Julgamento em Nuremberg

Um dos melhores filmes já produzidos e realizados em Holywood chama-se Julgamento em Nuremberg.

Não, não é o recente filme do ano 2000, com Alec Baldwyn no papel do promotor norte-americano Robert Jackson. É um filme mais antigo, de 1961, em preto e branco, que reuniu em duas horas lendas da sétima arte como Spencer Tracy, Burt Lancaster, Judy Garland e, é claro, Marlene Dietrich.

Ao contrário do mais recente, o filme de 1961 não é inteiramente baseado em fatos (não fatos reais, por favor). Na verdade, trata-se de uma inspiração em casos reais, que serviram de norte para produzir essa verdadeira pérola do cinema.

A trama se desenrola na Alemanha do pós-guerra. Depois do julgamento dos cabeças da Alemanha Nazista, ninguém mais no resto do mundo dá a mínima bola para o que se passa em Nuremberg. Mas os julgamentos continuam, com figuras do segundo, terceiro, quarto, até o rabogésimo escalão, no papel de acusados.

Um juiz norte-americano chamado Dan Haywood (Spencer Tracy) é convocado para presidir o julgamento de quatro juízes alemães, responsáveis por algumas das condenações mais absurdas do regime. Entre eles, um jurista de alto gabarito, uma espécie de Hans Kelsen da vida, admirado e idolatrado em todo o mundo por sua contribuição para a ciência jurídica: Ernst Janning (Burt Lancaster).

Para a defesa de Janning, apresenta-se um advogado jovem, brilhante e ambicioso: Hans Rolfe (Maximilian Schell). Para o julgamento, Rolfe arquiteta uma estratégia de defesa ousada: defenderá a legitimidade de todos os atos praticados por Janning em defesa da ordem social estabelecida na Alemanha. Para ele, os únicos responsáveis pela desgraça nazista deveriam ser os cabeças da Nação. Aos demais membros dos escalões inferiores não caberia responsabilidade alguma, sob pena de serem considerados como traidores e subversivos do regime.

Fora isso, Rolfe capta um pano de fundo aparentemente ignorado pelo Juiz Haywood de início. No pós-guerra, os americanos queriam porque queriam trazer os alemães de volta para seu lado, como anteparo eficaz contra a expansão soviética a leste. Para isso, precisavam reconquistar corações e mentes. E uma condenação de um alto magistrado da nação, admirado no mundo inteiro, não exatamente contribuiria para isso.

Portanto, a estratégia de Rolfe é muito simples: quem está em julgamento não é Janning, mas todo o povo alemão. É dizer: quem seguiu os nazistas – e nisso a maior parte dos alemães se incluía – não poderia ser condenado pelos crimes contra a humanidade praticados em nome do regime ao qual estavam subordinados. Condená-lo seria o mesmo que condenar o padeiro da esquina por Auschwitz.

No transcorrer do julgamento, a ficha do povo alemão em julgamento começa a cair nos comandantes da ocupação americana. Assim, começam a pressionar Haywood para amolecer seu veredicto a absolver Janning. Isso mesmo depois de Janning ter subido à cadeira de acusado e confessado todos os horrores que cometera, para o desespero de seu advogado, Rolfe.

Entre a cruz da reconciliação política a espada da justiça, Haywood reflete até queimar as pestanas. Pesa sobre ele o sentimento de uma senhora da aristocracia nazista que acaba por se tornar sua amiga, Madame Bertholt (Marle Dietrich), que pensa exatamente como Rolfe.

Mesmo assim, Haywood decide seguir sua consciência. Janning e todos os demais juízes são condenados.

No final, Rolfe encontra Haywood para dizer-lhe que Janning deseja vê-lo na prisão. Na ocasião, Rolfe propõe-lhe uma aposta: em cinco anos, todos os condenados estarão livres por perdão judicial. Ao que Haywood replica: “O que você diz é lógico para os tempos em que vivemos. Mas ser lógico não é ser certo. E nada nesta Terra pode fazê-lo certo”.

Na prisão, Janning entrega para Haywood todos os papéis dos casos que presidiu. Diz que não tem mais ninguém em quem confiar a sua custódia. E, apesar de concordar com a condenação, roga:

“Eu nunca imaginei que terminaria naquilo”.

E Haywood esclarece:

“Você imaginou na ocasião em que condenou o primeiro homem à morte sabendo que ela era inocente”.

Abaixo, a parte final, infelizmente sem legendas.

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