Há algum tempo, o presidente do Sport Clube do Recife, Luciano Bivar, propalou aos quatro ventos que pagara a “alguém da CBF” pela convocação do volante Leomar para a seleção brasileira. Sem dizer quanto e a quem, Bivar garantira que Leomar não estaria na lista dos convocados para um amistoso da canarinho em 2001 sem que tivesse havido, em suas palavras, uma “empurrão” para jogá-lo para dentro da lista.
Alguém mais inocente pode se perguntar: “E o que é que o sujeito ganha pagando para alguém ser convocado para a seleção?”
Isso é relativamente simples de explicar. A seleção da CBF é a maior vitrine mundial do futebol. Pouca gente acompanha o triste campeonato brasileiro, pobre em técnica e em público, mas quase todo mundo gosta de ver a seleção jogando. Única a ostentar cinco estrelas no escudo, a canarinho ainda impõe respeito, a despeito dos desastres dos últimos anos.
Portanto, se o sujeito joga no seu time local, dificilmente algum técnico ou dirigente do exterior tomará conhecimento de sua capacidade futebolística. Agora, se o sujeito aparece vestindo a camisa amarelinha, a coisa muda de figura. Apesar dos pesares, a seleção conserva o título de grife mais bem produzida da estação.
Daí para transformar a exposição em dinheiro, pois, é só um pulo. Como o clube lucra com a venda do jogador, quanto mais convocações ele tem, maior será a sua exposição e, consequentemente, maior será o seu valor de venda. Com isso, ganham dirigentes, técnicos e, por tabela, também jogadores.
Desde há muito, algumas convocações para o time da CBF suscitam dúvidas em torcedores e especialistas. Atribuindo-se-lhes o benefício da dúvida, muitas convocações inexplicáveis eram atribuídas exclusivamente à teimosia do técnico. Agora, era a grande chance de lançar luzes sobre os meandros das listas de convocados da CBF. Como diria o inesquecível Bussunda, teríamos finalmente a “CPI dos volantes da seleção”.
Infelizmente, hoje tivemos o anti-clímax. Ouvido na Justiça Desportiva, Luciano Bivar deu o dito pelo não dito, e saiu-se com o indefectível argumento de que foi “mal interpretado”.
Independemtente das razões que levaram Bivar a botar a boca no trombone para depois engolir o sopro, o fato deveria atiçar a curiosidade jornalísticas dos profissionais mergulhados no dia-a-dia do esporte. Com um pouquinho menos de preguiça, poderão descobrir técnicos que indicam jogadores para os clubes porque, garantidos pelos mesmos agentes, receberão um troco quando o sujeito for vendido para outro clube. Se tiverem alguma sorte, poderão inclusive lançar luzes sobre algumas convocações da CBF, explicando porque sujeitos que não jogariam nem em times de várzea conseguem ostentar a condição de titulares do time.
Porém, a julgar pelo desempenho da imprensa esportiva nos últimos escândalos do futebol nacional, teremos de esperar a boa vontade de Andrew Jennings se debruçar sobre os escaninhos da CBF. Até lá, continuaremos discutindo o penúltimo erro do árbitro no final de semana e a escalação do time para o próximo clássico.