Pensamento do dia

O fracasso não é o fim. Ele é apenas o alívio cômico antes do sucesso.

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Recordar é viver: “Explicando E=mc²”

E já que estamos nessa vibe de Enem, considerando que no próximo domingo teremos a prova das chamadas “Ciências Exatas”, vamos recordar um post de meados da década passada, em que se traduz a famosa fórmula de Einstein para termos minimamente inteligíveis.

É o que você vai entender, lendo.

Explicando E=mc²

Publicado originalmente em 28.9.16

Teoria de relatividade é como as regras de colocação pronominal do português: algo que todo mundo pensa que um dia vai ter tempo para aprender. Todo mundo conhece a famosa fórmula concebida por Einstein: E=mc². Mas pouca gente sabe o que os termos significam. Há, por exemplo, quem saiba que “E” é igual a “energia”, “M” é igual a “massa” e “C” representa a energia cinética da luz no vácuo. Brilha quem é capaz de extrair dessa equação o princípio básico por ela formulado: a equivalência massa-energia.

Todavia, mesmo entre os que entendem os significados de cada uma das letras do enunciado e até mesmo entre os que conseguem conceber o princípio da equivalência massa-energia, há confusão sobre o real sentido da expressão matemática. É o que se tentará explicar em poucas linhas aqui.

No seu annus mirabilis, em 1905, Einstein deparou-se com o seguinte problema: a inércia de um corpo depende de seu conteúdo energético?

Como todo mundo sabe, a primeira lei de Newton estabelece que todo corpo em movimento ou em repouso tende a manter o seu estado original (estático ou dinâmico), a menos que uma força aja sobre ele, parando-o ou colocando-o em movimento. Até então, para a física newtoniana e para o resto da humanidade, prevalecia a noção de que “massa” é um agrupamento qualquer de matéria (átomos, partículas subatômicas, quarcks ou qualquer outra coisa). Para Einstein, no entanto, a coisa acontecia de modo muito diferente.

Imagine, por exemplo, dois relógios de corda. Criados a partir dos mesmos materiais e com o mesmo tamanho, eles teriam átomos em igual quantidade e disposição. Logo, pelo conceito até então vigente, eles deveriam ter o mesmo “peso” e, portanto, a mesma “massa”.

Imagine, agora, que você dê corda a um dos relógios, mas não ao outro. O relógio que recebeu corda vai começar a girar, enquanto seu par permanecerá estático. De acordo com a teoria proposta por Einstein, o relógio que está em movimento terá “massa” maior do que o que está parado.

“Como assim?!?!?”, deve estar se perguntando você.

Basta parar para pensar. O relógio no qual você deu corda exibe energia cinética, consistente no movimento dos ponteiros. Fora isso, ele também contém energia potencial, resultante da corda que você deu, mas que ainda não se transformou em movimento. Por fim, o movimento dos mecanismos internos do relógio que recebeu corda produz alguma fricção, que, por sua vez, produz algum calor. Traduzindo em termos físicos, isso significa “energia térmica”.

O que a teoria de Einstein propõe, portanto, é que o somatório de todas essas energias – cinética, potencial e térmica – é “adicionado” à “massa” do relógio, tornando-o mais “pesado” do que o seu similar, que se encontra estático, sem corda nenhuma. E essa “massa” pode efetivamente ser medida, através de uma fórmula muito singela:

Aqui se manifesta a primeira grande descoberta sobre E=mc². A fórmula não foi originalmente desenhada nesses termos. Na verdade, Einstein estava em busca de uma explicação para “massa”, não exatamente para “energia”.

Obviamente, na fórmula proposta, qualquer energia acrescida a determinado objeto, quando dividida pelo quadrado velocidade da luz no vácuo (300 mil km/s), vai resultar em quase nada. Mesmo assim, é possível medi-la. No exemplo dos relógios, se utilizarmos instrumentos com suficiente precisão, vamos reparar que o relógio ao qual se deu corda e que está em movimento “pesa” mais do que seu similar parado.

O mesmo raciocínio, por óbvio, aplica-se no sentido inverso. Tomemos uma lanterna de luz movida a pilha. Quando acendemos a lanterna, ela consome a energia da pilha e a emite em forma de luz. Quanto mais luz ela emite, menor será a quantidade de energia presente na pilha. Logo, à medida que a pilha se esgote, menor será a “massa” total do conjunto lanterna-pilha, pela emissão de luminosidade.

Esse exemplo pode parecer idiota, mas, quando o levamos para outros objetos do Universo, ele começa a fazer mais sentido.

Vejamos o Sol. O que é o Sol, senão uma grande lanterna que emite luz a partir da fusão de seus átomos internos? A cada segundo, nossa Estrela-Mãe perde aproximadamente 4 bilhões de quilos de massa, na forma da emissão da luz que ilumina os nossos dias. É de acordo com a teoria de Einstein que é possível medir tanto a quantidade de energia emitida pelo Sol, como a quantidade de “massa” que ele perde nesse processo e, por conseguinte, estimar o seu tempo de vida.

E o que essas observações nos levam a concluir?

Elas nos levam a concluir que não existe propriamente algo como “massa”, no sentido de “matéria”, “algo palpável”, aquilo que o senso comum costuma indicar como “concreto”. Não é que a “massa se transforma em energia”, como incorretamente alguns professores espalham por aí. Isso é alquimia. Em Física, massa é energia.

A grande conclusão de Einstein em seu trabalho de 1905, em suma, é de que massa e energia são apenas expressões diferentes da mesma coisa. Logo, a massa de um corpo não é uma constante. Ela varia de acordo com as variações da sua energia.

Utilidade pública: para quem estiver interessado em aprofundar um pouco mais e entender como Einstein chegou a essas conclusões, pode clicar aqui e ver o original do trabalho dele (infelizmente, em inglês). São apenas três páginas, o que diz muito sobre a genialidade do físico alemão e, por via transversa, da empulhação com a qual somos obrigados a conviver todos os dias

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Trilha sonora do momento

Em resumo…

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Pensamento do dia

Não se acostume com o que é ruim, pra quando o que for bom chegar você não ficar pensando que não merece.

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“Tão pouco ou tampouco”, ou Evite os erros ordinários de hoje em dia

Verdade seja dita: a tecnologia contribuiu com muitas coisas, mas tem sido um desastre quando o tema é Língua Portuguesa. Seja porque a juventude de hoje só se interesse por vídeos curtos do TikTok, seja porque as novas formas de interação social praticamente revogaram a escrita formal como meio de comunicação, o fato é que a nossa derradeira flor do Lácio, inculta e bela, anda cada vez mais depauperada na linguagem cotidiana.

Para além do sempre incorreto uso do acento grave (nos casos de crase) e da morte (sem aviso) do verbo haver, agora estamos testemunhando um novo fenômeno a se alastrar pelas redes insociáveis: o absoluto desconhecimento acerca da utilização correta do “tampouco”. Aproveitando a vibe atual do nosso querido Exame Nacional do Ensino Médio (Enem – com “M”, viu, Sérgio Moro?), vamos retomar as nossas Dicas de Português para ver se é possível contribuir para minimizar esse mal que se espalha.

“Tampouco”, conforme ensinam nossos alfarrábios da língua de Camões, é um advérbio utilizado para expressar ou reforçar uma negação. Seu uso demanda, em regra, uma negativa anterior, que será reforçada ou acrescentada por uma negativa seguinte. Os exemplos são vários: “Não gosto do Flamengo, tampouco do Corinthians”; “Não coma doce de manhã, tampouco à tarde”; “Ela não fez a tarefa da escola, tampouco a de casa”. O sentido, como parece óbvio a qualquer néscio, é o mesmo presente nas expressões “nem mesmo”, “muito menos” e “sequer”, para ficar apenas nos sinônimos mais evidentes.

“Tão pouco”, ao revés, é uma expressão formada por duas palavras: o advérbio “tão” e o advérbio de intensidade “pouco”. Embora sonoramente pareça semelhante a “tampouco”, “tão pouco” quer significar, única e exclusivamente, a baixa quantidade de uma coisa qualquer. Por exemplo: “É tão pouco o dinheiro que tenho na minha conta”; “Nós estudamos tão pouco o português”; “Passei tão pouco tempo junto dela ultimamente”.

Infelizmente, contudo, temos assistido cada vez mais ao uso indiscriminado do “tão pouco” em casos nos quais deveria ser empregado “tampouco”. É certo que a velocidade da comunicação hoje em dia, aliada à possibilidade instantânea de passá-la adiante através de redes sociais, contribui para que erros dessa natureza acabem se propagando muito mais do que seria aceitável. Por isso mesmo, convém – em benefício próprio e da sanidade da nossa língua-mãe – procurar estudar um pouco mais e revisar as mensagens antes de enviá-las.

Afinal – convenhamos, né? -, isso custa tão pouco…

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Trilha sonora do momento

Com os episódios de xenofobia e, agora, de corrupção no governo, nossos patrícios portugueses parecem querer inverter a máxima profetizada nesta canção de Chico Buarque.

Triste sina, a lusitana…

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Pensamento do dia

É preciso ter cuidado até com quem te bajula. As nossas avós, por exemplo, costumavam acariciar as galinhas antes de torcer-lhes o pescoço.

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Trilha sonora do momento

Mister Milton Nascimento, em homenagem a todos os jovens que ontem foram fazer a prova do Enem.

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Pensamento do dia

Pedir desculpa todo mundo sabe, agora parar de vacilar ninguém quer, né?

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Recordar é viver: “Reflexões sobre a vida e a morte”

Passado o feriado de Finados, nada melhor do que recordar um post de meado da década passada, em que as questões existenciais sobre a finitude da vida foram analisadas sob os olhos tristes de um neto com saudades.

É o que você vai entender, lendo.

Reflexões sobre a vida e a morte

Publicado originalmente em 21.10.15

Quem acompanha o Blog desde o começo sabe que o Autor não é muito afeito a falar de sua vida privada, muito menos daqueles que o rodeiam. Privacidade é a marca deste espaço. E, salvo algumas incursões furtivas em casos pitorescos da minha infância, pouco se sabe acerca de mim, a não ser quanto aquilo que escrevo, o que, de certa forma, fala mais sobre a minha pessoa do que um mero ato de apresentação formal.

Todavia, não é segredo pra ninguém que sofri dois baques muito recentes. Até porque foi por causa deles que passei quase um mês ausente aqui no Blog. Relacionados à perda de duas pessoas muito queridas, os baques acabaram por me laçar em um período de reflexão que eu não experimentava pelo menos desde minha conturbada adolescência. Reflexões que, no final das contas, foram adiadas pela feliz circunstância de eu ter demorado tempo até demais para confrontar-me com ela.

“A morte é a única certeza da vida”, repetem os que gostam de lugares-comuns para falar sobre a “indesejada das gentes”. “Mas vivemos como se nunca fôssemos morrer”, replicam os filósofos de botequim, valendo-se de outro lugar-comum bem caro aos que pensam ser possível resumir todas as implicações existenciais numa única sentença.

Lugar-comum por lugar-comum, o fato é que ninguém está preparado para a morte. Convivemos com ela todos os dias; ela nos chega diariamente por televisão ou por página de Internet. Mesmo assim, nossa reação diante dela é semelhante à de alguém que assiste a um filme ou a uma novela: não há comoção verdadeira. Afinal, a morte é sempre “do outro”, de um chinês vítima de terremoto ou de um menino sírio a atravessar o Mediterrâneo. Nada disso, portanto, é capaz de nos atingir.

A ficha só cai, portanto, quando a morte é de alguém próximo. Não só isso. Quando a morte é de alguém próximo e querido. A morte de uma pessoa próxima com a qual não há relação de afeto beira a desimportância. Por mais cruel que seja, não raro a partida nesses casos é recebida com alívio, não com dor. Por isso mesmo, as reflexões que a morte suscita só aparecem quando se perde alguém de quem genuinamente se gosta.

A primeira reflexão incensada pela morte diz respeito à dor do lamento. Com pessoas próximas, há uma variação inevitável entre os momentos de maior e menor querença. É dizer: ninguém gosta muito de ninguém o tempo inteiro. Há momentos em que se gosta menos e até mesmo episódios de raiva e de ressentimento. O que fica, no entanto, é o conjunto da obra: durante a minha vida, eu gostei mais dessa pessoa do que desgostei? Tal será a medida da lamentação quando ela se for.

A segunda reflexão diz respeito à natureza das coisas. Construímos, em maior ou menor grau, um mundo material à nossa volta. Imóveis, carros, objetos pessoais, quinquilharias de todo o tipo; tudo isso constitui o acervo que, bem ou mal, reflete o que se passou na nossa vida. No entanto, todas essas coisas só têm sentido na medida em que há a sua conexão pessoal com elas. Quando você se vai, tudo aquilo perde a razão de ser. Qualquer pessoa pode ter uma ligação afetiva com uma maleta de negócios, por estar ligada a algum momento especial de sua vida ou por ter sido sua primeira conquista como homem de negócios. Se o sujeito morre, entretanto, a conexão sentimental desaparece. Para qualquer outra pessoa, aquela maleta não significará coisa alguma. Disso resulta o seguinte: quando a gente morre, tudo morre com a gente.

A terceira e definitiva reflexão relaciona-se às relações interpessoais. Nas salas de UTI, costuma-se dizer que os melhores acompanhantes são aqueles que sempre estiveram presente na vida do paciente. Os piores, por sua vez, são aqueles que foram ausentes ou que têm alguma pendência com quem se vai. Por quê? Porque a morte lhes coloca diante da verdade cruel: o que havia de ser feito ou o que se queria fazer, já teria de ser feito àquela altura; não há tempo para mais nada. Se a pessoa morre, todos os bons e maus momentos, toda a convivência que houve ou que faltou, todas as questões mal resolvidas partirão junto com ela. Se isso serve de consolo para quem soube e pôde aproveitar, cai como uma bomba na cabeça de quem vai seguir vivendo sem ter tido a chance de viver os momentos que perdeu e resolver os problemas que ficaram no meio do caminho. E a única conclusão possível é esta: quando alguém morre, parte da gente morre também.

Boa reflexão a todos.

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