O Museu Marmottan Monet

Já há algum tempo não rola aqui um post sobre uma das sessões mais queridas deste espaço, as Dicas de Viagem. Para reparar tão longa ausência, vamos retomá-la em alto estilo. Allons-y à Paris.

Como já foi dito aqui por mais de uma vez, ir a Paris requer um certo planejamento. Principalmente para marinheiros de primeira viagem, poucos dias representam uma aflição para o espírito: tanta coisa pra ver, em tão pouco tempo, e com tão pouco dinheiro disponível. Por isso mesmo, aqueles que vão pela primeira vez à Cidade-Luz com os euros contados no bolso acabam privilegiando o roteiro obrigatório (Torre Eiffel, Trocadero, Montmarttre, Champs-Elysées, etc.). Quando dá, enfim algum museu no caminho. E, quando isso acontece, as escolhas invariavelmente recaem sobre o Louvre e o D’Orsay, nessa ordem.

Nada há de mal nisso, que fique bem claro. Afinal, não é todo mundo que tem bala na agulha pra enfrentar uma ou duas semanas numa das cidades mais caras do planeta. Se a ordem é priorizar, é até natural que as atrações, digamos, “secundárias” sejam preteridas em favor das principais. No entanto, se você for um marinheiro de segunda viagem, recomendo vivamente a visita a um dos museus mais desconhecidos da cidade: o Museu Marmottan Monet.

Musée Marmottan Monet

Instalado em um palácio quase na periferia de Paris,  o museu reúne um rico acervo impressionista do planeta. Há ali obras Pisarro, Sisley, Renoir e Degas. Monet, claro, também está presente. A indicação do nome do pintor no próprio nome do museu dá uma idéia da importância de Monet no acervo do Marmottan. É nele que está a maior quantidade de obras do pintor francês já reunidas em todo o mundo.

Tudo começou quando um sujeito chamado Jules Marmottan adquiriu o prédio onde hoje se situa o museu, em 1882. Amante das artes, Marmottan passou a reunir uma quantidade imensa de pinturas, tapeçarias e outros objetos de arte das mais variadas escolas. Quando Jules morreu, seu filho, Paul, deu continuidade à tarefa de colecionar arte. Em seu testamento, Paul Marmottan doou toda a coleção particular à Academia de Belas Artes da França. Nascia, então, o Museu Marmottan.

Em 1957, a sorte levou o então pequeno e pacato museu parisiense a mudar de patamar. Victorine Donop de Monchy, filho do médico pessoal de Manet, Pisarro, Sisley e Renoir, resolveu doar sua coleção ao museu. Tal gesto decerto influenciou o doador seguinte, Michel Monet, a entregar ao museu o acervo particular que herdara do pai. O Marmottan, agora, passaria a se chamar Marmottan Monet.

O museu divide-se em três andares. No primeiro andar, encontram-se principalmente peças de mobiliário e objetos de decoração. No térreo, há a maior parte do acervo impressionista, além do espaço para exposições temporárias. É no subsolo, porém, que está a grande jóia do Marmottan: a fantástica coleção doada por Michel Monet ao museu.

Museu Marmottan Monet

No meio dessa quantidade imensa de quadros de Monet, há, claro, obras de menor valor. Muitas delas sequer foram terminadas, algo que se pode notar claramente ao observar as laterais dos quadros, das quais salta evidente a tela branca pendente de tinta. Mesmo assim, é possível observar com clareza a evolução do trabalho de Monet, desde os primeiros esboços impressionistas até o visual fantástico das obras expostas na Orangerie.

Para chegar lá não é tão difícil. Basta pegar a linha 9 do metrô e descer na estação de La Muette. Tome a esquerda na Chaussé de La Muette e caminhe uns dois ou três quarteirões até chegar no museu. Pode parecer longe, mas no caminho você passa pelos Jardins du Ranelagh, um belíssimo parque encravado no meio de uma pacata vizinhança suburbana de Paris. Para quem gosta de impressionismo, o Marmottan é visita obrigatória.

Fica, pois, a dica.

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