O aumento da violência no Brasil

A sensação é geral. Em quase todo o país, as pessoas sentem que a violência aumenta cada dia mais. Costumes que outrora eram usuais, como andar na rua ou sair à noite, hoje parecem vagas lembranças de um passado que teima em não voltar. Mesmo com o aumento de investimento em todos os níveis de governo, não há quem em são consciência defenda que vivemos hoje mais seguros do que antigamente.

Há, claro, as Polianas e os mentirosos patológicos que insistem em dizer que não, não houve aumento da violência. O que aumentou simplesmente foi a “percepção” de insegurança. Com o aumento e a difusão maciça do acesso à informação, atualmente as pessoas têm mais acesso às notícias do que antigamente. Logo, o aumento do conhecimento da violência no país aumentaria, por conseguinte, o medo no restante da população que não foi vítima de violência.

Trata-se de uma deslavada lorota.

De fato, a difusão da informação pode aumentar a percepção do medo da violência. Mas isso unicamente não explica a situação atual. Pare e pense: quantas pessoas que você conhece já foram vítimas de violência urbana? Se você respondeu nenhuma, provavelmente passou os últimos 20 anos morando na Suécia.

Basta olhar à sua volta: em que país do mundo pessoas comuns blindam seus carros? Instrumento antes restrito aos altos mandatários das nações, hoje qualquer pessoa da classe média pode blindar seu carro, como direito até a parcelar o pagamento.

A questão, no fundo, é bem mais simples: as pessoas têm mais medo porque a violência aumentou. Basta passar os olhos nas estatísticas de roubos e assassinatos desde 1960 pra cá para constatar a progressão geométrica da ascensão do crime.

O que faz da insegurança um problema permanente e – pior – crescente em nossas vidas?

Minha teoria é simples: as coisas estão desse jeito e só tendem a piorar porque, no Brasil, a insegurança tornou-se um grande negócio.

Em primeiro lugar, ganham com a insegurança os empresários que vivem de vender segurança aos outros. Empresas de transporte de valores, de segurança de eventos e, claro, as empresas de segurança de condomínios.

Em segundo lugar, ganham as empresas que vendem a segurança “faça-você-mesmo”. Nesse bolo, entram a indústria armamentista, as que vendem cursos de tiro e defesa pessoal e até mesmo as lojas de eletrônicos que vendem câmeras, alarmes e outras bugigangas, tão caras quanto inúteis.

Por último, ganham os apresentadores de TV, que vivem de explorar o mundo cão das delegacias e dos pobre coitados expostos a contragosto à execração pública. Não à toa, alguns desses apresentadores e repórteres acabam se valendo da profissão para cabalar votos e se eleger alguma coisa, prometendo, como é óbvio, “combate à insegurança”. Eleitos, esses parlamentares passam a integrar as “bancadas da bala”, e estabelecem uma relação supostamente contraditória com o noticiário policial: condenam a violência ao mesmo em tempo em que se alimentam dela para aumentar sua popularidade.

A verdade é que, enquanto tanta gente ganhar a vida vivendo da violência, vai ser difícil que ela acabe no país. Espera-se apenas que o tempo ajude mais pessoas a abrir os olhos e enxergar o que está por trás da bandidagem nossa de cada dia. Quando isso acontecer, pode ser que as coisas comecem a mudar. Para melhor.

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