Despontando para o anonimato: Especial de Natal – Oscar

Nem só de homens vivem os one hit wonders da Academia de Ciências Cinematográficas de Holywood. Para comprovar essa afirmação, basta lembrar do ano de 1988, quando uma estrela do mundo musical resolveu tirar onda de atriz e levou para casa o Oscar. Sim, estou falando dela mesma: Cher.

Cher

Verdade seja dita: no ano anterior, Cher já surpreendera o mundo com uma atuação mais do que convincente em As Bruxas de Eastwick. No entanto, no ano seguinte, ninguém esperava que o insosso O Feitiço da Lua pude-se lhe render mais do que boas críticas nos jornais.

Na cerimônia do Oscar daquele ano, Cher disputava com duas lendas vivas da Academia: a eterna Meryl Streep, dirigida por Hector Babenco em Ironweed; e Glenn Close, no seu inesquecível papel de Atração Fatal. Se a Academia fosse fazer justiça, deveria premiar Glenn Close. Se quisesse optar pela segurança, iria de Meryl Streep.

Quando Paul Newman anunciou a vencedora, o auditório quase vem abaixo. Ninguém podia acreditar no que via, nem ela mesma. Em mais um caso de “terceiro excluído”, Cher, vestindo um extravagante vestido que faria corar as mais pudicas passistas do Carnaval do Rio, levou pra casa a cobiçada estatueta.

Depois disso, Cher nunca mais foi indicada para um Oscar. Talvez por isso mesmo, resolveu se dedicar unicamente à música.

Melhor assim.

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4 respostas para Despontando para o anonimato: Especial de Natal – Oscar

  1. Alexandre Moreira disse:

    A bem da verdade, 1988 foi um ano muito fraco em termos de concorrentes em várias categorias, como a de melhor atriz. Não acho que Glenn Close tenha sido necessariamente melhor do que as concorrentes; ela fez o melhor possível com um personagem estereotipado e unidimensional. Meryl fez o arroz com feijão num filme hoje esquecido do Babenco. Cher também já havia demonstrado talento em Silkwood (em 1983) e Marcas do Destino (1985); foi indicada ao Oscar de coadjuvante pelo primeiro e foi indicada ao Globo de Ouro e ganhou como melhor atriz em Cannes pelo segundo, então a vitória dela não surgiu do nada. A verdadeira sacanagem com Glenn Close foi cometida na cerimônia do ano seguinte, quando ela concorria pelo inesquecível papel da Marquesa de Merteuil em “Ligações Perigosas” e perdeu para uma Jodie Foster apenas correta por “Acusados”.

    • arthurmaximus disse:

      Por partes, meu caro.
      Que 1988 foi um ano sem graça para a Academia, ninguém discute.
      Concordo que a sacanagem com Glenn Close foi maior em “Ligações Perigosas”, mas, mesmo assim, sua atuação em “Atração Fatal” é muito superior à média. Achei que você pegou pesado ao classificar a personagem dela como “estereotipada e unidimensional”. Na verdade, o trio formado por ela, Michael Douglas e Anne Archer é um dos melhores que eu já vi. A credibilidade que ela consegue passar à personagem doente pelo ciúme também é sem igual. Enfim, um excelente filme, com excelentes atuações.
      Cher, de fato, não surgiu do nada. Mas, em termos cinematográficos, sua vitória pelo abaixo da crítica “Feitiço da Lua” é de chorar. Contra ela, Meryl Streep interpretando uma garçonete que só aparece de relance numa cena perdida de qualquer filme já seria mais merecedora do Oscar.
      De todo modo, seu comentário engrandece este espaço.
      Um abraço.

  2. Mourão disse:

    Isso sim é debate. Espero que nenhum dos nossos “especialistas” venha a se meter nessa conversa de titãs.
    Um abraço a ambos

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