Arroz de polvo à portuguesa

Conhecida pelos seus famosos pratos de bacalhau, a “Terrinha” também é pródiga numa grande variedade de outros pratos. Mas, claro, sendo os portugueses pioneiros na exploração marítima, a predileção pelos frutos do mar seria algo mais do que esperado em seu contexto culinário.

Para além dos peixes, o polvo também desenvolve grande papel na culinária portuguesa. O molusco de sabor suave pode fazer as vezes de aperitivo (frito e empanado, por exemplo), de composição em pratos mais refinados (como as variantes das famosas paellas espanholas), ou mesmo figurar como estrela principal numa refeição qualquer (e aqui o polvo à lagareiro se destaca largamente frente aos demais).

No entanto, para não tomar posições extremadas em relação a essa parente de lula (sem trocadilhos políticos, por favor), vamos a um prato que atende a quase todos os gostos e não se enquadra perfeitamente em nenhuma das categorias acima citadas: o Arroz de polvo.

Arroz de polvo simples - Fácil
Arroz de polvo

Para prepará-lo você vai precisar de:

1 – 1kg de polvo;

2 – 4 xícaras de arroz;

3 – 5 tomates pelados;

4 – Azeite;

5 – Cheiro verde;

6 – 1 cebola grande picada;

7 – 3 dentes de alho picados;

8 – Sal e pimenta a gosto.

Preparar um arroz de polvo não é uma tarefa particularmente difícil, nem exige tanto conhecimento culinário por parte de quem se propõe a fazê-lo. No fundo, o arroz de polvo demanda apenas uma coisa do pretendente a cozinheiro: paciência. Sim, porque preparar um bom arroz de polvo demora, mas demora bastante.

O primeiro passo é pegar o polvo e colocá-lo numa panela para cozinhar. Pode-se colocar sal desde logo, mas é isso fica a critério do cliente. O polvo deve cozinhar por, no mínimo, meia hora, embora o normal seja que fique mais tempo do que isso. Por quê? Porque um bom arroz de polvo exige que o molusco cozinhe até o ponto em que seja possível despelá-lo com as mãos, sem ajuda alguma. E, a depender do seu fogão, isso pode levar uns bons 45 minutos.

Feito isto, deve-se retirar o polvo e colocá-lo numa outra panela com água fria, de modo que seja possível manipulá-lo sem queimar as mãos, instrumentos necessários para tirar a pele do dito cujo. A receita original determina que a água utilizada no cozimento deve ser reservada para posterior utilização. Eu, de minha parte, não gosto muito de seguir essa regra, porque o resultado final será um prato com sabor demasiadamente acentuado de polvo, o que vai na mão contrária da intenção inicial de produzir um prato leve e despretensioso, que esteja ao alcance de todos.

Despelado o molusco, é hora de cortar os seus tentáculos, em tantos quanto forem os pedaços necessários. Quem gosta de algo mais rústico pode lançar mão de pedaços maiores. Quem for mais criterioso, cortará pedaços menores. Mas seguir o caminho do meio aqui parece a escolha mais acertada.

Cortados os tentáculos, é hora de, enfim, enfrentar o bicho. Deve-se colocar o azeite na panela e dourar a cebola e os dentes de alho, preparando-os para receber o polvo. Logo em seguida, deve-se colocar os tomates pelados, que devem ser amassados e mexidos sem pena, como se você estivesse realmente preparando um bolonhesa ou um molho de tomate.

Quando a coisa toda estiver com cara de “polvo ao sugo”, é hora de enfim colocar o arroz na mistura. Acrescente, por óbvio, a quantidade recomendada de água para a quantidade de arroz que você colocou na panela (2×1). E aí você pode escolher se usa a água que sobrou do cozimento ou polvo, ou se usa água normal, mesmo. Tempere tudo com sal, pimenta e um pouco de cheiro verde e depois aguarde.

Assim como o risoto, o arroz de polvo requer atenção constante e não pode ser simplesmente “esquecido” no forno, como acontece com o arroz normal. É necessário observar atentamente o nível da água, especialmente quando ele começar a baixar. Não é requerido e nem sequer recomendado que a água se esvaia por inteiro em vapor, como se faz com o arroz comum. Ao contrário. Se você fizer isso, o mais provável será que seu arroz de polvo queime no fundo da panela, deixando a mistura com um horrível sabor de queimado e privando-o de mais um instrumento na cozinha.

Por isso mesmo, observe quando a água baixar e dê leves mexidas de vez em quando para “sentir” como está a receita. O ponto ideal é aquele em que a mistura nem fica seca (como o arroz comum), nem completamente “afogada” (como numa papa de arroz). Conseguir atingir esse ponto médio em que o arroz fica levemente molhado, mas não a ponto de “encharcar” o prato é a grande dificuldade dessa receita.

No entanto, se você conseguir atingi-lo, pode ter certeza de que fará a felicidade da sua família e de quem mais tiver o prazer de visitá-lo nesse dia. Afinal, uma receita dessa não é algo que se coma sozinho, não é verdade?

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