Recordar é viver: “O mal da reeleição”

Como estamos entrando em um ano eleitoral, nada melhor do que encerrar esta semana de comemorações aqui no Blog recordando um velho post sobre um tema que, infelizmente, tem se tornado cada vez mais atual.

É o que você vai entender, lendo.

O mal da reeleição

Publicado originalmente em 22.9.11

Muitos foram os males deixados pelo Governo Fernando Henrique Cardoso. País quebrado, devendo a todo mundo e ao FMI, dólar e inflação nas alturas, 8 anos sem aumento real de renda, 8 anos sem crescimento econômico, Procurador-geral conhecido por Engavetador-geral da República, enfim… Eu levaria um dia inteiro aqui só enumerando as desgraças pelas quais passou o país naquele que eu considero o pior governo da história. Nenhum, no entanto, supera o mal da reeleição.

Em tese, reeleição é uma idéia boa. Dá ao eleitor a oportunidade de votar novamente em um governante do qual gosta. Para o governante, serve de estímulo para que faça um bom governo e, com isso, seja premiado pelo povo com mais um mandato. O problema, como se sabe, é que, na prática, a teoria é outra.

Se mesmo num país civilizado as reeleições desequilibram a disputa eleitoral, que dizer de um país em que ainda há milhões de analfabetos e em que milhões de pessoas dependem diretamente do governo para ter um prato de arroz e feijão para comer.

Sim, isso já acontecia antes. Ficou famosa a frase de Orestes Quércia dizendo após conseguir eleger Luís Antônio Fleury Filho: “Quebrei o Estado, mas fiz meu sucessor”. Mas se isso acontecia antes para uma terceira pessoa, imagine quando ó beneficiado pela sucessão é o próprio portador da caneta que nomeia cargos e libera verbas.

Fora todos os problemas, a reeleição ainda trouxe consigo um efeito nefasto. Antes, com mandatos de cinco anos, os governantes passavam a metade do governo em dolce far niente. Na outra metade, corriam pra terminar as obras a tempo de inaugurá-las e conseguir dividendos eleitorais a serem transferidos para seu candidato. Agora, os governantes lançam no primeiro mandato um mundo de obras, prometendo terminá-las em 4 anos. Mas elas nunca terminam nesse prazo. Tudo fica pra terminar num eventual segundo mandato. Isso quando terminam, porque pululam os casos em que nem com 8 anos de mandato o sujeito consegue terminar as obras que deveriam ter terminado no primeiro mandato. Vide os casos de Fortaleza e do Estado do Ceará. Em suma: as obras que antes demoravam 5 anos para ficarem prontas, agora demoram, quando menos, 8.

Produz-se, assim, uma espécie de chantagem contra o eleitor. Se não votar na reeleição do governante da hora, corre o risco de não ver terminadas as obras licitadas no primeiro mandato. Isso porque sempre fica a dúvida: será que o opositor continuará as obras do antecessor?

O Brasil começará a ser um país melhor no dia em que assumir um presidente afirmando o seguinte: mandarei uma emenda acabando com a reeleição e estendendo o mandato do meu sucessor de 4 para 5 anos. Pode não fazer mais nada. Mas pelo menos devolverá a política brasileira ao trilho da normalidade institucional.

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