Os 10 melhores álbuns internacionais dos anos 90

A música sempre foi uma constante do Dando a cara a tapa. A presença velada de acordes musicais em cada pedaço do Blog acaba por vezes em negligência com o tratamento que ela deve merecer deste espaço.

Por isso mesmo, para reparar a falta, hoje vamos retomá-la com mais uma daquelas famosas listas de “10 mais” do Blog. Como já foi dito em outra oportunidade, a lista não tem qualquer pretensão de ser a última palavra sobre o assunto. Não se trata de uma compilação elaborada por revistas, nem tampouco pela crítica especializada. Trata-se, tão-somente, da reunião dos 10 melhores álbuns da década de 90. Discos que, por uma razão ou por outra, marcaram a vida deste que vos escreve. Ei-la:

10 – World Power (Snap)

World Power

Os anos 90 foram musicalmente muito diferente dos anos 80. Daí a razão do disco de abertura do Snap! constar em décimo lugar na lista pessoal do Blog. Afinal, o disco World Power representou uma verdadeira quebra de paradigma em relação à década anterior. Saía o pop, entrava o dance. Pena que depois o estilo musical acabou se degenerando em coisas menores, mas um disco com (I’ve got) The power, Ooops Up, Believe the Hype e Mary had a little boy não poderia simplesmente passar em branco.

9 – The Bends (Radiohead)

The Bends

Depois do estouro da dance music, capitaneado por Snap! e companhia, a coisa ficou meio maçante na década de 90. Até a metade da década, a mesmice imperava, com a música internacional sofrendo algo similar ao que se passou no Brasil com o tal do “pagode”.  Em 1995, porém, o lançamento do segundo disco quebrou a pasmaceira, dando uma lufada de ar novo em um ambiente que já começava a ficar perigosamente putrefato. São desse disco The Bends, Nice Dream e, claro, a inesquecível Fake Plastic Trees, que aqui ficou conhecida em um comercial sobre a Síndrome de Down.

8 – Listen without prejudice (George Michael)

Listen without prejudice

Os anos 80 podiam ser coisa do passado, mas George Michael definitivamente não era. Depois de estourar nas paradas com Faith, o cantor greco-britânico lançava seu segundo álbum de estúdio. Um verdadeiro primor do que ainda restava da pop music dos anos 80. Clássicos como Freedom ’90 e Heal the pain eram ladeados por canções melodiosas e com letra profunda, como Something to save e Praying for time. Talvez tenha sido o último suspiro de talento de George Michael antes de se tornar mais conhecido pelas atividades, digamos, “extra-palco”.

7 – Unplugged (Eric Clapton)

Eric Clapton

Não é que o eterno guitarrista do Cream não tenha feito sucesso na carreira solo, muito pelo contrário. Mas, de certa forma, pra galera que não viveu o final da década de 60 e o começo da década de 90, Eric Clapton era só mais um; uma memória fugidia do passado. Pois quando o guitarrista resolveu lançar um álbum com seus maiores sucessos no modo “desplugado” proposto pela MTV, tudo mudou. Pode-se dizer que o álbum de Eric Clapton foi o “acústico que deu origem à série”. Todos os grandes sucessos estão lá: Nobody Knows You When You’re Down and Out, Layla e Walking blues, por exemplo. Mas, claro, o álbum é mais lembrado justamente por sua única canção inédita: a belíssima Tears in Heaven, dedicada ao seu filho morto.

6 – Californication (Red Hot Chili Peppers)

Californication

Verdade seja dita: quando o Red Hot Chili Peppers lançou Californication, já era uma das maiores bandas de rock do planeta. No entanto, o disco marca o retorno do guitarrista John Frusciante à banda. E o reencontro não poderia ter sido mais auspicioso. São desse disco sucessos como Around the World, Otherside, Scar Tissue, além da faixa que dá nome ao álbum.

5 – Use your illusion I & II (Guns ‘n Roses)

Use your illusion I & II

Dois discos que se tornam um, ou um disco que se torna dois? Eis a questão. Seja como for, Use your illusion foi um verdadeiro marco do rock no começo da década de 90. Com Axl Rose e Slash ainda amiguinhos, a dupla experimentava seu auge criativo. A despeito de besteiras como uma tosca regravação de Live and let die, os dois álbuns reúnem o que há de melhor da banda: desde o rock mais pesado, como Civil War, passando pelo rock romântico, com November rain, até chegar na fantástica releitura do clássico de Bob Dylan Knockin’ on Heaven’s Door.

4 – What’s the story morning glory (Oasis)

What’s the story morning glory?

Desde quando Paul McCartney e John Lennon anunciaram o fim dos Beatles, fãs do mundo inteiro profetizavam o retorno da super-banda com outros integrantes. Do Oasis, pode-se dizer que foi a que chegou mais perto de reencarnar o sonho perdido. Quando se ouvia nas rádios os acordes de Champagne Supernova, por exemplo, alguma coisa parecia muito familiar. Sim, para boa parte da crítica, os meninos de Liverpool estavam de volta. Dessa vez, na pele de dois irmãos que se detestavam, mas que mostram imenso talento. Se tivessem continuado, poderia ser que chegassem a patamar semelhante. Hoje, qualquer comparação com os Beatles perdeu o sentido. Mesmo assim, o disco reúne como poucos uma quantidade absurda de de grandes sucessos. Além da música-título, Roll with It, Don’t look back in anger, Some might say, She’s eletric, Hello e, obviamente, a famosíssima Wonderwall.

3 – Nevermind (Nirvana)

Nevermind

Nenhuma lista dos anos 90 que se pretenda séria pode prescindir do álbum ícone do grunge: Nevermind. A começar pela própria capa, do bebê na piscina em busca do dólar preso no anzol, que se tornou um meme antes mesmo de as pessoas pensarem que pudesse existir um meme. Segundo álbum do Nirvana, Nevermind representa uma verdadeira virada do rock tradicional em direção ao rock alternativo. A influência do disco é tamanha que até hoje não foi adequadamente mensurada. Praticamente todas as canções do disco são excelentes, a ponto de ser difícil enumerar somente algumas. As minhas favoritas? In Bloom, Lithium, Smeels like teen spirit, Polly, Breed e, evidentemente, Come as you are, a música daquela geração.

2 – Black Album (Metallica)

Black Album

O famoso “álbum negro” do Metallica é, na verdade, uma impropriedade histórica. O disco não tem nome; chama-se simplesmente Metallica. No entanto, como os vendedores das lojas de discos não se satisfizessem em chamar os álbuns somente pelo nome das bandas, acabaram atribuindo-lhe o epíteto de Black Album. Tanto faz. No fundo, o que importa é a música que ele contém, e há nele música de primeiríssima. Até então, Heavy Metal era coisa para motoqueiros tatuados, com cabelos grandes, barba por fazer e extravagantes vestimentas de couro. O álbum negro rompe o estigma que envolve o metal pesado, trazendo-o para dentro dos ambientes mais refinados. Quem se arriscaria a chamar apenas de barulho uma música como The Unforgiven? Quem poderia rejeitar a suavidade melódica de Nothing Else Matters? O grande mérito do Metallica, portanto, foi tirar o Heavy Metal do gueto e colocá-lo dentro da sala, ao alcance de todos. São desse disco sucessos como Enter Sandman, Sad but True e Wherever I may roam.

1 – Out of time (R.E.M.)

Out of Time

Que dizer do disco mais importante do R.E.M? Poderia, por exemplo, dizer que qualquer álbum que tivesse The One I Love tinha que constar na lista dos 10 mais da parada. Poderia, também, afirmar que Shiny Happy People é uma das 10 melhores canções de todos os tempos. Poderia, finalmente, constatar que Losing my religion foi o hino de uma geração. Tudo isso, contudo, seria pouco, principalmente quando se sabe que todas fazem parte do mesmo álbum. Out of time é tão importante porque representa o ponto exato da transição entre o pós-punk e o rock alternativo. Michael Stipe e sua trupe jamais poderia imaginar que, saindo da pequena e pacata cidade de Athens, na Georgia, poderiam revolucionar de forma tão profunda o pop rock norte-americano. A perfeição musical e a sincronização da banda faziam com que seu som soasse a um só tempo tradicional e moderno. Depois dele, o underground deixou de ter o caráter pejorativo que tinha e passou a ser cultuado como merecia. Palmas para eles.

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2 respostas para Os 10 melhores álbuns internacionais dos anos 90

  1. dittocujo_ disse:

    Olá! Excelente post! Só um toque aí, com relação ao “Out of time” do R.E.M., The One I Love não faz parte deste disco, e sim do “Document”, de 1987. Um abraço.

    • arthurmaximus disse:

      Tem razão, Dito Cujo. Acabei me confundindo com The One I love, provavelmente porque reuni em um único CD minhas preferidas do R.E.M. De todo modo, fica aqui o registro. Um abraço.

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