Trilha sonora do momento

Eles. Todos eles.

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Pensamento do dia

Enquanto o futuro não se decide, o agora me parece uma boa opção.

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Recordar é viver: “Che cos’è il mondo arabo?”

E já que estamos novamente com o Oriente Médio em voga, vamos recordar um antigo post da seção de Política Internacional.

É o que você vai entender, lendo.

Che cos’è il mondo arabo?

Publicado originalmente em 30.8.11

A imprensa tem lá suas coisas boas. Informa, investiga, entretém. Mas o fato é que, principalmente no jornalismo, peca várias vezes em precipitações e, o que é mais comum, perde-se em generalizações desconexas.

Uma das mais usuais é a referência a essa entidade esotérica conhecida como “Mundo Árabe”. Do Atlântico ao Índico, do Marroscos ao Paquistão, tudo é juntado no mesmo balaio de gato ao qual se deu o nome de “Mundo Árabe”. A expressão voltou à moda com a tal “Primavera Árabe”. Reuniu-se, como se fossem uma coisa única e uniforme, países e povos tão distintos como o são os líbios dos egípcios, os palestinos dos turcos, os judeus dos persas.

Sem meias-palavras: “Mundo árabe” não existe.

Afora o clima, há pouca coisa de comum entre esses países. A começar pela etnia. Como não houve muita miscigenação entre as tribos árabes e beduínas, há povos que não tem qualquer tipo de ancestral comum relativamente próximo a justificar uma “identidade árabe”. Os egípcios, por exemplo, constituem um ramo à parte no tal “Mundo Árabe”. Do mesmo modo, os iranianos são uma derivação do povo persa, que jamais se miscigenou com os povos a oeste do Tigre e do Eufrates. Aliás, se você quiser xingar um iraniano, chame-o de árabe. Do alto dos seus quase 5 mil anos de história, os persas julgam como inferiores toda a malta ao seu redor.

É claro, há algumas coisas além do clima a aproximá-los. Primeiramente, pelo menos até o momento, quase todos são governados por ditaduras. Às vezes individuais, como na Síria de Bashar al-Assad; ou familiares, como na Árabia da dinastia Saud. Em quase todos o islão é a religião predominante. A exceção, evidentemente, é Israel, o Estado Judeu.

Mesmo assim, a história, a cultura e a formação desses Estados são diferentes na origem e na gênese. Há Estados, por exemplo, com uma raiz cultural e histórica comum. É o caso do Irã, que ocupa mais ou menos o território ocupado desde sempre pela Pérsia. Há outros, no entanto, que não passam de estados fabricados, desenhados a régua e esquadro. É o caso da Líbia, um amontoado de tribos reunidos num único país para ser entregue à Itália como colônia.

Na Guerra Fria, boa parte ficou do lado dos soviéticos (Líbia). Outra parte sempre ficou do lado dos americanos (Arábia Saudita). E houve casos até de países que viraram a casaca (Egito).

Na economia, então, as diferenças são gritantes. Há aqueles que só dependem do petróleo (Kuwait). Há outros que vivem mais de turismo (Egito).  Há também aqueles mais industrializados (Irã). E  há até aqueles que sobrevivem do tráfico de ópio (Afeganistão).

O fato é que, com tantas diferenças, reunir essa trupe toda sob um mesmo rótulo não passa de uma mistificação a serviço da desinformação.

Obs: Com os agradecimentos ao meu amigo Monge Budista, SW.

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Trilha sonora do momento

Autoexplicativo.

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Pensamento do dia

Não deixe que ninguém estrague o seu dia. O dia é seu. Estrague-o você mesmo.

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Trilha sonora do momento

Eu todinho.

Thougb his mind is not for rent

Don’t put him down as arrogant

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Pensamento do dia

A vida adulta pode ser resumida em não saber se você está dando em círculos, em ciclos ou em circos.

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Israel x Irã, ou Quando a guerra serve a propósitos políticos

“A guerra é a continuação da política por outros meios”. Eis o adágio secular de von Clausewitz, um general prussiano cujos ensinamentos ajudaram a moldar o que hoje a gente conhece como “doutrina de guerra”. Ao contrário do que muita gente pensa, von Clausewitz não era um defensor das batalhas pelas batalhas. Sua idéia – resumida nessa frase – era de que sempre o fator militar estivesse subordinado ao fator político. No caso da atual guerra entre Israel e Irã, parece que esse raciocínio foi levado ao paroxismo.

Tendo invadido Gaza como resposta ao horror provocado pelos ataques de 7 de outubro de 2023, Benjamin Netanyahu estava ficando rapidamente sem alternativas à mão. Depois de ter praticamente terraplanado a Faixa de Gaza, reduzindo o que antes eram cidades habitáveis a um monte de escombros, a pressão internacional contra a carnificina – que muita gente classifica como genocídio – provocada por seu governo contra os palestinos estava alcançando o limite do insuportável. Até Donald Trump, que já manifestara publicamente o desejo de transformar o território palestino numa “Riviera do Oriente Médio”, tinha começado a tomar distância de Bibi, alegando que a “guerra” estava durando muito tempo.

Com o cerco se fechando, Netanyahu teve de começar a pensar em alternativas. Assim como Bolsonaro e outros espécimes do gênero “proto-ditadores de extrema direita”, Bibi precisa de todas as formas manter-se no cargo. Fora dele, estará sujeito à persecução judicial e, muito provavelmente, cadeia. São inúmeras as acusações, inclusive de corrupção, que se encontram pendentes, esperando apenas que uma eleição que ele se recusa a convocar seja realizada. Já houve diversas manifestações contra seu governo. Uma delas chegou a reunir 600 mil pessoas, o que dá quase 6% da população de Israel. Donde se conclui que, quando houver eleições, seu governo cai. Caindo o governo, Bibi perde a proteção do cargo e terá de enfrentar a justiça da qual desesperadamente foge.

Daí porque a guerra contra o Irã se torna um artifício político tão atraente. Primeiro, porque permite desviar a atenção do horror praticado por ele em Gaza. Segundo, porque, mesmo quem não gosta muito de Israel, dificilmente vai defender o Irã, onde mulheres são obrigadas a usar burca e possuem menos direitos que os homens em praticamente todas as áreas do Direito Civil. Terceiro, porque, bombardeando o Irã, Netanyahu continuará a usar o pretexto da guerra para não convocar eleições e manter-se a ferro e fogo no poder.

É evidente que esse é um raciocínio político de curto prazo. O Irã não é a Faixa de Gaza, nem os militares iranianos são tão despreparados e sem armamento como os terroristas do Hamas. Esse é o típico caso da guerra que a gente sabe como começa, mas não tem nem idéia de como termina. Uma coisa é ver manifestações contrárias ao seu governo por conta da matança de palestinos em Gaza. Outra, bem diferente, é ver cidadãos do seu país sendo alvejados por mísseis iranianos, que caem às centenas sobre as cidades israelenses desde quando o país atacou suas instalações nucleares.

Para piorar, esse curtoprazismo de pensamento ignora as terríveis repercussões do que pode acontecer daqui a poucos anos mais à frente. Seria no mínimo ingênuo pensar que, matando cientistas ou mesmo destruindo suas instalações nucleares, Israel conseguirá impedir para sempre que os persas consigam ter uma bomba para chamar de sua. O conhecimento não se destrói. E, se até semana passada a hipótese de dispor de um artefato nuclear como instrumento de dissuasão era apenas um exercício retórico, agora passou a ser questão de sobrevivência do regime dos aiatolás. Não é por acaso que Kim Jong-Un, que já praticou mais violações aos direitos humanos do que qualquer outro regime no planeta atualmente, passeia lépido e fagueiro, sem medo de que alguém se disponha a invadir a Coréia do Norte para destituí-lo.

Por tudo isso, é difícil imaginar que essa seja uma guerra que termine logo. Não só porque nenhuma das duas partes teria como ocupar militarmente a outra – até por impossibilidade geográfica -, mas também porque não interessa a Netanyahu somente destruir o programa nuclear iraniano. Afinal, se o programa desaparecesse por completo, a guerra em si perderia o sentido, e ele perderia o álibi de “manter Israel unido diante do inimigo externo”.

Do outro lado, Trump – que se elegeu com base numa plataforma supostamente “pacifista” – vê agora uma nova guerra para a qual os Estados Unidos poderão ser arrastados. Com a Ucrânia cercada pela Rússia e Israel em conflito com o Irã, fica faltando agora só a China invadir Tawain para termos um cenário de tempestade perfeita para o Laranjão. E aí já poderíamos considerar a sério a possibilidade de estarmos no meio da III Guerra Mundial.

Seja como for, a hora é de se preparar para o pior. Estamos navegando agora não somente em águas turbulentas, mas em mares revoltos, sem bússola e com dois capitães – Bibi e Laranjão – completamente alucinados no comando do navio.

God help us.

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Trilha sonora do momento

Com Bibi e o Laranjão no mundo, o que mais nós poderíamos esperar? :-/

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Pensamento do dia

O tempo voa, mas só quando você está cercado das pessoas certas.

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