A Explosão Cambriana

Outro dia, resolvi tirar um pouco o atraso dos filmes que estavam em cartaz e que eu não assisti ainda, aluguei Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme, seqüência do clássico Wall Street, de 1987, que rendeu o Oscar de Melhor Ator a Michael Douglas. O filme é bom, embora se perca no final, mas, de todo modo, eu recomendo.

No começo do filme, o personagem principal, interpretado por Shia LeBouf, começa dizendo: “A Explosão Cambriana foi a maior de todas as bolhas”.

Sem descer muito a detalhes, o personagem traça um paralelo entre os episódios de alta especulação dos tempos atuais e um incrível episódio de alta especulação genética ocorrida na pré-história.

Mas o que foi a Explosão Cambriana?

Há aproximadamente 550 milhões de anos, a vida na Terra resumia-se a um punhado de organismos bem primitivos, como algas, bactérias e protozoários. Nada muito animador, se alguém esperava a diversidade rica e complexa que existe hoje em dia.

No entanto, por volta de 530 milhões de anos atrás, num espaço de tempo geologicamente curto (5 milhões de anos), houve uma verdadeira explosão da vida. Formas as mais diversas e muito mais complexas brotaram, por assim dizer, do nada, fazendo com que a vida na Terra ganhasse outros contornos.

Dentre as espécies bizarras que apareceram, estavam exemplares de 11 em cada 10 filos hoje existentes no planeta (lembrando a seqüência Reino-Filo-Classe-Ordem-Família-Gênero-Espécie). Nesse período, surgiram inclusive os primeiros espécimes de cordados, dos quais posteriormente descenderiam os vertebrados (nós, inclusive).

Embora a maioria das espécies tenha se perdido na seqüência da evolução, alguns sobreviventes dessa época continuam a peregrinar pelos mares de hoje, como alguns crustáceos, moluscos e equinodermos. E constituem um dos maiores mistérios a se resolver na ciência evolutiva.

Como se sabe, a Teoria da Evolução prega a sobrevivência dos mais aptos, através de um mecanismo de seleção natural entre as espécies. Dois problemas, no entanto, continuam não resolvidos: a não comprovação do “elo perdido” entre o homem e a espécie da qual deriva geneticamente (o macaco); e a Explosão Cambriana.

Dentre esses dois, a Explosão Cambriana é a que de longe tira mais o sono dos cientistas. Tirou o sono até do próprio Darwin, pra falar a verdade, pois dedicou um capítulo inteiro de sua A Origem das Espécies para tentar explicar o que se passou no período cambriano. No fundo, ela constitui o maior furo na teoria da evolução.

A questão é a seguinte: se a evolução entre as espécie decorre de uma seleção natural entre organismos geneticamente diferenciados que competem entre si num mesmo ambiente, isso consegue explicar como, entre duas espécies semelhantes (Homo Neanderthalis e Homo Sapiens), apenas uma consegue sobreviver. No entanto, a teoria de evolução não consegue oferecer uma resposta satisfatória para o surgimento abrupto, súbito e numericamente extraordinário de espécies inteiramente díspares entre si. E foi isso que ocorreu no Período Cambriano.

Como explicar o surgimento simultâneo de uma série de filos diferentes? Como explicar a seleção natural entre formas de vida que simplesmente não existiam antes do Período Cambriano? Como explicar que tanta coisa junta possa ter ocorrido num espaço de tempo ridículo (5 milhões de anos), considerada a escala geológica?

Para essas perguntas, a teoria da evolução não oferece resposta. Com isso, resta apenas a especulação. Alguns cientistas acreditam que as algas já existentes tenham produzido oxigênio suficiente para o surgimento de organismos aeróbicos. Outros sustentam a possibilidade de algum influência externa (espacial), como a radiação, tenha potencializado as mudanças genéticas e ter ocasionado o surgimento espetacular dessa quantidade de espécimes. E há, é claro, os que atribuem a alguma intervenção divina o surgimento de tanta vida “do nada”.

O fato é que, como o período cambriano remonta a aproximadamente meio bilhão de anos atrás, é difícil que a ciência venha a desvendar com evidências palpáveis esse mistério. E sem uma explicação cientificamente convincente para a Explosão Cambriana, a Teoria da Evolução continuará sendo o que seu próprio nome indica: somente uma teoria.

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