Engenheiro de produção x Operário da linha de produção

A história é clássica.

Uma determinada empresa de produtos higiênicos via-se às voltas com um problema aparentemente insolúvel. Na sua linha de dentifrícios, algumas embalagens estavam vindo sem o tubo com a pasta de dente. Ao chegarem no supermercado, o consumidor incauto retirava o produto da prateleira e, chegando em casa, descobria que adquirira somente um recorte de cartolina, desprovido de qualquer conteúdo.

Era evidente que, numa linha de produção daquele tamanho, problemas assim ocorreriam. Ainda assim, o impacto negativo para a empresa parecia tanto maior do que sua diretoria executiva estava disposta a aceitar. Além da desfavorável propaganda boca-a-boca dos consumidores lesados, vez por outra um daqueles noticiários locais resolvia fazer uma reportagem sobre o assunto. Não havia Relações Públicas que resolvesse: dias e dias de comentários detonando a empresa, que estaria tirando vantagem deliberadamente da boa-fé do consumidor.

Dispostos a eliminar de uma vez por todas o problema, a diretoria resolve contratar um engenheiro de produção. Graduado em Campinas, com mestrado nos Estados Unidos e Doutorado na Alemanha, o cara era o bam-bam-bam do mercado. Se havia algum problema na fábrica, seria ele que resolveria a questão.

Contratado a peso de ouro, o sujeito pôs-se a pensar. Sinapse vai, sinapse vem, e de repente o sujeito consegue projetar uma ultra-super-máquina. O novo aparelho seria responsável não somente por embalar as pastas de dente, mas também por pesar individualmente cada uma das embalagens que passava pela esteira. Aquelas que por ventura estivessem somente com o peso da embalagem seriam retiradas automaticamente, impedindo que novos consumidores viessem a comprar embalagens vazias de pasta de dente. Satisfeita, a diretoria encomendou a máquina.

Alguns meses e vários milhões de dólares depois, a máquina pesadora de embalagem de pasta de dente estava pronta para ser usada. Último grito da moda, o mais avançado que o mundo high tec poderia produzir, a máquina foi levada para a fábrica da empresa, pronta para ser utilizada. Restava, contudo, treinar o pessoal que a utilizaria.

Chegando no chão da fábrica, chamaram o operador encarregado da produção. Apresentaram-lhe a máquina, disseram o que ela faria e explicaram como operá-la. Encucado, o operador perguntou:

“Quer dizer, então, que essa máquina vai pegar todas as embalagens vazias de pasta de dente e vai separar das caixas que vão ser despachadas?”

“Isso, mesmo”, respondeu o engenheiro de produção.

“Ou seja: construíram essa máquina inteira só pra impedir que o consumidor comprasse uma caixa de pasta de dente vazia?”, insistiu o operador.

“Sim, exatamente. Não é fantástico?”, explicou, orgulhoso, o engenheiro de produção.

“Tá certo” – disse o operador – “Mas não seria mais fácil ter colocado um ventilador aqui na esteira pra fazer as embalagens vazias saírem da linha de produção?”

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