Trilha sonora do momento

Para não deixar passar a tradição.

Porque, afinal, é o dia dela…

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Trilha sonora do momento

E lá se foi Mikhail Gorbachov.

Para registrar a homenagem devida a um dos homens responsáveis por tirar o mundo do caminho do Apocalipse, a formidável Nikita, um verdadeiro hino que Elton John compôs com Bernie Taupin para a época da Guerra Fria.

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Pensamento do dia

Penso, logo existo, logo penso demais, e aí vem a ansiedade.

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O debate na Band, ou Por uma mudança no formato dos debates eleitorais

Quem tinha tempo e saco, ontem parou pra assistir ao debate dos presidenciáveis na TV Bandeirantes. Organizado em formato de pool com vários outros veículos de comunicação, o debate teve momentos previsíveis (Lula sendo acossado pelas acusações de corrupção) e momentos “imprevisíveis previsíveis” (Bolsonaro surtando com a jornalista Vera Magalhães). Ciro, como de hábito, pagou de franco-atirador, tendo acertar a tudo e a todos. De novidade, mesmo, apenas a boa surpresa com a dupla sul-matogrossense, Simone & Soraya, que deram um banho nos homens presentes ao recinto. Felipe D’Ávila? Quem é mesmo Felipe D’Ávila?

No dia seguinte, aconteceu o esperado. Quem era lulista disse que Lula foi bem, quem era Bolsonarista saiu arrotando que o Presidente “jantou” todo mundo, e quem era cirista ficou na convicção de que seu candidato levou algum. A imprensa, contudo, em um raro momento de unanimidade em momentos dessa natureza, cravou o que parece óbvio a qualquer pessoa que assistisse ao debate com o mínimo de isenção: Simone Tebet foi a grande vencedora da contenda. Mas a questão que fica é: essa vitória renderá votos para a senadora do Mato Grosso do Sul?

Que a vitória esmagadora no debate de ontem deve render algum voto para a candidata do PMDB, não resta a menor dúvida. Mas daí a achar que ela poderá explodir nas sondagens eleitorais e ultrapassar Bolsonaro para disputar o segundo turno contra Lula, vai uma grande distância.

Na verdade, desde algum tempo os debates pouco ou nada influenciam nas corridas eleitorais. No mais das vezes, as variações dão-se no limite da margem de erro. E são menores ainda os casos em que do debate resulta alguma mudança significativa no panorama eleitoral. É o caso, por exemplo, do último debate da Globo no primeiro turno de 2006, quando Lula faltou e a contenda foi para a segunda ronda. A hipótese, contudo, é bastante discutível, visto que, poucos dias antes ,havia estourado o escândalo do dossiê dos “aloprados”. É muito mais razoável, portanto, acreditar que a frustração da reeleição do petista no primeiro turno tenha muito mais sido decorrência desse escândalo do que à sua falta no debate global.

Ademais, como já foi tratado neste espaço quase uma dezena de vezes, a influência da televisão na corrida eleitoral é cada vez menor, como menor é a influência da televisão na nossa vida em geral. Não há qualquer razão para acreditar, portanto, que a ascendência decrescente da telinha sobre o “pensamento médio do telespectador”, de algum modo, não implica também ascendência decrescente sobre o “pensamento médio do eleitor”.

Seja como for, o debate de ontem deixa evidente que esse modelo de debate brasileiro encontra-se completamente ultrapassado. Perguntas rígidas, cronometradas, segundo um script um tanto enfadonho, tornam o “espetáculo” televisivo representado pelo debate algo deprimente. Pior que isso, claro, somente a presença de nulidades como Luiz Felipe D’Ávila, com representatividade virtualmente nula no eleitorado.

O que fazer, então?

O primeiro passo, por óbvio, é restringir a quantidade de candidatos. O ideal seria que somente os três primeiros colocados nas pesquisas estivessem lá pra disputar. Na pior das hipóteses, quatro, desde que estes quatro ultrapassassem um percentual pré-estabelecido de intenções de voto (10% ou 5%, por exemplo).

Na hipótese de haver quatro candidatos, seria disponibilizada meia hora cronometrada para todos eles. No total, portanto, o debate duraria exatamente duas horas. As perguntas seriam livres entre eles, sem restrição de assunto ou tema. A única imposição a ser feita seria que um candidato teria que fazer, na ordem do debate, pergunta para alguém que ainda não tivesse respondido. De resto, salvo dedo no olho, valeria tudo.

Para além da liberdade inquisitorial, esse formato permitiria aos próprios candidatos controlar o seu tempo de resposta. Quando achasse que deveria entrar mais a fundo em um determinado tema, o candidato não ficaria restrito àqueles dois, três minutos impostos pela programação de TV. Por outro lado, contudo, deveria ficar de olho para não gastar todo o seu tempo antes da hora, sob risco de condenar-se à mudez no final do debate, sujeitando-se a ataques dos outros candidatos sem o direito de replicar.

Haveria, obviamente, quem achasse ruim esse formato (os marqueteiros em geral). Os benefícios, contudo, parecem bem palpáveis, na medida que o debate fluiria de maneira mais livre, sem aquela pasteurização horrorosa imposta pelos tempo e púlpito estáticos. O eleitor poderia observar com mais clareza “quem é quem”, com o bônus de ver como os candidatos reagiriam sendo efetivamente colocados contra a parede, sem poderem – como ocorre hoje – mentir à vontade sem correr risco real de serem contraditados.

Ganharia com isso a TV (que atrairia maior audiência), o eleitor (que teria mais dados para julgar os candidatos) e a própria corrida eleitoral (que ganharia emoção real na disputa). Ganharia, enfim, a própria democracia.

Mas teremos algo do gênero?

A julgar pelo histórico, infelizmente não…

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Trilha sonora do momento

Um conselho sempre renovado, nunca seguido.

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Pensamento

With great power comes great electricity bill.

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Bola no chão: o cenário para a eleição de outubro

Faltando 40 dias para a eleição, parece esta ser uma boa altura para tentar iluminar o caminho que se avizinha daqui até o próximo pleito presidencial. Se até agora o que havia era conversas de bastidores e campanha eleitoral disfarçada (pode me chamar de “pré-campanha”), agora não há margem para tergiversações: o que haverá daqui pra frente é pura pancadaria. E, a julgar pelo histórico de alguns candidatos envolvidos, MMA vai parecer brincadeira de criança perto do que está por vir.

O grande problema de analisar cenários político-eleitorais, especialmente em um ambiente tão polarizado quanto o nosso, é a armadilha pregada pela nossa mente, de sempre procurar ajustar os fatos de maneira a que se adequem à nossa interpretação, sempre sujeita às idiossincrasias da vida que nos moldou. Trata-se daquilo a que os psicólogos convencionaram chamar de “viés de confirmação”. Até certo ponto, qualquer interpretação está sujeita à visão de mundo de quem analisa a questão. Todavia, tal circunstância não pode se transformar em escusa para que o sujeito torture os fatos e dobre-os ao seu bel prazer.

Para escapar da saída fácil de querer enxergar somente as coisas que nos convém, o melhor remédio é colocar a bola no chão, isto é, estabelecer aquilo que é fato, para somente então levantar dúvidas. Com alguma sorte, é possível unir uma coisa à outra e extrair pelo menos algum sentido nesse mar de confusão que nos rodeia.

Vamos, primeiro, aos fatos:

1 – Lula está na frente em todas as pesquisas:

A menos que você seja integrante de algum grupo de zap profundo, ou defenda teses paranóicas de uma grande conspirata globalista do marxismo cultural, liderada pelo Papa Bergoglio com o auxílio de Bill Gates e George Soros, o torneiro bissílabo de São Bernardo encontra-se em primeiro lugar na preferência do eleitorado. Com uma margem cada vez menor no primeiro turno, é verdade, mas com relativa estabilidade na dianteira no segundo turno, sempre com uma vantagem de dois dígitos sobre Bolsonaro.

2 – A rejeição a Bolsonaro é muito elevada:

Aplicando-se aqui a mesma ressalva do item anterior, o fato é que a rejeição ao atual Presidente da República não encontra paralelo, pelo menos no Brasil, entre incumbentes presidenciais que tentam a reeleição. Na maior parte das pesquisas sérias (Ipec, Ipespe, Datafolha, Quaest e FSB, por exemplo), a taxa de rejeição do Presidente é superior a 50%. Virtualmente, isso significa que qualquer um que concorresse contra ele venceria a contenda, pois mais da metade da população se recusa a votar nele.

3 – A terceira via não se viabilizou:

Para tristeza de muitos, inclusive deste que vos escreve, a propalada e tão aguardada “terceira via” não se concretizou. Houve, claro, um problema de timing. Entre tanta guerra de egos e disputa de vaidades, parece claro que o pessoal da “terceira via” deixou o cavalo passar selado, sem que se chegasse a um acordo de quem deveria montá-lo. Enquanto Doria disputava com Eduardo Leite, Pacheco tentava fazer cosplay de JK e Sérgio Moro caía no conto do vigário do União Brasil. Resultado: só Simone Tebet sobrou na pista, renegada pelo próprio partido e sem conseguir animar sequer Tasso Jereissati a ser seu vice. Com Ciro Gomes correndo em pista própria – e paralela, pois sem qualquer chance de vitória -, resta ao eleitor brasileiro escolher entre Lula e Bolsonaro para governar o país pelos próximos quatro anos.

Estabelecidos esses fatos, resta as dúvidas:

1 – Qual será o impacto da propaganda eleitoral no rádio e na TV nas pesquisas?

Muitos analistas e políticos anseiam pelo começo da propaganda no rádio e na TV, como se, de algum modo, eles pudessem se transformar em um turning point das eleições. Quem acompanha o Blog há mais tempo, contudo, sabe bem qual a opinião deste que vos escreve sobre isso. Salvo nas eleições de 2014, quando a máquina petista de Dilma Rousseff destroçou Marina Silva com um ataque incessante de fake news, não há registro relevante de alterações nas intenções de voto por conta do início da propaganda eleitoral. A uma, porque os principais candidatos já são por demais conhecidos pelo eleitorado. A duas, porque a propaganda eleitoral basicamente tem se resumido à venda de um produto pasteurizado, embora com assinatura de marqueteiro de grife. E a três porque, convenhamos, ninguém mais assiste televisão. Alguma inserção poderá viralizar e mudar um número significativo de pontos? É possível. Porém, não é provável.

2 – Os efeitos da PEC Kamikaze já foram “precificados” pelo eleitorado?

Quando Paulo Guedes aceitou ser atropelado pelo Centrão e chutou balde da fantasia liberal que o governo orgulhosamente ostentava em seu discurso, deu-se ao fenômeno o nada pomposo nome de “PEC Kamikaze”. A lógica era simples: distribuem-se bilhões às vésperas da eleição, na esperança de que os beneficiados com os inúmeros auxílios bancados pelo déficit público retribuam a graça em forma de votos na eleição. Até agora, contudo, nada disso aconteceu. Os ponteiros dos votos nas classes mais baixas da população mal se mexeram, e todas as pesquisas apontam uma liderança folgada de Lula nesse estrato social. Os 40 dias que restam até o pleito de outubro serão suficientes para que as bondades criadas pela PEC Kamikaze façam algum efeito, ou os possíveis efeitos, se é que eles existem, já foram absorvidos por quem tenderia a mudar de voto? Quem acompanha o Blog sabe qual é a opinião a respeito disso.

3 – Os eleitores de Ciro adotarão a estratégia do voto útil, ou seguirão com seu candidato até o fim?

Aqui está talvez a grande charada dessa eleição presidencial. Do lado de Bolsonaro, a estratégia é clara: jogar a disputa para o segundo turno e, nele, demonizar Lula e o PT como encarnação do diabo na esperança de que, numa guerra de rejeições, prevaleça novamente o antipetismo. Todavia, os pontos que Bolsonaro tem conseguido subir nas pesquisas até agora foram todos colhidos em solo favorável, isto é, entre bolsonaristas arrependidos que regressaram ao rebanho e simpatizantes da terceira via que nutrem verdadeira aversão ao PT. Lula, entretanto, segue impávido com seus 45-47% dos votos no primeiro turno, o que indica que, até o momento, a campanha bolsonarista não conseguiu converter petistas em anti-petistas. Pior. Com esse grau de acirramento, não é desprezível a possibilidade de que eleitores de Ciro Gomes, preocupados com a possibilidade de um segundo turno entre Lula e Bolsonaro, resolvam adiantar o voto no babalorixá petista do segundo turno para o primeiro. Se apenas 1/3 dos eleitores de Ciro fizerem isso, a parada pode se decidir logo na primeira ronda, sem que se chegue à segunda volta.

Com a bola no chão, portanto, é possível antever o que nos espera até o dia 2 de outubro. Mas, entre tantas dúvidas, há uma certeza: até lá, haverá choro e ranger de dentes.

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Trilha sonora do momento

Entendedores entenderão.

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Pensamento do dia

No fim das contas, a gente trabalha para bancar momentos que não têm preço, com pessoas que valem ouro.

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Recordar é viver especial de homenagem: “O fim do programa do Jô”

E lá se foi o último beijo do Gordo.

Não que fosse inesperado. Afinal, José Eugênio Soares já contava com seus 84 anos mais que bem vividos, com uma longa folha de serviços prestados ao jornalismo, à literatura, ao teatro e, claro, ao humor. Não, jamais haverá alguém como ele, e todas as homenagens que se lhe fizerem ainda serão poucas diante do buraco que Jô Soares deixou na cultura brasileira.

Deste espaço, pelo menos, pode-se dizer que as homenagens não vieram somente com a sua morte. Aliás, muito do que ora está sendo reproduzido na grande mídia que optou burramente por esquecê-lo já foi escrito aqui, seis anos atrás.

Resta, portanto, consolarmo-nos do legado imortal que ele deixou, que sobreviverá ainda por muitos anos no imaginário de quem teve o privilégio de assistir ao vivo à genialidade dessa grande figura.

O fim do Programa do Jô

Publicado originalmente em 20.12.06

anúncio foi feito desde o começo do ano. Como numa contagem regressiva, o público foi sendo apresentado a um fim lento e gradual do primeiro grande talk show da televisão brasileira. Decerto, a esperança era a de que o fim prenunciado diminuísse a dor da partida, fazendo com que a audiência se acostumasse aos poucos com a idéia de não ir mais dormir com o “beijo do Gordo”.

Jô Soares cansou-se de repetir que essa seria apenas o fim do Programa do Jô na Globo. Com isso, passava duas mensagens: primeiro, que jamais concordou com a decisão da emissora de encerrar a atração; segundo, que deixava as portas abertas à concorrência para continuar com seu programa de entrevistas em outro canal. Embora não se saiba exatamente o que o futuro reserva para Jô Soares, é difícil acreditar que seu talk show continue em algum outro lugar, mesmo na TV fechada. Desde a última sexta-feira, com a entrevista de Ziraldo, pode-se dizer que se encerra uma das fases mais gloriosas do entretenimento nacional.

Quando saiu brigado com Boni da Globo no final dos anos 80, Jô levou para Sílvio Santos a idéia de inaugurar no Brasil um programa de entrevistas nos moldes daqueles produzidos na televisão norte-americana (Johnny Carson, David Letterman, Jay Leno, entre outros). O modelo era rigorosamente o mesmo: um grande humorista no papel de apresentador, uma bandinha para tocar música e servir como escada para piadas de palco e um bate-papo informal, descontraído, recheado de piadas e humor.

À diferença dos concorrentes que vieram depois, como Danilo Gentilli e Fábio Porchat, e mesmo dos seus precursores ianques, Jô Soares tinha um diferencial que quase nenhum deles ostentava ou vai ostentar algum dia: ele era um homem de TV, de teatro e de entretenimento. Mais que isso. Poucos como ele gozaram da intimidade de artistas consagrados e participaram tão ativamente do movimento cultural brasileiro desde os anos 60. Tendo passado por quase todas as emissoras e teatros do Brasil, Jô conhecia e tornou-se amigo de praticamente todo mundo do meio artístico. Seja como roteirista, produtor, apresentador ou “só” humorista, Jô convive com a nata da intelectualidade brasileira há mais de cinquenta anos. Assim, quando o sujeito ia no Programa do Jô, ele não ia ser entrevistado por um grande apresentador. Ele ia bater um papo com um amigo de longa data. Nenhum outro apresentador no Brasil, quiçá no mundo, ostentava essa prerrogativa no currículo.

Assim, fica fácil entender por que Jô Soares fez sucesso como entrevistador durante quase 30 anos. Não foi somente por ser fluente em inglês, francês, italiano e espanhol. Tampouco foi por ser um grande humorista. Muito menos por seu indiscutível talento para entrevistar. Quando Jô estava diante das câmeras, era a história sendo contada por um agente dela, não por um despachante autorizado.

Ninguém é insubstituível, muito menos em televisão. Jô tinha plena consciência disso, assim como a Rede Globo, que já escalou o dublê de apresentador e filósofo Pedro Bial para ocupar o espaço deixado na grade pelo Programa do Jô. Pode-se encontrar alguém tão fluente em línguas quanto ele. Pode-se buscar um grande humorista para substituí-lo. Pode até encontrar quem seja melhor entrevistador do que ele. Mas jamais se encontrará alguém que reúna, a um só tempo, todas essas qualidades, contando ainda com o diferencial de ter feito parte da construção da história da televisão, do entretenimento e da cultura nacionais.

O Programa do Jô acabou. Jô Soares, ao contrário, continua vivinho da Silva. Que alguma outra emissora tenha a sapiência que sempre falta de vez em quando à Globo, para não deixar que seu talento se perca no esquecimento, justo agora quando se aproxima o outono de sua vida.

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