Recordar é viver: “Uma vitória para a história”

Não é segredo pra ninguém que este que vos escreve é um fanático por atividades esportivas. Em razão disso, há uma seção do Blog inteiramente dedicada aos Esportes.

Como já faz algum tempo que não aparece algo do gênero por aqui, vamos recordar um dos primeiros posts deste espaço nessa categoria, numa das vitórias mais épicas do basquete mundial.

Porque recordar é viver…

Uma vitória para a história

Publicado originalmente em 22.1.11

Eu mesmo era muito pequeno, mas me lembro como se fosse hoje. Estava na casa da minha tia. Era a festa de aniversário de não-sei-quem. Subitamente, alguém deu um grito lá de dentro, do quarto de casal: “Meu povo, o Brasil tá ganhando dos Estados Unidos!”

O ano era 1987. O jogo? Brasil x EUA, final do basquete do Panamericano de Indianápolis.

Os Estados Unidos, inventores do esporte, jogavam a final só pra cumprir tabela. Afinal, nunca haviam perdido em casa. A única derrota de um time americano até então só havia ocorrido nas Olimpíadas de Munique, em 1972, para os soviéticos, por um ponto, numa decisão da arbitragem altamente contestada (mas isso é outra história).

Eles se achavam tanto que nunca tinha permitido que os profissionais da NBA fizessem parte de alguma seleção americana. Apenas jogadores universitários a formavam e, mesmo assim, o time era muito, mas muito superior aos outros.

Só que naquele dia, em Indianápolis, os deuses resolveram aprontar uma das suas.

Jogando de forma digamos, “normal”, o Brasil tomou uma verdadeira sova no primeiro tempo do jogo. Foi pro intervalo perdendo por 20 pontos de diferença.

Reza a lenda que, no vestiário, o técnico do time, Ary Vidal, chamou todo mundo no canto e disse:

“Galera, o negócio é o seguinte: a gente tá perdendo por 20 pontos. A essa altura, todo mundo no Brasil já desligou a TV. Perder por 20, perder por 100, não faz diferença; perdemos do mesmo jeito. Vamos fazer agora o nosso jogo. Vamos pro suicídio. Toda a bola que nós pegarmos, mandem pro Marcel e pro Oscar. Marcel e Oscar: chutem todas as bolas de 3 pontos. Vamos ver no que é que dá”.

Acho que nem mesmo o Ary Vidal acreditava no que iria acontecer dali pra frente.

Seguindo à risca a tática do haraquiri coletivo, as bolas começaram a cair. Uma após a outra. Incessantemente. Os americanos, na deles, continuavam a fazer suas cestinhas de 2 pontos, com infiltrações e enterradas. Mas a diferença caía pouco a pouco.

Até que o inacreditável aconteceu. O Brasil passou à frente. E o que é pior. Manteve-se na frente. As bolas de 3 pontos de Oscar e Marcel continuavam a cair, como se houvesse algum tipo de ímã entre a bola e o aro.

Incrédulos, os americanos começaram a cometer erros bobos, a perder a bola de forma infantil, enquanto Marcel e Oscar, cada vez com mais confiança, metiam todas as bolas que chegavam às suas mãos.

Nunca antes – e nunca depois – os Estados Unidos tinha tomado mais de 100 pontos jogando em casa. Levaram 120. Nunca antes – e nunca depois – haviam perdido em casa. Perderam. 120X115.

Alguém vai dizer: “Ah, mas era o time universitário!” Certo. Só que esse “time universitário” tinha, dentre outros, um tal de David Robinson, que viria a se tornar um dos maiores pivôs da história da NBA. E – convém não esquecer – eles jogavam em casa, em Indianápolis, o berço do basquete americano.

Muita gente diz que essa é a maior vitória do basquete brasileiro. Exagero. O Brasil já havia sido bicampeão mundial, em 1959 e 1963.

Mas a vitória, sem dúvida, foi marcante. Depois dessa derrota em casa e da medalha de bronze nas Olimpíadas de Seul em 1988, os americanos decidiram enfim colocar os profissionais da NBA pra jogarem os jogos olímpicos. Daí veio o Dream Team de Barcelona-92, com Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird e cia.

Pra nós, brasileiros, fica a lembrança de uma geração inesquecível, de um time que, apesar dos pesares, conseguia lutar de igual pra igual com os melhores da época, enquanto hoje penamos pra tentar voltar aos jogos olímpicos no basquete.

Abaixo, um pequeno compacto do jogo:

Anúncios
Esse post foi publicado em Recordar é viver e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s