ovo;

3 –  Meio limão siciliano;

4 – 1 cebola média inteira;

5 – 2 dentes de alho;

6 – 1/2 maço de cheiro verde;

7 – 1/2 xícara de farinha de trigo com fermento;

8 – 2 colheres de sopa de azeite bem cheias;

9 – Sal e pimenta a gosto.

Para preparar, é muito fácil. Primeiro, pegue um multiprocessador. Retire o azeite das latinhas de atum, deixando só o peixe para colocar na mistura. Esprema meio limão siciliano dentro, depois introduza todo o resto: a cebola, os dentes de alho, o cheiro verde, a farinha de trigo, o azeite, o sal e a pimenta. Depois, basta bater no processador até que se forme uma massa uniforme. Duas dicas: se estiver muito “mole”, coloque um pouco mais de farinha; se estiver muito “dura”, coloque mais um pouco de azeite. A consistência ideal fica a meio caminho entre a massa de bolo e a massa de panqueca.

Feito isto, basta depois colocar na fogão uma frigideira anti-aderente. As mais finas, do tipo especial para panquecas, normalmente caem melhor para a tarefa. Aqueça a frigideira um pouco. Quando estiver aquecida, pegue uma colher de sopa e vá colocando a mistura nela. O tamanho vai ao gosto do freguês, mas, se a idéia for fazer o prato para crianças, é melhor deixar mais ou menos do tamanho da colher de sopa “espalhada” em forma redonda, como se fosse uma mini-panqueca. Desse jeito, dá pra fazer até quatro unidades ao mesmo tempo.

Outro segredo importante reside justamente nesse ponto. Não deixar queimar qualquer dos lados é, por óbvio, essencial. Mas como adivinhar o ponto da patanisca? Simples: observe a massa na frigideira e, quando começarem a aparecer pequenos buraquinhos, está na hora de virar a massa. Espere igualar a fritura do lado contrário e voilà: estão prontas as pataniscas de atum.

A receita é bem leve e agradará decerto os paladares mais apurados. O acompanhamento pode ser um velho e bom e purê de batata (ideal para os miúdos). Mas, se quiser, pode também servir com uma saladinha básica que não fará feio. De resto, basta aguardar os elogios que virão ou, ainda melhor, o sorriso de satisfação do seu filho ao saborear uma refeição feita especialmente para ele.

E, convenhamos, não há preço que pague isso, não é verdade?

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Trilha sonora do momento

Zeca Pagodinho.

Imortal.

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Pensamento do dia

Humanista é o indivíduo com grande interesse por seres humanos. Os cachorros, por exemplo, são humanistas.

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O pacote de Moro

Da onde menos se espera, daí é que não vem mesmo, ensina o dito popular. Tal é a conclusão de quem se debruça sobre o pacote de mudanças na legislação criminal e processual propostas pelo Ministro da Justiça Sérgio Moro.

Quando Bolsonaro convenceu Moro a abandonar a toga, sabia muito bem o que estava comprando: o selo da Lava-Jato para um governo que se pretende anti-corrupção, apto a “mudar isso daí”. Muita gente boa embarcou na onda, achando que fama de justiceiro do ex-juiz federal seria suficiente para moldar um bom ministro da Justiça. Os mais entusiasmados chegaram mesmo a comemorar a ascensão de um magistrado especialista em lavagem de dinheiro para quebrar a espinha dorsal do crime organizado, que até as pedras sabem passa pelas cifras envolvidas nos delitos. Como todo mundo está vendo agora, o buraco é mais embaixo.

Em primeiro lugar, o dispositivo que pretende alterar o Código de Processo Penal para determinar a execução provisória da pena após a condenação em segundo grau é, na melhor das hipóteses, inútil. Pela legislação atual, os recursos extraordinário e especial já não possuem efeito suspensivo. Logo, do ponto de vista estritamente legal, não há qualquer óbice à execução provisória da pena. O problema é saber como compatibilizar esse comando com a Constituição, que determina a impossibilidade de executar-se provisoriamente a pena de alguém cuja sentença ainda não transitou em julgado. O inciso LVII do art. 5º pode ser alterado por emenda constitucional? É duvidoso, mas talvez possa. Mas o fato é que alterar o CPP não vai mudar nada nesse panorama.

Fora isso, a idéia de encontrar uma definição jurídica mais precisa para as organizações criminosas pode até ser interessante. Entretanto, nominar expressamente na lei o PCC, o Comando Vermelho, os Amigos dos Amigos e seja lá mais quem for, representa um despautério sem tamanho. Além de conferir a organizações criminosas uma legitimidade implícita a ponto de se reconhecer a necessidade de citá-las na lei, o fato é que isso não alterará nada o marco legal da bandidagem, podendo até beneficiá-las. Ou os advogados dos criminosos não alegarão que uma lei ad hoc, por ser criada quase ad personae e sem a necessária abstração, não encerraria algum tipo de inconstitucionalidade?

Nenhuma proposta, contudo, é pior do que a que elastece as excludentes de ilicitude previstas no Código Penal, estabelecendo a possibilidade de o juiz “reduzir a pena até a metade ou deixar de aplicá-la se o excesso decorrer de escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. Vivendo em um país cuja polícia é a mais letal do planeta, uma autorização dessa espécie transformaria as infames chacinas policiais em verdadeira rotina quotidiana. Isso, claro, para não falar da absurda insegurança jurídica que conceitos como “medo, surpresa ou violenta emoção” podem gerar, considerando a costumeira falta de padrão decisório do Judiciário brasileiro.

No meio de tanto cascalho há, claro, iniciativas interessantes. Uma delas é a restrição de cabimento dos embargos infringentes à hipótese de voto divergente pela absolvição do réu. Outra é a determinação de que lideranças de organizações criminosas armadas devem necessariamente iniciar o cumprimento da pena em presídios de segurança máxima. Para quem ansiava por uma revolução do sistema penal brasileiro, contudo, o resultado ficou bem aquém do esperado. Espera-se que o Congresso tenha a sabedoria e o discernimento necessário para não piorar o que já é muito ruim.

Convém, no entanto, colocar as barbas de molho. A julgar pela onda que varreu o Brasil na última eleição, boa coisa não deve vir.

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Trilha sonora do momento

Do tempo em que as novelas da Globo faziam gosto de ver…

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Pensamento do dia

Desconfio que o sono está me traindo: ando todo o dia com ele e à noite ele desaparece.

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A tragédia de Brumadinho

No seu clássico 18 Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx – citando Hegel – fala que todo fato histórico acontece, por assim dizer, duas vezes: a primeira, como tragédia; a segunda, como farsa.

Vivesse o barbudo no Brasil dos tempos atuais, Marx teria de reformular seu pensamento. Aqui, em algum lugar abaixo do Equador, os fatos históricos acontecem muito mais que duas vezes. E, em todas as vezes, o resultado é uma tragédia. Tal é a constatação de quem vê a repetição do drama de Mariana em Brumadinho, nas mesmas Minas Gerais onde, há pouco mais de três anos, ocorrera episódio semelhante.

Obviamente, nada acontece por acaso, e a tragédia de Brumadinho não seria exceção à regra. Desde o desastre de Mariana, pouco mudou e menos ainda se fez em relação às barragens de rejeitos da mineração de ferro no interior de Minas. A Vale continua a explorar o minério como os bandeirantes no século XVI. O método pode até ter evoluído um pouco, mas o descaso com o meio ambiente continua o mesmo. Ninguém está nem aí pro tamanho da desgraça que se abate sobre o ecossistema local em virtude da exploração predatória da terra.

Evidentemente, a repetição da tragédia dentro do mesmo quinquênio, com saldo de vítimas exponencialmente maior no segundo caso, amplifica a repercussão do desastre. O problema, contudo, é que tudo no Brasil parece se esgotar em duas semanas de noticiário. Passada a fase de interesse inicial, na qual todo mundo só sabe falar da mesma coisa, aparece um escândalo aqui, uma intriga política acolá, e logo as máquinas das redações começam a rodar em outra voltagem. Enquanto isso, a tragédia que fica, que vitimou tantas pessoas e que destroçou tantas vidas, rebaixa e desonra em caráter permanente.

A essa altura, parece evidente que, se Mariana tivesse resultado em pesadas multas ambientais, responsabilização dos envolvidos e em maior fiscalização por parte do Governo, o drama poderia ter sido evitado. Mas, como diz o ditado, se meu avô usasse saia, seria minha avó. Nada disso aconteceu, e aqui estamos novamente debatendo mais um rompimento lamacento de rejeitos de mineração.

Do ponto de vista econômico, engana-se quem acha que “o capital pune”. As ações da Vale despencaram 25% em média na última segunda feira, é fato. De lá pra cá, no entanto, já recuperaram quase metade da queda. Não seria nenhuma surpresa constatar daqui a poucos meses que o valor de mercado da empresa já superou aquele do dia do rompimento da barragem de Brumadinho.

Vende-se na alta, compra-se na baixa, dirão os especuladores. Mas, enquanto uns embolsam uma fortuna à custa da tragédia alheia, as vítimas ficam a depender da “benevolência” da Vale, que diz que doará R$ 100 mil a cada família atingida. Um troco, principalmente quando se sabe que acionistas minoritários sediados nos Estados Unidos propuseram uma ação coletiva contra a empresa pedindo uma indenização bilionária – e em dólar – pelos prejuízos financeiros que lhe foram causados pela negligência operacional da empresa.

Aqui no Brasil, claro, acontecerá nada. Nem class action, nem muito menos indenizações decentes a quem teve a vida destroçada pelo desmoronamento da barragem. No dia em que houver pessoas responsabilizadas criminalmente pela desgraça, em que empresas sofrerem condenações financeiras pesadas impostas pela Justiça e em que os órgãos de regulação estejam suficientemente aparelhados para fiscalizar uma atividade tão nociva quanto a mineração, pode ser que algo mude.

Até lá, contudo, só nos resta chorar…

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