O acordo ortográfico da língua portuguesa

Uma coisa que me tirou do sério e que só tende a piorar meu humor à medida que se aproxima o final do ano é o acordo ortográfico da língua portuguesa.

Como todo mundo sabe, em 2009 os representantes de Portugal, Brasil, Guiné Bissau, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste resolveram unificar a ortografia da língua de Camões. Alegava-se que a situação atual era absurda, pois a mesma palavra possuía grafias diferentes conforme o país em que se estivesse, a despeito de a língua ser supostamente una.

À primeira vista, a iniciativa é válida. Afinal, espanhol, francês e inglês possuem não só uma ortografia única como uma gramática unificada. Não à toa, são as línguas verdadeiramente universais do planeta. Mesmo sendo a língua nativa de mais de um bilhão de pessoas, dificilmente o chinês alcançará esse patamar. Na China, falam-se dezenas de dialetos, e o chinês “padrão” – o mandarim – pouco tem a ver com os demais dialetos falados por lá.

À segunda vista, a idéia é uma rematada tolice.

Em primeiro lugar, a unificação chega com 500 anos de atraso. Hispanohablantes, spoken english people les francophones são o que são porque obedecem a um mesmo sistema de regras há mais de meio milênio. A gramática espanhola, por exemplo, foi unificada em 1492, mesma data da unificação da Espanha.  Adotou-se o castellano, e, desde então, na Espanha e na América espanhola, seguem-se os padrões e regras estabelecidos à época. Aliás, é justamente por isso que o italiano não constitui uma língua universal. O italiano standard deriva do toscano. Como a Itália só foi unificada no final do século XIX, nem mesmo entre os italianos a unificação teve lugar. Em algumas partes da Itália, o toscano é somente a segunda língua do povo, não a língua materna.

No caso do português, há diferenças de linguagem tão arraizadas no inconsciente coletivo que jamais não serão mudadas por nenhum acordo deste mundo. Por exemplo: ninguém vai convencer um português a escrever “fato” ao invés de “facto”. Preguiça mental? Longe disso. “Fato” para eles é o nosso “terno”. Trocar um pelo outro simplesmente não fará sentido. Isso para não falar dos casos, digamos, “gramaticais”. Por exemplo: um brasileiro dirá “Fulando se beneficou de um esquema de corrupção”. Já um português dirá “Fulano beneficiou de um esquema de corrupção”. Para eles, a reflexividade é ínsita ao verbo, sendo desnecessário o uso do “se”.

O acordo vai resolver esses casos? De forma alguma.

Em segundo lugar, há um problema conceitual com o acordo. Na maior parte dos casos, retira-se da língua portuguesa algumas coisas consideradas “problemas” simplesmente pela incapacidade de o país ensinar aos seus cidadãos o uso correto da língua. “Ah, ninguém acerta o uso do trema”. Pronto: retira-se o trema. “Muita gente erra acentuação”. Suma-se com os acentos em das paroxítonas terminadas em ditongo aberto. Em resumo: ao invés de ensinar o povo a escrever corretamente o próprio idioma, retiram-se os “problemas” para torná-lo mais fácil.

Por último, em muitos casos, o acordo ortográfico, ao invés de solucionar, acaba confundindo ainda mais as coisas. As hipóteses são várias.

Há o caso, por exemplo, do fim do acento diferencial do “para” (preposição)/”pára” (verbo). Aí você vê numa notícia: “Carro para São Paulo”. É impossível saber se o sujeito está propondo mais carros para São Paulo ou se um carro parou a cidade de São Paulo.

Mas nenhum deles é pior do que a hifenização. Este, sim, era um problema aparentemente insolúvel para o ensino da língua portuguesa, simplesmente porque não há regras minimamente racionais para o seu emprego. Vem o acordo e faz o quê? Torna o sistema ainda mais confuso. Fora não ter estabelecido normas práticas para o uso do hífen, o acordo estabeleceu a regra de hifenizar-se toda palavra em que o prefixo for seguido de uma palavra que seja iniciada pela mesma vogal do prefixo. Por exemplo: microondas agora se escreve micro-ondas.

“Beleza. Então posso aplicar essa regra sempre?”

Nada disso.

Em “reeducar”, por exemplo, aplicando-se a regra acima, deveríamos ter “re-educar”. Ocorre que, por uma “tradição” incorporada da linguagem, teremos de continuar escrevendo “reeducar”.

No fundo, no fundo, o acordo ortográfico foi uma grande bananosa destinada somente a facilitar a vida das editoras. Antigamente, elas tinham de publicar um livro aqui e depois “traduzi-lo” para o português de Portugal para vendê-lo lá. E vice-versa. Agora, podem imprimir uma única edição e publicar lá e cá. Não à toa, o acordo foi imediatamente “incorporado” aqui no Brasil, enquanto em Portugal é raro, muito raro, encontrar qualquer publicação que atenda às regras do acordo ortográfico.

Certo estava Pasquale Cipro Neto, ao dizer que, como o acordo ortográfico previa a dualidade “língua antiga-língua nova” até 31 de dezembro de 2012, continuaria a escrever como sempre aprendeu e ensinou até 31 de dezembro de 2012.

No que toca a este que vos escreve, com seus pendores radicais, digo-vos desde já que continuarei escrevendo à moda antiga até 31 de dezembro de 2012.

E depois também…

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79 respostas para O acordo ortográfico da língua portuguesa

  1. Rui Miguel Duarte disse:

    Bom dia,

    Como português, estou consigo nas críticas que faz ao acordo ortográfico e na disposição para não uma imposição política ilegal e inconstitucional, de interesses somente de alguns. Por outro lado, a unificação é impossível, designadamente no léxico e à sintaxe.
    Apenas duas rectificações:
    1. Na frase portuguesa “Fulano beneficiou um esquema de corrupção”, falta um “de”. Assim, será “Fulano beneficiou de um esquema de corrupção”. De acordo quanto à reflexividade.
    2. O que diz em relação ao Inglês, Castelhano e Francês não é exacto. Quanto às duas últimas, não estou em condições de o dizer, mas em relação ao Inglês não há ortografia unida. De modo algum, há pelos menos duas variantes: britânica (uk) e americana (us). Talvez na Austrália, e outros países, haja diferenças. Senão vejamos:
    analyse uk: analyze us
    criticise uk: criticize us
    sceptic sceptical etc. uk: skeptic spektical etc. us
    labour labourer uk: labor laborer us
    favour favourable favourite favouritism uk: favor favorable favorite favoritism us

    Lista não exaustiva. E que não tem em conta as diferenças de léxico, por exemplo, lorry uk: truck us (cf. camião pt: caminhão br).

    Isto não obsta a que o Inglês seja a língua internacional de comunicação. Talvez com maior pendor para o uso da variante us. Se bem que, na ONU, é a variante uk d Oxford a utilizada.
    Porém, é uma forte refutação ao argumento de que duas ou ortografias diferentes para o Português impedem que se te torne idioma franco universal, tendo-se concomitantemente divulgado a mentira de que o Português seria caso único e vexatório. Os anglófonos não sentiram necessidade de um “acordo”. E concordo, nem os lusófonos em geral a sentem. Além de que, do lado de cá, na variante os atropelos são bem maiores do que no Brasil, com as desunificações operadas por outro lado: cf. receção conceção deceção espetador pt: recepção concepção decepção espectador br.

    Já agora, a título de curiosidade: como pronunciaria um brasileiro, ao deparar-se com formas lusas acordizadas como as que listei?

    Cumprimentos
    Rui Duarte

    • arthurmaximus disse:

      Caro Rui Duarte,

      Agradeço as suas observações. Retificarei os erros no post.

      Em relação ao inglês e ao francês, de facto não há uma ortografia uniificada tal qual ocorre com o castelhano. No entanto, a despeito da falta de uma “Real Academia” inglesa e francesa, a verdade é que as diferenças ortográficas, seja na língua de Shakespeare, seja na língua de Voltaire, são irrelevantes. Algo como “theatre” (uk) e “theater”(us) ou “centre”(uk) e “center”(us). No máximo, indicam diferenças no sotaque atribuído à palavra, mas não implicam diferenças de sentido, tal como ocorre, por exemplo, no caso de “facto”e “fato”. Ademais, a gramática não encontra diferenças marcantes, sendo razoavelmente correto dizer-se que é “unificada”, pois obedece a regras símiles em qualquer país anglófono. Aliás, a relativa facilidade de entendimento da gramática inglesa é a razão pela qual, a meu ver, o inglês conseguiu de maneira supreendentemente rápida – menos de um século – tornar-se a lingua hegemônica nas relações internacionais.

      Concordo inteiramente consigo quando afirma que a existência de duas ortografias seja um impedimento para o português tornar-se uma língua universal. De facto, a versão propagada de que a diferenciação ortográfica seria um caso único e, por isso mesmo, vexatório, serviu apenas para “vender” a idéia de que o acordo seria a solução para todos os problemas da língua de Camões.

      No caso dos seus exemplos, a pronúncia lusitana causa sérios dificuldades de entendimento para o português. No caso de “recepção”/”receção”, por exemplo, o brasileiro pronuncia cadenciadamente recePção, ressaltando o “p”, de modo a diferenciar do vocábulo foneticamente idêntico “recessão”, a que se reconduz o vocábulo português. O mesmo de dá com “concepção”/”conceção”, para o qual o realce do “p” intermediário serve para desassociá-lo do vocábulo “concessão”. Nesses dois casos, é possível que o ouvinte brasileiro acabe por trocar o significado vernacular de uma palavra por outra.

      No caso de “deceção” e “espetador”, a pronúncia segue o mesmo padrão. A diferença reside no facto de que, em ambos os casos, a pronúncia lusitana simplesmente não fará sentido para o “português brasileiro”. Não há algo semelhante a “deceção”, e o “espetador” será entendido, na melhor das hipóteses, com alguém que usa um espeto.

      Cordias cumprimentos.

      • Erich von Manstein disse:

        Caro Senhor Arthur Mínimus, por que insistes em escrever com português de Portugal? Isso é ridículo. Deixe essa mentalidade de colonizado e escreva com sua língua real. Tenha personalidade e não se curve em relação aos seus interlocutores “europeus”. Por que imitar a língua dos portugas? Qual é o objetivo disso? Você tem vergonha da sua língua pátria?

      • arthurmaximus disse:

        Em primeiro lugar, meu caro Manstein, por uma questão de cortesia. Se fosse um francês, um inglês ou um italiano, responderia em sua língua nativa. Cortesia que está longe de caracterizar subserviência.
        Em segundo lugar, por uma questão de coerência. Como ressaltei no próprio post, há dois “português”: o de Portugal e o “brasileiro”. A despeito dos numerosos vocábulos comuns, são línguas inteiramente distintas, na ortografia, na gramática e na forma de expressão pelo povo. Escrevo para os internautas portugueses em português de Portugal porque quero fazer-me “perceber” (o equivalente português ao nosso “entender”). Só isso.
        Mas isso tudo que escrevi é despiciendo. Afinal, cortesia e compreensão são certamente matérias estranhas ao inferno onde habita, depois de ter sido morto em combate. “Sieg Heil!” pra você.

    • Mari disse:

      O brasileiro diz espeCtador. espectador (o do teatro por exemplo) e espetador (aquele que espeta) não são as mesmas coisas no Brasil, como gostam de dizer os portugueses.
      Logo: recePção , concePção são formas usadas no Brasil e a pronuncia do P é feita. A tìtulo de curiosidade eu também gostaria de saber se o português pronuncia o C de facto ou o P de òptimo?
      E como os portugueses usam o vòs e o vocês? Meus avòs são portugueses do Porto, minha avò não usava o pronome vòs. Jà ouvi vòs em Lisboa e no norte também. O meu avô disse-me que quando era criança dizia aos seus pais vosmecê, que acho que jà caiu desuso.
      (desculpe-me pelos acentos invertidos, meu teclado é francês e não possui os agudos em todas as vogais). E quanto ao teu cometàrio no facebook “E um comentário parvo, xenófobo e foleiro de um brasileiro de nome alemão, que teve resposta a jeito”. O brasileiro possui sobrenomes (ou apelidos em PT) alemães sim, japoneses, italianos, portugueses…tudo isso junto e + um pouco e com muito orgulho.

      • arthurmaximus disse:

        Cara Mari, o “c” de “facto” é pronunciado – e bem pronunciado – pelos portugueses em geral. Mas o “p” de óptimo não o é. O Rui Duarte poderia explicar melhor o porquê de um caso e outro.
        A segunda pessoa do plural também é largamente utilizada. Afinal, eles não têm por costume tratar-se reciprocamente por “você” ou “vocês”, como aqui no Brasil.
        No caso do sujeito com sobrenome alemão, na verdade se trata de um fake, utilizado para encobrir a real identidade do sujeito que escreveu o comentário (a razão disso você poderá perceber ao lê-lo). Erich von Manstein foi um general alemão, morto durante a segunda guerra mundial. Neste caso, portanto, não há orgulho nacional nenhum envolvido. Um abraço.

  2. Rui Duarte disse:

    Foi o que me pareceu. Quanto aos exemplos dados, era a previsão de pareceres de linguistas. Pela fonética do Português euro-afro-asiático, a tendência seria pronunciar “receção” como “recessão”, etc.. De brasileiros residentes em Portugal que conheço, já tinha visto estranhamento face a “receção”, pensando tratar-se de “recessão” com erro. Do que eu precisava era disso mesmo: da percepção (acordês tuga “perceção”, com pronúncia “perc’ção”) de estranheza e equívocos para ouvintes e leitores brasileiros ao depararem-se com formas tugas como estas. Era disso que precisava. Um dos casos mais discutidos é precisamente o de “espetadores”, de espetar. Nestas palavras, não pronunciamos as consoantes, mas elas mantêm um valor diacrítico: abrir a vogal átona precedente, dada a tendência geral de fechamento e emudecimento de vogais átonas do Português de Portugal e suas ex-colónias na África e na Ásia.
    Como vê, originalidades dos inventores do AO, que, querendo unir, promoveram outras diferenças. Como estas, geradoras de estapafúrdios equívocos tanto em nós como em vós. Era disso que eu precisava: da percepção de brasileiros, para demonstrar a estupidez criada.
    Peço-lhe pois licença para publicar os seus dois últimos parágrafos no Facebook, em grupos contra o AO.
    Fico-lhe grato.
    Abraço
    Rui

    • arthurmaximus disse:

      Dou minha autorização com muito gosto. Sinto-me honrado com a sua disposição de repassar os pensamentos adiante. Quem sabe ainda há tempo de reverter esta tragédia anunciada do AO? Cordiais cumprimentos.

    • Rui, só uma correcção: em Portugal há quem diga “espeCtadores” e quem diga “espétadores”. Mas o “c” é pronunciado. O que tornou a supressão do mesmo por parte de algumas almas “mais acordistas que o acordo” escandalosa.

  3. Rui Duarte disse:

    Quanto a isso, caro Arthur, a coisa está negra. Existe em curso uma subscrição para uma iniciativa legislativa de cidadãos (ILC), a apresentar ao Parlamento. Mas não se sabe quantas assinaturas existem já. Os políticos de todos os partidos venderam-se: os da actual coligação de governo, quando na oposição, converteram-se ao acordês (como em muitos outros domínios, desmentem com palavras e actos o que antes diziam). E assobiam para o lado. Ou chutam para canto (escanteio, como e diz no Brasil). Assim também o Presidente da República. Dizem alguns que em privado escrevem como aprenderam, mas nas comunicações públicas têm de usar o acordês. Jornais, televisões, rádios, portais de universidades, das mais diversas instituições públicas e privadas acordizaram-se, e dizem que tem de ser. Embora seja mentira, ninguém é obrigado, pois a imposição é ilegal e inconstitucional. O período de transição decorre até 2015. Um responsável governamental disse que seria permitido utilizar as duas grafias durante este, mas ao que parece há ordens hierárquicas para escrever em acordês, vindas de ministérios, de chefias autárquicas, etc.. Os professores, preocupados com a crescente burocratização da sua função, vergaram a espinha. Devem ter crido no dogma acordista de que é um bem, e de que tem de ser. E não reagem, antes obedecem. Até uma tal associação de professores de português, cujo presidente declarou que bastava entre 30 segundos e 30 minutos para um professor conhecer as regras e estar apto a aplicá-las, comete dislates em publicações, violando as próprias regras do AO!!!!! De 30” a 30′! lol. E ainda querem avaliar os alunos com isto.

    A unificação não só não foi (nem pode ser) alcançada, como produziram-se mais divergências, artificiais, como essas. E está tudo a provocar uma onda de iliteracia incrível, em que a realidade já ultrapassou a ficção. Não só em Portugal já haja quem escreva e diga à brasileira “fato”, “contato”, “indenização” (por “indemnmização”) como consoantes que sempre, no percurso escolar de que tenho memória, foram pronunciadas, são retiradas (EgiPto, cePtro). Pior: a ignorância é tal que mesmo gente que deveria estar informada, como os redactores do jornal oficial (Diário da República), ou articulistas da imprensa, gente com cursos universitários, responsáveis políticos e culturais, inventa palavras: em caso de dúvida, na ignorância, toca a modernizar, e para tal qual é o que há a fazer? Simples, onde quer que haja uma das chamadas consoantes mudas (“p” ou “c” .ntes de outra), e porque a questão das consoantes mudas é a face mais visível e falada do AO, abate-se. Daí aparecerem coisas que nem o AO contempla: “inato” por “inapto”, “intato” por “intacto”, “reto” por “repto”, “compato” por “compacto”, “pato” por “pacto”… E muitas vezes há publicações híbridas, com mistura de antigo como “modernaço”.
    Abriu-se a caixa de Pandora. Pôs-se a circular um medicamento, que comprovadamente está a provocar efeitos secundários, que a maioria dos especialistas já previra, e o que se faz? Não se retira do mercado, aumenta-se a dosagem…

    Resta a resistência. De intelectuais, de muita gente que vai publicando artigos em jornais e na internet. E vai recolhendo assinaturas. São necessárias 35 000 para a tal ILC. E a vontade de desobedecer civilmente a uma ilegalidade. E a uma coisa muito má. Dos exemplos que dei haviam há anos sido previstos por linguistas, a par com o resto, que produziria confusão. Daí o meu desejo de conhecer a percepção de Brasileiros ao lerem acordês de Portugal. Para um brasileiro, “receção” é “recessão”. E acrescentar mais recessão àquela que Portugal está a ser forçado a viver…
    Este é o estado das coisas por aqui. Uma choldra.
    Se tiver curiosidade, consulte este ficheiro, que João Roque Dias, um tradutor profissional, vai mantendo actualizado, com recolhas de recortes de imprensa, e de portais electrónicos. São muitos. Pode rir à vontade. Pois dá vontade de rir sem parar, ao mesmo tempo que chorar, pelo estado das coisas

  4. Rui Duarte disse:

    Esqueci-me: está aqui:

    • arthurmaximus disse:

      Muito interessante a compilação, meu caro Rui. Mas devo informar-lhe que, se semelhante estudo fosse realizado cá no Brasil, o resultado não seria lá muito diferente. Na verdade, acho que seria bem pior… Cordiais cumprimentos.

      • Rui Duarte disse:

        Caro Arthur,
        Agradeço e aprecio interagir consigo. Vou publicar o que me autorizou. Já agora, um desafio: porque o amigo não faz uma recolha dessas por aí, uma “choldra” ortográfica desse lado?

      • arthurmaximus disse:

        Caro Rui, dificilmente terei tempo para elaborar algo comparável à cholda que me mostraste. Mas lhe remeto os seguintes links, dos quais é possível ter pelo menos um idéia do nível do jornalismo que se pratica aqui no Brasil: aqui, http://www.youtube.com/watch?v=6mdvlH28LeE e http://www.iscafaculdades.com.br/nucom/artigo_39.htm. Também recomendaria dar, de quando em vez, uma passada d’olhos nos sítios dos jornais O Globo (oglobo.globo.com), Folha de São Paulo (www.folha.com.br) e O Povo (www.opovoonline.com.br). Com os cumprimentos habituais.

      • António Castro disse:

        Caro Arthur
        A ILC de que o Rui Duarte fala é uma “iniciativa de cidadãos” que está à procura de 35 mil assinaturas em Portugal há mais de dois anos.
        A ILC é uma iniciativa que engloba tradutores com medo da concorrência e gente que varia entre a xenofobia antibrasileira ao mais apurado racismo.
        A ILC tem contado com o apoio ativo de um jornal diário nacional que tem promovido uma campanha suja contra o AO90
        Até agora, e que se saiba, mais de dois anos após o seu lançamento, a ILC não conseguiu o número mínimo legal de 35 mil assinaturas para ser apresentada ao Parlamento, e, por algum motivo, eles têm vergonha de dizer quantas assinaturas conseguiram. Para que vc avalie por si mesmo a importância que o assunto tem em Portugal, o pais tem 10 milhões de habitantes e, pelos vistos, decorridos mais de dois anos de campanha isolacionista, não existem sequer três portugueses em cada mil dispostos a dar a cara pela ortografia antiga.

  5. sc disse:

    Convinha precisar alguns factos: as diferenças de ortografia foram criadas artificialmente nos finais do século XIX: o português de Camilo Castelo Branco e o de Machado de Assis tinham a mesmísssima ortografia.
    A ortografia do Brasil foi modificada por motivos políticos ( nacionalismo) e ideológicos (positivismo francês – claro está que nem uma palavra foi modificada em França).
    Quanto às academias, existem em todos os países, sem a importância que no Brasil lhe atribue e dedicam-se a outros assuntos: physica, mathemática e outras sciências próprias de países “atrasados”.
    Seria bom que o Brasil tentasse chegar a níveis de analfabetismo aceitáveis – os do Zimbabué, por exemplo – e que Portugal se impusesse o analfabetismo zero, típico dos países o 1º mundo.
    Até lá resta lutar para que os governos não desperdicem recursos com o acessório.

    • Erich von Manstein disse:

      Acho que o Brasil nunca deveria ter perdido esse tempo todo tentando uma unificação ortográfica. Até hoje não entendo qual seria a importância de os portugueses escreverem igual a nós brasileiros. Por que os brasileiros perdem tempo com isso? Portugal é um país irrisório, microscópico e atrasado. Não tem peso econômico, cultural ou demográfico. É discriminado dentro da própria Europa. E essa irrelevância tende a se aprofundar com a falência do país, que deve ser expulso da zona do euro, de onde nunca deveria ter entrado. Nós brasileiros devemos fechar nossas fronteiras para impedir que essa massa de trabalhadores desempregados portugueses, na maioria despreparados, venham a invadir nosso país para concorrer com nossos mendigos. Os portugueses devem agradecer ao Brasil por ter mantido a língua portuguesa em um certo patamar de relevância no mundo. Hoje o Brasil é a sexta economia do mundo, e caminha para a quinta posição. É um país extremamente industrializado, possuindo um alto grau de desenvolvimento tecnológico e científico. Portugal só vive de vender azeitona, bacalhau e rolha. O mercado editorial brasileiro é infinitamente maior do que o mercado editorial dos outros países de língua portuguesa juntos. Estes, se forem espertos, é que têm que nos imitar, adotando nossa nossa forma de falar, escrever, além de se inspirar em nossa cultura bem sucedida. É esse mercado editorial que deve impor a língua brasileira a esses outros países desafortunados. Grande parte dos problemas que o Brasil enfrentou durante seus primeiros séculos de existência foi devido a herança medíocre deixada pelos portugueses. O que esse povo trouxe realmente de valor para a cultura brasileira? Nada. Felizmente nosso país rompeu essa herança maldita e conseguiu despontar como uma potência mundial.

      • Rui Duarte disse:

        Caro Erich von Manstein. Portugal não é um país atrasado nem irrisório. Está nos primeiros lugares do mundo em vários indicadores, como a baixa mortalidade infantil, venda de software para empresas com a NASA, tecnologia electrónica, etc.. E em termos de alfabetismo, o Brasil está muito abaixo do “atrasado” Portugal. Além disso, em termos de imigração, as actuais vagas de emigrantes Portugueses no Brasil são de gente MUITO qualificada; pelo contrário, Portugal foi invadido nas duas últimas décadas por emigrantes brasileiros NADA qualificados. Mesmo os MUITO qualificados dentistas brasileiros têm muito menores qualificações e competências do que os seus homólogos portugueses, e Portugal teve de levar com eles…
        Hoje em dia, é certo, Portugal atravessa um período de recessão e, como sói dizer-se, está a tornar-se o Brasil da Europa: uns 10% de muito ricos e corruptos, que têm todo o poder; e 90 % de muito pobres. Veja a fama que o Brasil tinha e ainda tem na Europa, incluindo em Portugal. É que deste lado também se fazem anedotas de brasucas… E quanto a isso, caro senhor, é melhor ter-se bem de pé que pode cair: esse desenvolvimento pode ter pés de barro. No fundo, o Brasil está com tiques de novo rico. Muito longe da recessiva Espanha, da recessiva Itália, ou dos E.U.A. em termos de cultura geral da população. Ou do Japão. A bolha pode estoirar para os lados do Brasil. Ou pensa que esse ciclo é eterno? Também a Europa pensava que era, também os imperadores romanos pensavam que Roma era eterna.
        E nada tem a aprender com brasileiros como o senhor. Não, não devemos nada em termos linguísticos ao Brasil. Se alguma coisa devemos, é a perniciosa influência crioula das telenovelas. A língua portuguesa de Portugal baste-se a si própria, e se contar com os países africanos de língua portuguesa, mais Timor Lorasae e a diáspora portuguesa pelo mundo, somos uns bons 55 milhões. Podemos ser David, mas não temos medo de Golias como o senhor. E temos excelentes escritores e poetas, um prémio Nobel da Medicina e outro da Literatura, um dos melhores centros de investigação do mundo (Fundação Champallimaud), e dos arquitectos mais requisitos do mundo, um dos quais ganhou em 2011 o prémio Pritzker, o chamado “óscar” da arquitectura. E quanto à herança portuguesa no Brasil, deixe-me rir: um país independente há 190 anos ainda se queixa dessa herança. LLOOOLLLL Mas é fácil de perceber isso: não todos, mas há brasileiros que têm um certo complexo de americanos frustrados. No fundo, até queriam ser os americanos do hemisfério sul, mas nãããooo, não chegam lá. Mas assim como assim permito-me um conselho: renuncie à cidadania brasileira, tão contaminada de portuguesismo, e faça-se argentino, ou americano. Talvez assim purifique o que resta de portuguesismo dentro de si.

        Eu não queria comentar neste tom e peço desculpa aos restantes comentadores, mas este comentário xenófobo, acrítico, néscio e parvo merecia resposta.

      • arthurmaximus disse:

        Resposta anotada, meu caro Rui Duarte. Peço-lhe que dê uma olhada na resposta que escrevi ao seu compatriota SC, que vale também para o Sr. Manstein.

      • arthurmaximus disse:

        Limito-me, no seu caso, Sr. Manstein, a fazer referência à resposta ao SC.

      • Erich von Manstein disse:

        Caro Rui Duarte,
        Desculpe o tom um pouco ríspido do meu primeiro comentário. Meu objetivo não foi ofender diretamente o povo português, mas fazer algumas observações sinceras sobre o seu país. Eu entendo que deva ser difícil ler meu comentário, mas o que falei deveria ser dito. Aqui no Brasil, muitos pensam o mesmo, mas alguém teria de ter a coragem de dizer.
        Está na hora de Portugal parar para pensar em qual é o real motivo de seu fracasso como país. Eu, como um observador atendo, identifiquei alguns traços da mentalidade portuguesa que podem ajudar a entender esse vexame. Um dos principais é a limitação cognitiva de muitos portugueses que o impedem de entender pensamentos abstratos. Bom, dizem que isso é resquício da época da inquisição. Vocês entendem tudo de forma literal, limitando a capacidade de vocês de ter um raciocínio mais profundo. Também são incapazes de compreender certas nuances da linguagem. Por isso eu recomendo aos brasileiros a não usarem metáforas quando conversarem com portugueses, pois eles poderão entendê-las de maneira diversa do pretendido. Aliás, esse problema tem um nome técnico, médico, mas eu esqueci. É esse o motivo de haver tantas piadas de português aqui no Brasil.

        Quanto aos dentista brasileiros em Portugal, eles são muito mais bem preparados do que seus pares portugueses. Por favor, como pessoa inteligente que você é, admita isso. Em Portugal não há nem curso de Odontologia.

        Em relação a herança portuguesa, é fato histórico inegável que a colonização de exploração imposta por Portugal a suas colônias foi muito danosa a esses futuro países. O pior é que nem Portugal beneficiou-se nesse processo. Todas as riquezas das colônias foram redirecionadas diretamente aos bolsos ingleses. Compare com a colonização inglesa nos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. A questão, como falei, é da própria mentalidade do povo português. Depois do auge do período colonial, Portugal só encolheu como país, tudo só descida morro a baixo.

        Quanto à Língua Portuguesa, vocês que sofreram a maior influência francesa. De certa forma, nosso português é mais puro, menos contaminado, que o seu. Devido a essa influência deletéria, o português de Portugal tornou-se um inferno para se entender. Estrangeiros que ingenuamente pretendem começar a aprender português de Portugal, desistem logo. Mas quando descobrem o português do Brasil, ficam aliviados.

        Quero deixar claro que meus comentários não têm nenhuma conotação racista ou preconceituosa. Eu mesmo sou descendente direto de portugueses, tanto por parte de pai, como de mãe. O que fiz foi apenas uma exposição objetiva sobre os fatos.

    • arthurmaximus disse:

      Com o devido respeito, seu comentário contém diversas imprecisões, a merecer a devida rectificação.
      À partida, não é exacta a afirmação de que o português de Camilo Castelo Branco e o de Machado de Assis tinham a “mesmíssima ortografia”. Consultando meus alfarrábios, verifiquei que a versão original de Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicada em capítulos pela Revista Brasileira, a ortografia era inteiramente distinta da ainda prevalecente em Portugal. O já citado caso do “facto”/”fato” é somente um dos exemplos.
      Em segundo lugar, é inteiramente fora de lugar a afirmação de que a ortografia no Brasil foi mudada por conta de nacionalismos ou ideologias. O Brasil do começo do século XX desconhecia qualquer forma de nacionalismo – basta dizer que o próprio nome oficial do país era Estados Unidos do Brasil – e as influências francesa e norte-americana faziam-se presentes mais do que qualquer instinto nacionalista. O nacionalismo cultural só irá encontrar guarida a partir da Semana de Arte Moderna de 22 e, politicamente, somente com o segundo governo de Getúlio Vargas, já passada aí metade do século.
      Do ponto de vista ideológico, a menção ao positivismo de Augusto Comte também é fora de lugar. O positivismo teve mais influência política no final do século XIX e na virada do século XX, sendo decisivo na mudança da monarquia para a república em 1891. Desconhece-se, contudo, qualquer influência no âmbito da língüística nacional.
      Em terceiro lugar, não alcancei a menção às academias. Nem a francesa, nem muito menos a brasileira, atingiram status sequer semelhante, dentro da estrutura de “poder” sobre a língua, que a Real Academia Española. E, no Brasil, a Academia Brasileira de Letras possui valor muito mais cultural – quase folclórico – do que efectivo. Nem mesmo os gramáticos de ofício dão-lhe importância maior quando o assunto é o tratamento da língua portuguesa.
      Por último, causa-me perplexidade a comparação do Brasil ao Zimbábue. O país africano ostenta os seguintes índices sociais: IDH de 0,140 (0,718 no Brasil); expectativa de vida de 43,5 anos (73,5 no Brasil); mortalidade infantil de 58 crianças/mil habitantes (15,6 no Brasil); e PIB per capita de US$ 268,00 (US$ 11.800,00 no Brasil). Desde logo, é possível perceber que qualquer comparação do Brasil com o pobre país africano é despropositada e fruto de severa ignorância sobre as condições do país.
      Tais despautérios apenas alimentam uma discórdia estúpida entre dois povos que deveriam ter-se como irmãos, pelos laços históricos, econômicos e, também, língüísticos. O comentário do Manstein é apenas reflexo disso.
      Sugiro, portanto, que antes de emitir comentários dessa natureza, aprofunde seus conhecimentos sobre o assunto em questão e evite comparações despropositadas e preconceituosas, com as que proferiu neste post. Cordialmente.

      • Sc disse:

        Quanto à ortografia: http://www.filologia.org.br/revista/artigo/5(15)58-67.html
        Quanto ao Zimbebwe, a comparação pode ser, de facto, despropositada: o Zimbabwue está oito lugares acima do Brasil em alfabetização, numa lista em que centésimas já fazem diferença.
        Dadas as diferenças que referiu, torna-se ainda mais dramático o analfabetismo brasileiro: ser pobre não signific ser ignorante, é o mínimo que se pode dizer…
        http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_%C3%ADndice_de_alfabetização#endnote_l3
        Infelizmente, os problemas do analfabetismo brasileiro parecem continuar, conforme outro estudo deste ano: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-universidade-da-era-apedeuta-no-ensino-superior-38-dos-alunos-nao-sabem-ler-e-escrever-plenamente/

      • arthurmaximus disse:

        Caro SC,
        Quanto ao artigo citado, se você efectivamente o leu, deve ter visto que a reforma ortográfica que verdadeiramente aprofundou a cisão entre o português de Portugal e o português brasileiro ocorreu EM PORTUGAL (1911). O “nacionalismo” citado refere-se a um único autor, estando longe de caracterizar uma corrente doutrinária. Como disse, do ponto de vista cultural e intelectual, o nacionalismo como fenômeno no Brasil só surgirá na década seguinte (1920). Convém estudar um pouco mais de história do Brasil.
        No que toca ao analfabetismo, de facto o Brasil ostentar um índice de 10% é um flagelo. Mas já foi bem pior. Nos anos 50, esse índice alcançava METADE da população, população que se multiplicou por oito desde então. Mesmo com mais gente, ainda assim o Brasil conseguiu reduzir seus índices de analfabetismo a menos de um quinta do que foi há meio século.
        Para além disso, devo dizer que o nível de ensino vem caindo em quase todo o mundo ocidental, “1o mundo” – como você se referiu – adiante (Alemanha, França, Estados Unidos e, infelizmente, Portugal).
        Para encerrar, sugiro novamente que se abstenha de proferir comentários sobre realidades nacionais que, como você mesmo demonstrou, desconhece inteiramente. Saudações.

      • António Castro disse:

        Vc não percebe o comentário do sc?

        Isso é pq vc não percebe que está a dar atenção a um indivíduo carregado de ódio e preconceito antibrasileiro, daqueles que pensam que se não partilharem a língua com o Brasil passam automaticamente a ter olhos azuis, cabelo loiro e 1,95m de altura.
        O “sc” é um bom exemplo do tipo de gente que aqui em Portugal apoia a opinião do Arthur sobre o AO. A parte boa disto é que eles são muito poucos.

        Caro Arthur, uma boa forma de avaliar a nossa opinião, é perceber que tipo de companhia ela atrai. A sua opinião contra a uniformização (que já devia ter chegado) da LP, atrai gente xenófoba e racista em Portugal.

      • Sc disse:

        Quanto a facto/fato, uma pesquisa mais elaborada fá-lo-á perceber que neste particular não tem razão, o que acontece a todos. O que foi decidido e um pouco aqui aí foi a supressão das sequências de consoantes, em nome de um princípio que foi enunciado em França da “orthographie scientifique” (atentar que hoje se escreve exactamtente como há 200 anos: as línguas das grandes nações cultas estão a salvo de aventureiros provincianos e semi analfabetos, com o desejo tacanho de estar a moda… moda que, quem a lança, prudentemente, se guarda de seguir…
        Conviria que advertisse os seu comentadores para que não cometessem crimes de injúria. É que uma coisa é apontar factos de menos lisonjeiros, outra usar da pura calúnia. Fica no entanto, a perceber o tipo de métodos que usam aqueles que querem impor o acordo aos portugueses.
        Crio que portugueses e brasileiros têm sofrido verdadeiros atentados culturais no que à língua diz respeito e sem paralelo com qualquer outro país. Escrever “anistia” ou “receção” são, afinal, sintomas de que algo vai muito mal e de que alguma coisa falhou no campo do ensino – e da democracia. Em Portugal, ministros muito pouco cultos, ignoraram todos os pareceres das entidades oficiais, todos eles negativos: o “acordo” é, aqui, uma questão de polícia.

  6. Boa noite,

    Aqui está outro português que subscreve o seu texto.
    Só gostava de fazer um comentário relativamente ao hífen. Apontou que “microondas” se passaria a escrever “micro-ondas”. Curiosamente “micro-ondas” é a forma que já era usada em Portugal. Mas o AO não decretou a hifenização de tudo. Antes fosse. Isso sim seria um contributo minimamente decente para a tentativa de estabelecer uma regra em relação ao hífen.
    Não sei como é no Brasil (especialmente agora que descobri que por terras de Vera Cruz se grafava “microondas”. Mas por exemplo, em Portugal, o AO vem dizer que “mini-saia” se passa a escrever “minissaia”. “Semi-recta” passa a “semirreta” (que um Português lerá como “semirrêta” em vez de “semirréta”.) “Reeducar” manter-se-á “reeducar”. A supressão do hífen é a regra do AO. Isto para algumas palavras. Outras palavras há que terão tratamento baseado num “costume” que ninguém sabe bem qual é. Exemplo:
    cor-de-rosa mantém o hífen “porque é costume”.
    cor de laranja não leva hífen “porque não é costume”.
    “fim-de-semana” perde o hífen…porque aparentemente “não é costume”.
    “Quinta-feira” mantém porque “é costume”.
    Fica a pergunta: mas quem é que decide “o que é costume” e o que não é?
    O AO não responde.

    Outra alteração completamente despropositada: no Brasil os meses são escritos com minúscula, por influência Francesa (há que recordar que a Revolução Francesa mudou temporariamente os nomes de todos os meses do ano, altura em que efectuaram também a minusculização dos novos meses.). Já em Portugal, os meses do ano – por serem nomes próprios, que advieram dos Deuses Romanos – são grafados com maiúscula. O AO90 manda Portugal e os restantes países lusófonos à excepção do Brasil passar a grafar os meses com minúscula. Porquê? Ninguém sabe. O AO não dá explicação para isso (compreende-se. A intenção é passar a grafar os meses como no Brasil porque “no Brasil são mais”. Só que ninguém teve coragem de admitir isto). Portanto em Portugal, toda a escrever os nomes dos meses e dos pontos cardeais com minúscula. Já os nomes de disciplinas – Matemática, Português, História – também nomes próprios, só levam minúscula “se o utilizador quiser”. Ou seja, é à vontade do freguês. Como é que alguém explica a um aluno que “os meses são nomes próprios mas escrevem-se com minúscula, mas os nossos nomes também são nomes próprios mas têm de ser escritos com minúscula”

    Enfim. Aqui ficam mais uma série de trapalhadas do AO.

    Já no que toca às consoantes com valor diacrítico, a supressão delas no Português de Portugal vai levar ao desastre. Nós temos a mania de fechar vogais. Quando vemos escrito “direto” o que lemos é “dirêto”. E se virmos “receção” vamos ler “recessão”. Nunca “recéção” (como acontece se grafarmos “recepção” como é normal). Até agora só encontrei DUAS palavras que não sofrem verdadeiramente alterações fonéticas com a supressão de consoantes em Portugal: “ótimo” (porque o “o” já é acentuado) e “caráter” (pelo mesmo motivo). No entanto ambas constituem um afastamento das raízes latinas da Língua Portuguesa. O que não é positivo quando é aplicado à Língua Matriz.
    A supressão do trema no Brasil é outro erro. Portugal suprimiu-o em 1945 (com base no AO45 que o Brasil depois revogou) e foi um disparate. Porque o que hoje acontece aqui em Portugal é que há gente que diz coisas como “arg’ido” (não lendo o “u”) ou “seqéstro” em vez de “se-qu-estro” e outras que tal. Não me espantará se também no Brasil começarem a ler “ling’iça” em vez de “linguiça”.

    Sim, é possível reverter o AO. Só é preciso unir esforços 😉 O Senado Brasileiro ainda não se pronunciou sobre o AO e até agora só demonstrou reticências relativamente ao mesmo. Mandou criar mesmo uma comissão para estudar o caso e já houve Senadores que disseram que não está descartada a hipótese de suspender ou “zerar” o AO. Os Brasileiros precisam é de começar também a fazer pressão junto dos seus governantes.
    Cá em Portugal a nossa resistência é activa.

    O dia em que a ganância editorial e de alguns autores (que logo se prontificaram a VENDER livros para “ensinar” a nova “ortografia”) mandar mais que a vontade dos Povos, estamos bem tramados. Portugal E Brasil.

    Um abraço do outro lado do Atlântico

    (http://vaismalportugal.blogspot.pt/)

  7. António Castro disse:

    Arthur,
    Não entendo o seu problema com a unificação da ortografia.
    Com a exceção do inglês, todas as línguas internacionais têm uma ortografia unificada.
    Como penso que sabe, um marroquino pode bem não entender o que diz um saudita, e um alemão do norte não entende o dialeto suiço/alemão. Sei de espanhóis que não percebem os mexicanos, e os argentinos têm pronúncia e usos de vocábulos únicos. Os holandeses não percebem bem o que os flamengos (belgas que falam holandês) dizem.
    E com tudo isso, nenhum deles se incomoda por usar ortografias unificadas.
    O defeito é desta gente toda, ou somos nós, (alguns) portugueses e (alguns) brasileiros, que somos mesquinhos e quezilentos?

    • António:
      Isso é completamente falso.
      O Alemão não tem ortografia unificada (tentaram há uns anos e os povos germânicos mandaram os Acordistas de lá ir meter o AO no local onde o Sol não brilha). O mesmo aconteceu quando um grupo de “iluminados” se lembrou de propor que a ortografia inglesa passasse a adoptar a lógica do “escreve o que é falado”. E mesmo o “Espanhol” varia de país para país em termos de ortografia. Também é falso que o Holandês e o Flamengo tenham a mesma ortografia. Não têm. Nem a China, onde vinga uma ditadura sanguinária, se lembrou de uma estupidez tão grande como um “Acordo Ortográfico”.

      A diferença entre esses Países todos e a situação do Português é que o Brasil não quer que a norma Portuguesa da Língua (a Língua Matriz) seja a usada nas instituições internacionais como variante internacional (como acontece com o Inglês Britânico) por questões de interesse geopolítico mas também porque a Língua difere de forma extraordinária de cá para lá. Além disso, não há maneira de adoptar um Português internacional ou “unificado”. Os Brasileiros usam sintaxe diferente da Portuguesa, usam palavras diferentes das portuguesas – fotocopiadora/xerox; autocarro/ônibus (ao que se junta o machimbongo em Moçambique. Sim, porque o AO tem sido uma coutada Luso-Brasileira e tem-se ignorado completamente os restantes países de expressão Portuguesa) – e mesmo em palavras iguais, cá significam uma coisa, no Brasil outra (Não é só o batido “fato – terno”. Nós dizemos “o tipo é uma bicha” ou “vai para a bicha”. Para nós o primeiro é um homossexual efeminado, a segunda uma fila de trânsito. No Brasil só existe a primeira conotação. Para nós um veado é um animal, no Brasil é um cervo, porque “veado” é um gay. Cá um “pica” é um funcionário que confirma a validade de um bilhete num transporte público, já no Brasil é outra palavra para se referir ao órgão sexual masculino. Uma “rapariga” em Portugal é uma jovem, no Brasil é uma prostituta. Etc etc etc etc.
      ISTO não é possível unificar. Portanto tentar unificar a ortografia é um processo impossível que só empobrece ambas as variantes ortográficas. Não é possível unificar o Português. O próprio texto do AO o diz, caso o tenha lido.
      Já agora:
      qual unificação? Unificação que inventou novas palavras?
      É que, caso não saiba, no Brasil vai continuar a escrever-se “recepção”, “percepção”, “aspecto”. Só em Portugal é que aparecem as aberrações “aspeto” “receção”. “perceção”.

    • Ricardo Dias disse:

      António Castro: Se por acaso ainda não percebeu, eu explico. O AO NÃO unifica a ortografia. Aliás, não serve mesmo para nada. Quando tiver entendido este pormenor, pode voltar a dar palpites. Até lá, seria melhor poupar-nos à sua demonstração de ignorância.

  8. António Castro disse:

    David,
    Vc está completamente enganado.
    Todas as Línguas internacionais – alemão, holandês, espanhol, francês, árabe – têm uma ortografia unificada, exceto o inglês.

    O seu conceito de “língua matriz” foi extraído de onde? Qual foi o filólogo, ainda que algum dos mais obtusos, defende que o atual português de Portugal é lingua “matriz” do que quer que seja?

    Quando ao uso de palavras diferentes para significados iguais, vc não precisa saltar o oceano; nós, cá em Portugal, também temos. Entre vários exemplos: aloquete/fechadura, grão de bico/chícharos (esta última muito próxima do étimo latino). Será que falamos Línguas diferentes em Portugal? Ora, dê uma olhada nos usos lexicais e sintaxicais diferentes em espanhol europeu e americano, e veja em que é que isso os impede de usar uma única ortografia

    Em Portugal já ninguém diz “vai para a bicha” (a menos que queira ouvir uma graçola), toda a gente usa fila. Por influência brasileira, o termo caiu em desudo. Até houve uma revista com o título “põe-te na bicha”.

    Ninguém pretente unificar usos lexicais nem aqui nem nos outros países que usam Língua internacionais. O que se pretende é unificar ortografia, e isso é tão possível aqui como foi possível nos outros países que usam línguas internacionais.

    Já agora, deixe-me dar-lhe uma dica: Eça de Queiroz não escrevia “fato”, escrevia “paletó”, como ainda hoje se faz no Brasil. De igual modo, há cem anos o uso do gerúndio era muito mais comum do que é hoje em Portugal, como pode cosntatar se ler os nossos clássicos. Isto diz muito sobre a tal “matriz” e quem se afastou dela.

    • Não seja o senhor ignorante, António. Vá informar-se antes de se tentar armar em inteligente.
      O Alemão, por exemplo, NÃO tem ortografia uniformizada. Um exemplo: na Alemanha favorece-se o uso do trema. Já na Áustria é comum substituir este por um “e”. “Schön” e “schoen”. Também o uso do β varia, sendo não raras vezes substituído por duplo “s”.

      O árabe tem uma ortografia mais ou menos uniformizada e sabe porquê? Se calhar não, porque não estudou História. Senão saberia que o Grande Califado Árabe é o motivo pelo qual todos os povos árabes possuem uma ortografia semelhante.

      O senhor não sabe o que é uma “matriz” pois não? Consulte um dicionário. O Português de Portugal É a Lingua Matriz. Não é por acaso que se chama “Português” e não outra coisa qualquer. A variante Brasileira, tal como a Moçambicana, Angolana etc são aculturações da Língua Portuguesa que a moldaram à evolução cultural específica de cada país.

      Talvez o António seja na verdade “Antônio”? Ou isso ou então vive debaixo de um calhau em Portugal.
      “aloquete” aí está algo que não se usa. O termo normal e corrente é “cadeado”. Sim, usa-se e muito o “vai para a bicha” ou “mete-te na bicha”. Também se usa a “fila” sim, mas são expressões usadas com igual ocorrência.

      Não, não é possível unificar a ortografia do Português hoje. A única unificação possível seria se se regressar à Ortografia de cariz etimológico usada antes do século XX. A partir do momento em que Brasil e Portugal decidiram “simplificar” (ou melhor, “estupidificar”) a ortografia com as reformas de 1908 e 1911 respectivamente, enquanto tentativa de alfabetizar a população, a unificação tornou-se impossível.
      Não é possível unificar NADA atendendo a critérios fonéticos, como o António bem saberia caso fosse um ser intelectualmente honesto.

      “Paletó” e fato NÃO SÃO a mesma coisa, sabia? Pois. Se calhar não sabia. E já agora: os clássicos portugueses foram escritos TODOS com ortografia etimológica. Além disso, é falso que se utilizasse tanto o gerúndio como apregoa. O que se utilizavam era outros modos de trato. Tais modos ainda existem em Portugal. Simplesmente nos dias que correm a forma de trato mudou. E como tal a literatura já só usa esses arcaísmos linguísticos quando pretende que o leitor seja remetido para um tempo passado. A sua comparação é, portanto, ridícula.

      Já agora, é “excePto”. O “p” é lido por toda a gente que fala Português em vez de o grunhir. Tal como o “p” em “Egipto”.

      • António Castro disse:

        A última reforma ortográfica do alemão, que tem um período transitório de dez anos que decorre, vem por fim a estes problemas como o uso do trema e o β por ss. De resto, por lá como cá as carpideiras também choraram.
        Vc disse que o árabe tem ortografia “mais ou menos” uniformizada. Referir-se a regras ortográficas como mais ou menos, já diz muito do nível de conhecimento que vc tem destas coisas. Em todo o caso, desde que o árabe é língua oficial da ONU, as mais de uma dezena de ortografias existentes foram uniformizadas e atualmente existe apenas uma.
        Aloquete é algo que não se usa na sua terra. Mas coisas como aloquete, ou quarto de banho, ou sertã ou estrugido são usadas por milhões de pessoas em Portugal, mas na sua incapacidade de sair da toca linguística, vc nem sequer capacidade para admitir o uso diversificado da Língua no seu pais, quanto mais a para perceber o que é partilhar uma língua com mais 250 milhões de pessoas.
        Se não fosse possível unificar a ortografia, vcs não andavam todos num desespero raivoso. Sim, é possível e está acontecer, para desgosto de xenófobos e gente do “orgulhosamente sós” como vc.
        Fique também saber que não foi o Brasil que tomou a iniciativa de abandonar a etimologia, foi Portugal. O Brasil só aderiu no início da década de 40.
        Vc também confunde ortografia com sintaxe e nunca leu Eça, nem Camilo, nem Herculano. O que é que ortografia, clássica ou simplificada, tem a ver com o uso do gerúndio? Até aos anos 20 e 30 do século 20 o gerúndio era amplamente usado em Portugal e ainda hoje o é no Alentejo, no Algarve e nas ilhas.
        Meu caro, as únicas pessoas que dizem “bicha” por “fila” são os taxistas que também “controlam” rotundas. De resto, já ninguém em Portugal chama “bicha” a uma “fila”.
        Vc desconhece o significado da palavra paletó no início do século 20. Isso não é grave. O que é grave é a alegria com que vc expõe a sua ignorância convencido que sabe do que está a falar.
        Não conheço ninguém que pronúncie em Portugal o ‘p’ mudo que se usava nas formas antigas das palavras “exceto” e “”Egito”. Em todo o caso, ainda um destes dias pude ouvir uma alegre besta a pronunciar o C de “contraCto” (coisa que ao certo nem se sabe se alguma vez se pronunciou em Portugal) , e a dizer que ia “contiunuar a escrever como Camões”. O pobrezinho, como é óbvio, nunca tinha lido Camões nem no original nem na ortografia anterior ao AO. Mas , tratando-se de um opositor ao AO, não havia que esperar que percebesse grande coisa do que quer que fosse.

      • David Baptista da Silva disse:

        Se a estupidez pagasse imposto o António era a alegria do Ministro das Finanças.
        A reforma ortográfica do alemão já foi abandonada quando a população a rejeitou seu idiota.
        Quando subsistem diferenças ortográficas que dizer que houve uma unificação”mais ou menos”. Significa que não foi completa seu idiota.
        Aprenda a ler: eu disse que o termo corrente é cadeado. Sabe o que é que quer dizer “termo corrente” seu idiota?
        Você é burro até dizer chega. Insiste em propagar a mentira que é possível unificar o Português quando o próprio Aborto Ortográfico admite que não é possível.
        Vá estudar história seu ignorante. O Brasil fez a primeira reforma ortográfica (que separou a ortografia brasileira da portuguesa) em 1908. Portugal fez a sua em 1911. O Brasil fez nova reforma em 1943. Depois assinou o AO45 que é o que vigora em Portugal. Mas em 1955 voltou atrás porque para eles não fazia sentido reintroduzir as consoantes com valor diacrítico. Em 1973 foi feito um pequeno ajuste. (remoção do acento nas palavras terminadas em “mente”). E em 1986/1990 um grupinho de corruptos idiotas decidiu inventar este novo Aborto Ortográfico.

        Mas fazer o quê? O senhor consegue ser mais burro que um peixe.
        Portanto vai ficar a escrever em Acordês sozinho enquanto eu e os outros 90% de Portugueses vamos continuar a lutar por uma ortografia com regras lógicas e que respeitem a evolução cultural Lusitana E Brasileira, sem necessidade de desvarios dementes de Acordistas com tiques ditatoriais que acham que a Língua é sua para poderem trucidar.

      • António Castro disse:

        Se a estupidez pagasse imposto o David era a alegria do Minstro das Finanças de Portugal, de Espanha e da Itália. E se a má educação também pagasse imposto, ainda sobrava para pôr os Gregos sem dívidas e a viver sem trabalhar, como eles gostam.
        A atual reforma simplificadora da ortográfia alemã, uma revisão da inicial, está em curso e corresponde a uma ortografia unificada para todos os países que falam alemão. Tem tido a oposição de muitas gente (ao contrário do que acontece em Portugal), mas está em uso nas escolas.
        Não ouve nenhuma reforma ortográfica no Brasil em 1908. É custume alguns opositores ao AO, isto é, alguns idiotas, confundirem uma projeto de revisão com uma reforma. Esquecem-se que um projeto de revisão não é uma reforma nem representa uma implementação, além do que, nesse caso, haveria que referir propostas idênticas de revisão da ortografia de Gonçalves Viana, sendo a primeira de 1885, as “Bases da Ortografia Portuguesa” (assim mesmo, já sem th nem ph.
        Sobre a “história” da recusa do Brasil em assinar a RO1945, leia aqui.
        http://www.acordo-ortografico.blogspot.pt/2012/07/portugal-desvinculado-do-acordo.html
        Não sei se vai conseguir perceber, duvido muito, mas olhe, eu tentei.
        E depois admiramo-nos que contem anedotas de portugueses. Com bestas como vc, até eu conto anedotas de portugueses.
        E, sim, é possível a uniformização da ortografia da LP, de outro modo vc não estaria aqui a espumar de desespero e de raiva.
        Vá estudar, seu ignorante, seu pedaço de asno xenófobo e nojento.

    • Rui Duarte disse:

      António, eu e muitos outros portugueses não se auto-censuram e continuam a dizer “vai para a bicha”. Talvez o senhor não o diga, mas o que diz apenas o vincula a si e quiçá aos seus conhecimentos. Apenas.

      • António Castro disse:

        Rui
        Em Portugal não se usa “bicha” para fila. Vc não ouve “bicha” ser dito na televisão nem na rádio. Ainda assim, é certo que ainda se ouve o termo a pessoas pouco cultas, portanto, é natural que entre a “comunidade” antiAO portuguesa, se use “bicha” em vez de “fila”.

  9. António Castro disse:

    David,
    Escapou-me (mais) esta sua manifestação de ignorância: por regra, a norma ortográfica do inglês usado em instituições internacionais é sempre a dos EUA. A ortografia do inglês europeu SÓ é usada em organizações internacionais em que, simultaneamente, a Inglaterra participa E (sublinho o E) os EUA não participam (como a UE).

    • Lá está o António a cuspir para o ar.
      Os EUA, por acaso, NÃO têm uma Língua oficial, sabia? Ups. Pois é. Os Americanos sempre se recusaram a assumir que a Língua oficial dos EUA é o Inglês, porque dentro dos EUA subsistem as Línguas Indígenas que recebem dos vários Estados o mesmo respeito que o Inglês. Há também o Espanhol e o Francês que fazem parte da cultura americana, especialmente nos Estados do Sul (quer os que foram conquistados quer os que foram comprados). Não há, portanto, oficialmente um “Inglês Americano” que possa ser usado. Até porque, ao contrário da mania tuga, os anglófonos não têm a mania de legislar sobre a Língua.

      “A ortografia do inglês europeu SÓ é usada em organizações internacionais em que, simultaneamente, a Inglaterra participa E (sublinho o E) os EUA não participam (como a UE).”

      Ai é? Tem graça. Deve ser por isso que, por exemplo, na ONU, a ortografia do Inglês utilizada é a de Oxford (como pode comprovar, por exemplo, aqui http://www.un.org/en/documents/udhr/)
      Como é óbvio, os EUA não fazem parte da ONU não é? Aliás, o Conselho de Segurança da ONU é composto por França, Reino Unido, Rússia, China…e Federação Marciana.

      • António Castro disse:

        David,
        Errei neste caso do Inglês na ONU.
        Como pode ver quem procurar, na ONU adota-se o dicionário de Oxford, que, ainda assim, tem diferenças menores com o inglês europeu.
        Seja como for, vai sendo cada vez mais falada a necesidade de criação de uma versão internacional da língua inglesa, como pode ver se procurar algo sobre o tema na net.
        Ninguém beneficia da existência de duas ortografias na mesma língua, excluíndo os editores, claro.

  10. Rui Duarte disse:

    Caro Arthur,
    Mete o Sr. Von Manstein na ordem ou é preciso continuar a polémica e abrir o livro sobre o que se pensa por aqui dos Brasileiros, do que foram e do que são (agora com mania de novos ricos)?
    É que esta conversa não edifica ninguém. Bom, sempre posso ignorar o que esse senhor, que nasceu no país e na época errados, e a sua estupidez e absoluta ignorância cultural, política e linguística. Ele fala como um alemão do III Reich… Essa da pureza linguística do Português do Brasil (que também teve influência francesa, herança do séc. XVIII, e agora americana) é indício da babel que vai na sua mente. Pureza? O que é isso na língua? Fá-lo-ei por si e pelo respeito que o nosso diálogo nos merece.
    Mas solicito que interdite mais comentários desse senhor, pelo teor xenófobo, e porque não — que apague os que escreveu. Não pretendo ser mal educado e mais bruto, nem generalizar a todo o povo Brasileiro, a quem respeito.

    • António Castro disse:

      O que foi que o Manstein disse sobre os portugueses que nós não digamos pior sobre nós próprios?

      Um país que elegeu e reelegeu um “josé sócrates”?
      Um país que aderiu a uma prisão política e económica e que aceitou ser capacho de franceses e alemães?
      Um país que “produziu” quase dois milhões de emigrantes que chegaram ao Brasil descalços, famintos, que lá mataram a fome e começaram a usar sapatos, e que, 100 anos depois, tem a falta de caráter de dizer mal dos emigrantes brasleiros?
      Um país que adota alegremente uma bandeira que é mais feia que o cu de Judas e que simboliza inanidades políticas?
      Um país que aplaude a reclamação de Gibraltar e desdenha dos poucos que pedem a devolução de Olivença?

      A única coisa em que o brasuca não tem razão é quando diz mal da colonização portuguesa. Ele tem de ir ler melhor o que foi a colonização francesa, espanhola ou inglesa. Ir buscar os exemplos dos EUA, Nova Zelândia, e Austrália é fazer “pesca à linha” porque se tratam de casos diferenciados de colonização por motivos que não cabem expor aqui. O que ele teria de ir buscar era o México, ou a Venezuela, ou o Zimbábue, ou o Suriname e tudo mais.

      Em todo o caso, numa coisa ele tem razão, nem o ouro brasileiro soubemos aproveitar, que foi parar aos “estádios do euro” do tempo: construção de igrejas e conventos.

      • Rui Miguel Duarte disse:

        Sr. António, com portugueses como o senhor estamos bem servidos. À xenofobia do brasuca agora temos de levar com a ecofobia (fobia em relação aos da sua casa) do Sr. António? Abstenho-me de dizer mais. Não quero fazer minhas as caricaturas do Brasuca, e muito menos dos Portugueses. É que eu também sei ir pelo tom da diatribe, e sei que livros abrir se preciso for (é muito fácil), mas a minha religião prescreve-me que o não faça.
        Se se revê nas críticas que ele faz dos Portugueses, assim como ele deve mudar de nacionalidade, e tornar-se americano ou alemão, deve o amigo tornar-se brasileiro, já que o carácter brasileiro é tão exemplar.
        Curioso que escreva: “Um país que elegeu e reelegeu um “josé sócrates”?” Pois, tem razão. E que elegeu Pedro Passos Coelho — este pior do que Sócrates. Sou equidistante em relação a um e outro, estou à vontade para falar. A perniciosa herança socratina é um facto, dou-lhe razão, e está patente, por exemplo, nessa ilegalidade que foi a famosa resolução do Conselho de Ministros que “oficializou” o acordês… Tem razão: como foi possível?

      • António Castro disse:

        Rui,
        Só houve duas coisas que Sócrates fez bem: implementar o AO e proibir o tabaco.

        É impressionante a incapacidade que nós, portugueses, temos em aprender com os erros, e, pior ainda, a facilidade com que nos desculpabilizarmos por faltas próprias e em que nos revoltamos contra quem chama os bois pelos nomes.

  11. Ricardo Dias disse:

    O Rui Duarte, acima, disse tudo: “Pôs-se a circular um medicamento, que comprovadamente está a provocar efeitos secundários, que a maioria dos especialistas já previra, e o que se faz? Não se retira do mercado, aumenta-se a dosagem…”

    É isto, sem tirar nem pôr.

    E está explicado por que é que o AO ainda não foi inteiramente rejeitado em Portugal. Temos infelizmente demasiadas pessoas que não são capazes de discernimento (este António Castro é paradigmático) — muitas delas colocadas em posições de poder — e que acham que a “nova” ortografia “unificada” é do melhor que há. Para o justificar, berram “verdades” com pés de barro, a ver se alguém ouve. Não, caro senhor. Está a dizer um chorrilho de mentiras e repete-as a ver se as transforma em verdades. Infelizmente para si, isso não resulta. Nunca resultou e nunca resultará. A verdade permanece. O AO não presta, não serve para nada. Este é o facto que ainda não conseguiu refutar com toda a sua conversa fiada. Tão só. (E nem precisa tentar mais, porque já se sabe que é impossível defender o indefensável.)

    Deixem-no a falar sozinho…

    arthurmaximus: Parabéns pelo texto e pela lucidez! Obrigado.

    • Rui Duarte disse:

      Caro Ricardo Dias, disse o que era preciso e terminou melhor: remetendo para o início, o texto do arthurmaximus. Era nisso que a conversa se deveria ter mantido, até duas entidades virem aqui com espúrios e serôdios complexos de nacionalidade.

      • arthurmaximus disse:

        Meus caros Rui Duarte, Ricardo Dias, António Castro e David Baptista da Silva.
        Devo confessar que fiquei cá com meus botões tentado a bloquear vossos comentários, quando estes atingiram determinado nível de violência verbal. Como já deveis ter percebido, este espaço foi criado para suscitar o debate – rectius: o bom debate – iniciativa que vai pelos ares quando os comentaristas passam a agredir-se mutuamente. O que deveria ser um espaço de saudável disputa intelectual passa a ser um ringue de luta. E, nesse caso, o espírito belicista acaba por eclipsar o grande nível intelectual que todos vós demonstrastes.
        Fiquei, contudo, satisfeito imenso quando li os últimos comentários de Ricardo Dias e Rui Duarte, a chamar todos à consciência. Sinal de que, a despeito dos excessos, a questão de fundo não se perdeu: será o AO necessário ou mesmo conveniente na actual conjuntura?
        De minha parte, mantenho a opinião externada no post. Lamento, apenas, que o debate acerca do AO esteja virtualmente interditado no Brasil, pois ninguém o discute e a grande imprensa e a população parecem absortos, aceitando-o passivamente. Para gáudio vosso – e também meu, pois nutro profunda simpatia pelo povo português – vejo que as discussões acerca do AO seguem firmes em vosso país
        Agradeço-vos, por fim, pelas contribuições que, bem ou mal, em que pese um ou outro excesso cometido no calor do debate, foram adicionadas ao post. Quem o ler no futuro, certamente terá acesso a outro tipo de visão sobre o problema e poderá, por si próprio, formar sua própria opinião. Cordiais saudações a todos.

  12. Rui Duarte disse:

    Caro arthurmaximus,
    Entendo que se alguém violou a moderação, embarcando em comentários que me dispenso de voltar a qualificar, contra os Portugueses em geral foi o Sr. Von Manstein. E neles reincidindo. Como quem diz o que quer ouve o que não quer, merecia, ele, resposta no mesmo teor, coisa de que me abstive de desenvolver, para não cometer a mesma asneira que ele e descer a tal nível, até porque estereótipos e opiniões pouco abonatórias sobre os Brasileiros também os há do lado de cá do Atlântico, mas esse é vinho do qual não bebo, e nem quero beber, porque tem para mim mau gosto. O mínimo que esperava pois era que a mesma civilidade do outro lado. Não me movem frustrações contra os Brasileiros nem tenho interesse em ofendê-los, e de igual modo não quero que faltem ao respeito à minha Nação. E por isso lhe pedi que chamasse esse comentador à atenção, para que mudasse de atitude e mentalidade. Como não o fez publicamente, só posso pressupor que a intervenção dele não o incomoda um pouco que seja. Aliás, as únicas participações que parecem tê-lo feito ponderar o bloqueio foi de Portugueses… pode ser coincidência…
    Mas fica a tal grande lacuna por resolver. Tudo ponderado, como já disse tudo quanto tinha a dizer, não tenho mais o que fazer aqui. Despeço-me com votos de sucessos pessoais e profissionais.
    Adeus.

    • arthurmaximus disse:

      Meu caro Rui Duarte,

      Parece-me que percebeu mal. Em primeiro lugar, referi-me somente a si, a Ricardo Dias, a António Castro e a David Baptista da Silva porque foram os únicos que realmente comentaram o post, a despeito de um excesso aqui, outro acolá.

      Manstein e SC (este último português) não merecem tal designação. Ingressaram no recinto somente para exercitar a própria lascívia, incitando ao ódio entre portugueses e brasileiros. Por isso mesmo, foi para vós – e SOMENTE PARA VÓS – que escrevi o último comentário (com vários elogios a vós e a expressão confessa da simpatia que nutro pelo povo português.

      Para deixar claro que não há qualquer “grande lacuna por resolver”, transcrevo abaixo as respostas que fiz aos últimos comentários de Manstei e de SC. Espero que tenha ficado esclarecido. Cordialmente.

      “Em primeiro lugar, meu caro Manstein, por uma questão de cortesia. Se fosse um francês, um inglês ou um italiano, responderia em sua língua nativa. Cortesia que está longe de caracterizar subserviência.
      Em segundo lugar, por uma questão de coerência. Como ressaltei no próprio post, há dois “português”: o de Portugal e o “brasileiro”. A despeito dos numerosos vocábulos comuns, são línguas inteiramente distintas, na ortografia, na gramática e na forma de expressão pelo povo. Escrevo para os internautas portugueses em português de Portugal porque quero fazer-me “perceber” (o equivalente português ao nosso “entender”). Só isso.
      Mas isso tudo que escrevi é despiciendo. Afinal, cortesia e compreensão são certamente matérias estranhas ao inferno onde habita, depois de ter sido morto em combate. “Sieg Heil!” pra você”.

      “Caro SC,
      Quanto ao artigo citado, se você efectivamente o leu, deve ter visto que a reforma ortográfica que verdadeiramente aprofundou a cisão entre o português de Portugal e o português brasileiro ocorreu EM PORTUGAL (1911). O “nacionalismo” citado refere-se a um único autor, estando longe de caracterizar uma corrente doutrinária. Como disse, do ponto de vista cultural e intelectual, o nacionalismo como fenômeno no Brasil só surgirá na década seguinte (1920). Convém estudar um pouco mais de história do Brasil.
      No que toca ao analfabetismo, de facto o Brasil ostentar um índice de 10% é um flagelo. Mas já foi bem pior. Nos anos 50, esse índice alcançava METADE da população, população que se multiplicou por oito desde então. Mesmo com mais gente, ainda assim o Brasil conseguiu reduzir seus índices de analfabetismo a menos de um quinta do que foi há meio século.
      Para além disso, devo dizer que o nível de ensino vem caindo em quase todo o mundo ocidental, “1o mundo” – como você se referiu – adiante (Alemanha, França, Estados Unidos e, infelizmente, Portugal).
      Para encerrar, sugiro novamente que se abstenha de proferir comentários sobre realidades nacionais que, como você mesmo demonstrou, desconhece inteiramente. Saudações.”

  13. Rui Duarte disse:

    Caro Arthur,

    Tenho um pedido de desculpas a dirigir-lhe. Li as suas primeiras trocas de palavras com o Sr. Van Manstein, e afinal sempre se lhe dirigiu como ele merecia. Tinha passado por lá, em diagonal, dando apenas atenção ao nosso diálogo pessoal. Só agora li. Apesar de eu ainda achar que a xenofobia tem um lugar: dito em francês (vivo na França), “dans la pubelle!”
    Quanto a mim, não precisa de se expressar comigo em Português de Portugal. Eu não seria capaz de tal cortesia, não por descortesia, mas pelo risco de ser artificial. É perfeitamente possível a compreensão mútua por escrito, e oral. Cada um na sua variante. A despeito das divergências vocabulares (notórias) e sintácticas (menos notórias).
    Abraço com respeito e amizade.

  14. Rui Duarte disse:

    Proporei um artigo (o segundo) a um jornal diário dos de referência em Portugal, Público (http://www.publico.pt), que não adopta o AO, precisamente acerca do tema. Nele o citarei, conforme lhe pedi que me autorizasse.
    Mantê-lo-ei ao corrente.

  15. Ricardo Dias disse:

    arthurmaximus: Precisamente, a questão de fundo é só esta “será o AO necessário ou mesmo conveniente na actual conjuntura?”. Tudo o resto são manobras de diversão, de que estamos fartíssimos, e por isso se calhar já não temos muita paciência para quem as pratica. Por isso mesmo lhe agradeci a lucidez. Agradeço desta vez também a cortesia.

    Grande abraço deste lado do Atlântico!

  16. Rui Miguel Duarte disse:

    Evitar colocar a coisa em termo de questão Brasil versus Portugal é um excesso em que por vezes se cai. A “invasão” linguística brasileira, primeiro bem recebida, pela novidade tropical, mediante as novelas, depois passando a enjoar, além da imigração, que gerou talvez efeitos semelhantes à portuguesa no Brasil (e a formação de caricaturas e estereótipos), além de outras circunstâncias do processo, ajudam a criar animosidade. O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, confessa que há uns anos, em visita ao Brasil, ligou para o Primeiro-Ministro de então a dizer-lhe que o governo brasileiro estava a pressioná-lo a aceitar o AO, e perguntando-lhe o que fazer. Que assinasse — disse o Primeiro-Ministro José Sócrates. E pronto: está justificado o celeuma. Seja ou não verdade, esta imagem ainda pega por aqui, na mente de muitos opositores. Além do facto de, para a ortografia em uso no Brasil, as mudanças serem menores; é a norma portuguesa quem mais sofre. Vamos passar a falar e a escrever brasileiro — diz-se. Até a imprensa internacional (pelo menos um jornal electrónico da ilha da Reunião, francesa) assim o diz. E os linguistas e políticos portugueses que o subscreveram e abraçaram, demonstram ter vistas curtas. Há os que denotam mentalidade de gafanhoto pequeno, que tem de se curvar diante do gigante Brasil — a sério, há quem diga isso, somos tão pequenos que para sermos maiores precisamos do Brasil… pequenos de mente, de facto. Deixando África de lado…

    As reformas e convenções de 1911 e 1945 foram aceites pelo Estado Brasileiro, que depois recuou. O actual Ministro da Educação do Brasil declarou (saiu em Março, no Globo online), numa peça sobre o AO cá e aí, que se Portugal recuasse seria um incidente diplomático grave. Esqueceu-se dos dois precedentes abertos pelo Estado do seu país, faltando-lhe autoridade para falar. E essa declaração constitui, ela sim, grave ingerência por um Estado soberano nas decisões internas de um outro Estado soberano, coisa inadmissível em democracias supostamente adultas (a Convenção de 1945 foi assinada pelas ditaduras do Estado Novo, Getúlio Vargas no Brasil e Salazar em Portugal). Não o tolero, e por isso enviei-lhe email de reclamação e censura. Como enviaria e envio para governantes portugueses, a propósito do AO ou por outro motivo (de política interna). E não admitiria que um governante português dissesse tal de um Estado terceiro. Cada Estado deve defender os interesses da sua população, e se tratados internacionais (como este) são contra os interesses da respectiva população e nação, podem e devem ser revistos, ou denunciados. É óbvio. É como ter um contrato com um banco, uma seguradora, um empreiteiro, etc., e se se verifica que está a causar transtorno, pode denunciar-se, assumindo-se as consequências a breve prazo, em nome do benefício a longo prazo.
    O AO é por tudo isto entendido por muitos como uma colonização ao contrário: da ex-colónia sobre a ex-metrópole. Até por gente culta — afinal, houve alegadas pressões do governo Lula sobre o Presidente Cavaco. E as mudanças na escrita no Brasil são muitíssimo menores. E em África? Basta ler o que se escreve em Angola, por exemplo, para ver que eles vêm que há uma panelinha (palavra portuguesa para combinação, conjura de interesses) entre Portugal e Brasil que deixa as especificidades linguísticas locais à margem.

    Caro Arthur, isto é apenas uma resenha de factos e sentimentos, que podem explodir em animosidade séria. Não vou por aí. Digo-o apenas a título de conhecimento, e no intuito de manter a ponderação. Pode interessar a políticos dos governos brasileiros. Mas certamente também os há dos portugueses. A luta pois é com esses interesses de elites político-económico-maçónicas que dominam os dois países. Nem entre os povos, os cidadãos, os escritores de um lado e do outro. Pois há brasileiros que se sentem à margem do processo.
    Estou contente por mantermos a discussão, cientes dos factos e dos perigos de levá-la para um excesso de emoção. Como cidadãos responsáveis e adultos. E que concordam em discordar ortograficamente — há riqueza nisso.

    Perdoe a extensão deste texto. Abraço cordial.

  17. Rui Miguel Duarte disse:

    E no entanto: http://www.lidpsdbsenado.com.br/2012/08/cyro-afirma-que-prazo-para-implantacao-do-novo-acordo-ortografico-precisa-ser-estendido/

    E parece que no Senado há quem se oponha.
    O brasileiro Ernani Pimentel (notícia aqui http://sol.sapo.pt/inicio/Cultura/Interior.aspx?content_id=40520) deu entrada com uma acção/ação popular contra o AO. Cheguei a ler em oblíquo, penso que no blog do próprio (perdi a ligação), ficheiro .pdf com as respectivas fundamentações. Entre nós, o jurista Ivo Miguel Barroso, professor de Direito, deu entrada a uma queixa à Provedoria de Justiça contra o AO, por motivos de inconstitucionalidade.
    Há ainda a violação da Convenção de Viena art. 24.º sobre direito de tratados internacionais, que obriga a que um tratado, para ser válido na ordem jurídica de um país signatário, tem de ser homologado por todos. Angola não homologou. Moçambique tem uma recomendação do Parlamento para o fazer, mas o governo ainda o não fez. Os países africanos (tal como a maioria dos países africanos negros subsarianos), como deves saber, são um mosaico de povos, tribos, etnias, línguas, muitas vezes rivais e inimigos, sendo que só as línguas oficiais, dos ex-colononizadores europeus, conferem alguma unidade (como o inglês na Índia, de resto). Daí que precisem desesperadamente de um padrão estável. Entretanto, em 2004, os oito países da CPLP assinam o 2.º Protocolo Modificativo, que autorizava que bastava a homologação de 3 dos oito países para que fosse considerado válido. Portugal só aderiu à Convenção de Viena (CdV) um ano antes. Assim, esse 2.º Protocolo Modificativo viola aquilo com que já tinha concordado e está estipulado na CdV!! Foi uma tentativa de forçar a entrada em vigor do AO, contra ventos e marés. E violando também o tal princípio da unificação! 3 em 8, a minoria! Grande unificação. Os políticos signatários em nome dos 8 países (os nossos, os 5 PALOP e Timor Este) são responsáveis por tal barbaridade!!!

    E a aplicação do acordês em Portugal é como a abertura da caixa de Pandora: libertou-se toda a porcaria e ignorância; mesmo o que é erro face ao acordês, começa a surgir, na pronúncia e na escrita. Já te dei alguns exemplos. O último de que sabe é “interruto”. O pior é que um portal que se acordizou, o ciberdúvidas, tendo passado de um portal de esclarecimento sobre a língua, com base científica e séria, para encetar pela asneira e pelas declarações ideológicas contra os erros dos jornais que ainda resistem (sobretudo o Público); e o dicionário infopédia (versão electrónica do da Porto Editora, um gigante editorial que, de opositor, se converteu ao acordês quando lhe cheirou a negócio) dizem que é admitida a dupla grafia “interruto”/”interrupto” (bem como “interrupção”/”interrução”) em Portugal. Mentira! Alteram a pronúncia! Esse “p” nunca, jamais e em tempo algum foi mudo em Portugal!!! Vê como quem de direito altera modos de pronúncia!
    O mais aceitável é o dicionário da Priberam (http://www.priberam.pt/dlpo/), que dá variantes para PT e BR antes e pós-AO. Além de que vários dicionários não concordam uns com os outros. O que aumenta a balbúrdia.

    Mas ainda assim tenho dúvidas; por exemplo, dá a grafia do adjectivo “óptico” para BR e “ótico” para PT (a confundir com “ótico” de ouvidos; lol), como todos os demais dicionários. Mas já vi em portais brasileiros escrito “ótico”. Não sei pois qual é a variante brasileira. Uma ou outra? Ambas? O Aulete, se se pesquisar “ótico”, remete para “óptico”.

    Porque não tentar unir forças com Ernani Pimentel, por aí? É uma ideia.

  18. Rui Miguel Duarte disse:

    E mais: na notícia sobre o Senador Cyro é escrita uma mentira, mas é uma mentira do lado de cá, uma mistificação política portuguesa, de que a notícia se faz eco: o período de transição não decorre até 2015, mas por mais um ano. Isto porque o governo da altura, presidido por José Sócrates, em 2010, através de uma resolução do Conselho de Ministros (outra ilegalidade, pois do ponto de vista jurídica uma tal resolução é inferior a um Decreto-Lei, ou mesmo uma Lei, sendo que a ortografia ainda de direito vigente, a de 1945, resulta de um Decreto-Lei), decidiu “oficializar” a novel língua, concedendo um período de transição de 6 anos e declarando que tinha entrado em vigor em… 2009, um ano antes! Vês a ilegalidade?
    Suponho que por aí haja também algumas mistificações.

  19. Rui Miguel Duarte disse:

    Talvez tentar saber se o Brasil aderiu à CdV (que é de 1969). De qualquer maneira, Portugal ao aderir em 2003, não podia assinar uma disposição (o 2.º Protocolo) que viola o disposto na CdV…

  20. Rui Duarte disse:

    Outra notícia, oriunda do Brasil

  21. Rui Duarte disse:

    Desculpe, não pus a ligação:

    e aqui:
    http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=583442&tm=7&layout=121&visual=49

    Da mesma senadora Ana Amélia.
    Caro Arthur,
    Haja esperança. No Facebook (tens conta lá?) há grupos contrários ao AO, integrando na maioria Portugueses, mas também alguns Brasileiros. Partilhamos artigos, pareceres, opiniões, recortes de imprensa e da internet (insertos na Choldra). Alguns estamos a animar a escrita e envios de cartas a Deputados e Ministros. Primeiro e-mails (com pouco efeito, ou respostas a agradecer, ou nenhuma), agora cartas. Que tal a oposição no Brasil reforçar o apoio a esses senadores? Enviando mensagens, cartas de estímulo?

    • arthurmaximus disse:

      A forma que tenho – tive, aliás – de contribuir, Rui, foi escrevendo o post sobre o AO. Graças a si e aos seus outros conterrâneos portugueses, a audiência do blog aumentou bastante. De minha posição como administrador do espaço, posso conferir os eventuais compartilhamentos do conteúdo entre os internautas. Só este post, veja você, teve 264 compartilhamentos, o que é muita coisa, considerada a capacidade de multiplicação na internet. Espero que o post eventualmente chegue aos representantes eleitos e seja alvo da reflexão que propus: “Afinal, o Brasil precisa do AO?” Abraços.

  22. Mourão disse:

    Meu caro Arthur, se o propósito era o de provocar polêmicas, despertar xenofobismos, estimular agressões nacionalistas( o que eu duvido) você atingiu plenamente o objetivo, pois a discussão sadia e culta, que também se evidenciou, não se pode negar, ficou em segundo plano, em virtude de provocações que nada acrescentaram ao exame consciente do assunto, que no meu entender não deveria gerar tantas discórdias.
    No aspecto gramatical, estranhei muito, levando em consideração ao idioma português falado no Brasil, o emprego de “consigo”,por diversas vezes, como como objeto direto: ” concordo consigo”, pois tal palavra é um pronome pessoal do caso oblíquo usado como reflexivo ( a exemplo de carregar alguma coisa consigo mesma)

    • arthurmaximus disse:

      Caro Comandante, como escrevi ao ghost writer nazista, por uma questão de cortesia e coerência escrevo as respostas aos comentaristas portugueses em português de Portugal. Lá, utiliza-se largamente o “consigo” como pronome oblíquo. Assim como o “comigo” para referir-se à primeira pessoa do singular e o “contigo” para referir-se à segunda, o “consigo” é utilizado para referir-se à terceira. O Rui Duarte poderia explicar melhor do que eu, mas em Portugal evita-se a utilização indiscriminada da segunda pessoa do singular, como fazemos aqui no Brasil, por uma questão de formalidade, creio eu. E aí, com o emprego da terceira pessoa, deve-se obedecer à concordância pronominal. Um abraço.

      • Rui Duarte disse:

        Há graduações na 2.ª pessoa em Português euro-afro-asiático:
        — informal: tu / vocês (vós raro, regional, erudito, variante geracional — pessos mais idosas conservam-no, pois assim ainda aprenderam)
        — formal equivalência hierárquica: você / vocês
        — formal distanciamento hierárquico (geralmente de um inferior para um superior, ou para um desconhecido): o(s) senhor(es), a(s) senhora(s).
        Penso que a última modalidade corresponde ao uso brasileiro. Quanto à primeira e segunda, estão, parece, fundidas numa só no Português BR, em proveito da segunda.
        Nos dois últimos casos, a concordância verbal (assim como pronominal dos reflexos) faz-se segundo a 3.ª pessoa.

        Vai-se dizendo em Portugal “eu vi ele”, “concordo com você”, “vou com vocês” (= “vou convosco”) mas isso, embora normal na norma oral corrente brasileira, constitui uma “pidjinização” no Português euro-afro-asiático, por influência/simplificação brasileira, por via da cerca de décadas e meia de visualização maciça de telenovelas brasileiras na televisão portuguesa, antes de se impor com vantagem a concorrência das telenovelas nacionais.
        A obliquidade de “comigo”, “contigo”, “connosco” (com duplo “n”), “convosco”, “consigo” é herança do Latim: o elemento -go provém da posposição de “cum” lat. mecum, tecum, secum, nobiscum, uobiscum. Indicava oliquididade no Latim. Com a perda da noção do antigo “cum” em -go, prepôs-se um novo “cum”!

      • arthurmaximus disse:

        Obrigado pela explanação, Rui. Seus comentários têm feito subir muito o nível deste espaço. Um abraço.

  23. Rui Duarte disse:

    Caro Arthurmaximus,

    Na impossibilidade de lhe colocar aqui a ligação para o meu artigo que saiu hoje (porquanto o acesso só será permitido a quem assinar o jornal, no mínimo por uma semana), coloco aqui a transcrição do mesmo, no meu blog “novas criações”:
    http://neaktisis.blogspot.fr/2012/09/a-recepcao-da-recessao.html
    Um Abraço
    Rui

    • arthurmaximus disse:

      Meu caro Rui Duarte,
      Fico muito satisfeito com a sua publicação e envaidecido com a referência que me fez.
      Gostaria de saber se você me autoriza a publicar o seu artigo aqui, para que os seguidores do blog tenham também acesso a ele.
      Um abraço.

  24. Pingback: «A recepção da recessão» [Rui Miguel Duarte, "Público", 29.09.12] - ILC contra o Acordo Ortográfico

  25. Rui Miguel Duarte disse:

    Arthur, publique à vontade. Assim mesmo, com remissão para o meu blog, visto que o acesso à ligação do jornal é só para comprou a edição electrónica. Posso enviar-lhe .pdf da página em questão.
    Abraço
    Rui

  26. Pingback: A recepção da recessão, por Rui Miguel Duarte | Dando a cara a tapa

  27. Pingback: A prorrogação da entrada em vigor do AO no Brasil | Dando a cara a tapa

  28. Pingback: Acordo ortográfico: carta ao Ministro da Educação – Aventar

  29. LM disse:

    Caro arthurmaximus, v. escreveu que “Erich von Manstein foi um general alemão, morto durante a segunda guerra mundial.”
    Não, não morreu durante a II Guerra Mundial. Erich von Manstein nasceu no dia 24 de Novembro de 1887, e faleceu a 9 de Junho de 1973.
    Fonte: Wikipedia

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