A internação compulsória de dependentes químicos, ou A praga do politicamente correto – Parte IV

Uma coisa que deu o que falar nos últimos dias foi a implementação da política da internação compulsória de dependentes químicos. Medida sem precedentes no país, agora usuários e dependentes de todos os tipos de droga – da heroína ao LSD, da cocaína ao crack – estarão sujeitos a, contra a sua própria vontade, serem internados em instituições para tratamento de saúde.

Como sempre acontece nesse tipo de caso, os patrulheiros do politicamente correto começam a dar suas caras. Farisaístas, os patrulheiros vêm propalar que a medida é uma violência, porque o cidadão só deveria ser submetido a tratamento caso quisesse. Os mais refinados chegam ao cúmulo de invocar a Constituição, alegando que se está a violar o direito de ir e vir do sujeito, que é submetido a uma medida de segurança sem qualquer processo legal anterior. Com isso, conseguem transformar em polêmica uma das poucas medidas que mereceriam o aplauso sincero da população. Pra piorar, quando finalmente os governos conseguem dar uma dentro, sentem-se constrangidos pelo patrulhamento e há até quem esteja repensando se vai ou não adotar a medida.

Nada mais equivocado.

Pra começo de conversa, a internação compulsória é medida largamente utilizada mundo afora. Para os que acham que a medida se assemelha às prisões ilegais cometidas em regimes de exceção, basta dizer que as ditaduras dos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Alemanha, Finlândia, Holanda e Reino Unido a adotam. Em maior ou menor grau, todos esses países bárbaros submetem o dependente químico à internação contra sua vontade.

Mas por que eles fazem isso?

O princípio da internação compulsória é bastante simples: o dependente não se governa. Ponto. Quem submete o cérebro ao domínio de drogas psicotrópicas, perde, nos casos extremos, a capacidade de ditar o próprio rumo. É exatamente por isso que é farisaísta o argumento de que a internação viola o direito de ir e vir do cidadão. Parte-se do pressuposto que o sujeito ainda tem capacidade de mover a sua vontade por algo além da necessidade de satisfação do próprio vício, quando é isto – e somente isto – o que ocupa a sua mente.

Fora isso, o argumento constitucional ignora que, em todos os lugares do mundo (Suíça à frente) onde foram criados “áreas de livre consumo de drogas”, o número de viciados aumentou dramaticamente, assim como o número de ocorrências relacionadas a eles.

O que a internação pretende é justamente romper radicalmente com o círculo vicioso no qual o dependente se precipita. Afasta-se o sujeito do vício e, bem ou mal, com maior ou menor dor ao paciente, o cidadão começa a ser tratado. Com o tempo, é possível que consiga controlar o vício a ponto de poder retornar ao convívio da sociedade. Mas, enquanto estiver sob o domínio da droga, deve ser mantido à distância, porque representa um risco para os outros e para si mesmo.

Ao invés de protestarem contra a medida, os patrulheiros de plantão deveriam estar brigando para que ela fosse estendida a todos os estados da federação. Mais do que isso, deveria lutar para que os centros de tratamento de dependência química ostentassem níveis suecos de eficácia e higiene. Do contrário, eles se transformarão em mais um depósito de entulho de gente, como a maioria das cadeias do país.

Aos que ainda mantêm a opinião contrária à medida, proponho o mesmo desafio feito pelo Dr. Dráuzio Varela: procure um único caso de um sujeito internado compulsoriamente que, uma vez tratado, tenha dito que seria melhor se não tivesse sido internado. Enquanto você não encontrar alguém, recomenda-se um pouco menos de hipocrisia e um pouco mais de bom senso.

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