Recordar é viver: “Esse estranho fenômeno chamado Big Brother Brasil”

A mais nova edição do BBB já começou, e eu mesmo nem sei mais em quanto está a contagem.

De todo modo, é uma boa oportunidade para recordar o post escrito sobre o assunto. Será que estamos para sempre condenados a ter todos os anos uma edição do Big Brother?

A conferir…

Esse estranho fenômeno do Big Brother Brasil

Publicado originalmente em 9.1.14

 

Esta semana fomos “brindados” com a divulgação dos integrantes da edição de 2014 do Big Brother Brasil. Daqui a pouco mais de três meses, 21 anônimos dos quais nunca ninguém ouviu falar serão catapultados à condição nada gloriosa de subcelebrities. As mulheres mais saradas estamparão as capas de revistas masculinas, e os homens nas mesmas condições, as capas das revistas GLS. Isso, claro, sem falar na infindável rede de “endoprogramação” da Globo, na qual os participantes aparecerão simultaneamente no Faustão, na Ana Maria Braga, no Programa da Fátima e sei lá mais aonde para contar a “experiência” dentro da “casa mais vigiada do Brasil”.

Parece mentira, mas já se vai quase uma década e meia desde que um dos programas televisivos mais toscos e sem sentido já produzidos no país continua no ar. Para efeito de comparação, nenhum dos seriados brasileiros de maior sucesso alcançou semelhante façanha. Carga Pesada teve duas temporadas no final dos anos 70 e começo dos anos 80, e mais quatro a partir de 2003. Armação Ilimitada, provavelmente o mais cultuado seriado nacional da década de 80, teve somente três temporadas. A grande questão, portanto, é: o que mantém o BBB no ar há tanto tempo?

A idéia do Big Brother não chega a ser algo revolucionário. A intenção manifesta é satisfazer o público com o voyeurismo jamais assumido e uma certa dose de erotismo light, com corpos malhados desfilando em trajes sumários, sempre com a expectativa de que uma noite de bebedeira possa terminar “debaixo do edredom”. Trata-se, em teoria, de um idéia de fôlego curto, porque a “grande sacada” de expor a intimidade alheia 24h por dia pode despertar alguma curiosidade de início, mas é algo que tende a perder o fascínio com a repetição incessante da mesmice que é a vida em confinamento.

Por isso mesmo, é difícil acreditar que estejamos chegando à 14ª edição do Big Brother Brasil. Todo mundo já sabe como se passa a vida lá dentro. A curiosidade de saber o que é acompanhar a vida de alguém de forma ininterrupta já foi aplacada. As novelinhas internas são sempre as mesmas. Não há sequer originalidade nos tipos que compõem o “elenco” do programa, que são sempre os mesmos: a miss gostosa com jeito inocente; a mocréia que gosta armar barraco; o sarado que exerce o papel de vilão; o sarado que exerce o papel de bonzinho; o homossexual metido a intelectual.

Talvez, além do voyeurismo, exista algum tipo de instinto sádico no público que alimenta a audiência de uma “atração” que há muito já deu o que tinha de dar. Afinal, ver pobres diabos intrigando-se mutuamente em diálogos que nada deixam a dever às antigas pornochanchadas somente pode entreter àqueles que experimentam algum tipo de satisfação no sofrimento alheio.

Da mesma forma, deve haver um quê de satisfação íntima com o reconhecimento de uma autoridade que não se revela para o sujeito na vida real. Deve suscitar alguma sensação de prazer a experiência de pensar que aqueles sujeitos só estão ali privados de sua intimidade porque você está ali para os assistir. De fato, a sensação do poder de sujeição do próximo à sua vontade é um dos instintos humanos mais primitivos e, por isso mesmo, mais difíceis de conter.

A verdade é que, olhando ao redor, não se encontra explicação plausível a justificar a longevidade do Big Brother Brasil. O estudo definitivo sobre esse fenômeno é algo ainda por ser escrito.

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