Sugestão de música: George Michael

Faz tempo que não rola um post de música aqui no Blog. Para reparar a omissão, vamos retomar a seção com um dos melhores exemplares do pop dos anos 80: Georgios Kyriacos Panayiotou, ou, como ficou popularmente conhecido, George Michael.

George Michael

Em que pese o nome grego, George Michael nasceu em Londres, mesmo. Filho de um restaurador cipriota e de uma dançarina britânica, Georgios viveu uma infância normal de uma vida normal. Como curtisse música, na adolescência tirava uma de DJ nas festinhas das redondezas. Numa delas, encontrou o sujeito que mudaria sua vida para sempre: Andrew Ridgeley.

Com Andrew Ridgeley, George Michael explodiria para o sucesso. Provavelmente por isso, ambos resolveram dar à dupla o sugestivo nome de Wham!, uma onomatopéia representativa de um em estouro, ao melhor estilo de seriado do Batman dos anos 70.

Wham!

Logo no primeiro álbum, em 1981, o Wham! estourou nas paradas com o megahit Wake me up before you go go:

A despeito de as outras músicas do grupo não terem alcançado o mesmo impacto dessa canção, isso não impediu a dupla de alcançar a extraordinária marca de 40 milhões de cópias vendidas.

Talvez pressentindo que, tal qual uma explosão, o Wham! teria fôlego curto, George Michael resolveu investir também na carreira solo. Em 1984, resolveu gravar uma música só sua. E, logo no seu primeiro single, nasceu um clássico: Careless whisper.

Se ainda demorariam mais dois anos para o Wham! se desmanchar, George Michael já tinha alcançado sucesso suficiente para garantir uma longa e próspera carreira como cantor solo.

Oficializado o fim da dupla em 1986, George Michael assinou contrato com a Sony e daí para o grande panteão dos cantores pop foi só um pulo.

Logo no primeiro álbum solo, um profusão de sucessos. Faith rivalizaria com Bad, de Michael Jackson, na lista de mais vendidos de 1987. Sozinho, o álbum vendeu 20 milhões de cópias. Um assombro, principalmente quando se considera que Bad foi um dos maiores álbuns do pop de todos os tempos. São de Faith, por exemplo, megahits como Father Figure e One more try:

Além desses, Faith e Kissing a fool atingiram o primeiro lugar das paradas, consolidando o sucesso do George Michael.

Curiosamente, no entanto, nenhuma delas teve tanta repercussão como I want your sex. Quem assiste ao vídeo hoje provavelmente vai rir, achando a coisa mais inocente do mundo. Na época, no entanto, a letra supostamente imoral e o clipe com imagens sensuais geraram polêmica, fazendo com que a música acabasse banida de várias rádios.

Faith também serviria para consolidar a imagem de George Michael como símbolo sexual. Pouco importava que à época todo mundo já desconfiasse das opções sexuais do cantor. O que interessada é que, como objeto de desejo das menininhas, ele venderia mais discos.

Talvez por isso mesmo, George Michael produziu um viragem na sua linha musical, abandonando o estilo romântico e dançante do álbum anterior e produzindo um disco com uma temática mais social. E o nome não poderia ser mais sugestivo: Listen without prejudice (“Ouça sem preconceito”). São desse álbum, por exemplo, grandes sucessos como Something to save e Heal the pain.

Mas o grande hit do álbum foi, sem dúvida, Freedom ’90:

Provavelmente movido pelos conflitos internos produzidos pelo contraste entre sua imagem externada de sex symbol e sua homossexualidade reprimida, George Michael fechou-se em copas. Recusou-se a dar entrevistas e até mesmo a promover o álbum. É como se dissesse: “Essa imagem que vendem ao público não tem nada a ver comigo”.

Com a nova postura, as brigas com a Sony foram inevitáveis. Como a gravadora estava interessada em vender discos, e sua principal estrela não estava nem um pouco a fim de divulgar sua obra, era só questão de tempo para que acontecesse a separação.

No meio dessa briga toda, George Michael só aceitou sair do casulo para cantar ao lado do seu caso de então, Elton John, numa apresentação ao vivo em Wembley. A versão em dueto de Don’t let the sun go down on me conseguiu a proeza de ficar melhor do que a original, que já é linda:

Daí pra frente, no entanto, o que se assistiu foi uma decadência artística só comparável, talvez, à do próprio Michael Jackson. George Michael deixou de frequentar as páginas de música para cair no submundo das fofocas e dos paparazzi. Após flagras de posse de maconha e episódios de embriaguez pública, sua homossexualidade finalmente veio à tona quando ele foi preso por atentado ao pudor em um banheiro público de Beverly Hills. Comentando o episódio com o mais típico humor britânico, Elton John declararia então: “Um banheiro não é o melhor lugar para assumir a sua sexualidade”.

Desde então, George Michael tem alternado episódios de engajamento político (foi contra a Guerra do Iraque) com escândalos pessoais, como a suspensão da licença de motorista por dirigir sob efeito de cannabis.

Não importa. O que George Michael já compôs justifica facilmente seu lugar entre os maiores cantores pop de todos os tempos. Fica, portanto, a dica para revisitar os sucessos desse grande músico.

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