Trilha sonora do momento

Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Já que é assim, vamos ao clássico de Sá & Guarabira nessa maravilhosa versão do Biquini Cavadão.

E, convenhamos, é bem melhor falar nisso do que de mais uma polêmica do Neymar…

 

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Pensamento do dia

Se não é certo comer de madrugada, por que tem luz na geladeira?

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Juntos and shallow now, ou As maravilhosas versões brasileiras

Parece até que foi combinado.

Em um 2019 politicamente abaixo da crítica, com desemprego em alta, mundo estressado e dólar nas alturas, tinha que aparecer alguma coisa pra desopilar a massa das atribulações diárias desta vida tão sofrida. E os responsáveis por realizar essa façanha em um cenário tão adverso foram Luan Santana e Paula Fernandes.

Sim, como você já deve estar sabendo, os dois cantores resolveram se unir para elaborar uma versão brasileira do sucesso Shallow, música de Lady Gaga interpretada pela própria e por Bradley Cooper, que venceu o Oscar de melhor canção deste ano. Até aí, tudo bem. Afinal, versões de músicas estrangeiras para o brasileiro, uma língua quase totalmente diferente do português, aparecem a três por quatro. Se for forró, então, essa frequência aumenta para cada 15 minutos de rádio.

O problema, claro, reside no já famoso verso em que, à falta de criatividade ou de uma rima melhor, Luan Santana e Paula Fernandes “apelaram” para a versão original e saíram com o agora mundialmente infame “juntos and shallow now“. Obviamente, o “verso” não faz o menor sentido, nem na versão original, muito menos na versão brasileira.

É claro que quem se dispõe a trazer para o vernáculo uma canção estrangeira não está em busca de uma verdadeira “tradução” dos versos originais. O propósito, como parece óbvio a qualquer símio, é “importar” os acordes da música e elaborar, na medida do possível, uma letra que remeta à essência da original, sem necessariamente valer-se das mesmas palavras. Além de ganhar-se literalmente uma nova versão da música, às vezes é possível até superar a canção original, fazendo pro vezes com que a versão brasileira ganhe um alcance  muito maior do que a própria versão original. E não faltam exemplos em que tal fenômeno se sucedeu.

Veja-se o que sucedeu, por exemplo, com Marvin, dos Titãs. Pouca gente sabe, mas a música é uma versão da música Patches, da banda Chairmen of the board. Quase ninguém no Brasil ouviu a original, mas a maioria é capaz de citar de cor o refrão da belíssima versão de Nando Reis. O sentido da canção permaneceu o mesmo – a relação entre um pai em estado terminal e o filho sobre cujos ombros recairão as obrigações da família. Mas a beleza dos versões em português transforma um triste soul quase numa balada épica. Basta comparar as duas:

Obviamente, nem sempre o resultado é bom. Há casos em que o sujeito se prende tanto à literalidade dos versos que acaba transformando o que era pra ser uma “versão brasileira” numa quase “tradução brasileira”. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Zé Ramalho, quando pretendeu verter para o vernáculo os potentes versos do agora Nobel Prize Winner Bob Dylan em Knockin’ on Heaven’s Door com sua infame Bate na porta do céu:

Em outras oportunidades, no entanto, em que o sucesso do original é tão estrondoso que nenhuma versão, por melhor que seja, alcançará os seus pés. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Hey Jude, um clássico dos Beatles, que ganhou uma versão homônima de Kiko Zambianchi. A música em português é linda – e o fato de ter se tornado trilha sonora da novela Top Model ajudou um bocado. Mas quem, em sã consciência, dirá que a letra do cantor paulista supera os versos originais de Paul McCartney?

Há mesmo casos parecidos com o de juntos and shallow now. Quando Ronaldo Bastos resolveu fazer sua própria versão de Lately, uma das mais belas canções de Stevie Wonder, ele mesmo achou por bem encaixar um “you don’t know” no meio dos versos em português. Mas, ao contrário da versão de Shallow, a invenção de Ronaldo Bastos na voz de Gal Costa soa mais como homenagem do que falta de criatividade. E, o que é mais importante, faz sentido em qualquer das duas línguas.

O problema da versão de Shallow de Luan Santana e Paula Fernandes, portanto, é menos em relação à música em si e mais o que ela depõe contra a qualidade dos músicos brasileiros. Eles, que sempre se destacaram por fazer versões tão boas ou melhores do que suas congêneres estrangeiras, agora se vêem subitamente arrastados para o escatológico mundo dos memes das redes sociais.

Para terminar e relembrar tempos melhores, deixo-vos com a inigualável versão de E po’ che fa, vertida para o vernáculo por Nelsinho Motta. Porque, afinal, qualquer canção na voz de Marisa Monte fica melhor do que outra qualquer.

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Trilha sonora do momento

A música não é lá grandes coisas, mas, se for optar por ouvi-la, favor escutar na versão original, please.

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Pensamento do dia

Eu tento ser uma boa pessoa, mas às vezes a minha língua não ajuda.

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A Reforma da Previdência e a retomada da economia

Não é de agora que economistas dos mais variados matizes e até mesmo a mídia especializada vêm tratando a Reforma da Previdência como a grande panacéia do país. Patinando desde o começo da década, quando Dilma Rousseff assumiu o país e nos conduziu à pior recessão da história, a economia passo por um clico desastroso desde pelo menos 2013, buraco que se aprofundou com o governo Michel Temer e cujo fundo ainda não se enxerga neste governo Bolsonaro. O desespero é tamanho que muita gente boa já se pergunta se não deixamos o processo recessivo para atrás para nos afundarmos numa depressão econômica, daquelas que marcam – tristemente – a história de um país.

E a pergunta que o cidadão comum deve estar a se fazer aos seus botões neste momento é: “A Reforma da Previdência vai de fato virar esse jogo?”

Para responder a essa pergunta, voltemos um pouco no tempo.

Em maio de 2017, Michel Temer já tinha oito meses de mandato e navegava em mares tranquilos na seara política. Depois de atuar decisivamente no impeachment, o ex-vice-presidente da República reorganizou a mesma base que derrubara Dilma Rousseff no que ele próprio chamaria de “Presidência semi-parlamentar”. Tratorando os partidários da ex-presidente – subitamente devolvidos à oposição -, Temer conseguira quase 2/3 do Congresso para aprovar a draconiana “PEC do Teto” e estava na bica de aprovar a sua reforma da Previdência. Foi quando o áudio do Jaburu veio à tona e derrubou de fato o seu governo (embora não o tenha derrubado de direito).

Dois anos depois, a situação é mais ou menos a mesma. Estamos afundados numa recessão, a retomada prometida foi para as calendas e não se discute mais quanto o PIB vai subir este ano, mas, sim, se ele vai subir este ano. Na outra banda, a “grande solução para todos os nossos problemas” continua sendo a reforma da Previdência. Desta feita, a elaborada pelo “Posto Ipiranga” Paulo Guedes, com a famosa “conta do trilhão”, sem a qual a reforma não teria “potência” resolver a questão fiscal brasileira.

Deixe-se de lado, por ora, toda a discussão acerca do “déficit” da Previdência (se existe ou não existe; se é grande ou se é pequeno; etc.). Deixe-se de lado, também, o fato de que já estamos na nossa quarta reforma do sistema previdenciário em pouco mais de duas décadas (uma com Fernando Henrique, uma com Lula e outra com Dilma). Deixe-se de lado até o mistério acerca dos cálculos do tal R$ 1 trilhão da equipe de Paulo Guedes, sobre os quais, de maneira inexplicável, foi decretado sigilo de Governo.

A pergunta é:

“A Reforma da Previdência vai trazer de volta o crescimento econômico?”

E a resposta é clara com a água:

“Não”.

Ainda que a Reforma da Previdência seja aprovada exatamente como foi enviada ao Congresso – o que, além de ser uma improbabilidade estatística, configura uma temeridade política -, os efeitos da “conta do trilhão” envolvem redução atuarial de despesas no horizonte de uma década. E é justamente no terço final desse período – ou seja, já chegando em 2030 – que a maior parte da economia com despesas previdenciárias seria gerada. Logo, é no mínimo inocente acreditar que, uma vez aprovada a Reforma, no dia seguinte estaremos bombando um crescimento chinês.

Fora isso, como qualquer estudante de Economia sabe, o que produz crescimento não é mudança no texto constitucional. O que produz crescimento é demanda. E a demanda, por definição, só pode vir de dois lados: do setor público e do setor privado. O setor público encontra-se na pindaíba, no mais baixo patamar de investimentos da história. E, mesmo com a Reforma da Previdência, não se veria folga no orçamento senão ao final de um hipotético segundo mandato de Bolsonaro. Por isso, não há razão para crer em impulso econômico a partir da demanda governamental antes de 2028.

No lado do setor privado, a demanda continua reprimida. A uma, porque o consumidor, cada vez mais endividado, esconde-se dos cobradores e está preocupado com o seu emprego, pois já são 13 milhões os que estão alijados de ocupação. A duas, porque a indústria encontra-se com a maior capacidade ociosa de sua história, circunstância que naturalmente inibe novos investimentos.

O blá-blá-blá em torno da retomada econômica a partir da Reforma da Previdência, portanto, constitui empulhação reles diante de uma economia deprimida pela falta de demanda nas suas duas principais pernas: o Governo e os agentes privados. Não por acaso, economistas de grandes bancos de investimento já começaram a ajustar o seu discurso dizendo que “só a Reforma da Previdência não vai resolver nossa situação”.

Na verdade, o grande nó da Economia passa pelos juros, não pela Previdência. Depois da Previdência, a maior despesa do Governo é com os juros pagos aos rentistas. A diferença é que, no primeiro caso, o dinheiro das pensões injeta dignidade na pobreza e ajuda a sustentar que muito trabalhou para gozar algum descanso na velhice. Na outra ponta, o dinheiro só serve para engordar as contas de quem não empurra um prego numa barra de sabão.

Para além disso, consumidores encalacrados com dívidas jamais tirarão seu nome do SPC enquanto estiverem a lhe cobrar 400% a.a. no cheque especial. Industriais e comerciantes tampouco se sentirão tentados a investir na ampliação de seus negócios enquanto a taxa de juro real da economia for superior à taxa de retorno dos investimentos em capacidade instalada.

Ou o Brasil se dá conta de que o principal problema do país não são os velhinhos que recebem aposentadoria, mas os gatos gordos da Faria Lima, ou então daqui a cinco anos estaremos discutindo como aprovar pena de trabalhos forçados para quem está aposentado.

Afinal, não haverá mais o que se reformar.

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Trilha sonora do momento

Por favor…

Pare, agora…

#FicaaDica

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