Fernando de Noronha

Voltando às atividades no Blog, vamos retomar uma das seções mais festejadas deste espaço: as Dicas de Viagem. E, para isso, nada melhor do que irmos a um dos melhores destinos turísticos de todos os tempos: Fernando de Noronha.

Fernando de Noronha

Muitos lugares reivindicam ou já reivindicaram o título de “paraíso na Terra”. De Fernando de Noronha pode-se dizer que provavelmente é o que chega mais perto dessa definição.

Pra começo de conversa, o cenário é deslumbrante. Não há nada geograficamente comparável em qualquer lugar do mundo (talvez no Pacífico Sul). Enquanto as ilhas do Caribe, com seu mar azul-turquesa, constituem um cenário um tanto entediante pela monotonia do confronto único da areia com a água, Fernando de Noronha emerge no meio do Oceano Atlântico com uma deslumbrante reunião de montanha, verde, areia e mar. Além da incontornável beleza de suas praias, há no arquipélago uma riquíssima diversidade de flora, resultante de um dos últimos resquícios intocados de mata atlântica no Brasil. E, se isso ainda fosse pouco, há até mesmo alguns relevos, como o Morro do Pico, nos quais é possível praticar montanhismo.

Em relação ao mar, então, a comparação até perde a graça. Poucos sítios no planeta reúnem uma quantidade tão absurda de fauna marinha preservada, em total integração com a natureza. Há de tudo: peixes, arraias, tubarões, golfinhos, corais e, de vez em quando, até baleias. Para quem é adepto do mergulho em profundidade, não há lugar melhor.

As praias, no entanto, é que deram a maior parte da fama ao arquipélago. O Guia 4 Rodas costumava lançar sua edição anual com as 10 melhores praias do Brasil. Não raro, Fernando de Noronha tomava 8 dos 10 postos, com os outros 2 também ficando invariavelmente em Pernambuco, com Porto de Galinhas e Itamaracá. A única dúvida era saber qual delas ocupava o 1º lugar. Creio eu que depois de algum tempo eles resolveram restringir a três as praias da Ilha que poderiam integrar o ranking. O mudança, contudo, não surtiu muito efeito. Na lista atual, os três primeiros lugares são justamente de Fernando de Noronha (na ordem: Baía dos Porcos, Baía do Sancho e Praia do Leão).

Baía dos Porcos

Baía do Sancho

Praia do Leão

Além das belezas naturais, Noronha é também um paraíso social. Desde quando Américo Vespúcio a descobriu em 1503, jamais houve um homicídio na Ilha. São 512 anos sem que um ser humano mate um semelhante. Nem mesmo a Islândia, considerada o país mais seguro do mundo, ostenta tal índice. Os demais crimes, embora existentes, são raríssimos. Há um ou outro furto aqui e acolá, mas nada que alarme as almas mais assombradas. Atualmente, só há dois condenados no Arquipélago: um por apropriação indébita e outro por furto de uma lancha. Fernando de Noronha, portanto, é tudo o que o Brasil poderia e deveria ser.

Visitar Noronha requer alguma paciência, contudo. É enorme a burocracia para visitar a ilha. Primeiro, você deve fazer um cadastro, indicando quem é, onde vai se hospedar e quantos dias vai passar na Ilha. Depois, você tem pagar a taxa de proteção ambiental, que varia conforme a quantidade de dias que você vai passar lá. Curiosamente, a taxa é progressiva e vai subindo à medida que aumenta o tempo da estadia. Por apenas um dia, paga-se hoje R$ 51,40. Por um mês, a conta sobe para incríveis R$ 4.240,50. Por fim, você ainda tem que escolher se vai visitar a praia do Sueste e da Atalaia, pois, para ambas, deve-se pagar uma taxa adicional de visita ao Parque Nacional Marinho. Uma boa dica para evitar as filas do desembarque no Aeroporto é fazer tudo isso antecipadamente pela Internet. Clicando aqui você tem acesso a todos os links para preencher os formulários e pagar as taxas para visitar a Ilha.

No entanto, nem tudo são flores no paraíso. Noronha é caro. Muito caro. Caro ao ponto de fazer com que você ache as principais capitais da mundo verdadeiras pechinchas. Nem mesmo a conversão para outra moeda dá a impressão de que as coisas por lá são baratas. Paga-se em alguns lugares R$ 10,00 por uma água de coco e R$ 6,00 por uma simples garrafa d’água. Uma boa refeição, sem sobremesa, em um restaurante melhorzinho não sai por menos de R$ 100,00 a cabeça. O mesmo vale para a hospedagem. Algumas pousadas cobram diárias que rivalizam com os hotéis 5 estrelas da Europa. Portanto, conhecer o arquipélago requer antes de tudo planejamento (leia-se: juntar grana, muita grana).

Uma vez lá, todavia, tudo compensa. O clima é maravilhoso, com uma brisa constante aliviando o calor do sol inclemente. Apesar do preço, come-se muito bem em qualquer lugar na Ilha. A dica, claro, é comer peixe e frutos do mar, sempre fresquinhos e com sabor inigualável. Fora isso, pode-se caminhar à vontade, mesmo por trilhas escuras à noite, sem aquele medo constante que nos assola de sermos assaltados a qualquer momento.

Como o Arquipélago é relativamente pequeno, não faz muito sentido elaborar aqui um roteiro de visita. Direi apenas que o ideal é passar uns 5 dias, chegando em um dia, passando três dias livres, e indo embora no último. Com isso, você pode fazer alguns passeios para dar uma geral na Ilha e ainda fica com tempo para fazer passeios mais programados, como o mergulho de profundidade (obrigatoriamente realizado com intervalo maior de 24h em relação ao vôo de volta) ou a Trilha da Praia da Atalaia, que depende de prévio agendamento na sede do ICMBio. Se tiver sorte, há ainda a possibilidade de você presenciar a abertura de um ninho de tartaruga, já que o Projeto Tamar mantém uma sede na Ilha.

Seja como for, conhecer Noronha é transportar-se para outro universo. É o que você vai entender, quando for lá.

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